A noite era de sexta-feira,13, mas nem por isso houve qualquer azar ou mau olhado sobre a mesa do restaurante Dieci, Campo Pequeno, onde estavam sentados os onze “delitantes” que responderam ao desafio do Pedro Correia para mais um jantar do Delito de Opinião. Para quase todos os presentes foi o reencontro, mas para mim e para o Diogo Noivo foi a estreia nestes momentos de convívio na qualidade de “caloiros” deste blogue (citando as simpáticas palavras do Pedro). Confesso que ainda tentei negociar a incumbência que me foi dada para fazer a acta deste jantar, mas parece que não fui suficientemente persuasivo para que o Diogo, o outro caloiro, assumisse esta tarefa que, certamente, a faria com mais elegância e interesse do que eu.
Sendo assim, cá estou eu a dar uma nota sobre o que se passou e falou ontem ao longo do jantar, que começou por volta das 20 (confesso que cheguei atrasado e a Joana Nave apareceu um pouco depois) e se prolongou até às 23h30. E começo por fazer um apontamento mais pessoal, já que foi um prazer enorme rever o Fernando Sousa, que não via desde 2001/02, altura em que estagiei na grande secção de Internacional do Público (que saudades desse jornalismo) e onde ele era o “expert” em América Latina. E, naturalmente, que me dá sempre gosto rever o Pedro e o Luís Naves, que já conheço há alguns anos de outras andanças e com quem vou estando de tempos a tempos. Quanto aos outros ilustres à mesa, os seus nomes já me eram familiares há muito, mas só ontem tive o prazer de os conhecer pessoalmente e em boa hora isso aconteceu. Aliás, para mim, essa é uma das grandes virtudes destes jantares, porque além de reforçarem conhecimentos e amizades, servem para associar um nome a uma cara. Isso faz toda a diferença quando se está num blogue colectivo como o Delito de Opinião.
Simpatia e inteligência, duas palavras que me vieram de imediato à cabeça para caracterizar este grupo, no seio do qual a diversidade de opiniões, de tendências, de ideologias, de opiniões e de idades só podia resultar numa “ementa” variada, mas toda altamente recomendável. O jantar de ontem reflectiu na perfeição aquilo que é o Delito de Opinião, com as conversas e os temas a serem lançados para cima de mesa, às vezes sem ligação aparente, mas debatidos com argumentos válidos e inteligentes e, sobretudo, sempre com respeito pelas outras opiniões, mesmo quando divergentes ou até mesmo contrárias. Exemplo disso, foi a conversa animada sobre a complexa relação entre o Ocidente e o Islão e sobre os fenómenos extremistas nas nossas sociedades, com todos a esgrimirem as suas opiniões, tendo o Diogo, o Luís Menezes Leitão, a Ana Vidal, o Pedro e o Luís Naves estado particularmente activos nessa interessante discussão. Eu próprio dei o meu modesto contributo. Nem todos estávamos de acordo, mas a riqueza de um blogue como o Delito é mesma essa. Ao contrário de outros blogues colectivos, o Delito não é um monolito intelectual nem ideológico.
E por falar em ideológico, muito se falou de Salazar e dos militares, de Franco e da Catalunha, de Hitler e da lógica das massas, com as contribuições particularmente sabedoras do Diogo (um homem da Ciência Política) e do Luís Menezes Leitão (com obra de grande envergadura sobre algumas destas matérias). Como não podia deixar de ser, o tema Trump não passou ao lado e o Luís Naves, que há anos se debruça sobre estas matérias, tentou explicar a sua interessante teoria sobre Donald Trump e a forma de como alguma parte do eleitorado está a ser levada numa espécie de “paranóia” e “realidade alternativa”. Estranhamente (ou nem tanto), falou-se muito pouco de política nacional (ainda bem).
Não pense o leitor destas linhas que naquela mesa os temas discutidos ficaram circunscritos a estas matérias de grande profunidade intelectual académica e científica. Longe disso. Muito se falou de cinema. O Pedro estava empenhado em saber a nossa opinião sobre qual o melhor filme português de sempre. Um tema que gerou muito entusiasmo, mas que parece ter gerado algum consenso: “O Pai Tirano”. Chegámos também à conclusão que os clássicos do cinema português tinham uma qualidade nos diálogos sem paralelo no que se faz hoje em dia. E precisamente sobre a actualidade, falou-se muito de cinema internacional, turco, espanhol, italiano… mas nada americano. Dos Estados Unidos, hoje em dia, o que vale a pena ver são as séries. Todos reconhecemos isso. Ao falarmos no House of Cards, fiquei a saber através do Luís Menezes Leitão e do Diogo que a versão original é inglesa e que vale mesmo a pena ver. Irei seguir essa recomendação. Mas as velhinhas séries da nossa infância ou juventude também não foram esquecidas e até houve mesmo quem falasse no Verão Azul (sim, aquela série espanhola do Chanquete e do Piraña).
Conversa animada e cheia de boa disposição, que era também aquilo que eu via estampado nos rostos do João Campos, da Joana, do José Navarro de Andrade e da Teresa Ribeiro, mas que estavam um pouco mais distantes de mim, já que eu estava numa das extermidades da mesa. Reconheço que este apontamento está um pouco incompleto, porque me foi difícil captar as conversas do outro lado e, por isso, deixo aqui o desafio para que esta “acta” possa ser melhorada, porque será com muito gosto que lerei o testemunho de outros “delitantes” sobre o jantar de ontem.


Boa estreia, sim senhor. Viste que não doeu, pá? Deste uma muito razoável ideia do gang. Foi bom rever-te, Alexandre. Benvindo e vamos aos posts.
Teste superado, meu caro Alexandre: uma acta bem expressiva do nosso repasto de ontem. E o Diogo fica desde já incumbido de tratar da próxima.
Muito bem. E pelo que li não custou nada fazer a acta, Alexandre.
Uma crónica a fazer justiça ao jantar. Já tinha saudades destes convívios.
podem continuar aqui a discussão, não se acanhem…muitos parabéns à equipa do blogue! é um blogue de visita obrigatória diária. Parabéns!
Ena, Alexandre, que bela e pormenorizada estreia nas actas. Só faltou o comentário aos comes e bebes, que estavam bem bons por acaso. Que saudades eu tinha destas conversas cruzadas, às vezes mesmo caóticas, que são tão características dos nossos encontros. No fim tudo acaba em bem e todos se entendem, que é o que interessa. Que saudades também que eu tinha de todos, mesmo dos que não conhecia… porque se integram tão bem no espírito do Delito que parece que sempre cá estiveram. Que saudades que eu tenho dos que não puderam estar desta vez, e que espero estejam na próxima. Enfim, que saudades do Delito! Estive exilada (ou a hibernar, não sei bem) mas isso acabou. Palavra de irremediável delituosa. 🙂
Excelente texto, Alexandre. Não faria melhor – e muito menos com maior elegância. Assumo com gosto a incumbência que o Pedro me dá, mas sempre ouvi dizer que equipa que ganha não mexe… 😉
Numa nota pessoal, não podia imaginar melhor estreia. Foi bom rever velhos amigos e fazer novos. Parafraseando as palavras certeiras da Ana, que saudades tinha de todos, mesmo dos que não conhecia.