Acção versus Inércia?


josegomesandre,

Nos últimos tempos, o Governo tem procurado reduzir o debate sobre o investimento público a um estranho dualismo: progresso contra imobilismo, fazer contra ficar parado, avançar contra recuar. Sócrates bate nessa tecla quase diariamente e ainda há dias, a propósito da construção do TGV, registei este sintomático argumento de Carlos Zorrinho (coordenador do Plano Tecnológico), no Twitter: "não é uma questão de contra ou a favor. É acção ou inércia.".

Este argumento maniqueísta é absurdo. Se reduzirmos a discussão sobre a intervenção do Estado (na economia ou em qualquer outra) a um problema ontológico (em que o "ser" equivale ao "bem" e o "não-ser" ao "mal), então sancionaremos qualquer acção governativa, independentemente do seu valor. Se o governo decidisse acabar com a escola pública, seria óptimo (o governo agiu, em vez de ficar parado); se o governo construísse um aeroporto em Fornos de Algodres, seria extraordinário (preferiu agir a ficar parado), e por aí adiante.

Daqui se conclui facilmente que a questão não é um mero confronto entre "agir" e "nada fazer", mas antes saber em que áreas e em que circunstâncias é do interesse público agir, o que por sua vez pressupõe a possibilidade de não se intervir nalguns casos e de se intervir noutros. Enquanto não nos livrarmos da falácia inerente àquela retórica "socrática", nunca efectuaremos um verdadeiro debate sobre as reais necessidades do país e de como as mesmas podem ser solucionadas.

2 comentários em “Acção versus Inércia?”

  1. Em especial, para Carlos Zorrinho (o político do caos sistémico do Plano Tecnológico):

    Os erros capitais
    de uma legislatura falhada,
    são tantos e fatais,
    ficando a nação esfrangalhada.

    As crenças adolescentes
    e a propaganda encomendada,
    originaram caos efervescentes
    numa política trucidada.

    Mentidos e desmentidos,
    pão nosso de cada jornada,
    estes políticos incontidos
    são de natureza esganada.

    A verdade trapaceira
    já está institucionalizada,
    com gentalha arruaceira
    e totalmente descredibilizada.

    Epílogo

    A violência retórica
    durante esta legislatura,
    é a verdade histórica
    de uma república imatura.

  2. A ideia desta gente iluminada parece ser: se estiver à beira de um precipício, prefiro a acção e piso no acelerador.

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