Nos últimos tempos, o Governo tem procurado reduzir o debate sobre o investimento público a um estranho dualismo: progresso contra imobilismo, fazer contra ficar parado, avançar contra recuar. Sócrates bate nessa tecla quase diariamente e ainda há dias, a propósito da construção do TGV, registei este sintomático argumento de Carlos Zorrinho (coordenador do Plano Tecnológico), no Twitter: "não é uma questão de contra ou a favor. É acção ou inércia.".
Este argumento maniqueísta é absurdo. Se reduzirmos a discussão sobre a intervenção do Estado (na economia ou em qualquer outra) a um problema ontológico (em que o "ser" equivale ao "bem" e o "não-ser" ao "mal), então sancionaremos qualquer acção governativa, independentemente do seu valor. Se o governo decidisse acabar com a escola pública, seria óptimo (o governo agiu, em vez de ficar parado); se o governo construísse um aeroporto em Fornos de Algodres, seria extraordinário (preferiu agir a ficar parado), e por aí adiante.
Daqui se conclui facilmente que a questão não é um mero confronto entre "agir" e "nada fazer", mas antes saber em que áreas e em que circunstâncias é do interesse público agir, o que por sua vez pressupõe a possibilidade de não se intervir nalguns casos e de se intervir noutros. Enquanto não nos livrarmos da falácia inerente àquela retórica "socrática", nunca efectuaremos um verdadeiro debate sobre as reais necessidades do país e de como as mesmas podem ser solucionadas.

Em especial, para Carlos Zorrinho (o político do caos sistémico do Plano Tecnológico):
Os erros capitais
de uma legislatura falhada,
são tantos e fatais,
ficando a nação esfrangalhada.
As crenças adolescentes
e a propaganda encomendada,
originaram caos efervescentes
numa política trucidada.
Mentidos e desmentidos,
pão nosso de cada jornada,
estes políticos incontidos
são de natureza esganada.
A verdade trapaceira
já está institucionalizada,
com gentalha arruaceira
e totalmente descredibilizada.
Epílogo
A violência retórica
durante esta legislatura,
é a verdade histórica
de uma república imatura.
A ideia desta gente iluminada parece ser: se estiver à beira de um precipício, prefiro a acção e piso no acelerador.