Mais íntima que o sexo, só a morte. Quando as revistas cor-de-rosa descobriram esta pornografia, funerais e velórios passaram a disputar capas com as últimas tricas sobre a vida sentimental das vedetas dos morangos e as figuras públicas que padecem de doenças de prognóstico reservado tornaram-se peças de caça.
Ontem, ouvi na SIC o António Feio lamentar as perseguições de que tem sido alvo desde que se sabe que luta contra um cancro. Magoado, recordou um telefonema que o perturbou especialmente, recebido há dias de um jornal: "Logo pela manhã acordaram-me em casa para me perguntar o seguinte: A morte do Patrick Swayze não o stressa?"
Não sei o que mais me impressionou. Se a elegância da pergunta ou a subtileza do seu propósito: o de confrontar o António Feio com a sua própria morte.
Se isto não é pornografia e da mais porca, não sei o que lhe chame.


Nem mais Teresa, nem mais. Abutres foi precisamente a imagem que me ocorreu.
Já o tenho dito e repito: chamar cor-de-rosa à imprensa mais negra que há, é um eufemismo sem explicação. Presumo que concordas, Teresa.
Não podia estar mais de acordo.
Subscrevo inteiramente, Teresa.
Essa pergunta vergonhosa merecia um processo em tribunal. E o despedimento de quem a fez (e de quem a mandou fazer, que ainda é pior). Um nojo.
Óptima chamada de atenção, Teresa. Durante muito tempo a nossa imprensa cor-de-rosa foi respeitosa e discreta, mas já começa a assemelhar-se aos pasquins ingleses da pior espécie. E é pena.
Ainda bem que falas disso aqui, Teresa. Acho obsceno este «interesse» de pasquins pelas doenças graves das figuras públicas. Foi assim com o Nicolau, está a ser com o António Feio e o mais que se verá. Mal cheira a cancro, começam a salivar para vender mais papel. E o direito à privacidade vai às urtigas. E o mais elementar sentido do decoro também.
Isso é a perversão da missão jornalística, que visa servir o interesse público e não vasculhar na intimidade de cada um.
POR AQUI SE VÊ O ESTADO A QUE CHEGOU O ESTADO DA FALTA DE “TUDO” A QUE CHEGARAM OS A QUE CHAMAMOS JORNALÍSTAS. OS PROFESSORES DESTES PSEUDO – JORNALISTAS NÃO LHES ENSINARAM ÉTICA, SABER PORTUGUÊS, HONESTIDADE INTELECTUAL? SÓ LHES ENSINARAM “ESPERTEZA SALOIA”. POBRE ENSINO.
Aqui ninguém é surdo. Se eu souber que V. se chama Antoine Noir também lhe respondo aos gritos.
Abutres sim. E o mais grave é que podiam escolher não o ser.
ia escrever sobre isto mesmo. também vi partes da entrevista, e impressionou-me a dignidade de a.feio.
Falta de vergonha…Claro que não o stressa, o homem só está a lutar com uma das principais causas de morte…Esse senhor só perdeu uma oportunidade de estar caladinho…Valha-me Deus!!!
Temos por aqui um Antoine que deve pensar que por aqui temos ,das duas uma, ou falta de vista ou de audição.
Uma boa semana para todos.
🙂
Chamar a isso imprensa é o que mais me custa, Teresa.
Chame-lhe crueldade pornográfica, Teresa.
Quem fez esta pergunta tem a sensibilidade de um calhau; como tal deveria levar um valente chuto.
O jornal e o pseudo-jornalista devem ser processados, são uma vergonha para os jornais e jornalistas sérios.
Teresa,
Enquanto houver quem compre esse “esterco” (a palavra é forte, mas é mesmo assim), vai ser difícil mudar.
Essa é também uma questão de cidadania. E de higiene.
Esperava ver aqui, espero ainda, ver escarrapachado o nome do jornal e o do jornalista. Para podermos manter alguma esperança de mudar estes comportamentos, os pulhas devem ser denunciados sem hesitação.
Indignado:o António Feio não revelou nem o nome do jornal nem do jornalista
Concordo com o que escreve, mas o que está em causa é uma questão de deselegância e de estilo e não propriamente a confrontação do entrevistado com a própria morte. Li há uns tempos uma entrevista de António Feio na Pública, e a entrevistadora, a jornalista Anabela Mota Ribeiro, confrontava-o com a questão da morte, não me tendo chocado nos termos em que foi feita.