A vontade da Santa Sé.


Luís Menezes Leitão,

 

Desde que D. Afonso Henriques decidiu dar a independência a este cantinho à beira-mar plantado que, com excepção do tempo dos Filipes, não temos um Governo tão subserviente aos ditames do estrangeiro. Primeiro o Governo obedece atento, venerador e obrigado, a todas as medidas que venham da troika, por mais disparatadas que as mesmas sejam e, como se viu, estarem a arrasar totalmente o país. Depois, nesta história dos feriados, uma iniciativa absolutamente ridícula e que só demonstra uma falta de consideração pelos símbolos nacionais como não há memória em Portugal, acabou por transformar a extinção dos feriados religiosos numa suspensão por cinco anos porque “é a vontade da Santa Sé”. Pelo vistos, para o Governo, se é a vontade da Santa Sé, ou da Santa Troika, amen. Mas como nem a Santa Sé, nem a Santa Troika se importam com os feriados que comemoram a independência do país ou o regime republicano, esses serão definitivamente extintos. Se o Ministro da Economia tivesse um pingo, já não digo de sentido de Estado, mas de vergonha na cara, voltava atrás com esta absurda proposta de extinção de feriados e poupava-nos a este triste espectáculo da humilhação do Estado Português e dos seus símbolos nacionais, a que todos os dias somos forçados a assistir.

7 comentários em “A vontade da Santa Sé.”

  1. Concordo, Luís. A supressão dos feriados é uma medida gratuita, porque não leva a nenhuma melhoria substancial para o país, e perfeitamente dispensável. A baixa produtividade dos portugueses não aumentará com essa supressão porque é uma questão de índole e/ou de hábitos ancestrais, não tem nada que ver com o número de dias de trabalho. Confunde-se produtividade com produção, o que é um engano estúpido. Concordo com a supressão das pontes, que são dias de trabalho normais, mas não posso concordar com este desprezo por datas que têm um significado especial para o país. Acho até que a baixa produtividade está relacionada com a baixa auto-estima, e retirar a um povo os seus símbolos é fazer baixar ainda mais esta última.

  2. Vista da sacrossanta Alemanha esta questão soa a algo de muito engraçado. No estado onde trabalho (Renânia do Norte-Vestfália) tenho direito a 11 feriados por ano. A maior parte dos trabalhadores tem direito a 25-30 dias de férias por ano. Muito pouca gente trabalha efectivamente mais que 40 horas por semana. Pontes não são um problema: os trabalhadores tiram o dia de férias e acabou a conversa. Haverá até empresas que preferem fechar as portas (e obrigar os seus trabalhadores a tirar o dia de férias) a terem os serviços a 50% na melhor das hipóteses.

    Não são estes tipos que obrigam a cortar dias de férias, feriados e coisas que tais?

  3. Mais um ponto, vejamos quanto mais tempo se trabalhará por ano.
    1. 4 dias pelo fim de feriados
    2. 1-2 dias de férias a menos (não me lembro se isto avança)
    3. app. 14 dias a mais pela meia hora de trabalho extra por dia (meia hora por dia multiplicada por 220 dias de 8 horas de trabalho por ano).

    Total? Quase 20 dias. Foram-se as férias…

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *