A vitória de Puigdemont.


Luís Menezes Leitão,

Não há hoje qualquer dúvida de que o 1-O representou uma vitória clara da Generalitat sobre o governo de Madrid. Talvez seja exagerado dizer que foi o dia em que a Espanha perdeu a Catalunha, mas não há dúvida que Rajoy conseguiu dar um grande passo nesse sentido. A solução óbvia para qualquer líder sensato era ignorar o referendo, afirmando a sua ilegalidade, mas permitir a sua realização. Rajoy optou, no entanto, por proibir à força o referendo, julgando que iria conseguir impedir a votação. A verdade é que não o conseguiu fazer e deu uma imagem de já não ter qualquer controlo sobre o território catalão. O momento decisivo do dia de ontem foi quando os Mossos de Esquadra se recusaram a encerrrar as assembleias de voto, o que obrigou o Governo Central a recorrer à Guardia Civil, com elementos de fora da Catalunha, que causaram mais de 800 feridos e deram para o exterior a imagem de uma força de ocupação. Agora, num absoluto delírio, parece que se quer processar toda a polícia catalã. Mas a verdade é que, com maior ou menor jogo do gato e do rato, o referendo foi-se realizando, e embora os seus resultados não possam ser considerados credíveis devido ao bloqueio informático efectuado pelo governo central, a sua simples realização nessas condições deu uma clara vitória política a Puigdemont.

 

E agora? Nos próximos dias, a Generalitat vai avançar para uma declaração unilateral de independência, e aí o Governo de Madrid ou volta a recorrer à força, suspendendo a autonomia catalã ao abrigo do art. 155 da Constituição, o que não parece que dê grande resultado, face ao que ontem se viu, ou terá que tentar resolver este problema politicamente. E para isso não vale a pena invocar apenas a Constituição de 1978. Em 1978 Espanha aceitou um quadro constitucional de transição para sair do regime franquista, cujos apoiantes ainda eram muito poderosos. Isso viu-se logo três anos depois no 23-F, quando o regime espanhol ia caindo em consequência da actuação dos militares franquistas.

 

Mas passaram quase quarenta anos, Franco já não passa de um fantasma, e o quadro constitucional espanhol não está manifestamente a conseguir resolver os vários conflitos políticos que surgem. O Podemos faz comícios com a bandeira republicana, rejeitando a monarquia, e na Catalunha só se vêem bandeiras independentistas. Mas especialmente os órgãos de soberania de Espanha parecem incapazes de responder politicamente, limitando-se a invocar decisões de tribunais, algumas delas com uma enorme falta de bom senso. No 23-F o Rei Juan Carlos apareceu e conseguiu pôr fim ao golpe. Ontem, quando milhares de catalães eram espancados pela Guardia Civil, com grave lesão da imagem de Espanha no mundo, ninguém viu ou ouviu o Rei Filipe VI. Há silêncios que são de chumbo!

39 comentários em “A vitória de Puigdemont.”

  1. “… ninguém viu ou ouviu o Rei Filipe VI. Há silêncios que são de chumbo!”
    Felizmente, os tempos são outros.
    Felipe VI foi inteligente.
    Soube ler a situação.
    Qualquer coisa que dissesse virar-se-ia contra ele e agravaria a situação.
    Veja-se o que o 1º Ministro consegue, quando fala…
    Há silêncios que são de ouro!
    João de Brito

  2. o Governo de Espanha e não de Madrid, esteve muito bem ao colocar os Mossos na linha da frente para evitar confrontos com policia nacional, estes ao se recusarem a agir de acordo com a lei são os unicos responsáveis claros pelos feridos que aconteceram, pois ao recusarem acatar as ordens sabiam muito bem que os confrontos eram inevitáveis face ao clima anti-policia nacional promovido pelos independentistas…os Mossos estiveram ao serviço de quem quis que existisse confrontos acho bem que sejam punidos e não se armem vitimas porque de vitimas não tem nada….

    1. É como o bêbado que mata uma pessoa.. ele é que não tem culpa.. tava bêbado coitadinho!! Os policias que bateram em velhotes e mulheres desarmados não são cães, têm cerebro e olhos próprios e são responsáveis pelas suas acções.

  3. Vi ontem o que se passou. E foi impressionante ver os Mossos de Esquadra a chorarem perante o que os gamberros da Polícia Nacional faziam aos catalães que exigiam exercer o seu Direito de Expressão.
    Tendo eu uma posição ambígua quanto à independência catalã esta atitude de Madrid apenas reforça uma tendência para apoiar a sua causa . Aliás as UN já mostraram repúdio pela estratégia que Madrid adoptou. Rajoy é um cepo em termos diplomáticos. Deve julgar-se um Carlos V.

    1. UN human rights experts have weighed in on the escalating row over Catalonia’s independence referendum, warning the Spanish authorities that their “worrying” efforts to halt Sunday’s poll appear to violate fundamental rights and risk stifling debate “at a critical moment for Spain’s democracy

      “Regardless of the lawfulness of the referendum, the Spanish authorities have a responsibility to respect those rights that are essential to democratic societies,” the experts said.

      https://www.theguardian.com/world/2017/sep/28/un-rights-experts-criticise-spanish-efforts-to-block-catalan-vote

      1. UN que vá chatear as Monarquias do Golfo e deixe o Reino Católico em paz, a resolver os seus problemas internos!!! a UN não respeitar a Constituição do Reino de Espanha e ainda para mais apoiar o desrespeito é um caso gravíssimo

          1. Human Rights experts !!!???…Humans Rights a apoiarem o caos Peninsula Ibérica!!!??…daquela ONU tambem não sai nada jeito…coitadinhos dos independentistas catalãs…

          2. “E foi impressionante ver os Mossos de Esquadra a chorarem perante o que os gamberros da Polícia Nacional faziam aos catalães que exigiam exercer o seu Direito de Expressão.”
            .
            coitadinhos…os mossinhos não foram para isto…

          3. Significa que embora armados não pensam com o gatilho. Um exemplo de excelente conduta e profissionalismo. Porventura muitos deles viram amigos e colegas a ser vilipendiados por esses gamberros.

            Mas isso é coisa que o tric dificilmente compreenderá. Ainda vive no tempos dos Balduinos

          4. exemplo de conduta e profissionalismo é não cumprir a lei…acho que os mossinhos se enganaram na profissão…

          5. De cumprir a lei desculparam-se os das SS. Mas em Nuremberga de nada lhes valeu. Oxalá para eles e para os outros que as não tivessem cumprido. Ao que contam Eichmann era óptimo no cumprimento da lei.

  4. A solução óbvia para qualquer líder sensato era ignorar o referendo, afirmando a sua ilegalidade, mas permitir a sua realização.

    Exatamente. Muito bem.

    Em 1978 Espanha aceitou um quadro constitucional de transição para sair do regime franquista, cujos apoiantes ainda eram muito poderosos.

    Isso mesmo. Correto.

  5. “Un gobierno de gallinas presidido por un avestruz”.
    Na noite de ontem “el manso de Moncloa” não teve a dignidade mínima de se demitir.
    Será , já é, o responsável da “peculiaridade espanhola” que aí vem.

  6. A não ser para o Islão e para o Plataformismo que aliás o primeiro extinguirá rapidamente nos sítios que conquistar, não vejo a vantagem de ter um estado republicano esquerdista na Península Ibérica que reclama uma etnicidade que não possui (os catalães não são os Bascos) e usa uma língua morta que não era falada ali há quase 1000 anos desde o tempo dos Provençais. Essa excepção cultural corresponde a Andorra, um principado que é aliás de gestão participada entre Espanha e França e não entre a Catalunya e França, uma questão geo-estratégica que aliás tem implicações graves e complexas e de que calculo Espanha não abrirá mão facilmente.

    1. V, agora a sério estive em Barcelona há uns 10 anos e garanto-lhe que a maioria não queria e não falava castelhano. Era assim uma coisa esquisita mas um gajo com esforço percebia – muitos deles até pediam que falassemos português, mas não castelhano.
      A única coisa que não gostei, na cidade, foram umas tripas que para lá comi que sabiam mesmo ao conteúdo. E eu até sou duro de estômago. Ah e também não achei muita piada ao Gaudi. Muita cor. Prefiro El Grieco, mas ao que contam nem espanhol o gajo era.Era meio mestiço…..

      1. Os espanhóis não sabem cozinhar. E isso sim prova que a única nação com motivos para ser independente na Península é a nossa, fosga-se. O resto é conversa.

  7. “… ninguém viu ou ouviu o Rei Filipe VI. …”. Será que vai ainda a tempo ?.
    Poderá aprender com os seus vizinhos de além Mancha.

    Apesar da deslocação de populações -levadas a cabo pelo franquismo- de outras zonas Ibéricas para a Catalunha fica claro que ali, por motivos económico e/ou culturais, há uma Nação, a Catalunha, cansada do centralismo de Castela. Como o há, cansasso, noutras geografias por toda a península Ibérica.

    Claro que numa Bruxelas, hiper-centralista, os fusíveis que ainda restavam já estão todos queimados.

  8. Uma alucinada fuga para a frente. Vai acabar mal, como é evidente. Como acabou a desvairada proclamação do “Estado Catalão” em Outubro de 1934, durante a II República Espanhola.
    Esperemos que desta vez sem mortos.

    1. Desvairada porquê? Em 1934 nem sequer houve uma declaração de independência, mas apenas a proclamação de um Estado dentro de uma República Federal Espanhola. Será que os catalães só podem aspirar à organização política que a Espanha lhes queira conceder?

      1. Desvairada porque gerou um morticínio e conduziu, em larga medida, para a guerra civil menos de dois anos depois.
        Todos os gestos políticos têm consequências para além das peripécias do momento. Só os políticos irresponsáveis ignoram isso.
        A história do século XX europeu, pejada de nacionalismos em confronto, foi fértil nestas alucinadas fugas em frente. Nada de novo se desenrola debaixo do sol.

    2. Em matéria de alucinações, a conduta do governo de Rajoy é imbatível.
      Pior era impossível. Os tiques do velho regime franquista de moram a passar.

    3. Em matéria de alucinações, a conduta do governo de Rajoy é imbatível.
      Pior era impossível. Os tiques do velho regime franquista demoram a passar.

  9. Permita-me comentar, para dizer que gosto de ler o autor nos postes acerca do 1-0. Assim, quer-me parecer que o modelo de Barcelona não é o da ‘cidade-estado’, muito embora tenha ouvido na Tv3 que uma das primeiras reações a favor do 1-0 tenha vindo dum organismo grego… O enquadramento barcelonês é o da ‘república veneziana’, que vai dar ao mesmo. Por outro lado, não creio que Puigdemont faça já a declaração unilateral de independência. O mais razoável é… (colocar aqui as referências a Espanha vs Catalunha nas crónicas de Vitor Cunha Rego).

  10. Carles Puigdemont montou uma armadilha inteligente e ardilosa e Mariano Rajoy caiu. Da forma mais trôpega , ingénua e inacreditavelmente estúpida. Mas não foi só Rajoy que caiu. Muitos catalães, também. Puigdemont deve ter esfregado as mãos de contente, quando ouviu Rajoy anunciar que proibia o referendo.
    A arte de governar um país não é para qualquer um…

  11. Quando alguém semeia ventos, temos a tempestado à vista.
    Não tenho opinião formada sobre a Catalunha, mas em pé de igualdade também estão outros povos, mas deve ser respeitada a Constituição em primeiro, mas se de facto persiste a vontade, que seja feito o referendo mas ao nível Nacional, e em que a constituição preveja tais alterações, Victor Da Silva

  12. De cojones, cunho.
    O nazi que governa a Catalunha (só lhe falta o bigodinho para ser a figurinha do Hitler) já encomendou um míssil SANGPYONG-10 R ao Kimzito da Coreia. Vai-lhe ser entregue na 4ª feira por um mosso qualquer que anda no contrabando. O míssil saíu ao preço de saldo, porque o Kim da Coreia fez questão de que, já que estava a negociar com o príncipe do Novo Mónaco, esse Hitler sem bigode, no futuro quer beneficiar de todas as mordomias fiscais, isto após afundar a América do Trump e se fixar no Novo Mónaco do novo Hitler. O míssil vai ser lançado sobre Madrid, mas antes sobrevoará Lisboa, porque tanto o monhé como esse pr que lambe botas a angolanos querem fazer um selfie…

  13. A questão de fundo, não é propriamente o Referendo. Penso que as pessoas tem o direito de se manifestar, a favor ou contra uma causa…
    A Questão de fundo, é saber se a Espanha pode aceitar a Independência da Catalunha! A resposta é simples! NÃO!
    Seria um enorme erro, que abriria a caixa de pandora, com todos os males possíveis para Espanha, para Península Ibérica e por fim para a União Europeia.

  14. A Europa do sec XXI precisava disto?! esta gente não percebe que se estão a auto-destruir? A quem interessa uma Europa nos dias de hoje dividida e com guerrilhas internas que sabe se lá onde vão parar? aos Europeus não é de certeza mas tanto russos como chineses devem estar a esfregar as mãos de contentes…
    O que se está a passar na Catalunha é uma VERGONHA tanto para os espanhóis como para os europeus. Este governo da Generalitat está disposto a tudo: recorrer à ilegalidade, ao golpe de estado, à manipulação das pessoas e da imprensa para alcançar o objectivo final egoísta- NÃO QUEREM QUE O SEU PIB CONTRIBUA PARA AS REGIÕES MAIS POBRES DE ESPANHA PORQUE ELES SÃO OS MAIS RICOS, esta é a verdade, nua e crua.

  15. Boa tarde
    Resido há cerca de 12 anos em Barcelona e tenho assistido á evolução deste processo independentista durante todos estes anos. Embora tenha alguma simpatia pela causa catalã fruto da convivência com colegas, amigos e vizinhos posso assegurar que a questão da independência está longe de ser consensual na sociedade catalã.
    Para aqueles que invocam que a língua catalã é um factor de identidade e diferenciador, cabe aqui lembrar as muitas variantes locais desta língua desde a Comunidade Valenciana às Baleares, o que por sua vez possa explicar o porquê destas regiões não estarem envolvidas nesta tremenda confusão.
    O que assisti no domingo aqui em Barcelona foi uma fraude eleitoral generalizada para legitimar um processo que se quer respeitável e democrático.
    O que tenho vindo a assistir neste dois últimos anos é algo que me levanta sérias dúvidas sobre a racionalidade de certos políticos que não hesitam em recorrer dos expedientes mais baixos como se os fins justificassem os meios. O que se passou aqui foi que a facção política dominante foi incapaz de agregar a sociedade catalã em torno de um processo que se queria comum a todas as forças políticas e decidiu enveredar por uma via semelhante a uma revolução anárquica.
    E foi isto a isto que assisti no domingo: uma manipulação impiedosa das pessoas por parte de uma facção política coadjuvada por uma parte da comunicação social desejosa de testemunhar uma revolução nos tempos que correm e uma fraude generalizada que agora querem fazer passar por legítima.
    Espanha é um país democrático e a sua sociedade goza na plenitude a liberdade de expressão. Ao longo destes anos não vi quaisquer sinais de opressão sobre a sociedade catalana por parte do governo de Madrid. Assisti a uma radicalização da Catalunha com imposições que julgava não serem possíveis numa sociedade livre e a uma discriminação cada vez maior a tudo o que não seja catalão e que tenha de fazer a sua vida por aqui. Já agora procurem saber também porque é que pagamos os impostos mais altos de toda a Espanha e talvez encontrem algo semelhante na história recente de Portugal. (E não é por imposição de Madrid mas sim pelo governo da Generalitad)
    Para os comentaristas que tecem laias a este processo aconselho vivamente que investiguem como se conduziu e aprovou tudo isto e que reflitam sériamente se isto deve ser admitido numa sociedade que diz querer ser livre e democrática.
    Dizemos mal do Trump e do processo menos limpo que levou á sua eleição e toleramos outros que mais se assemelham a uma fraude generalizada de processos e meios porque é engraçado assistir a uma revolução aqui na Europa?
    Resta saber que revolução é esta, e contra o quê e contra quem….

  16. Devia ter vergonha de escrever um comentário destes. Seja o que quer que fosse Rajoy ou seria um fraco ou um tirano. O referendo não existe porque a democracia não o prevê, ou a democracia é a que nos interessa ? Toda a gente quer desmantelar a Europa e tudo serve. Não tardaria e teríamos 50 países em vez de 27. A Escócia não saiu porque é mais pobre e com dívidas. Depois seria a Irlanda do norte, depois a Bélgica, depois a Espanha inteira, depois a França e as suas regiões e depois a Alemanha e os seus estados federais. Voltaríamos á Idade Média. Se assim querem…

  17. Óbviamente que não estou tão bem informado, tampouco tenho formação para isso, sobre a questão da Catalunha.
    Apenas uma questão ao cronista: haverá liberdade para todos os cidadãos da Catalunha manifestarem a sua vontade, particularmente os que sejam contra a independencia?.
    Caso responda, peço mais um favor: não cite a CS e os políticos interessados e interesseiros, espanhóis, catalães, portugueses ou outros.

  18. A história, os costumes, o direito à liberdade, entre outros aspectos, justificam amplamente o direito à autodeterminação da Catalunha. No entanto sinto dúvidas que na prática a Catalunha tenha obtido pontos a seu favor para se poder falar em qualquer vitória. Na verdade não me parece a Espanha e a Europa estejam disponíveis para respeitarem os direitos dos catalães. “Valores” mais “altos” vão pesar como chumbo sobre os desejos dos catalães.

  19. Devemos levar a vida sem complicá-la; e mesmo assim as complicações aparecem – e por vezes não são poucas.

    No caso da Catalunha, eles lá terão as suas razões, mas como não estão a ser diferenciados, oprimidos por Madrid, deveriam continuar integrados na Espanha.

    A união faz a força, lá diz o ditado. Se na Catalunha houver um grande cataclismo, quem vai a correr a ajudar?. Todo o resto da Espanha, não é?.

    Não sejam demasiado orgulhosos (ou burros). Os tempos estão difíceis.

  20. dias antes, quando vi na televisao os policias de ocupaçao fardados e armados ate aos dentes, pasmei. Ou seja, anunciava-se um referendo, ilegal ou coisa para o caso nao interessa nada pois as pessoas só iriam ordeiramente e desarmadas votar.
    Ilegal é o menos, pois os representantes eleitos resolveram consultar a populaçao. Alias, os representantes ( governo catalao ) nao estao presos, a dita Constituiçao optou por massacrar a populaçao, só que sem tiros.
    Ainda por cima, como ontem exemplifiquei desta maneira : havia uma feira ilegal, a policia apareceu e espancou os primeiros feirantes, apos o que a policia retirou, sem ter espancado os mais comerciantes presentes na feira, e a feira continuou.

    Bem dito, tratava-se de uma pacifica consulta, mesmo se semi-legal, nao de cortes de estradas ou equiparados.

    Para alem da violencia democratica, pois contra democraticos, a democracia, como a ditadura, corre sempre bem se ninguem fizer ondas.

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