
Mais uma vez Puigdemont consegue uma vitória estrondosa sobre a justiça espanhola, que decidiu retirar o mandato de captura internacional depois de nunhum país ter aceitado perseguir o líder catalão por delito de rebelião. Há muito tempo que se sabe que um Estado democrático não pode perseguir pessoas por delitos políticos, sendo isso o que significava esta perseguição aos independentistas. Aliás muitos continuam presos sem culpa formada apenas por motivo das suas convicções política, e até já lhes foi retirado pelos tribunais o mandato que o povo lhes conferiu. O debate político não se faz nos tribunais e as ideias políticas combatem-se com outras ideias políticas. Neste âmbito Pedro Sánchez foi inteligente ao propor um novo estatuto para a Catalunha, que pudesse ser referendado pelo povo catalão, o que congelaria as pretensões independentistas por muitos anos. Os tribunais espanhóis é que parece que não desistem do seu intuito de entrar no jogo político, activando e desactivando mandados de captura internacionais consoante lhes convém politicamente.

Luís, prepare-se para o que aí vem, rio abaixo
Está a falar dos rios vindos de Espanha?
Claro. Os maiores daqui são doutros.
A partir de 2019/20 vamos ter um governo PSOE/Podemos em Espanha e um governo PS/BE em Portugal, com o problema da Catalunha em “pano de fundo”.
Se a isto somarmos o arrefecimento da economia na Europa que já se adivinha, então o que nos espera para os próximos anos é uma “tempestade perfeita”.
É triste a imagem que a justiça espanhola está a dar de si a nível internacional. Está a lançar o descrédito sobre si mesma perante as justiças dos outros países da Europa.
Isso para não falar do descrédito que está a adquirir perante os próprios catalães. Como é que uma comunidade pode confiar em tribunais que se verifica estarem engajados politicamente?
Tal como previsto a contenda vai acabar como tinha que acabar.
A Catalunha ganha autonomia financeira/fiscal. Castela/Leão ufana-se tentando convecer meio mundo que a sua democracia sempre foi democrática.
Mas cadê os outros?.
a contenda vai acabar como tinha que acabar. A Catalunha ganha autonomia financeira/fiscal.
Exatamente. Ganha o mesmo que o País Vasco já tem e que é, ao fim e ao cabo, o que quer. (Os catalães são gente de negócios, olham sobretudo ao dinheiro.) Não há qualquer razão (a não ser, claro, financeira) para Espanha recusar à Catalunha o que já há muitos anos concedeu ao País Vasco.
A razão pela qual o Estado Espanhol concedeu ao País Basco o que recusa à Catalunha reside no facto de o Estado Espanhol só dialogar através da violência. O que não é de admirar tendo em conta que o Estado Espanhol é herdeiro de Franco que conquistou o poder através da força.
Só espero que Pedro Sánchez tenha algum bom senso e dialogue com o povo catalão. Ninguém quer uma nova ETA.
Não deve ser muito fácil dialogar com um povo absolutamente dividido, em que metade está mais do lado do “estado herdeiro de Franco”.
Eu acho que o povo não quer saber realmente e insiste em votar contra os seus interesses.
J.Pimenta essa é boa :
Referendo sobre a independência da Catalunha em 2014
1.”Quer que a Catalunha seja um estado?”
2.”Quer que a Catalunha seja independente?”
Assim, no dia 9 de novembro de 2014, foi realizada uma consulta popular sobre a independência da Catalunha, sem caráter vinculativo.Os resultados desta consulta, onde participaram 2,3 milhões dos 6,3 milhões de catalães com direito a voto, deram vitória de 80,72% ao “sim” em ambas as perguntas — “Quer que a Catalunha seja um Estado?” e “Se sim, quer que este Estado seja independente?”.
Ou seja, menos de 30% responderam num mero inquérito querer ser independentes. Por essa análise nem se poderia falar de uma enorme divisão: a maioria dos catalães não quereria mesmo independência. Quod erat demonstrandum.
O que conta são os que votam. É impossível saber a intensão de voto da abstenção
A razão pela qual as três províncias bascas e Navarra têm um estatuto especial e podem gerir os seus próprios impostos é porque são territórios forais, sendo-lhes reconhecidos direitos especiais por isso. A Catalunha, por muito que lhe custe, está incluída no sistema de financiamento autonómico, juntamente com as restantes comunidades autónomas de Espanha.
Estranho mesmo é haver gente que continua convencida ser possível manter eternamente uma nação, contra a sua vontade, sob o jugo imperialista de uma outra, por mais vizinha e europeia que ela seja.
João de Brito
O Estado Espanhol já estava farto de saber que não houve qualquer rebelião, pelo que a acusação de rebelião nunca ia ser levada a sério pelos tribunais da República Federal Alemã. Assim sendo, no máximo poderia julgar Puigdemont por “mau uso de fundos” (uma acusação bastante parcial). Apesar de a República Federal Alemã aceitar extraditar Puigdemont nas condições de o mesmo apenas ser julgado por “mau uso de fundos”, o Estado Espanhol preferiu fazer birra em vez de se contentar com uma vitória parcial. Típico de um estado fascista.
E bastaria Rajoy ter percebido em 2006 que a Catalunha só queria mais autonomia… pelo menos mostrou à saciedade a fibra retorcida de que é feito. Rivera ficaria orgulhoso. Não este, o outro.
Deve querer dizer Zapatero, quem era presidente do governo de Espanha em 2006 era Zapatero do PSOE.
Obrigada, mas quero mesmo dizer Rajoy, que em 2006 estava na oposição. E que, recusando qualquer debate sobre a revisão constitucional, insistiu em levar ao TC um novo Estatuto Autonómico validado por referendo catalão e aprovado pela Generalitat e pelo Congresso.
O mesmo Rajoy que em 2010 substituiu Zapatero e que, perante o chumbo do TC, recusou rever a Constituição e recusou dialogar mais autonomia.
Tal como fez em 2013, tendo conseguido nesta altura que os catalães deixassem de pedir mais autonomia e começassem a pedir independência.
O mesmo Rajoy que em 2017, dias antes do referendo, voltou a recusar o debate sobre revisão constitucional.
Esse Rajoy que, depois de Franco, ajudou a criar um dos partidos herdeiros do franquismo – os franquistas nunca perdoaram à Catalunha o funcionamento da mais velha Assembleia da Europa.
OK, fica a correcção e o esclarecimento, que agradeço.
Foi em 2010 que o Tribunal Constitucional respondeu ao processo iniciado pelo PP contra o novo Estatuto da Catalunha, texto que os catalães já tinham referendado e estava em vigor. A lei que define as relações da região autonómica com o Estado saiu muito modificada, com os catalães a perderem poderes e muitos sentiram-se humilhados pelos populares, na altura na oposição
Apesar de eu não ser senhorio de ninguém, acho que medidas como esta são muito mais preocupantes.
http://www.jornaldenegocios.pt/economia/r endas/detalhe/parlamento-aprovou-propost a-do-bloco-para-castigar-senhorios-que-p ressionem-saida-de-inquilinos?ref=HP_Des taquesdebaixoEconomistas
Preocupantes porquê? Você gostaria de ser despejado da casa onde viveu durante décadas só porque o seu senhorio queria ainda mais dinheiro?
O Alexandre acima dele não tem ninguém. É senhorio de uma água furtada.
Se alguém vive “há décadas” numa casa deve concerteza pagar uma renda miserável, portanto não percebo o espanto de o senhorio querer “ainda mais dinheiro”. O estado que tira o couro e o cabelo aos senhorios em impostos, taxas e taxinhas, agora quer na prática transformar os inquilinos em proprietários das casas sem as comprarem, sem pagarem os respectivos impostas, tudo isto a troco de uma renda muitas vezes quase simbólica, porque como diz é de “há décadas”.
Se os partidos da esquerda acham que o que está em causa é um problema social, o que é uma falsa questão porque existem muitos senhorios com rendimentos inferiores aos seus inquilinos de há décadas, então que se cheguem à frente e em vez de pôr os privados a sustentarem duas vezes as politicas sociais, pagando impostos, taxas e taxinhas, enquanto recebem rendas desactualizadas, o estado que pague aquilo a que os proprietários têm direito: um rendimento justo para a sua propriedade.
Lá por uma pessoa viver há décadas numa casa arrendada, não passa a ter o direito de fixar as condições do arrendamento. A casa pertence ao seu legítimo proprietário e ele tem o direito de pedir por ela a renda que quiser.
E aqui temos dois comentários a defender os especuladores imobiliários que destroem cidades como Lisboa e Porto.
Tem aqui um terceiro comentário a defender os especuladores imobiliários.
Quando uma pessoa num casamento se quer divorciar também lhes chamas especuladores matrimoniais?
São os especuladores imobiliários que constroem cidades. Sem eles não tens casas, nada.
Já os supremacistas sociais como tu não têm vergonha de usar a violência para obrigar os outros a ficarem casados para sempre.
Se o lucklucky não fosse escumalha ao serviço dos mais poderosos é que eu me surpreenderia. O que explica a sua subserviência a Donald Trump.
É feio, usar como andaime o que se diz querer deitar por terra.
Mostra a índole.
A causa autonómica, legítima ou não, abraçada por quem a legitime ou não, merecia melhor espantalho.
Não tenho juízo formado sobre a legitimidade e validade de autonomia.
É um tema orfão e bastardo, pedir aos pais que nos desreconheçam a paternidade em nome de legitimar a identidade com individuo.
Mas fazer marcha galdéria para cessar o assédio …
Pedro Sanchez percebeu o que qualquer inteligente percebe, isto é, que Rajoy não só ficaria isolado na UE como também se debateria com uma outra frente: o país Basco. Ao deporem as armas, os bascos já tinham e têm a ala política para avançar.
Quando inicialmente afirmei que a batalha seria administrativa, porque as decisões do tribunal castelhano não são de juízo mas por falta deste, contava com os entraves legislativos que os colonos castelhanos impuseram a outras nações dentro do país. Só não contei que aparecesse um juiz fora de moda, isto é, a tentar reproduzir a judicialização da política que também culminou na decisão estapafúrdia de manter Lula preso mesmo, nesta condição, podendo recorrer.
O que hoje se assiste em matéria de justiça nos países do terceiro mundo, onde se inclui Castela, nada mais é que uma tentativa de insubordinação de quem deve estar sempre subordinado à ordem legislativa. Não se estranhe, portanto, que mais uma vez o erário público sirva para cobrir devaneios pseudo-legais.
Estou convencido que isto acabará a partir do momento em que se inicie a responsabilização dos juízes pelas decisões tomadas. Mas não só os juízes, também os legisladores e cada pessoa de cada governo pêlos danos provocados à sociedade por suas políticas.
A sociedade na sua grande maioria é penalizada pelos seus maus actos e más decisões. Não vejo porque devam existir excepções. Tem de existir responsabilidade civil e criminal para todos, mesmo no exercício de suas funções.
A velha história oftalmológica sobre a árvore e a floresta…
Grande curiosidade para ver como o titerezito okupa de Moncloa vai solucionar o problema com as 17 Espanhas…
E curiosidade (mórbida) para observar as consequências de toda esta embrulhada na “U”E…principalmente o descaso quanto à euro-ordem solicitando a devoluçãoà base do Cabeça de Esfregona.
Reparei agora que ontem foi dia 18 – e estamos no mês de Julho.
Vá-se lá saber se é por isso que sanchez añuca anda a tentar despejar o Paco e enviá-lo para parte incerta…
Os restos mortais do Paco deviam ser enviados para parte incerta. Como ele fez aos mortos republicanos da Guerra Civil.
Imaginemos um Puigdemont russo…
JSP
Se houvesse um Puigdemont russo, a “comunidade internacional” toda ter-se-ia indignado com a opressão praticada por Putin. Mas como se trata do Estado Espanhol, que faz parte da União Europeia, a “comunidade internacional” olha para o lado. Quem é que a “comunidade internacional” representa mesmo?
Imaginemos um Puigdemont ucraniano…
WW
“Opressão”, em referência ao Mirito nativo de S.Petersburgo, é eufemismo…
JSP