a vidinha


Patrícia Reis,

Todos sabemos que isto está mau. Até os miúdos mais pequenos sabem que isto está mau. Pior fica quando ouvimos barbariedades.

Eu ouvi: “a cultura não interessa para a promoção do país, o que importa são as empresas, promover as empresas lá fora e, já agora, não me fale de escritores.” Posto isto, fiquei calada, como é bom de ver.

Temos as fronteiras mais antigas da Europa. Temos escritores e escritoras maravilhosos, poetas e poetisas. Como temos músicos, actores, etc e tal. E temos empresas e um mercado que está como está. A identidade nacional é feita pela cultura, nos vários âmbitos, ou estou enganada?

20 comentários em “a vidinha”

  1. Tem toda a razão!… Para esta gente interessa que as pessoas sejam burras e quanto mais anafabetas melhores. A cultura para eles é um acessório que se pode dispensar. Só age assim, quem nunca saboreou o prazer de folhear um livro e ficar preso ao seu conteúdo. Jamais um país evoluirá sem cultura e quem ousa pensar o contrário, não vive neste planeta…..

    1. Pois é, Inês, por isso é que me orgulho de ter uma casa que está a ser assaltada por livros e é bom ver os miúdos assaltarem os livros. Alguém muito inteligente disse que a maior riqueza não é o dinheiro, é a cultura. Sinceramente, há pessoas que nunca compreenderão isto. É pena? É.

      1. Como a compreendo, Patrícia.
        Eu privo-me de quase tudo para poder comprar livros… e nem posso contar isto a muita gente pois não iriam compreender.
        Abraço.
        mp

  2. Quem disse isso?

    Será que leu isto:

    A Cultura
    Uma alavanca para o desenvolvimento local

    por Bernard Kayser

    As diferenças entre regiões, localidades, aldeias,
    entre gerações é entre grupos sociais são sobretudo
    diferenças culturais. Em vez de procurar esquecê-las,
    ou deixá-las esquecer, não será melhor procurar afirmá-las
    e promovê-las? É preciso deixar de considerar o desenvolvimento
    cultural como um luxo supérfulo e reconhecê-lo como um motor do
    desenvolvimento económico e social.

    Retirado daqui: http://ec.europa.eu/agriculture/rur/leader2/rural-pt/biblio/culture/art03.htm

  3. Estamos no país do acordo ortográfico.
    O Cavaco não sabia quantos cantos têm Os Lusíadas.
    O governo está a condizer: os que não são tão ignorantes, são cobardolas
    O que esperava?

  4. Cara PR

    Por favor não padeça de um pecado bem característico português: “Medo “de chamar os vacuns pelos nomes!

    — Diga o nome do(a) cretinão da tal afirmação.
    Afirmação que por ser tão idiota, nem merece comentário.

    Quem foi o safado ou a safadinha?

  5. am, não tenho medo, acredite. O que acontece é que estou escaldada e, neste momento da minha vida, a única coisa que posso fazer é dizer de minha justiça à boca pequena. Quem disse, disse, há testemunhas, eu não tenho vida (nem dinheiro) para voltar a ir a tribunal por causa de um idiota. As pessoas têm a importância que lhes dão? Sim. É um idiota. Lamento se o desiludo(a), acredite que não é medo, repito, e espero que me compreenda.

    1. Compreendo-a perfeitamente.

      Só que havendo registo e testemunhas da afirmação, duvido que crápula tivesse coragem de interpor (não sei se é termo correcto) acção judicial.

      Mas permita-me que reitere o que disse: “há que chamar o boi (vaca) pelo nome. Caso contrário, podemos dissertar sobre qualquer tema a partir de uma hipotética afirmação alheia. ( Não é o caso)
      Como por exemplo:
      ” Não baixamos o IVA da restauração, comecem mas é a levar a lancheira”
      ” Os pensionistas não estão assim tão mal pagos… além disso, um baralho de cartas custa uma ninharia”

      Felicidades e não leve a mal o que eu disse.

  6. Não, Patrícia, não está enganada. Mas não sei se a cultura sofre mais com as medidas de consolidação, normalmente chamadas “cortes”, do que outros sectores. Cada qual considera que o seu quintal é o mais importante e que se é necessário poupar devem ser os outros. Posso estar a ser injusto. Pode acontecer que os cortes na cultura sejam mais graves do que os nos salários dos funcionários públicos, nas pensões e noutros sectores e os senhores da cultura tenham razão, mas quere-me parecer que não terão mais razão para se queixarem do que a generalidade dos cidadãos.

  7. Sim, Pedro, a cultura sofre como outros sectores e com aspectos até ilegais, as grandes operadoras de telecomunicações deviam apoiar o cinema, é de lei, não o fazem; os casinos devem contribuir com 3 por cento do lucro do ano transacto para a cultura e não o fazem. Os cortes não são de hoje, há mais de 25 anos que escrevo sobre cortes, que vejo orquestras desaparecerem, editoras, editoras discográficas, músicos sem trabalho (nem um concerto marcado para o ano inteiro seja em que zona do país), etc, etc, etc. Não vou comparar a outros cortes, seria demagogia, precisamos todos de comer, temos todos filhos para criar, pessoas da família que são dependentes e por aí fora. A questão não é essa, é estarmos a abdicar de valorizar o que é a nossa identidade nacional, mas como isto é uma discussão que não dá muito jeito, vamos deixar andar. Já agora, pela parte que me toca, há muito funcionário público que trabalha em prol da cultura, começando nos professores e acabando nos funcionários que trabalham em entidades públicas que deveriam promover A ou B. Há museus que não têm segurança nem dinheiro para a luz. E podia enumerar mais exemplos, sei que me compreende, a frustração é comum e geral. Um resto de boa semana

  8. Para além de uma gritante falta de sensibilidade, quem diz isso não entende uma coisa básica: numa Europa cada vez mais normalizada, com políticas e objectivos comuns (e nada tenho contra isso, pelo contrário, é essa a via em que acredito) o único e fundamental factor de distinção entre os países é a identidade cultural de cada um. Essa pode e deve ser preservada, acarinhada e divulgada, a diversidade cultural é uma mais-valia de riqueza para a Europa como um todo.

  9. temos grandes escritores, fgrandes músicos, grandes actores…. para a internacionalização só nos faltam grandes empresários. eu cá tenho uma teoria que digo a brincar mas que ultimamente penso se não fará sentido: desde que começamos a ser governados por economistas, tem sido sempre a descer

    1. Fazer o quê? Não desistir. Pelo menos é o que eu tenho tendência a fazer. Não tenciono é perder mais tempo com pessoas que não entendem e não sabem do que falam.Boa sexta para todos

  10. Só uma pista, por favor. Já percebi que é um boi e fico mais descansada não sendo uma vaca. Uma pista mesmo pequenina. Se não foi o BARRETE, deve andar lá perto.

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