A vergonha e a falta dela


jmmcc,

Mesquita Machado

O caso da nomeação de Domingos Névoa para a presidência de uma empresa intermunicipal sedeada em Braga, com a benção do "dinossáurico" autarca Mesquita Machado (na foto) está resolvido e parece que deixou toda a gente mais tranquila. Pois parece, mas não devia deixar.

A verdade é que Névoa foi indigitado pelo abastado presidente da Câmara de Braga e ninguém lhe barrou o caminho: foi o próprio indigitado que abdicou de tomar posse e desistiu do cargo, pressionado ou não pelo tardio coro nacional de protestos. E esta é uma verdade que ninguém conseguirá apagar. O homem não será presidente da coisa, mas a escolha institucional ficou registada e representa uma enorme falta de vergonha.

Este caso, com a sua importância relativa, é um espelho do País e do modo como a política funciona. Nós é que devíamos sentir-nos cobertos de vergonha, por mantermos em cargos eleitos gente que não merece nem figurar em listas de candidatura.

9 comentários em “A vergonha e a falta dela”

  1. Como já escrevi num post, é o país que temos e é, acima de tudo, o país que criámos e que mantemos. Os culpados somos só nós. Nós é que votamos neles. Ferreira Torres, Fátima Felgueiras, Isaltino Morais, Valentim Loureiro são apenas exemplos.
    Abraço e bom fds.

  2. Tens toda a razão, compadre: “Este caso, com a sua importância relativa, é um espelho do País e do modo como a política funciona.” Subscrevo por inteiro esta tua reflexão.

  3. Este caso enevoado teve, finalmente, a machadada que se impunha. Pena é que não tenha sido o machado a desferi-la (como seria de esperar) mas sim a própria névoa a quase reclamá-la por indecente e má figura. Razão tinha tinha o poeta: «Não há machado que corte a raiz ao “enevoamento”». Que vergonha, na verdade, este país com tais machados e névoas… É por estas e outras que ainda continuamos (e continuaremos, sempre,) à espera de ver surgir D. Sebastião do meio de uma delas…

  4. Em tempos conturbados
    carregados de incertezas,
    temos políticos babados
    das mais indignas justezas.

    São demasiados acontecimentos
    displicentemente lamentados,
    causando entristecimentos
    moralmente comentados.

    O mexilhão observador
    desta triste realidade,
    fica em estado aterrador
    com tanta imoralidade!

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