A ver voar o elefante


André Couto,

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Assim ficou a direita, talvez por efeito da papoila.

Contra todas as previsões o XX Congresso do PS ficou mais marcado pela ausência do suposto, do que pela presença dele. À reunião não faltou energia e novidade, factos políticos que marcarão a agenda e que ofuscaram os wishful thinkings externos.

Assusta, compreendo, que o PS fure o balão de oxigénio alheio erguendo-se em capacidade de união interna e de mobilização da sociedade civil. Um PS que contorna a agenda mediática e ainda afirma, preto no branco, numa semana delicada, que a solução não vai estar à direita, chamando a esquerda a estar presente e a organizar-se para um futuro Governo. Recordo que, em Lisboa, o PS tem maioria sozinho e ainda assim não deixa de governar com os “Cidadãos por Lisboa” e a “Associação Lisboa é Muita Gente”. É o PS que indica o futuro do País e não as circunstâncias vindouras.

Foi também o Congresso em que o não-militante Sampaio da Nóvoa fez subir punhos esquerdos cerrados, os mesmos que cortaram o ar do Pavilhão ao longo de dois dias, como há muito não se via. Até a Grândola foi entoada ao ritmo das vozes e dos corpos a balancearem-se como manda a tradição. Fogo de vista? Não. Afirmam-se bandeiras como o rumo para a Europa, o fim da ideia única de família, o respeito pelas instituições, a dignidade da pessoa humana, na sociedade e no trabalho, e toda a estratégia da “Agenda para a Década”, que vai fazendo o seu caminho, num discurso sustentado onde a despesa encontra cobertura nas finanças e na evolução da economia.

É este o papel que o PS vai desempenhar em Portugal. E veio para ficar. Habituem-se.

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9 comentários em “A ver voar o elefante”

  1. punhos esquerdos cerrados, desta vez em bold, aqui no delito de opiniao.

    Habituados já nós estamos, André Couto, principalmente ao tom;

    sintomático que o que é pressuposto sobressair no post é os “ofuscaram”, “assusta”, “a solucao nao vai estar”, “é o PS que indica” e o concluisvo “habituem-se”; entratanto as “bandeiras” ficaram remetidas para “normal font”

    I love the smell of revanchismo in the morning

    só desiludiu com a ausencia de um “e ai de quem se meter…”

  2. A definição de união interna para um apologista é marcar a intervenção de qualquer corrente alternativa de opinião para depois do jantar e, chegada a hora, nem chamar o delegado, porque “já não dá tempo”. Compreendi-o.

    Mas está equivocado. O que assusta não é a possibilidade do PS chegar ao governo: é a possibilidade do Galamba chegar a Ministro das Finanças. Quem defende acerrimamente, não as políticas públicas em geral, mas o próprio desvario financeiro de 2009, é óptimo para nos conduzir rapidamente ao quarto resgate.

    E isso assusta, porque quem pagará o resgate seremos nós. Não será o Galamba que em 2009 andava a dar-lhe na consultadoria por ajuste directo.

    O que assusta não é o PS, nem as políticas de crescimento. Porque disso o PSF está cheio, e as grandes promessas do Holland em poucos anos conduziram Manuel Valls ao cargo de primeiro ministro.

    O que assusta é o Costa e as pessoas perigosas de que se reuniu, que não aprenderam nada com o que se passou entre 2008 e 2012.

  3. Não lia um post com tanta excitação desde que o Hollande ganhou as eleições em França. Nessa altura era a Europa que se ia habituar. Agora os iludidos são só os portugueses. Do mal o menos. Do congresso gostei – além das magnificas ideias para o futuro do país – daquela parte em que a habitual actriz de causas progressistas toca de nomear as vítimas de violência doméstica, perdão, violência de género, um momento só ao alcance dos republicanos, laicos e socialistas moralmente superiores. Ainda bem que não se lembraram de nomear todas as vitimas dos últimos governos daquele sujeito cujo nome os camaradas estão proibidos de dizer. Uma actriz não chegava. Teriam que requisitar o elenco todo.

  4. Post “côr-de-rosa”, mas que não tem adesão à realidade. O que saíu do Congresso foi um PS chavista, a cheirar a mofo, dirigido por 2ªs e 3ªs figuras e onde só fala quem o chefe deixa. De resto não se lhe ouviu uma proposta, e o devaneio esquerdista vai sair-lhe muito caro.
    Faço votos sinceros que o candidato oficial do PS às presidenciais seja Sampaio da Nóvoa. Talvez consiga os 14% que Soares conseguiu na ultima vez que se candidatou.
    Os socialistas ainda não perceberam uma coisa: não é por eles não falarem no Sócrates que o Sócrates e aquilo de que o acusam não caia todos os dias em cima do PS. Os alegados crimes de que Sócrates é acusado, teriam sido cometidos QUANDO ele era 1º ministro de governos socialistas, e portanto caem fatalmente em cima de todos os estiveram nesses governos e no partido em geral. Não há como fugir a isto, pega-se à pele a nunca mais sai.
    Por isso, se António Costa fosse o politico inteligente e sagaz que toda a gente diz que ele é, em vez de meter a cabeça debaixo da areia e impôr a lei da rolha sobre o assunto, teria aproveitado o Congresso para pedir humildemente desculpa aos portugueses pelas malfeitorias que o partido que ele lidera e de que já foi nº 2, fez a Portugal e aos portugueses quando esteve no governo entre 2005 e 2011.
    Se tivesse feito isso, talvez os portugueses lhe perdoassem. Assim…

  5. “É este o papel que o PS vai desempenhar em Portugal. E veio para ficar. Habituem-se.”
    .
    o papel do PS é tal e qual o do PSD…subordinar Portugal ao Euro!

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