Há muitos anos, aprendi com a Inês Pedrosa, e depois com outras pessoas, que é muito fácil levar porrada quando se escreve publicamente, se dá rosto e nome, se tem opiniões e, enfim, estamos disponíveis para as partilhar. Não se trata de ganhar palmadinhas nas costas, disse-me ela, o que é importante para ti, pode ser para outras pessoas. E depois falou-me da porrada que iria levar, da quantidade de fel que as pessoas destilam, e tantas vezes no anonimato, mas que isso não tinha qualquer importância.
A Inês é minha irmã e poucas pessoas têm levado pancada como ela. Vive com uma dignidade incrível, uma cabeça genial, uma capacidade excepcional de ser excepcional. É uma lição para mim. Há quase trinta anos que aprendo com ela e, muitas vezes (mesmo muitas vezes!), concordamos que discordamos, mas respeitamos a opinião de cada uma. Ela continua a levar porrada de forma idiota por pessoas que não pretendem construir nada, apenas destruir. E eu estou na mesma situação.
E serve o presente texto para dizer que podem continuar a ser assim, a ver se me ralo. Creio que ela tão pouco se rala. Tragam lá os vossos archotes e as vossas acusações, o vosso moralismo e preconceitos, descrevam a minha ignorância ou o que vos aprouver, vivemos em democracia, podem fazê-lo à vontade, mas depois não me digam que serve para estimular debates, porque a troca de ideias implica respeito e o respeito implica educação e a educação implica elegância. Na minha opinião, claro.

Patrícia, não se rale. “Cagando e andando”.
Parta do princípio que a falta de carácter é já castigo suficiente. E não há melhor presente, do que uma consciência lavada. Claro que falhamos. Mas o remorso indica-nos que não nos perdemos. E desculpamos. E desculpamo-nos. E pedimos desculpa. Contudo nunca afastemos da nossa ideia que os outros podem ter razões nas suas críticas . As auto-avaliações pecam sempre por defeito. Assim como os julgamentos que fazemos do outro tendem a ser exagerados. Penso que a melhor atitude é nunca nos considerarmos modelos para ninguém. Mas para lá chegar precisamos de exercitar a introspecção, sem medo do que possamos encontrar. Conhecer-se é castigo imposto. Mas também é exercicio para nos corrigirmos.
Hoje levei a minha filha à música. Um sol do caraças . Uma luz linda. Como dizia o Miguel Esteves Cardoso: Como é linda a p…. da Vida!
É difícil lutar contra moralismos e preconceitos mas é fácil apontar factos, por exemplo, quando escrevemos:
«O senhor é o 45º presidente de um país que nasce dos ideais da revolução francesa, que calculo ser uma referência que o ultrapasse e que eu não tenho como explicar nos 140 caracteres do Twitter, a plataforma da sua eleição. Liberdade, Igualdade e Fraternidade»
Temos de ter humildade suficiente para alguém nos recordar que a independência dos Estados Unidos da América foi em 1776 e a Revolução Francesa em 1789.
Eu sei que era isso (os americanos foram inspirados pelo iluminismo francês) que se aprendia em Portugal noutros tempos mas que diabo, as datas não mentem.
Isso, na minha opinião, não tem a ver com ignorância, tem a ver com escrita pouco pensada e aprofundada.
Eu diria que os americanos foram inspirados pelos franceses. E os franceses pelos americanos. E os americanos ,antes de o serem, pelos ingleses. ….quem pensou o quê primeiro? vá -se lá saber. Ainda sou do tempo em que se ensinava ter sido Gutenberg o inventor da imprensa com caracteres móveis. ….e Colombo, o descobridor da América. E Vasco ds Gama, o descobridor do caminho marítimo para a Índia. Mas Voltaire, Rousseau, Diderot, D’Alembert, Montaigne, Montesquieu continuam franceses ou não?
Sr. Vlad,
Vamos ver se nos entendemos.
A sra dona Patrícia, afirma «Trump é o 45º presidente de um país que nasce dos ideais da revolução francesa»
1. é questionável a contabilização dos presidentes dos USA, como sabe.
2. é questionável que os USA sejam um país, são uma união de Estados.
3. é questionável que estes USA de 2017 sejam o “mesmo país” que se tornou independente em 1776.
4. é questionável que uma revolução em 1789 tenha influenciado uma independência em 1776.
5. é questionável que estas questões tenham preocupado a sra dona Patrícia quando escreveu o manifesto, repito-me, foi uma escrita pouco pensada e aprofundada.
Agora se o sr. Vlad concorda com a afirmação citada, está no seu seu direito, se a sra dona Patrícia também se sente entrunfada quando lhe apontam incoerências factuais, também está no seu direito.
«Voltaire, Rousseau, Diderot, D’Alembert, Montaigne, Montesquieu continuam franceses ou não?»
Sim. Franceses falecidos, ainda assim, franceses.
(continuo a pensar que somos nós, os vivos a termos de respeitar, factualmente, o acontecido)
Meu caro, quantos, dos agora vivos, se sacrificam, e vivem, pelas ideias dos mortos?
E depois essa da sr.dona…..vossa mercê é mais um desses que o que pretende é despejar ácido pelo teclado….as razões, a verdade, o debate, são-lhe subprodutos….
O espírito das leis (l’esprit des lois) e o Federalista (the federalist papers): Características correlacionais em ambas as obras e as influências de Montesquieu sobre os pensamentos de Alexander Hamilton, John Jay e James Madison
http://www.egov.ufsc.br/portal/conteudo/o-e spírito-das-leis-lesprit-des-lois-e-o-fe deralista-federalist-papers-característi cas-corr
O iluminismo francês não começou com a revolução francesa: precede-a
A sério? Pensando. A Revolução Francesa foi uma aula prática dos principios teóricos do Iluminismo.
Muito bem, Patrícia.
agora é tarde, para rever o comentario que deixei. Mas ver o Pedro aplaudir o texto da patricia, cria-me um mar de reservas. claramente : se a patricia for parcial como o Pedro, so se perdem as que caem no chao. O tempo ate esteve bom, ate este momento…
Ó Patrícia, eu costumo dizer. Deixem que digam, que falem, eu sou mto eu e ponto! Quem gosta, gosta, quem não gosta afasta-se! E seja bem vindo quem vier pr bem!
‘cunpadre!!!! cadacal mija cassua!!!’
Ficaram sequelas. É evidente
Então o texto sobre o Trump, sem sequer alencar o que fez ou não fez era para “estimular” o “debate”…isto quando ao mesmo tempo se usa expressões não- falsificáveis , logo anti-científicas, como “alterações climáticas” cujo o propósito é precisamente destruir o debate. Fantástico.
“Do rio que tudo arrasta se diz que é violento. Mas ninguém diz violentas as margens que o comprimem.”
Como dizia o camarada Brecht, que era alegadamente comunista, mas tinha olho.
Que faz negócio de ser margem não pode ter grande queixa do rio.
Como pode haver debate com um dogmático que não acredita que a acção humana têm influência nas alterações climáticas? É o mesmo que estarmos a comer uma banana e dizerem- nos que o que estamos a descascar é um morango.
Na net não há filtros porque não há a presença física que modera e modula a interacção presencial e por isso os debates são mais violentos. Mas também são impessoais. I wouldn’t worry.
Bem verdade
a primeira acusaçao vai para o sapo, que colocando em cartaz ( evidencia ) este post, pode pois e assim ser incriminado como potenciador e cumplice da porrada que houver.
Confundo nomes, talvez a ines pedrosa seja a que ouço na antena 1, com o julio. Se for o caso, nao me lembro de alguma vez me motivar porrada. Se for a mesma pessoa que as noticias associaram a tribunal na fundaçao fernando pessoa, acho, nao sei bem, que nao foi condenada.
Da Patricia, zero, nao sei nada. So posso elogiar, aqui, a garra e ate o termo ” nao me ralo “. , sinal de que “os tem no sitio “.
Este tema, da democracia, discussao e insulto, esta estafadissimo, mermo que nao tenha levado a nada.
Existe aquele exemplo do trolha que batia na mulher porque o seu clube perdeu mas tambem batia , pois de alegria e tambem bebado, se o clube ganhasse.
Ou seja a vou chamar-me incorreçao de leitores é , afinal , parte da coisa. Diria ate hereditario.
Mas tambem é ate necessario que quem escreve nao se ponha a jeito, concretamente ofendendo a historia. Uma coisa é a opiniao, que pode ate ser maluca,. e os leitores encolhem os ombros e desligam, outra a falsidade.
Patricia, nao te rales, se é o que gostas de fazer (escrever ) . Se a irma é a minha Ines, um beijinho para ela.
Além do mais, a Inês nasceu em Tomar, como eu, e escreve livros muito bonitos (aqui, infelizmente não tenho arcaboiço para tanto…). Felicidades às manas! (Também tenho uma irmã :-)).
Não percebo as desculpas. Quem anda à chuva molha-se. Desde que escreva coisas sensatas ninguém lhe vai ao pé.
Nem mais!
Assertivo e com ele me identifico, ou não fosse o Cântico Negro o meu guião de vida.
A sociedade actual vive para a crítica severa e imediata, condenando quem opina, o que é diferente de opinar de forma diversa. Por vezes, depois de remoer o texto, também eu opino condenando, apenas quando a crítica é pessoal e não encontro algo que a justifique. Acredito que soe a vingança, mas é sobretudo alertar para que o autor do texto repense o mesmo e o esclareça. Não creio que alguma vez o tenha feito consigo, pelo que esta parte lhe seja estranha.
Declaração de interesses: não votei em Bruno de Carvalho. Mas olho para a forma como a imprensa o trata, transformando-o no maior saco de pancada de que há memória e pergunto-me: Já pensaram se fossem vocês a ver exposta a vida privada e a pública, sempre com comentários negativos, como reagiriam?
“Todos falam dos rios que correm que são violentos, mas ninguém nota nas margens que os comprimem”, Velha frase sempre actual.
Estarão as pessoas disponíveis para ler, e ler com atenção? A avaliar pela forma como respondem ao que o outro diz, não. Opinam ou vomitam a primeira imagem que o espelho lhes reflecte? Debatem ideias? Talvez não as tenham e, por isso, o comentário fácil, quantas vezes ofensivo.
Diferente é ter opinião diferente, o que só enriquece a opinião de todos, acabando com uma visão monolítica da coisa, e oferecendo algo mais próxima da inatingível verdade. Isso não significa desrespeito pela opinião do autor do texto, antes oferece uma outra visão da coisa. Infelizmente há muitos autores que não gostam que alguém opine de forma diferente, como se ter uma visão diferente significasse a recusa da sua opinião ou fosse ofensivo.
Permanentemente insatisfeito com o politicamente correcto, “sempre que me dizem para ir por ali, ergo-me e digo não, não vou por aí”.
Obrigado, pensava que estava só.
Nem mais.
É um fio condutor para uma feliz sanidade.
Aquilo dos paus, das pedras e das palavras, é um dos aforismos mais acertado e que já li.