A ver se entendi


escafandro,

O governo grego compromete-se a:

– Pagar a dívida pública;

– Manter as privatizações feitas e em curso; avaliar a melhor altura para executar as restantes;

– Combater a evasão fiscal;

– Reduzir a despesa pública;

– Aumentar impostos;

– Cortar pensões, poupando as mais baixas.

– Rever o código laboral e não aumentar para já o salário mínimo;

– Aumentar o nível de concorrência na economia;

– Liberalizar o enquadramento de profissões reguladas;

– Estudar medidas de apoio social que não tenham impacto negativo nas contas públicas.

E ainda se dizia que não existiam alternativas.

0 comentários em “A ver se entendi”

  1. Mas parece que Madame Lagarde não acha isso competente e inteligente e, pelo contrário, considera que “não transmite garantias claras que o Governo pretende implementar as reformas que constam no programa de ajustamento”.

    Não foi convidada a dar uma volta de mota, é o que é.

  2. Depois de receberem não vão cumprir.
    Vai ser ainda pior que cá. Onde a lógica do sistema populista-socialista ficou todo montado só se limitando a emagrecer.

      1. Uma adenda quanto à parte do que foi feito cá:
        Tendo o governo cometido muitos erros e esbarrado em muitos obstáculos, parecia ter uma ideia minimamente aceitável e coerente para o país. Além disso, falhando em grande parte da prometida reforma do sector público (ainda assim, houve privatizações, algum aperto às empresas públicas, melhor – porque mais liberal – abordagem ao sector do turismo e o sistema de Justiça parece mais independente) compensou o facto pela via menos eficaz do aumento de impostos. Acima de tudo, percebia quais os problemas e quais os objectivos do memorando (tanto assim que a economia está hoje menos virada para o imobiliário e para a construção). Na Grécia do Syriza, nada disto é válido.

        1. “(tanto assim que a economia está hoje menos virada para o imobiliário e para a construção)”. Em todo o caso o sr . Costa – não este que se assina abaixo, entenda – já veio há algum tempo fazer a tranquilizadora e rendosa profissão de fé na alegada essencialidade do sector da construção civil para economia deste pobre pardieiro. É deixá-lo, e aos seus amigos, aceder ao poleiro (a outro, enfim, acima do seu actual).

          Ora isso, num país de mão-de-obra largamente desqualificada, que confunde progresso com tijolo, betão e alcatrão em doses incessantes e tem da Natureza uma visão na melhor hipótese puramente utilitarista e generalizadamente de desprezo, ou mesmo horror, é o que se quer ouvir.

          Nada se tema, pois: a intervalo está quase a acabar.

          Costa

  3. Sim JAA , o programa a cumprir pode muito bem ser esse. Mas será essa conhecida rotina assim tão importante “per se”?.

    Convenhamos: esse, o mesmo, programa executado por um partido como o Syriza que não tem os seus “boys” e os seus compromissos fortemente instalados no estado,
    ou executado pelos partidos do ex-centralão (o PS e o PSD de lá) tolhidos e atados a mil e um compromissos, será a mesma coisa?.

    Não será isso que assusta !!! os partidos que passaram e estão no governo e criaram o incontrolável monstro?.
    Um potencialmente “mau” exemplo para o eleitorado?.

    Um exemplo de como, para o bem ou para o mal !!!, se pode reformar o estado?.
    (Além do desagrado que é perderem um (viciante e útil) poder?.)

    1. Espero que o consiga. Não acredito – mas espero que sim. O problema é que, para conseguir isto, não precisava de ter passado um mês a fazer o braço de ferro que fez – com as consequências para as contas públicas, para as taxas de juro da dívida e para os depósitos bancários que (mais ou menos) se conhecem.

  4. O José está mesmo incomodado com este avanço Grego. Espere porque a procissão não terminou.
    Não se pode humilhar em tudo os derrotados, os alemães e seus comparsas. Este foi o princípio das mudanças que virão aí.

    A vida é para gente crescida com eles no sítio. Os gregos mostraram isto.

    1. Ainda que não quantificadas, as medidas não me incomodam de todo (se vão ser cumpridas ou não é outro debate, cheio de possibilidades). Incomoda-me a “narrativa” que as apresenta como uma grande vitória do governo grego – onde o seu “avanço Grego” se enquadra. Basta comparar com as promessas feitas pelo Syriza e reiteradas pelo governo já empossado. As memórias andam curtas mas, caramba, ainda nem um mês passou.

      Até agora, os gregos só prejudicaram a sua situação. As contas públicas estão piores, a situação dos bancos está pior, as taxas de juro subiram. A vida tende a ser mais pragmatismo do que bravata.

      1. Meu caro, dê-me exemplos de memória curta para que me possa situar.

        Agora diga-me quem foi que lhe disse que este avanço se transformou numa grande vitória. Não falei em vitórias, mas em avanços. Se tivesse de falar em derrotas referiria a derrota portuguesa, a espanhola e a alemã. Sabe porquê? Porque quem dizia que a Grécia podia seguir outro caminho eram os alemães e sub-repticiamente o governo português. Quem avançou com ultimatos de última hora foram os alemães. Vê vitória nisto?

        Eu não vejo nem vitória nem derrota. Vejo somente um excelente avanço dos gregos. E a questão dos juros que coloca não passa de um romance. Sabe porquê? Porque os gregos não estão a contrair empréstimos nos ditos mercados.
        E o romance continua. Porque ainda eles não implementaram as medidas e o José já diz que tudo está pior. Tudo isto num mês. A memória curta pertence-lhe.
        Sobre outras razões, por favor, veja o comentário ali no post de Luís Leitão, no último.

      2. Só para acrescentar. Sobre pragmatismo é o que eu tenho vindo a escrever, E como o caminho faz-se caminhando, como afirmei, tem aqui um exemplo do que tenho referido:

        http://economico.sapo.pt/noticias/acordo-e-ponto-de-partida-para-negociacoes-com-o-governo-grego_212744.html

        O facto de ser Merkel a dizê-lo não significa que vá ser como Merkel desejaria.

        Acontece, José, que a infantilidade à Portuguesa que se vê em todos os quadrantes da sociedade, por aqui também constatado, não permite que comida sólida possa ser ingerida por quem ainda não tem dentes.

    2. Tantos que ainda vivem no recreio da escola e não saíram do gangue ou então querem tomar os outros por parvos, tipo “bloqueio de Cuba”.

      É elucidativo Vento que a sua medida de “humilhação” é quantidade de euros que se consegue extorquir aos Alemães.

      Se forem poucos é humilhado se forem muitos já se preservou a dignidade.

  5. Pois se os gregos gostam é de paracetamol, porque razão é que a troika lhes queria impingir Ben-u-ron?

        1. No caso do paracetamol, até pode ser. No caso de medicamentos destinados à mesma doença, com preços muito díspares a suportar por outrem e sem que existam garantias de obtenção de melhores resultados, vamos com calma.

          1. A austeridade com vazelina, como outras coisas dolorosas, custa muito menos do que a seco. Os portugueses não reconheceram esta verdade (assustados com os Pack I,II,III,IV) e votaram na versão a seco… Mal o deles!

            O Syrisa está a tentar fazer o trabalho do PS de Sócrates. Se os gregos souberem ler a lição que Portugal lhes está a dar, nunca alinharão em votos à direita, e muito menos numa versão “Uma maioria, Um presidente, Um banco BPN).

          2. O BPN foi salvo pelo ministro das finanças de Sócrates, que não é bem a mesma coisa. É que a Secretaria Geral do Tesouro também alinhou na D. Branca BPN na mira de ganhar uns tostões, e seria uma vergonha que isso se tornasse público. Salvar a honra dos papalvos que a integravam custou bem caro aos cofres dessa organização. É caso para dizar; “o que é barato sai caro”.

  6. Entrementes, nasceu por cá uma nova Vodkaryseta

    Helena Roseta, disse na SIC – SYricusa : -# A Câmara Municipal de Lisboa, não vai perdoar ao Benfica o pagamento da tal taxinha “
    “Ganda” Vodkasyriseta… bateu o pé ao patrão!

    1. Há muitas outras (muitas, muitas) mas essa é uma das grandes vantagens de ter mulheres na política: poucas ligam a futebol. E, claro, sabem bem como trocar as voltas aos homens que pensar mandar alguma coisa.

  7. Muita gentinha esquece ou ignora (criminosamente, digo eu) que não foi o Syriza que colocou a Grécia na miséria.
    Foram o PS/PSD/CDS gregos que o fizeram ao longo de décadas com o apoio e incentivo daqueles que agora querem destruir o país.
    Precisarão de Cerebrum???

    1. Foram esses partidos e os eleitores que, inebriados com a glória de Jogos Olímpicos (por cá, Europeus de Futebol) e fechando os olhos aos riscos e aos avisos (como cá, certamente terão existido avisos por lá), os foram elegendo. E agora elegeram o Syriza, que – com excepção da intenção de combater a corrupção e a evasão fiscal (espero honestamente que consiga) – apresenta receitas despesistas, tão baseadas no sector público e na dívida como antes os tais PS/PSD/CDS gregos.

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