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(Em Inhambane, há já alguns anos)
Blogo desde 2003. Há alguns anos um comentador, desagradado com algo que eu escrevera, deixou-me: “cada um diz o que lhe apetece. Poucos lêem, quem lê esquece e o autor fez o gosto ao dedo e divertiu-se”. A intenção era de crítica até malévola mas nisso falhou, pois é mesmo esse o espírito da escrita blogal. Assim desinteressada. Fútil e catártica.
Desse rol de postais nestes confinamentos do Covidoceno já organizei 4 grupos. Agora fiz mais um, o “Um Imigrante Português em Moçambique“. São textos opinativos, de blog e jornal. São sobre ser imigrante naquele país durante o início de XXI. E, porque fui um dos últimos “cooperantes” portugueses, agreguei também algo sobre “Cooperação” (Ajuda Pública ao Desenvolvimento). Claro que nesse âmbito juntei resmungos sobre a incompetente “Lusofonia” e seu insuportável sucedâneo Acordo Ortográfico.
Sobre estes temas fui deixando ao longo dos anos vários postais. Guardo agora na minha conta da rede Academia.edu este conjunto composto pelos que serão menos abrasivos. Com excepção de um todos são breves, e com nenhum quis mais do que ilustrar o que ia vivendo. Se alguém neles encontrar algo que lhe for interessante para mim será um prazer. Enfim, quem quiser gravar o documento pdf bastar-lhe-á “clicar” neste título: “Um Imigrante Português em Moçambique“.
Já agora, e para quem tenha alguma curiosidade sobre os outros conjuntos, aqui deixo as ligações para o acesso: 1) Ao Balcão da Cantina (50 crónicas sobre vivências e viagens em Moçambique); 2) A Oeste do Canal (41 textos sobre temáticas culturais moçambicanas); 3) Torna-Viagem (35 textos de memórias); 4) Leituras Sem Consequências (32 textos sobre livros e artistas).
Finalmente, sobre a fotografia que encima o postal: “Vasco da Gama” é um termo usualmente atribuído, por moçambicanos e por portugueses residentes (às vezes há bem pouco tempo) para nomear os portugueses que chegam a Moçambique. Sobre esta minha utilização que cada um faça a interpretação que lhe aprouver.

“Vasco da gama” … com o sentido de “mais um iludido”?
1. No século XV os portugueses conseguem adquirir a técnica de viajar em mar aberto, em vez de ficarem restringidos à orla costeira. O que lhes possibilitou entrar em contacto com povos, que até aí os Europeus não tinham acesso por causa da descontinuidade territorial. Foi, para os Europeus dessa época, nesse momento, a descoberta de um ‘mundo novo’ e de ‘novas coisas’.
2. Pierre Léon em 1984, juntamente com Bartlomé Bennassar (da Universidade Toulouse-Le Mirail), Pierre Chaunu (da Universidade Paris IV), Guy Fourquin (da Universidade de Lille) e Robert Mantran (da Universidade de Marseille I), na monumental obra em doze tomos editada pela Armand Colin intitulada “História Económica e Social do Mundo”, no vol. 1, tomo II, que a Editora Sá da Costa publicou em 1984, e no capítulo “Explosão planetária: A caminho de uma economia à escala do Mundo”, escreveram:
2.1. “Estava, pois, reservada ao pequeno Portugal a tarefa de integrar a África, e nomeadamente a África Negra, nos circuitos económicos mundiais e de, depois, criar a rota marítima das Índias. Sabemos já com que equipamentos, com que navios e com que instrumentos de navegação.
2.2. A ubiquidade portuguesa no princípio do século XV — África ocidental e oriental, Ásia e Insulíndia de Ormuz a Macau, o Brasil de Cabral — nada deve ao acaso, antes se realiza no termo de um esforço secular, concertado, organizado, dirigido pelo rei, uma verdadeira empresa nacional cuja vastidão continua a deixar-nos estupefactos se nos limitarmos a olhar para a Carta e para os números. (….) 1415: tomada de Ceuta: data simbólica, que naturalmente se toma como o início da epopeia portuguesa.” (Léon, 1984, p.390).
(in PM-C, 2011, “A Cultura perante o Património”, FLUL, Universidade de Lisboa, BN)