A vandalização do Arco do Triunfo.


Luís Menezes Leitão,

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Eu até tenho alguma compreensão pelo protesto dos coletes amarelos contra a carga fiscal insustentável que o Estado cada vez mais faz recair sobre os cidadãos. Mas já acho absolutamente intoleráveis actos de destruição da propriedade pública e privada e especialmente actos de vandalização de monumentos nacionais, com o simbolismo do Arco do Triunfo. A isto a única resposta só pode ser a da força da lei. Como disse De Gaulle perante os protestos do Maio de 1968: “la République n’abdiquera pas“.

17 comentários em “A vandalização do Arco do Triunfo.”

  1. o protesto dos coletes amarelos contra a carga fiscal insustentável

    O que deu início ao protesto foi a vontade do governo de aumentar o imposto sobre o gasóleo para o colocar igual ao imposto sobre a gasolina. Isso é inteiramente devido – não há qualquer justificação para que o gasóleo pague menos imposto do que a gasolina (de facto, até deveria pagar mais).

    1. Cada vez há menos justificação para o gasóleo ou a gasolina pagarem impostos. Não esqueçamos que o diesel foi abertamente encorajado pelos governos europeus, pelas suas putativas vantagens – e agora que já representa a maioria do parque automóvel é taxado, na mesma óptica do traficante que oferece as primeiras doses para viciar o cliente. Acontecerá o mesmo com o combustível prevalecente, seja electricidade, hidrogénio, ou o que fôr – primeiro subsídios para criar uma base alargada, depois taxas em cima. O GPL safou-se porque é marginal.
      Lendo as palavras deste gajo, pergunto-me, e pergunto-lhe; porque é que nunca lhe ocorre que há outra forma de igualizar os impostos, que é baixar o da gasolina?
      Ou seja, quanto recebes dos impostos dos outros para quereres mais?

      1. Concordo que seria adequado, até em termos políticos, baixar o imposto sobre a gasolina em conjunção com aumentar o imposto sobre o gasóleo.
        Outra coisa que seria adequada seria fazer a coisa de forma gradual, ao longo de vários anos, ao contrário do que Macron está a tentar fazer – aumentar o imposto sobre o gasóleo em 15 cêntimos por litro em menos de um ano.
        Quanto a baixar o nível geral de impostos sobre os carburantes, isso acho errado. Como Macron muito bem diz, o que é preciso é baixar os impostos sobre o trabalho (IRS, etc); os impostos sobre a energia e sobre a poluição devem ser mantidos.

        1. Acho temos uma idéia bem diferente sobre a bondade dos impostos. Para certas pessoas, nunca será uma solução viável o Estado gastar menos, sobretudo em WebTretas, ParqueEscolares, EuroCoisas, TAP, RTP, CP, banca, e etc.
          Os argumentos de que o Estado deve providenciar são recorrentes para justificar impostos. Só que nunca pagámos tantos, e as estradas caem, as florestas ardem, as escolas metem água, os hospitais não têm camas nem pessoal, os combóios não andam, os bombeiros não recebem, a polícia não tem meios, o exército é roubado, crianças com cancro são tratadas em contentores, e mais uma galeria de horrores. A dívida pública aumenta, o que significa que não é por pagarmos o que devemos ao estrangeiro que o dinheiro está a desaparecer.
          Qualquer pândego que defenda qualquer imposto, neste momento, só pode estar a gozar, ou a beneficiar deles. Vá trabalhar.

  2. Nas greves existem sempre alguns Black bloc’s que nada têm a ver com os grevistas, ou as suas reivindicações.

    O Arco do Triunfo foi destruído, ou pintado?

    Qual o simbolismo do Arco do Triunfo? A guerra europeia levada a cabo por um déspota de nome Napoleão, que em nome da República se fez coroar Imperador, invadindo e saquendo Portugal. Mandando os patriotas lusos ” para o maneta”.

    Adoro o Arco do Triunfo pelo que ele é e não pelo que simboliza.

    1. Nas greves existem sempre alguns Black bloc’s que nada têm a ver com os grevistas, ou as suas reivindicações.

      Mas os coletes amarelos fizeram uma manifestação em Paris há uma semana, e houve merda. Então fizeram outra manifestação este fim de semana, e voltou a haver merda (maior). E agora já dizem que irão fazer mais uma manifestação no próximo fim de semana – na qual se pode prever que vá voltar a haver merda. Só se pode concluir que eles gostam que haja merda – fazem uma, duas, três vezes para que ela surja. Não é defeito, é feitio.

    2. Exactamente!
      Acabei de comentar algo de muito semelhante porque só agora li o seu comentário. A diferença é que no meu caso, desprezo mesmo a porcaria pinchada; pelo que é e pelo que simboliza.

  3. Normal no conceito de Costa.
    A sua anormalidade democrática não começou apenas quando para contornar os resultados de uma eleição que perdeu, se aliou aos declarados inimigos de véspera para salvar a própria pele.
    Um histórico abominável que lhe fazem o frete de abafar.

  4. Sou 200% a favor das reivindicações.
    Sou 200% contra a violência.
    A questão é:
    – De que lado está a maior responsabilidade?
    João de Brito

    1. Entre outros provavelmente dos coletes amarelos, querem o Estado para tudo, dão todo o poder à Política e depois queixam-se que a Política lhes tira tudo.

      Qual foi o último Governo Francês que diminuiu ou sequer manteve a carga fiscal sem aumentar o endividamento para compensar?

      Isto vale para cá. A variação do CDS ao PCP no caminho para a Democracia Totaliária é só o grau. A “Direita” sempre que esteve no Governo aumentou impostos, criou novos impostos e entregou sempre mais e mais poder ao Estado.

      Ou seja Socialistas.

  5. “especialmente actos de vandalização de monumentos nacionais, com o simbolismo do Arco do Triunfo”

    O monumento em questão celebra o triunfo de um caramelo que morreu exilado, depois de ter perdido a guerra. Tem um túmulo de um bravo defensor da Pátria que a Pátria mandou morrer por ela sem sequer saber o seu nome.

    Como símbolo não é lá grande coisa. Só se for como memória.

  6. Bom, não interessa verdadeiramente, pelo menos aos estrangeiros, o que simboliza, para os franceses, o Arco do Triunfo. Para toda a gente, ele é um símbolo de França (senão O símbolo). Ponto. E quantos países se deram ao trabalho de fazer uma réplica?!

    É provável que os desagradados tenham razão nos seus motivos, mas julgo que a mesma razão se perde quando, para dizê-la e expô-la, usamos meios irrazoáveis que lesam terceiros e, como no caso do Arco do Triunfo, a humanidade em geral. Além disso, a sua luta nada tem a ver com os valores defendidos no Maio de 68. Nada de confusões.

  7. Dizer que fazer réplicas de arcos triunfais é “imitar os franceses”, deve deixar o Tito e o Constantino (e mais uns 20 ou 30 imperadores) a rebolar na tumba.

  8. Discordo das razões do protesto porque eu acho que os combustíveis fósseis deviam ser fortemente taxados. Mas lá que Macron é um desastre e tem que ser combatido, lá isso é verdade.

  9. Eu sou mais de me incomodar com o esventramento dos túmulos de D. Pedro e Dona Inês em Alcobaça, de uma maneira geral com a barbárie, a pilhagem e selvajaria de que nos sobrou a memória de um “ir para o maneta”.
    Agora essas coisitas pinchadas no arco das ditas, perpetradas pelos filhos de tal gente… dão-me um certo gozo, confesso…

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