Embora extraordinária no aspecto mediático e formal, a Convenção Nacional Republicana deixou-me algo perplexo quanto à substância das propostas da dupla Romney/Ryan nos EUA. Em síntese, os Republicanos propõem reduzir o desemprego, criar 12 milhões de postos de trabalho, revitalizar o crescimento económico, estimular as pequenas e médias empresas, diminuir os impostos aos mais ricos, criar um novo paradigma energético que não dependa da importação de petróleo (limitando contudo a indústria carbonífera e rejeitando igualmente as “energias verdes”), fortalecer o aparato militar (com maior apoio a Israel e um desafio explícito à Rússia de Putin), endurecer globalmente a política externa e reafirmar o poder americano no mundo.
Propõem fazer tudo isto sem criar novos impostos às classes médias, nem limitar os gastos militares (em Defesa e Segurança), reduzindo o défice orçamental e diminuindo a dívida pública (nomeadamente a contraída face à China), no meio da maior crise mundial económica e financeira dos últimos 80 anos. Espantoso. Obama foi (justamente) criticado por prometer este mundo e o outro. Mas o que são as propostas de Romney/Ryan senão um programa de intenções absolutamente utópico, tão irresponsável quanto irrealizável?

Onde está a impossibilidade? Querem apenas libertar recursos para a iniciativa privada (essa coisa estranha que produziu o pc onde escrevo), e isso é consentâneo com tudo o que foi dito. Libertando recursos através de menor déficit estimulam a economia, o que vai originar emprego (= diminuir o desemprego).
E dizer a Putin que há limites não custa dinheiro: é uma questão de atitude e o poder político americano mais se reafirma no mundo se a economia dos Estados Unidos estiver pujante.
Deve ter percebido mal essa da dívida pública “face à China”: os EUA não tencionam recomprar dívida nem vi isso dito. Seria uma palermice, como sabe qualquer estudante do 1º ano de economia.
Não vi, por isso, prometer este mundo e o outro. O que vi foram propostas que não têm nada a ver com socialismo, como seria de esperar.
Quanto à crise, foi em 2008 e a Grécia, a Itália e Portugal não ficam nos USA.
O Obama II parece ir ser um flop de bilheteira.
O Império Norte-Americano está a decaír. É uma questão de uma década. Fundo-me na circunstância adquirida na história que não há impérios com calotes daquele tamanho (superior a 110% do PNB).
A não ser que decida não pagar com o peso militar que ainda tem.
Preocupa-me como europeu o vazio ideológico e estratégico. E nesse aspeto Condoleezza Rice mostrou ter visão (isto visto na perspetiva de um europeu).
A dupla Romney/Paul não convence um conservador ou um anarquista liberal.
O discurso Romney contem intenções, quando alguém que se propõe ser eleito deve dizer a doença e assinalar a sua cura, mesmo que o eleitor à primeira vista não goste.
O discurso Romney contem vaguidades. Só numa época de futilidade adquirida e até inflacionada, a vaguidade tem consistência no eleitor. Prova já a fraqueza do sistema…a certeza do declínio do Todo.
Não há ideias, pretende-se tão só a todo o custo ganhar as eleições: que se lixem as eleições!
Se Obama prometeu este mundo e o outro e ganhou, porque é que Romney não poderá fazer o mesmo?
Cada vez mais as democracias modernas estão a funcionar segundo o princípio “das esposas enganadas”, segundo o qual cada pessoa só acredita naquilo que quer acreditar.
“Melhor que Obama, para a os EUA, até o Rato Mickey”.
Pura demagogia. Eles não vão embarcar nessa.
É sempre um descanso ver o GOP a resvalar para o centro – terão aprendido?
Se ainda existe “sistema capitalista” é porque o Obama criou a ilusäo de que fez alguma coisa para evitar crises como a de 2008… a tal que ainda näo terminou (quantos estados para além da Califórnia estäo falidos?)!
Espero bem que Romney/Ryan ganhem as eleiçöes. É da maneira que a coisa estoira de vez, sem remissöes.
Queres o socialismo nos EUA? Vota Romney!
Alguns aqui partem do princípio que os EUA têm dinheiro…É que é uma realidade que está por provar…neste momento.