
Julgo que foi o único colega de profissão com quem estive em cinco continentes. Desde logo em Lisboa, onde chegou a ser um dos profissionais mais qualificados da RTP. Os nossos caminhos profissionais cruzaram-se depois em Macau, onde dirigiu os canais de rádio e televisão da TDM. Mais tarde, reencontrei o José Alberto de Sousa em Nova Iorque, onde desempenhava as funções de conselheiro da missão permanente de Portugal junto das Nações Unidas e vivia do outro lado do estuário do Hudson, já em Nova Jérsia. Encontrámo-nos de novo em Cabo Verde, quando ele ali chefiava a delegação da RTP África, e em Díli, onde era assessor da administração da Rádio e Televisão de Timor-Leste.
Era um gentleman, capaz de estabelecer os consensos mais improváveis, sem nunca sentir a necessidade de levantar a voz. Um excelente pivot televisivo, aparentemente imperturbável mesmo nas situações de maior stress. Um homem com uma curiosidade insaciável, sempre disponível para conhecer diferentes lugares e diferentes culturas, e que mesmo quando exerceu cargos directivos nunca se fechava na redoma dos gabinetes. Um bon vivant, que sabia aproveitar como poucos o lado solar da vida. Um boémio à moda antiga, capaz de cultivar a conversa à mesa como forma de arte. Um daqueles, cada vez mais raros, para quem a amizade era um posto. Por isso há hoje inúmeros amigos, nos mais diversos locais, a lamentar a sua morte – tão precoce e para mim, que nem o sabia doente, tão inesperada.
Despeço-me dele, como tenho a certeza de que gostaria, com esta morna na voz do Ildo Lobo que escutámos num dos nossos jantares na cidade da Praia. Quando havia muitos amanhãs no horizonte e a Morte era uma dama distante a que nenhum de nós sonhava passar cartão.

Bela memória de um bom amigo comum.
Soube ontem, inesperadamente, lendo o seu blogue, meu caro. Revejo-me muito na evocação que dele fez. Há pessoas que têm vocação para fazer pontes com os outros: era seguramente o caso deste nosso amigo que partiu cedo de mais.
Pedro, conheço a dor da perda de um amigo, em particular a perda inesperada. Deixou-lhe as sinceras condolências pela perda de seu companheiro de trabalho. A partir de agora orará com ele, por todos.
Estas partidas que o destino nos vai pregando só nos fazem perceber a importância de aproveitarmos melhor todos os momentos da vida. O Zé Alberto partiu demasiado cedo. Mas ele soube sempre apreciar a vida. Essa é a mais grata memória que conservo dele.
Uma descrição que faz jus ao homem que foi… obrigada por isso!
Julgo que todos os amigos dele guardarão esta imagem, Magda. E ao longo da vida ele foi fazendo muitas amizades por todas as paragens onde morou.
Pedro Correia, o Zé Alberto é meu primo. Desde pequenina que o admiro e vou continuar a admirá-lo. Pelo percurso de vida que fez, pelas histórias de vida inebriantes que contou, pelo modo como aproveitou o que a vida lhe deu. Um primo à distância mas sempre presente no meu coração!
Os meus pêsames, Magda. Percebo bem que continue a escrever os verbos no presente.
Bela despedida de um amigo.
Era um ‘globetrotter’. Encontrei-o de surpresa nos mais diversos locais e até já fazíamos piadas com isso. E era um excelente camarada de profissão.
Passado quase 7 anos, tenho o prazer de ler estas tão amigáveis palavras 🙂 É tão bom saber que o meu pai tocou tanta gente, de variadas formas. Estou muito grata pela homenagem que fez, há 7 anos atrás. 🙂