A traição começa na cabeça, ele sabe, é um homem do mundo, nada de carências, é rápido e aceita o que há, seja lá isso o que for.
A traição começa no corpo e o corpo deixa-se ir, em movimentos sincopados, sem cadência, mas com um ritmo que ele sabe ser o certeiro, recusa a culpa e diz que o sexo é amor e, por isso, a saudade aumenta. Pode ser. A vida corre na rua, lá fora, pelo mundo sem certezas. As janela não cedem. Os telefones em silêncio. Olha para a mulher que se deixa ir. Não é é ele. É como no Carnaval, um palco que invade o corpo e as palavras e nada é o que parece.
Ou não.

Nunca sei onde a traição física começa. Se no corpo, se na alma. Mas, mesmo só quando do corpo, deixa marcas na alma…
A traição está em todo o corpo e vai corroer a alma do traidor e do traído. O traidor perde o medo e a vergonha no acto da traição, mas quando o mundo o interroga foge à verdade. Esquece-se que o mundo está sempre à espera dos seus fracassos e a vida não lhe perdoará as traições e cobrar-lhe-á caro.
“é um homem do mundo, nada de carências”
Atenção a quem negue ter carências, está cheio delas…