Raramente terei começado post algum com tanta vontade de escarrapachar nomes, assim uma espécie de anúncio à moda do Velho Oeste: WANTED mas hoje, ai hoje, logo hoje, passados uns meros dias sobre o anúncio fatídico da vinda desse tal FMI ou FEEF ou outra coisa qualquer que, surpreendam-se, vai ajudar a Banca, deu-me esta ímpeto. Foi logo pela fresca quando no meu mural facebookiano me anunciaram que nove dos nossos deputados europeus votaram contra uma proposta para que os voos com duração inferior a quatro horas passassem a ser em classe económica. E agora os nomes e os partidos, já agora: José Manuel Fernandes, Paulo Rangel, Regina Bastos, Carlos Coelho, Mário David, Maria do Céu Patrão Neves e Nuno Teixeira do PSD e Luís Manuel Capoulas Santos e António Fernando Correia de Campos do PS votaram contra. Numa altura em que são pedidos mais sacrifícios do que o conseguimos suportar não ficaria nada mal aos senhores doutores engenheiros arquitectos deputados, uma verdadeira realeza que não se pode sentir encunicada durante umas reles quatro horas e precisa desta afirmações bacocas de uma dignidade vã, dar o exemplo. Desengane-se quem acha que este país ainda tem viabilidade com gente desta. Não tem.
A tragédia da classe económica
cronicasnofeminino,

Leonor, com franqueza, estás a ser muito populista. Hum… cheira-me mesmo a inveja social. E não vale a pena invocares coisas de somenos como a moral, porque esse é um conceito muito ultrapassado. Diria mesmo que um tanto reaccionário. Ai, ai!
Isso mesmo, Teresa. As saudades que eu tenho das delambidas das hospedeiras a lamberem-me as botas, cheias de sorrisos dependurados entre o champagne e os guardanapos de pano. Ai as mordomias!!!!
:)))
Não tem, não. Com gente desta não há hipótese, e a outra gente vai morrendo à fome.
Zero. Hipótese nenhuma, Ana.
O mais grave, minha cara, é que quando se trata de serem eles a pagar, a maior parte destes “parolos”, que sempre viajou em turística, volta a viajar em turística e escolhe um hotel baratinho para poupar para as peúgas.
Com o dinheiro dos contribuintes é que eles gostam de se sentir importantes e fazer umas flores.
Ainda me lembro de alguns que quando chegava o Natal e os gabinetes eram inundados de cabazes, coisa a que eles não estavam habituados nas suas vidinhas anteriores, logo mandavam os motoristas encher as bagageiras dos carros e nem uma garrafinha ofereciam ao pessoal dos seus próprios gabinetes. Pior, nem obrigado lhes diziam.
Mas esse é o ponto e, digam lá o que disserem, ninguém precisa de um voo em executiva num percurso até quatro horas. Acho um provincianismo e uma bimbice atroz. Mas é o país que temos, Sérgio.
Estou de boca aberta. Claro que não vamos a lado algum, porque há sempre doutores, etc que acham que sacrifícios são para os pobres. E ninguém manda estes gajos darem uma curva? Caraças.
Devíamos todos mandá-los dar uma curva, mas pelos vistos, chegava-lhes uma viagem em classe económica. Uma vergonha perante nós e perante quem nos vê.
Serviço público, Leonor. O teu ‘post’ é puro serviço público. Fizeste muito bem em deixar aqui os nomes desses deputados da eurocâmara – incluindo alguns que costumam navegar na blogosfera, como Paulo Rangel e Carlos Coelho. Como é possível, neste tempo de sacrifícios, tanta falta de consciência social?
É inadmissível que numa altura destas não tenham o menor pejo e respeito, Pedro. Há que separar o trigo do joio.
É que não tem mesmo. Por isso, nada como escarrapachar os nomes dessa gente. Como sempre, são os mais saloios e menos interessados em servir os outros.
Se eu fosse líder de um partido, aqueles que tivessem feito o mesmo regressavam à base e à militância mais básica.
Ora bem, João. Acho que se devia começar a fazer como num país africano cujo nome já não me lembro, mas que prendeu a selecção toda de futebol quando chegaram por terem perdido os jogos e dado mau nome ao país 😉
Não nos serve de consolo, mas os espanhóis tiveram um comportamento ainda mais vergonhoso. Dos 50 eurodeputados, 46 votaram pela manutenção dos privilégios.
Mas como dizes, Pedro, não nos serve de consolo.