![Facts-about-Ancient-Egypt-8[1].jpg Facts-about-Ancient-Egypt-8[1].jpg](https://delito.brucke-multimedia.com/images/2018/20945592_BuZuz.jpeg)
Ontem a selecção nacional jogou contra a do Egipto em Zurique – vitória por 2-1, com dois golos do inevitável Cristiano Ronaldo.
Mas não é de futebol que aqui venho hoje falar-vos: é da nossa tão maltratada língua. De imediato pelo menos dois terços das edições digitais dos jornais que restam se apressaram a escrever “Egito”, em obediência ao (des)acordo ortográfico de 1990.
Estipula a pauta acordística que a ortografia deve submeter-se aos ditames da fonética em geral e da “pronúncia culta” em particular – algo que nenhum académico foi até hoje capaz de nos explicar o que significa, com o rigor científico indispensável a quem queira transformar simples bitaites de café em normas com valor legal.
Acontece que sempre escutei pessoas cultas, ao meu redor, pronunciar a palavra Egipto assim mesmo, com o p bem articulado – ressalvando compreensíveis excepções de alguém com deficiências no aparelho vocal. Refiro-me a portugueses, pois os brasileiros falam “de fato” à sua maneira.
Ao fazerem cair o p de Egipto, estes jornais digitais cá do burgo abdicam da secular norma portuguesa, fazem tábua rasa da tal “pronúncia culta” que invocam para outros fins e separam irremediavelmente famílias lexicais, passando a si próprios verdadeiros atestados de analfabetismo funcional. Pois continuam a escrever egípcio, egiptologia e egiptólogo.
Se tantos outros exemplos não houvesse a confirmar a tontice do (des)acordo ortográfico, este bastaria.

E essas luminárias disseram quantos “espetadores” assistiram ao encontro?…
Uma dessas luminárias, fervorosa acordista, imaginou este título: “Para para pensar”.
Depois parou mesmo. E ainda lá está, parada, sem perceber o que aquilo significa.
Onde se lê “tontice”, leia-se “pernicios𝘪𝘤𝘦”.
Ou pirosice. Também pode ser.
so·li·dão
(latim solitudo, -inis)
substantivo feminino
1. Estado do que está só.
2. Lugar solitário. = RETIRO
3. Isolamento.
4. Lugar despovoado. = ERMO
“solidão”, in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [em linha], 2008-2013, https://www.priberam.pt/dlpo/solid%C3%A3 o [consultado em 24-03-2018].
Pensando com Al Berto:
Solidão – um oceano de dias lentíssimos e sem ninguém.
Km 8.
Solidão – quando à nossa porta os navios deixam de acostar
Correndo com Al Berto.
É na verdade mais que uma tontice. Tontice é coisa palerma e de pouca monta na palermice e na importância dela. Ora um acordo ortográfico é de outra ordem. Mas vai ao parlamento e os partidos, com a honrosa excepção do PCP, apoiam-no. É um desrespeito para com a língua portuguesa. Mas nas escolas já se ensina e pratica…
A esmagadora maioria dos escritores portugueses – os utentes mais qualificados da língua – assume-se frontalmente contra o AOLP90, recusando aplicá-lo. critores-discordam-do-acordo-em-8832243
http://delitodeopiniao.blogs.sapo.pt/es
Felizmente acontece o mesmo com muitos tradutores: ogio-a-tradutores-que-resistem-9504775
http://delitodeopiniao.blogs.sapo.pt/el
Embaralha um bocado falar da corrupção da língua portuguesa, quando os mentores de tal desvirtuamento são apenas currutos contrafatores linguísticos.
Quase nenhum político e praticamente nenhum escritor sai em defesa deste produto contrafeito, Dulce. Se houvesse uma ASAE para a ortografia, o (des)acordo de 1990 estava há muito retirado de circulação por danificar seriamente a nossa cultura.
O outro bendizia que preferia arquitetas a arquitectas.
Já o outro bendizia as arquitetas da arquitecta.
Interessante como as definições técnicas de conceitos ,embora compreensíveis, não despoletam no leitor qualquer emoção.
Ex: Pobreza
Estado ou qualidade de pobre.
2. Falta do necessário à vida; escassez, indigência, penúria.
3. A classe dos pobres.
4. Pequeno número, pouca abundância.
“pobreza”, in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [em linha], 2008-2013, https://www.priberam.pt/dlpo/pobreza [consultado em 24-03-2018].
Não se sente nada. Deixa-nos indiferentes.
Mas agora usando outra técnica de definição do mesmo conceito :
https://youtu.be/90ZL9Zj8P9M
A tecnocracia, a racionalidade da realidade, desligada da emoção, produz monstros. A edição tecnológica da vida, trunfo da razão, tem sido pródiga em monstruosidade. Faltam-nos os poetas. Basta de acções. Urgem as promessas.
Se não Sentirmos o mal, por muito que o recitemos de cor, estamos perdidos.
Outro exemplo:
Leiamos a definição cientifica de floresta. A seguir caminhemos por uma adentro. Notam a grande diferença?
Oh Vlad , juro, juro que tento mesmo compreender a desambiguação, mas há temas em que por muito que me esforce não consigo fazer bater ( ou sequer aflorar) a bolota com a perdigota.
Erro meu, seguramente.
“Apesar das melhorias, Portugal continua entre os mais desiguais. E mantém-se nos 11% a taxa de trabalhadores pobres”
Dulce conhece a D. Maria Alice, que leva para casa 280€, tendo descontado, assim lho disseram, durante 38 anos? Que foi operada aos joelhos e agora se queixa da coluna. Cozinha num casebre e dorme num outro. E o marido, Sr. Emídio. Que sofre de arritmia e quando pressente uma a aproximar-se dobra-se sobre o volante do trator pedindo a Deus que o não leve, ainda. Porquê me pergunto?
Aquele casal que vive numa enorme Quinta,em ruínas, porque quem a herdou nem por coisas nem por gente nunca se interessou.
A D. Maria e o Sr. Emídio que bebem água do poço? Se não os conhece, nunca poderá entender.
Não conheço o Sr. Emídio nem a D. Maria Alice, que têm uma casa velhota e um tractor e uma pensão, provavelmente da Casa do Povo, como os meus sogros, que trabalharam a vida toda de sol a sol e viveram frugalmente.
Conheço casos bem mais graves. Em alguns casos em posso ajudar, pago as contas da farmâcia, por exemplo.
Os meus sogros não sabiam nada sobrebo acordo ortigráfico e o desfuncionalismo arcordês, e se soubessem , garanto que não incluiriam o tema num debate sobre pensões e sobrevivência, porque seria idiota demais.
Isso é um desvio de projecção psicológica , distorcer ou mudar a realidade dos assuntos para algo que lhe interessa e desvia a linha do pensamento da questão original.
Nisso o querido Vlad é um mestre .
Beijinhos e bom Domingo.
Não tem nada a ver com isso. Necessitando por vezes de escrever , de desabafar, tomo a liberdade, que o Pedro dá, de aqui o fazer – em nenhuns outros posts o faço. Sou preguiçoso demais para escrever sozinho.
Não desviei conversa pois fazia um solilóquio. A sua resposta, para quem, como eu , estava perturbado com um acumular de vivências – tenho idade pelo que já vi de ter o dobro dos anos que tenho- foi estúpida.
Quanto ao que faço por outros prefiro mantê -lo para mim.
Olhe Vlad, você “estava perturbado com um acumular de vivências” e a minha rspesposta foi … estúpida…
A minha mãe faleceu de repente e fui eu quem a enctrou há uns dias… desculpe perturbar o seu solilóquio desenquadrado nos temas dos posts que tento inegrar com a cabeça que não tenho, no meu esforço diário para recuperar a normalidade, sem narcisismos idiológicos egoíttas.
Soliloquie para aí e passe bem.
Uma pessoa do seu nível tem a obrigação de se abster de parvoíces.
Lamento Dulce. Aconteceu o mesmo com a minha mãe.
Os meus sinceros pêsames
Preocupamo-nos mais em saber escrever palavras do que com seu verdadeiro sentido.
E gostei do termo tontice,há quanto tempo o não via e que saudades zeus meu.
Mais um excelente exemplo da estupidez do “Acordo” Ortográfico.
Quem o pariu bem pode “gabar-se” deste trambolho.
Ainda se admira por as pessoas não votarem?