
Num livro extraordinário denominado Soumission, Michel Houellebecq fantasia sobre as eleições presidenciais francesas de 2022, às quais concorreria Marine Le Pen, juntamente com os tradicionais candidatos socialista, republicano, mas também um candidato islâmico. Sucede, no entanto, que, devido à divisão dos candidatos tradicionais, quem vai à segunda volta com Marine Le Pen é precisamente o candidato islâmico, cujo programa é nem mais nem menos do que a islamização total da sociedade francesa. No entanto, os outros candidatos manifestam apoio ao candidato islâmico, preferindo-o a Marine Le Pen, e, mal se vê eleito, o candidato transforma a França num estado islâmico, abolindo o laicismo da república e determinando uma revolução nos costumes, que abrange até o vestuário das mulheres.
Quando li esse livro, achei a hipótese aterrorizadora, mas absurda. Afinal parece que não o é tanto, já que o MRRP, capitaneado pelo grande educador da classe operária, Arnaldo Matos manifestou apoio aos jihadistas de Paris. Segundo ele, foi “o imperialismo a causa real, verdadeira e única do ataque a Paris. Agora os franceses já sabem que a guerra de rapina movida pelo imperialismo francês em África e no Oriente Médio tem como consequência inevitável a generalização da guerra à própria França, à capital desse mesmo imperialismo moribundo“. E acrescenta que “não só não foi um massacre, como foi um acto legítimo de guerra; não foi cometido por islamitas, mas por jiadistas, isto é, combatentes dos povos explorados e oprimidos pelo imperialismo, nomeadamente francês; e acima de tudo – coisa que estes revisionistas de pacotilha intentam ocultar – foi praticado por franceses, nascidos em França, vivendo em São Dinis e noutros bairros do Paris suburbano. Pois é, os combatentes de Paris não são islamitas estrangeiros; são irmãos de sangue do filósofo Alain Badiou e de outros ideólogos do Partido Comunista de França (marxista-leninista-maoista)“.
Segundo Arnaldo Matos, “a lógica profunda do ataque a Paris não é o terror, não é o horror, não é a crueldade; a lógica é a lógica da guerra, dente por dente, olho por olho, até derrotar o inimigo. Terror, horror, crueldade são os ataques aéreos, de mísseis de cruzeiro, de artilharia, de drones, conduzidos pelo imperialismo, designadamente francês, sobre os homens, os velhos, as mulheres e as crianças das aldeias e das cidades de África e do Médio Oriente, para roubar-lhes o petróleo e as matérias-primas. Os atacantes de Paris nem chocolates roubaram: levaram a guerra aos franceses, apenas para acordá-los: para lembrar-lhes que o governo e as forças armadas do imperialismo francês estão, em nome da França e dos franceses que julgam ter o direito de se poderem divertir impunemente no Bataclan, a matar, a massacrar, a aterrorizar com crueldade inenarrável os povos do mundo“.
Desde a queda de Garcia Pereira que o MRPP anda completamente à deriva. Agora Arnaldo Matos acha que os jihadistas e os proletários têm a mesma luta, e até sustenta que “os direitos do homem, os direitos humanos fundamentais são uma exigência do mercado capitalista, para poder explorar, sob uma cobertura jurídica, os operários. Os direitos humanos fundamentais são uma forma ideológica de dominação dos operários, porque respondem a uma necessidade do modelo económico hegemónico do capitalismo e tendem à reprodução desse modelo“. Les beaux esprits se rencontrent.
Mas há uma coisa em que Arnaldo Matos tem razão. A lógica do ataque a Paris é a lógica da guerra. Ele e o MRPP escolheram um lado. Eu estou naturalmente do outro lado da trincheira.

‘Submissão’, um dos melhores livros do ano em Portugal. Lançado entre nós pela Alfaguara (em português correcto).
Também recomendo a leitura deste romance tão ancorado na realidade.
Está a cair nas armadilhas dos jiadistas.
Não reparou na contradição de achar, com razão penso eu, que o MRPP é formado por uma camada de lunáticos e de que se devem seguir as suas ideias.
As atitudes dos estados em relação aos participantes numa guerra e aos criminosos são diferentes.
Armadilha 1 : Se acha que estamos em guerra tem de nomear uma nação inimiga. Acaba de reconhecer o Estado Islâmico.
Armadilha 2: Se estamos em guerra então os jiadistas não são criminosos, são soldados inimigos que merecem ser tratados de acordo com a convenção de Genebra
Armadilha 3: Se reconhecemos o Estado Islâmico então os ataques de Paris não são crimes, são manobras de defesa.
O que não faz sentido é considerar que as nossas ações são ações de guerra, sendo legítimo (embora indesejável) o bombardeamento de civis para atingir objetivos militares, e ao mesmo tempo considerar a resposta do outro lado como um crime. Ou bombardear civis é crime ou os atentados não são crime.
Só asneira pegada Jo.
” Se estamos em guerra então os jiadistas não são criminosos, são soldados inimigos que merecem ser tratados de acordo com a convenção de Genebra.”
Nem pensar. Os combatentes inimigos só têm direito à protecção se cumprirem as convenções e se as reconhecerem.
Por isso o Estado Islâmico tem de reconhecer e as cumprir como política ou seja na maior parte dos casos para os seus combatentes terem a protecção da convenção.
Por ex. navio hospital armado é um navio sem protecção da convenção e pode ser afundado. A excepção é se os dois lados concordarem em determinada circunstância.
“Armadilha 3: Se reconhecemos o Estado Islâmico então os ataques de Paris não são crimes, são manobras de defesa.”
Sim para a Esquerda Marxista atirar a matar sobre civis como alvo são manobras de defesa.
Já sabemos isso desde o Golpe Bolchevique em Moscovo.
Aliás toda a política dos jornalistas Marxistas do Publico ao Le Monde, passando pelo de Guardian ao Telegraph tem sido beneficiar quem contribui para a matança de civis.
Por exemplo nunca vi um jornalista a criticar os grupos de guerrilha e terroristas por não envergarem uniforme reconhecível.
Um dos esteios da Convenção para não se atingir civis. E uma das violações permanentes da convenção pelos grupos anti-ocidentais.
Claro que os jornalistas, a maior parte cujo o objectivo é destruir o Ocidente não falam, não escrevem sobre o assunto.
Desde a Segunda Guerra Mundial que o Jornalismo tenta destruir as Convenções de Genebra.
“Os combatentes inimigos só têm direito à protecção se cumprirem as convenções e se as reconhecerem.”
Mas na guerra contra o ISIS temos vários países a bombardearem alvos diversos sem aviso. Se acredita que há alguma preocupação com os civis nos bombardeamentos de parte a parte, então acredita em tudo. Temos uma campanha de assassínio de opositores através de “drones” que tem morto bastantes civis. A guerra na Síria foi potenciada pelo apoio dado a grupos civis opositores ao governo que não eram uniformizados. Que exército estava o Ocidente a apoiar quando bombardeou a Líbia?
O caso é que os dois lados estão a jogar sujo e vir clamar que se tem razão quando se joga sujo é difícil.
Custa-me a compreender a sua posição, sobretudo de um ponto de vista prático.
Dizer que os terroristas são umas bestas é uma verdade tão evidente que não serve para nada. Convém é saber o que fazer para os combater. Declarar que são islâmicos e que isso implica que todos os islâmicos são cúmplices é um bocado redutor. Mas parece que não se contenta em acusar todos os islâmicos, dá a ideia de que qualquer pessoa que diga que nem todos os muçulmanos são terroristas, também é um terrorista para si. Essas atitudes normalmente conduzem à paranóia sem resolver nada e só agravam a situação.
Penso que uma abordagem pela geografia talvez tenha melhor resultado. Grande parte dos terroristas são oriundos do mundo ocidental, de sociedades democráticas que nós gostamos de dizer que controlamos. Talvez convenha ver o que falhou no ambiente em que eles cresceram, sem procurar cair no facilitismo de dizer que os “nossos” rapazes são assim porque foram desencaminhados pelos maus.
Bombardear o Médio Oriente porque franceses mataram outros franceses com uma metralhadora só não é ridículo porque morre gente por causa destas “soluções”, que não solucionam nada.
Os bombardeamentos ocidentais têm preocupação com civis como demonstrado aqui: ombing-runs-targeting-islamic-state-retu rned-without-firing-a-shot
http://www.jihadwatch.org/2015/06/75-of-u-s-b
E usam armas guiadas algo com que você não se preocupa.
Nem você nem os jornalistas.
E a razão porque nem você nem os jornalistas se preocupam é porque os russos e os sírios bombardeam em boa parte com armas não guiadas.
Nunca o vi a fazer uma critica aos combatentes não uniformizados. A sua agora critica a quem no Ocidente apoia tais grupos é bem vinda mas fica a dúvida se tal não existisse ignorava? E se é para manter.
Um bombardemento de área por rockets na Síria:
https://www.youtube.com/watch?v=pPoGw8xD mEY
Aquela quantidade de explosões indica com boa probabilidade são rockets sem carga unitária e ao invés têm múltiplas cargas = cluster
Viu algum jornalista a protestar e a chamar para comentar um organismo para os direitos humanos ou sequer a escolher este bombardeamento como notícia?
Sobre os Islâmicos… se os Islamismo não controla os seus teremos guerra entre todo os Islão e o Ocidente e que acabará com bombas nucleares em Meca e boa parte do Médio Oriente, Ásia e talvez algumas no Ocidente.
Uma guerra é sempre punição colectiva e se se têm feitos passos no Ocidente para ser menos uma punição colectiva devido as armas guiadas, boas ópticas, treino que custam milhões de milhões aos contribuintes ocidentais muita parte da colectividade da Guerra está eliminada.
E para isso não acontecer é preciso pressionar todos os Muçulmanos.
O desastre que temos agora que nem se aproxima do desastre que vai a acontecer deve-se precisamente ao não se ter colocado todos os Muçulmanos como responsáveis por eliminarem ou neutralizarem os seus elementos mais radicais.
Dezenas de milhares de Muçulmanos Franceses saíram ás ruas para protestarem pelo direito de Gaza lançar rockets sobre Israel.
Saíram ás ruas quantos Muçulmanos Franceses para protestar Bataclan?
É preciso que muito mais saiam ás ruas para protestar Bataclans e se a moralidade e ética dos Muçulmanos não existe vai ter de ser com ameaças.
J. Sócrates perorando a bel-prazer, na televisão, em generosíssimo tempo de antena e recebido como estadista em funções; A. Costa primeiro-ministro pela via que se conhece; a esquerda totalitária e mais anacrónica com directa influência na orientação do exercício da governação. Perante tudo isso, o regresso do Grande Educador é apenas um passo mais na descida à loucura deste desgraçado país.
Obedientemente subsidiada – essa gente e a descida – pelos nossos impostos.
Parece que a célebre frase de A. Herculano, sobre a vontade de morrer, é afinal quase sempre citada em circunstâncias que não reflectem aquela em que terá sido dita. Mas tanto pior, nem que seja por mero desabafo dá mesmo vontade de a repetir.
Costa
Só agora é que um grupo Marxista-Leninista é inimigo?
Não sabe que se o Marxismo-Leninismo chegar ao Poder não se pode falar em público contra o Regime e Governo?
“Sucede, no entanto, que, devido à divisão dos candidatos tradicionais, quem vai à segunda volta com Marine Le Pen é precisamente o candidato islâmico, cujo programa é nem mais nem menos do que a islamização total da sociedade francesa. No entanto, os outros candidatos manifestam apoio ao candidato islâmico, preferindo-o a Marine Le Pen, e, mal se vê eleito, o candidato transforma a França num estado islâmico, abolindo o laicismo da república e determinando uma revolução nos costumes, que abrange até o vestuário das mulheres.”
Mesmo que o rei da Arábia Saudita (aliado de França, já agora) fosse eleito presidente de França, ele não teria poderes para fazer essas merdas todas. Quem acha o contrário só pode desconhecer completamente o funcionamento do regime francês.