A sorte e o desnorte


jmmcc,

«Falando aos jornalistas antes de um almoço no Palácio de São Bento com várias associações defensoras dos direitos homossexuais e LGBT», José Sócrates disse que «a aprovação do casamento entre pessoas do mesmo sexo torna a sociedade “melhor“».

Como não consta que tenha alterado essa posição depois do almoço, pode concluir-se que os homossexuais estão duplamente com sorte. É que saber governar, resolver e ultrapassar os problemas em que o País está metido até ao pescoço também torna a sociedade melhor e, no entanto, a vida continua a piorar para a maioria dos portugueses e nem por isso estes são convidados pelo primeiro-ministro para almoçar.

A crise, porém, foi abordada. Sócrates disse também isto: “Eu sei que o País tem outros problemas e estamos empenhados neles, mas não vejo razão nenhuma para que, no meio de tudo isso, não encontremos espaço para não fazer aquilo que devemos, que é promover uma sociedade mais justa e sem discriminação.“

Atentem bem no desnorte: “não vejo razão nenhuma para que não encontremos espaço para não fazer“. Foi antes de almoço, sim, só que falou em ‘teixeira-santês’ técnico.

6 comentários em “A sorte e o desnorte”

  1. casamento entre pessoas do mesmo sexo ( por muito que me esforce, não consigo entender – o consigo não é consigo, a língua traiçoeira é muito portuguesa ) e não vejo razão nenhuma para que não encontremos espaço para não fazer, das duas uma : ou o país encolheu ou é faladura técnico-santês , nem sequer é teixeira .

  2. Por acaso a mim a vida até não me corre mal de todo, e eu sou classe média baixa; sim, é verdade, os caracóis estão pela hora da morte, mas os tremoços ainda fazem parte duma imperial e os aumentos no gás e na luz sempre foram anuais e, seguindo as tradicionais regras do bem-viver, sempre o serão. Fora isso, estou descontente com a selecção, sinto o desastre emanente, as miúdas voltaram barulhentas do concerto da Hanna Montana e reflicto que a silly season se aproxima; o calor que se abate sobre o nosso minísculo apartamento, a que estamos agarrados por causa do pediatra da nossa mais nova, esmaga-me, impiedoso. Acredito em Sócrates, ou talvez que acredite em Passos Coelho, talvez um deles nos possa safar deste dilema, mas que sei eu, não passo de baixa classe média, como todos os outros, anódinos na multidão, à mercê do capital especulativo, das grandes negociatas, dos rocks in rio lisboa-madrid, do tipo que deu um tiro a mulher do outro e por azar é numa rua próxima da minha, da vontade que dá em disparar para todos os lados à medida que paulatinamente nos vão aos bolsos e pensar D, pensar D como quem não quer a coisa, pensar o sonho de D. Pensar que o respeito não é uma palavra para oprimir. Vou deitar as míúdas, gosto do vosso blog.

  3. Melhor e mais feliz, li eu.
    Eu fiquei mais feliz?
    Ainda não dei por nada.
    Ou é do desnorte ou da falta de empenho.
    Ou da falta de espaço ….

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