A Síndrome de Évora


Rui Rocha,

A mente humana, sabemo-lo, é capaz de produzir determinadas anomalias como estratégia de sobrevivência. Na Síndrome de Estocolmo, por exemplo, a vítima de cativeiro desenvolve um estado psicológico em que cria laços afectivos com o agressor. Não espantaria, portanto, que as notícias que chegam de Évora constituíssem uma nova manifestação dessa Síndrome já razoavelmente descrita. José Sócrates teria desenvolvido, eventualmente, uma especial afeição ao juiz Carlos Alexandre, ao Director do Estabelecimento Prisional ou (o que sabemos nós dos caminhos tortuosos da mente?) a algum carcereiro.  E estaria, por isso, inclinado a rejeitar, contra qualquer racionalidade (um pombo anilhado com movimentos restritos ao perímetro de um pombal é relativamente mais livre do que um pombo confinado a uma gaiola), uma forma mitigada de privação de liberdade. Todavia, uma análise mais detalhada revela que o tipo de anomalia aqui presente não corresponde à descrição da Síndrome de Estocolmo. Vejamos. Sócrates procurou, desde o princípio, passar para a opinião pública a ideia de que era um prisioneiro político. Ora, a encenação desse drama convive mal com a imagem de um pequeno-almoço em roupão na Rua Castilho ou, para nos mantermos fiéis ao guião, numa mansão cedida a título gratuito por algum amigo. Portanto, confirmada a decisão de não aceitar a prisão domiciliária, estamos, é certo, perante uma anomalia ditada por uma estratégia de sobrevivência. Mas, ao contrário do que acontece na Síndrome de Estocolmo, não temos aqui qualquer tipo de afeição pelo agressor, mas antes uma lealdade exacerbada de Sócrates a si mesmo. Se virmos bem, trata-se do entumescimento do eu socrático, agora enquanto réu e, mais do que isso, refém de si próprio: um Sócrates preso, com a porta da cela aberta, mas algemado ao espelho onde contempla a sua imagem de perseguido. A solidariedade absoluta de Sócrates com a estória que construiu. Uma escalada formidável de compromisso. Uma espécie de Mito de Narciso encrustado nas grades da prisão. Em suma, um fenómeno épico de auto-ejecção da realidade que, à falta de melhor, designaremos por Síndrome do Prisioneiro 44 ou, simplesmente, por Síndrome de Évora.

0 comentários em “A Síndrome de Évora”

  1. Já lá vão seis meses de prisão preventiva mais uns anos de investigação e a acusação não aparece.

    Entretanto vão saindo informações para os jornais a conta-gotas, dadas por gente que acha que a lei é só para os outros e os julgamentos devem-se fazer pelos jornais.

    Isto está cada vez mais parecido com o Freeport.

    Nestas coisas não basta ter convicções, nem sequer basta ter razão, é preciso provas.

    Tão mau é um procurador que acusa inocentes como um que acusa um culpado sem arranjar provas. Porque, ao contrário do cidadão comum, o trabalho do procurador é descobrir as provas

    1. Companheiro ninguem é constituido arguido sem provas fundadas, a não ser que o peça e muito menos ninguem em portugal vai de preventiva sem provas mais que fundadas e tendo em conta a personalidade que é nenhum procurado/juiz iria cometer suicidio na carreira mandando de preventiva sem motivo algum um homem daqueles. Ninguem para pensar, que ele ja recorreu a quantos tribunais? 3, 4 e todos disseram que sim havia provas mais que fundamentadas para estar la dentro por isso nao defendam o indefensavel.

      PS: Tambem quero amigos que comprem casas de 4 milhoes para eu morar.

  2. O que é chato mesmo na Rua Castilho é que a Loja das Meias que fica em frente do Heron Castilho não tem nada que se aproveite.

  3. Apenas gostaria de deixar uma pergunta à mente brilhante que escreveu o post e a alguns comentadores: Não pensem na pessoa em sí, nem no contexto, mas se fosse com vocês gostariam de um dia para o outro irem para a prisa e decorridos 6 meses ainda nem sequer vos tivessem dito porque é que lá estavam? é estranho não é?? um dia pode ser com vocês…depois digam como foi.

    1. Se fossem os camaradas a mandar em Portugal, com certeza que nem sequer havia um sitio onde escrever qualquer pensamento, ou já se esqueceu que staline foi o maior ditador do séc. XX depois de hitler???? mal por mal até começo a acreditar na justiça portuguesa, eu e muitos investidores estrangeiros, Portugal, começa a ganhar a credibilidade!!

    2. Prezado Teodoro,
      estou a ver que ainda acredita no Pai Natal… e faz bem… há sempre uma criança dentro de nós…
      E mesmo que fosse verdade o que diz, ele sabe muito melhor do que nós o porquê de estar lá dentro… só é pena não ter sido há mais tempo… e ser só ele, pois muitos mais da laia dele deveriam estar a fazer-lhe companhia…

    3. A pessoa em causa, e não só ele também muitos outros, não precisam que lhes digam o que fizeram. SABEM MUITO BEM. E se por qualquer acaso do destino se esqueceram, então consultem os seus extratos bancários.

    4. Mas quem é que disse que não há provas da culpabilidade? Ou que as mesmas não foram transmitidas ao arguido? Será que o arguido ou alguém por ele estará disposto a divulgar quais são as provas? O que parece ser apetite geral é que se ponham na praça pública as provas, dava jeito não dava? Talvez haja mais silêncio quando o julgamento começar e as partes se confrontarem. Nessa altura se verá. Ou alguém pensa que os juízes mesmo com a berraria do Soares e de outros iguais o mantinham preso se não tivesse provas para apresentar no julgamento?

  4. Estou farta de ler, ouvir comentários acerca de Sócrates, toda a gente parece conhecê-lo, toda a gente manda bocas, mas afinal já alguém parou para pensar que realmente ele deve estar destroçado, aniquilado, atras das grades?! Será uma felicidade estar preso? Falam do homem cobras e lagartos e afinal ainda ninguém sabe por que o prenderam, e ele saberá? Que tristeza este País, é só má língua! Eu não vou condená-lo nem defendê-lo, quero simplesmente saber por que o prenderam, aguardo que haja alguém competente que diga aos portugueses, o porque! Quanto a atitude de recusar a prisão domiciliária, bem eu se calhar fazia o mesmo, quem sou eu para julgar?!

    1. é exactamente isso que é preciso saber, e se o homem for culpado de tudo o que dizem, então que seja condenado como deve ser, mas nesta tristeza de país nem com um ex 1º ministro e com a influência que ainda tem ,a coisa anda, agora imaginemos se fosse com um simples portuga? bem podia morrer na prisa que nunca mais ninguem sabia. Triste portugal este que vivemos hoje em dia, em que a incompetência é premiada.

      1. Se fosse um simples portuga, muito provavelmente não teria tido sequer a oportunidade de cometer crimes com a gravidade daqueles que se suspeita terem sido cometidos por Sócrates.

      2. Prezado Teodoro,
        «em que a incompetência é premiada.» é uma grande verdade… e os culpados são quem vota neste tipo de gentalha que tem levado o país ao «estado a que isto chegou»… fora aqueles que são promovidos para o Banco Central Europeu e os que são “doutores” “honnoris causa” depois de terem ajudado a levar uma das maiores empresas portuguesas quase à falência…

    2. Prezada D. piedade,
      Não é que eu concorde exactamente com tudo o que tem sido dito e escrito, mas está a ser parcial.
      Partindo do pressuposto de que ele é inocente de tudo o que o acusam, se quiser ser justa também terá que fazer a seguinte pergunta: quantos milhões de pessoas ele destroçou ou aniquilou por causa da sua passagem pelo governo de Portugal???

      1. Se fôr culpado que pague por isso! Na política é difícil agradar a gregos e troianos, as pessoas erram e prejudicam muita gente, não olham a meios para atingir os fins. Para mim Sócrates não é um santo, é um homem com defeitos e qualidades, se fez mal a alguém, então que seja punido. Mas antes de ser culpado o veredicto já foi dado, mesmo que seja inocente ficará sempre algo “no ar” um cheiro a queimado, quem de facto queria acabar com ele, achou a maneira ideal. Nós portugues somos muito invejosos, vejamos as intrigas ao longo da História, somos danados para ratar na vida alheia, adoramos uma boa intriga, “muito boa”. Espero que se faça justiça, detesto injustiças! Mas quando escreve que ele destroçou e aniquilou milhões de portugueses, Meu Deus, isso é de fazer chorar as pedras da calçada, por que antes da democracia, tanta gente que foi mal tratada, e olha onde estão os culpados? Livres que nem pássaros, assobiando pró alto e viva Portugal!

        1. Concordo.- Não devemos condenar sem saber os motivos. A justiça que investigue. Mas não é colocando “bocas” para a imprensa, embora só para os meios escolhidos a dedo. Se com Sócrates, que é hiper-conhecido e com hiper-apoios, se faz o que se faz, podemos imaginar o que poderá acontecer aos presos anónimos deste país.
          Sócrates está a ser investigado por “motivos fiscais/dinheiro/troca de influências”. Muito bem. E não haverá ninguém da Família Espírito Santo com crimes idênticos? É que nem “todos” depositaram caução… E a caução substitui a prisão em crimes análogos. Dois pesos e duas medidas?

        2. Prezada piedade,
          peço desculpa por não me ter feito entender, mas como tenho dito imensas vezes, não tenho orgulho nem tenho prazer nenhum em escrever/dizer aquilo que tenho escrito/dito em relação aos nossos governantes, pois o que eu gostaria de escrever/dizer era o oposto, mas infelizmente três auxílios financeiros externos (e só não tivemos mais um ou dois na última década do século passado nem na primeira deste por causa dos milhões que vieram da então C.E.E.) em menos de 40 anos obrigam-me a escrever/dizer o que digo… fora o resto que tem vindo a lume…
          «Nós portugues somos muito invejosos,…»… alto e pára o baile… fale por você… eu não tenho inveja de absolutamente ninguém e, se por acaso tivesse, não era deste tipo de gentalha, mas sim de bons governantes… e garanto-lhe: Portugal não precisa de excelentes governantes… bons governantes já fariam com que este país desse cartas no que respeita a nível de vida dos cidadãos bem como na cena política internacional… se tivéssemos excelentes governantes, então aí é que ninguém nos parava…
          «… vejamos as intrigas ao longo da História, somos danados para ratar na vida alheia, adoramos uma boa intriga, “muito boa”.» Safa… se fossemos só nós ou os maiores neste aspecto, então o mundo era uma maravilha… apesar de eu não me rever/gostar nisto/disto, mas enfim…
          «Mas quando escreve que ele destroçou e aniquilou milhões de portugueses, Meu Deus, isso é de fazer chorar as pedras da calçada, por que antes da democracia, tanta gente que foi mal tratada, e olha onde estão os culpados? Livres que nem pássaros, assobiando pró alto e viva Portugal!» Bem… se é para «fazer chorar as pedras da calçada» ou não, eu não sei nem me interessa… agora como eu não gosto de gozar com a desgraça alheia (o que a sra. está a fazer), não gosto… e infelizmente houve muita gente desgraçada por causa das políticas deliberadamente destruidoras dos nossos governantes, devidamente auxiliados pela maioria dos nossos empresários… Pois… e essas pessoas que governaram antes da democracia também deviam ser julgadas pelas barbaridades que cometeram…

      2. Separemos as águas: na acção política já foi julgado e condenado, como deve ser em democracia; em relação a eventuais actos criminais, sobre os quais não há acusação, (há apenas indícios) devem ser julgados pelos tribunais. Estes julgamentos sumários, feitos pelas massas amorfas, com base em notíciais de jornais, ou em pequenas vinganças irracionais, enojam-me enquanto cidadão de um Estado de Direito. Por fim, posso-lhe garantir, usando as suas palavras, que aniquilou muitos menos milhões de pessoas que o governo actual. Mas isso seguramente não o incomoda.

        1. Prezado Nação Valente,
          «com base em notíciais de jornais, ou em pequenas vinganças irracionais, …»… não me leve a mal, mas eu não emprenho pelos ouvidos…
          «… enojam-me enquanto cidadão de um Estado de Direito.» Pois… e a mim enjoa-me, enquanto cidadão de um Estado de Direito, a nossa justiça infelizmente não conseguir reunir as provas para pôr muitos mais governantes atrás das grades…
          «Mas isso seguramente não o incomoda.» Reforçando o que escrevi às 23h27, efectivamente não me incomoda pouco, mas sim muitíssimo, pois eu quero e desejo o melhor para os meus compatriotas, o que nenhum dos governos, uns mais outros menos, pós-25 de Abril de 1974 pôs em prática, pois esteja descansado que este governo é infelizmente só mais um a desgraçar a vida de milhões…

  5. Devia, acredito eu, ser uma pouco mais moderado no ódio que verte sobre Sócrates. Há pessoas que de facto dao-se mal com coerencia, respeito por si próprio e valentia a enfrentar carrascos.
    Voce aqui faz a figurinha de carrascozinho de trazer por casa que, nao controlando o exacerbado e bem patente odio por Sócrates, filosofa, para parecer importante, para gaudio de outra meia duzia, umas quantas frases feitas, inconsequentes e sobretudo de pessoa ressabiada com a vida. Que alguem o ajude, senhor Rui.

  6. Eu não sou a favor, nem contra. Não sou juíza, não vou julgar ninguém. Mas tenho a minha própria opinião, e eu cá também acho que esta recusa traz água-no-bico. Até porque para lhe darem prisão domiciliária ele (ou o seu advogado) tiveram que fazer um requerimento. Portanto para quê fazer um requerimento se depois o vai rejeitar? Hum, cheira-me a esturro.
    Mas a crítica está muito bem escrita. Parabéns 🙂

    http://happyandhealthy.blogs.sapo.pt/

    1. Não, não tiveram que fazer nenhum requerimento! A situação tem que ser, OBRIGATORIAMENTE, avaliada e, neste caso, no âmbito dessa avaliação, o Ministério Publico PROPÔS aquela alteração. Compreendeu, senhora?

  7. O Ministério do Ambiente era (é) o antro ideal para a classe política corrupta (sem excepção) do chamado arco do poder.
    Andei por ali desde os tempos dum tal Borrego, (o do episódio dos velhos de Évora assassinados sem condenação dos verdadeiros assassinos, Cavaco Silva à cabeça) Macário Correia (que me pareceu o único sério), Teresa P. Gouveia, e ultimamente Socrates como secretário de estado e depois ministro.
    Andei por ali pensando igenuamente que, tendo tecnologias de ponta e sendo uma empresa nacional, teria muitas possibilidades fazer negócios e ao mesmo tempo prestando um bom serviço às autarquias.
    Ingenuidade a minha, os concursos estavam viciados antes da partida e os vencedores já designados. De preferência enstrangeiros ou nacionais de muita confiança.
    Que Socrates está metido na lama até ao pescoço, não tenho a minima dúvida e contaria aqui um episódio paradigmático que define toda aquela refinada teia que nos levou à desgraça. Porque nem sequer havia preocupação se as coisas propostas funcionavam bem ou não. Não houve negócio que passasse por decisões do Estado que não estivesse armadilhado. Fossem submarinos, sobreiros, Freeport, Cova da Beira e tudo de ponta a ponta do país onde as autarquias deles, mancomunadas com o poder central delapidaram até ao osso esta Pátria portuguesa. Sei do que falo e espero um dia (breve) ter voz para denunciar os 999, ou os 9999 que andam à solta em vez de estarem em Évora e depois em Pinheiro da Cruz ou Alcoentre.

  8. ..opá, só agora ví que isto é um blog do pessoal do governo (Adolfo Mesquita Nunes), tá tudo explicado…..fui!

  9. Entre outras anomalias da mente humana, existe uma que não foi “elencada” neste postezinho: o sindrome do obsessivo-compulsivo.
    Existem vários exemplos no espaço público português. João Miguel Tavares é um, Manuela Moura Guedes o mais conhecido (e também o mais patético). Este “postezinho” é um sério candidato à galeria de exemplos de obsessivo-compulsividade em relação a Sócrates.
    Como a fama de apreciador de conforto e griffes não joga com a posição de recusa de ida para casa com pulseira electrónica, inventa-se uma teoria psicologista sobre as razões de tal posição. Aliás, há muito que estamos perante um caso de “preso por ter cão e preso por não ter”.
    Já agora, porque não lançar a campanha de que ele anda metido no negócio da droga e do tráfego de armas e escravatura? Como dizia o acórdão, “Quem cabritos vende e cabras não tem, de algum lado lhe vem”.
    Continuo curioso e à espera (sentado) do despacho de acusação. Se é que alguma vez irá sair.

  10. Nem consigo perceber (ou talvez consiga) porque um tal de Portas, Paulo não está em Évora, quanto mais não fosse pelo simples facto de que fez desaparecer toda a documentação dos submarinos no Ministério da Defesa para apagar provas. Ou é preciso fazer um desenho?
    Igual procedimento teve um tal de Loureiro, Dias que tinha um esconderijo numa casa de banho com documentos incriminatórios dos seus crimes. Alguém sabe onde param esses documentos?
    Por apenas isto, é perciso juntar estes dois ao recluso 44 de Évora.

  11. O Engº. Jose Sócrates terá o simdrome de Évora ou de Estocolmo, mas o senhor (a) tem um sindrome mais grave o da “burrice” .

  12. O post é mais certeiro que a flecha alegadamente disparada por William Tell e que partiu a maçã em duas. Bravo.
    Agora o que me tem divertido são os comentários que tenho lido aqui, assim meio na diagonal, que já não posso com as odes ao ‘pequeno grande lider’ desta gente.
    É ASSIM:
    O gajo podia sair, entenderam???? Medo de que ele saia? Neste caso só se for o próprio a senti-lo.
    Acham que quem nutre um desprezo considerável por aquela arvela, que se tem em tamanha conta que no seu enorme ego se compara a uma grande figura histórica, se preocupa se ele está a cumprir prisão preventiva em Évora OU se o faz em casa? Por mim, estaria à vontadinha. MAS desmontava um mise-en-scéne que lhe tem dado tanto trabalho a montar e a manter vertical, que a hipótese acaba por nãopassar disso.
    É ELE QUE NÃO QUER SAIR. Não somos nós os que não podemos com o senhor engenheiro (a falta que me faz aqui um itálico, que parece que o html anda a falhar) nem com a sua arrogância e prepotências que fazemos finca pé para que la fique dentro!
    E quanto às provas, ai as provas que os sacanas ainda não apresentaram, olhem:
    blá blá blá whiskas saquetas.
    ACHAM MESMO que sim? Ainda acreditam que os meios de comunicação veiculam as informações corretas? Que o que vem escrito nos jornais e que ouvimos nos noticiários são a verdade nua e crua, sem tirar nem pôr? Bom, eu também gostava muito que o Pai Natal me deixasse um Nissan Juke à porta do prédio, já que não cabe pela chaminé, no Natal…

  13. Ás Vezes esquecemo-nos que quando apontamos um dedo ao outro ficamos com os restantes apontados para nós! na cadeira da nossa casa, beberincando um cafezinho, todos somos grandes juízes e todos temos algo a dizer sobre aquele politico filho da outra que está no 44! será que temos??????????

  14. Há teodoros tão imbecis que não conseguem distinguir a diferença entre um blog pessoal e um blog colectivo de umas trinta pessoas (não tive pachorra para contá-las), onde a que invocam posta rarissimamente e já postava antes de estar no cargo actual.

    PS – para os teodoros imbecis, declaro desde já que a aposta num turismo qualquer, sem qualidade, em que tudo o que vem à rede é peixe, mesmo que aqui, no Tugal onde veio parar sem saber como, e não gaste nada que se veja, é coisa de que discordo radicalmente.

  15. Tantos comentários, tantas polémicas .Já pensaram, que este homem, desde que foi detido ,justo ou injusto, já deu durante estes seis meses, noticias debates polémicas extremas.
    Agora pergunto…Não terá direito a uma percentagem dos milhões que estas imprensas já ganharam à custa dele ? É caso para dizer; este homem cumpriu com a promessa que fez aos eleitores na campanha da criação dos 150 mil empregos; se calhar, muitos mais.
    Por favor calem-se de uma vez por todas, com tanta asneira.

  16. A populaça portuguesa gosta de ter sempre a quem apontar a quem acusar de todos os males e Sócrates é neste caso perfeito o costas largas o culpado disto tudo. O senhor Rui Rocha é mais um dos milhares de invejosos que cagam de alto para a presunção de inocência e que tem a certeza que Sócrates cometeu crimes. Os blogues anti Sócrates já preparam as mais absurdas teorias da decisão de não aceitar a pulseira porque são pequeninos e nunca teriam as bolas para tomar tal atitude. Sócrates igual a si mesmo antes quebrar que torcer.
    Entre o síndrome de Évora que dá nome ao titulo e a sócratite aguda do autor venha o diabo e escolha.

    1. Lá que o país quebrou, quebrou e de que maneira.

      O inginheiro ao domingo e por fax é um mentiroso compulsivo que não cedeu perante nada nem ninguém para atingir os seus objectivos, fossem de riqueza material ou vaidade pessoal.

      Merece bem lá estar, aliás se Portugal fosse um país a caminho de se endireitar já teria construído mais 2/3 cadeias para encher com os FDP que levaram Portugal ao charco nos últimos 40 delapidando o bem comum de toda uma Nação em favor de interesses próprios e / ou obscuros.

      Ainda que não fosse culpado de nada do que alegadamente vem na CS seria sempre culpado do crime traição á Pátria.

      “O titular de cargo político que, com flagrante desvio ou abuso das suas funções ou com grave violação dos inerentes deveres, ainda que por meio não violento nem de ameaça de violência, tentar separar da Mãe-Pátria, ou entregar a país estrangeiro, ou submeter a soberania estrangeira, o todo ou uma parte do território português, ofender ou puser em perigo a independência do País será punido com prisão de dez a quinze anos”

      Só tenho pena que lá esteja sozinho, muitos camaradas dele também lá deveriam estar, assim como muitos dos seus pseudo-adversários.

  17. O maior problema deste processo todo, é que por incompetência e prepotência do Juiz, vai-se conduzir ao fim do processo sem culpa formada, visto que os erros processuais vão ser tantos que vai-se acabar de se soltar um homem que na realidade deve ter cometido aquelas trafulhices todas. Era bom que os juízes fossem eficazes e não mediáticos. veja-se o caso BPP, forma todos absolvidos!???

  18. Execrável!
    Psicologia de algibeira, de trazer por casa, de quem não sabe, nem nunca saberá do que está a falar.
    Eu abomino o Sócrates e todos aqueles que o apoiaram e votaram na sua maioria; mas não confundo o governante com o preso. O preso tem direitos que não foram, não estão, nem nunca serão assegurados. É, de facto, um preso político, como o são todos aqueles que vêem o seu nome e acusações jorrarem nos media, a quem nunca é assegurado um verdadeiro direito de defesa e que são condenados ad initio. Como foram todos os arguidos no caso “Casa Pia”.
    A populaça exulta com a prisão dos poderosos, ignorando o que isso significa para si próprios: a justiça é o grau zero da democracia e juízes e procuradores sem preparação técnica e humana servem de carrascos do próprio ideal: deviam perceber que os sinos dobram por “ti”.
    O autor ou é ignorante, ou populista ou não percebe no limbo em que se meteu: espero que se veja numa situação destas em que aparece como culpado e depois se defenda para saber o que custa. Sei que o argumento pessoal é uma das causas de erro discursivo, mas seria a prova in persona do que diz.
    Sócrates, pela primeira vez, teve um gesto de dignidade; e, neste momento, sou tão garto por esse gesto, como fui e sou nauseabundo pela sua governação.
    ” O que não nos mata, torna-nos mais fortes”; saudações democráticas, ou outras para que o mereça.

  19. Independentemente dos ódios ou paixões que cada um possa ter por José Sócrates – possam eles ser de caráter pessoal ou até mesmo político – não nos deve deixar de preocupar o que realmente se passa com a justiça em Portugal. Alguém da nossa praça pública deixou hoje algumas questões no ar e que eu assino por baixo.

    Estas foram as questões:
    Haverá ainda risco de fuga? Ou de perturbação do inquérito? As investigações conduzidas laboriosamente desde há mais de um ano meio pelo procurador Rosário Teixeira ainda não conseguiram os meios de prova para acusar o ex-primeiro-ministro de corrupção por ato ilícito? Ainda não foi possível provar que os 23 milhões de Carlos Santos Silva são de Sócrates? Que Carlos Santos Silva é um mero testa de ferro? E que no esquema montado estão envolvidos, sem margem para dúvidas, o vice-presidente do Grupo Lena, Joaquim Barroca Henriques, o empresário Helder Bataglia e o administrador da farmacêutica Octapharma, Paulo Lalanda Castro? Quanto tempo será necessário esperar mais para ser conhecida a acusação e os seus fundamentos?

    Hoje é ele, amanhã pode algum familiar nosso e, se for levantado o sigilo bancário, provavelmente até algum vizinho!!!!

    1. Não discuto o caso Sócrates, não conheço o processo, ninguém conhece e não emprenho pelos ouvidos.

      Mas não posso deixar de achar curiosa esta preocupação patente em tantos comentários anteriores de que isto pode acontecer a qualquer um de nós.

      Não, não pode.
      A mim não me pode acontecer nem à maioria dos portugueses porque podemos explicar até ao cêntimo de onde veio ou vem o dinheiro que temos e a vida que levamos.

      E fico na (para mim) legítima dúvida se estes comentadores não estarão a pensar neles próprios.

      1. Penso que essa é uma análise muito simples de encarar um verdadeiro problema nacional. Quando a economia paralela corresponde mais ou menos a 40 mil milhões de euros, num país com uma forte tradição do “nacional porreirismo”, do “chico espertismo” e do salve-se quem poder (eu tenho um amigo que é muito amigo de um grande amigo meu), num país que com fatura o preço é um e sem fatura o preço é outro, estranho que pense que isso só acontece aos políticos ou a alguém ligado ao poder. Sim, temos um problema nacional entre o que realmente se ganha e aquilo que se declara. É genético, está na “massa do sangue” dos povos mais ao sul do hemisfério.

        Preocupa-me muito mais poder encontrar no meio disto tudo, algum amigo ou familiar meu, do que comigo mesmo. Trabalhador por conta de outrem toda a vida, classe média deste país, faço parte da carneirada que alimenta esta engrenagem. Infelizmente!

        Continuo a achar a sua opinião muito simplista, para um problema tão grande. E sim, nunca se deve julgar ninguém em praça publica, pois como disse: hoje são eles, amanhã pode ser um familiar nosso e, por muita culpa que possam ter, ninguém merece ser julgado fora das instancias adequadas para o efeito. Tem que haver algum cuidado com isso, porque podemos estar a destruir a vida de alguém que pode estar realmente inocente!

        O país que temos é pelo povo que somos.

        1. Agradeço o seu comentário.

          O Senhor não me conhece nem por interpostas pessoas e eu também não o conheço.
          Se eu o conhecesse ou o Senhor me conhecesse poderíamos ter uma ideia da capacidade de cada um de nós, ditada pela experiência de vida e pelo tipo de educação recebida (refiro-me à escolar como formação, claro, a outra já vi que temos) para falar sobre isto ou aquilo com maior ou menor conhecimento de causa.

          Assim sendo não me parece que adiante muito falarmos de factos em que estamos básicamente de acordo porque ambos sabemos como as coisas funcionam, todos os portugueses o sabem pois é um reflexo da maneira como nós (e os povos do sul em geral, como muito bem diz) funcionam mas que, estando na origem do seu comentário não estão na sequência do que eu lhe fiz (peço desculpa de me ter intrometido).

          O que não compreendo é que o Senhor me diga que estranha que eu pense que isso só acontece aos políticos ou a alguém ligado ao poder.
          Era preciso eu ser no mínimo meio-patarata para ao fim de 68 anos de vida “bem animada” pensar uma coisa dessas, a sua interpretação das minhas palavras confunde-me pois nem os meus netos adolescentes seriam nesse caso tão ingénuos como eu (não resisti á comparação).

          Portanto repito e mantenho o que disse:
          “A mim não me pode acontecer nem à maioria dos portugueses porque podemos explicar até ao cêntimo de onde veio ou vem o dinheiro que temos e a vida que levamos.”

          Foi por isto que a sua generalização me pareceu (e parece) infundada e perigosa.
          Trabalhei em 5 distritos diferentes, em empresas nunca com menos de 300 pessoas, conheci e conheço meio-mundo por este país todo (neste momento escrevo-lhe a 300 kms de onde lhe escrevi ontem) e não encontrei ao longo da vida “paletes” de pessoas susceptíveis de serem objecto de acusações graves do ponto de vista legal no que a dinheiro respeita.

          Nesta maioria a que me referi, nos que prevaricam, claro que também haverá políticos, no meio de todo outro tipo e categoria de gentes.
          Achar que eu pudesse ter dito que só havia políticos ou pessoas ligadas ao poder é passar-me um atestado de comentador de pasquim (desculpe o eventual exagero).

          O “nacional-porreirismo”, o “chico-espertismo” e o salve-se quem puder que nos caracterizam (e a outros, há economia paralela também nos países nórdicos) pode dar para umas aldrabicezinhas mas não dá para ír tudo preso, até nisso em que diz sermos tão bons na hora de o “pensar” acabamos por ser tão modestos na hora de o “fazer”.

          De qualquer modo chega ao fim a insistir que a minha opinião é simplista (que tentei explicar ser apenas e só a “sua” interpretação do que eu disse) e a lembrar a presunção de inocência quando ela está implícita na 1ª frase que lhe escrevi mas lá vai de novo:

          “Não discuto o caso Sócrates, não conheço o processo, ninguém conhece e não emprenho pelos ouvidos.”

          Daqui se deduz que todo e qualquer processo que não conheça não discuto. Portanto e tirando uns problemas de divórcio de um familiar, de que sou testemunha, não discuto absolutamente mais nenhum processo…

          Um dos problemas pelas caixas de comentários – e já cá ando na blogosfera há uns anos – é que, com a “urgência” de defendermos as nossas ideias e convicções, não damos muita atenção ao que o interlocutor nos está a dizer.

          Uma boa tarde para si

          1. Caro rmg,

            Muito obrigado pela sua resposta.

            Lamento antes de mais, o facto de ter dado a entender que ao generalizar este assunto eu, com isso, não tenha entendido a sua abordagem ao tema em causa. É claro que isso eu entendi perfeitamente. O que não entendi, foi a sua generalização em relação aos comentadores aqui do blog quando refere: “E fico na (para mim) legítima dúvida se estes comentadores não estarão a pensar neles próprios”. A minha observação foi meramente baseada nesse comentário!

            Respeito muito a sua experiência de vida e tenho quase a certeza que teria uma tarde bem passada a ouvir e a “discutir” estes e outros pontos de vista consigo.

            Ainda só fiz 49 anos e só trabalho à 29!

            Tento ser o mais correto possível nesta nossa sociedade tão conturbada, onde cada vez se torna mais difícil partilhar experiências e conhecimentos sem o grande estigma das diferenças e dos complexos. Um bem haja para a sua sinceridade e frontalidade.

            Mais uma vez, as minhas desculpas pelo mal entendido, não era essa a minha intenção.

            Continuação de um ótimo dia.
            Cpts

          2. Caro Delfim Cardoso

            Mais uma vez agradeço a sua resposta e a hombridade posta na mesma.

            Não terei sido feliz na minha aproximação ao assunto, nem mesmo no 2º comentário que lhe fiz.
            Foi por precipitação minha, as minhas desculpas mas encarei a sua afirmação como mais uma conversa de “velho” como tantos que andam por aqui, quando vinda de um homem de 49 anos tem para mim um significado completamente diferente pelas razões que abaixo verá.

            Fico assim contente por estar a “conversar” com alguém que sabe, como muito bem diz ” partilhar experiências e conhecimentos sem o grande estigma das diferenças e dos complexos”.
            É uma frase que lhe agradeço, porque por simples observações como aquelas que aqui trocámos já me insultaram de tudo, mesmo pessoas que pareciam razoáveis resvalaram para a escrita de 20 linhas de ofensa pessoal à margem do tema em discussão.
            Claro que aqui é fácil de resolver, para mim “morreram” como eu terei seguido o mesmo caminho para eles.
            “Bon débarras”, dizem os franceses.

            De resto decerto que teríamos uma tarde bem passada,o que não está excluído, tenho conhecido pessoalmente muita gente a partir destas conversas na blogosfera pois a certa altura tem-se proporcionado o cara-cara.

            Eu diría que no seu caso AINDA Só fez 49 anos MAS JÁ trabalha há 29!

            Não me parece que aprendesse mais comigo do que eu consigo, a idade não é um posto e tendo eu filhos e filhas entre os 40 e os 46 anos, que já trabalham todos desde os 18/19 (um pouco como o que acontece consigo) sei bem que o que eles pensam é mais importante para o país do que o que pensam os que estão à beira de ou passados os 70 anos (e já nem falo dos netos…).

            Mas garanto-lhe que aprendo tanto com eles como eles comigo, todos nós somos ignorantes só que em matérias diferentes, a começar pelo mundo em que eles vivem ser diferente do mundo em que eu vivi na idade deles.
            A única “constante” é a natureza humana, não há uma notícia nos jornais que – com as necessárias adaptações- não se encontre no Antigo Testamento.

            A idade traz não traz a sabedoria mas, aos que o conseguem, a capacidade de aliar o que se viveu à visão alargada de quem deixou de saber se vai viver 20 anos ou 20 dias.

            Quanto à minha frase “E fico na (para mim) legítima dúvida se estes comentadores não estarão a pensar neles próprios”, depois deste nosso trocar de impressões admito de boa fé que foi muito pouco simpática, no mínimo.
            Mas é o que eu sinto em muitas ocasiões, que as grandes intenções escondem pequenos interesses, em muitas matérias.

            Portanto as minhas desculpas para si também.

            Uma boa noite

          3. Bom dia caro rmg

            Assino por baixo todo o seu comentário. É um facto que estamos sempre a aprender e não somos donos da verdade. Independentemente das idades, a troca de experiências e conhecimentos é fundamental para uma sociedade que se quer saudável. Infelizmente, não é isso que se anda a passar. Na era da informação nunca houve tanta desinformação e, com o mundo transformado numa enorme aldeia – onde todos já se conhecem muito bem – não há memória em tempos mais recentes de tanta violência, de tantos preconceitos e até xenofobias e racismos. Um autentico paradoxo da nossa atual sociedade!

            Divergir de opinião não é ofender nem atacar, é crescer em atitude e em caráter, pois certos valores que para uns são verdades, para outros podem não fazer absolutamente sentido nenhum. Como alguém disse: “não é por acreditarmos muito em algo que passa a ser verdade”.

            É claro que a idade nos trás mais sabedoria… hoje, vivo as coisas com muito mais “paladar” do que quando tinha 20 anos e, de certeza que quando chegar aos 70, a irei saborear ainda com mais intensidade. É essa a grande vantagem da idade mais avançada. E sim, isto passa tudo muito depressa!

            Continuação de boa escrita, com muita saúde e sorte!!!

            Cpts

          4. Caro Delfim Cardoso

            Mais uma vez aqui estou a agradecer a sua atenção e a confirmar que é bom conhecer cada vez mais pessoas, umas ficam outras passam mas nós ficamos sempre mais ricos, aprendemos sempre algo (e por vezes muito).

            Como bem diz nunca houve tanta desinformação mas isso parece-me fruto de dois efeitos conjugados: nunca houve tanto meio de divulgação imediata do mais pequeno “traque” dado à face da terra nem nunca houve tanta falta de exigência da maioria dos que nos cercam, naturalmente incapazes de fazerem uma triagem mínima das toneladas de patetices e coisas importantes que lhes impingem, tudo misturado como se fôsse caso de vida ou morte.

            Penso assim que, mais do que o mundo estar muito pior (não acho que esteja, nunca foi grande coisa…), é o facto de se ver em directo nos antípodas um sujeito matar 20 vizinhos quando há ainda relativamente pouco tempo só se sabia (talvez!) no dia seguinte e a preto-e-branco.
            Costumo dar um exemplo disto quando me vêm falar de tufões e fenómenos da natureza (tenho alguma formação na área) dizendo que nunca houve tantos.
            Sempre houve, o que nunca houve foi tanta gente com télémóveis na mão a filmá-los e a correr para a internet e metê-los lá.

            Divergir de opinião não é ofender nem atacar, diz e muito bem.
            Mas se vem aqui com frequência há-de reparar que nem sempre o diálogo é fácil e eu acho que quando “dou em alguém” tenho que “levar em troca” , é de elementar lógica e justiça.

            Ora um dos aspectos que mais baralham o diálogo por aqui é que muita gente debita o que pensa mas depois não está preparada para o defender, ou porque são apenas chavões (na maioria dos casos) ou porque não querem correr o risco de “caír abaixo” da imagem que construíram de si próprios e fazerem aquilo que nós os dois aqui fizemos, aproximar ideias.

            Mais de uma vez aqui escrevi que eu sei que sou um rapaz esperto (!) e também gosto que me elogiem mas com quem eu aprendo é com aqueles que me dizem onde estou errado e porquê, aceitando o diálogo até às últimas consequências e sem interpretar logo mal algum calor posto na discussão

            Isto passa muito depressa mas a natureza humana não muda muito.
            Creio que nunca perdendo isto de vista e seguindo o conselho da cançaão “Always look on the bright side of life” dos Monty Python vamos lá!

            Abraço e obrigado pelo debate

          5. Caro rmg (não sei o que significam as sua iniciais!?) lol

            Concordo em absoluto consigo quando refere que o que mudou realmente em relação às catástrofes naturais do nosso planeta, e em relação à crueldade – diria que quase natural – humana (a única espécie racionalmente fratricida), é a velocidade com que essas noticias hoje se espalham. As ferramentas ao nosso dispor em temos tecnológicos e de informação, não tem paralelo com momento nenhum da nossa existência. E é precisamente aí que entra a minha perplexidade!

            Como é que é possível em termos de razoabilidade, assistimos a tudo isto em pleno século XXI? O que é que ainda não aprendemos com a história? Seremos mesmo uma espécie geneticamente cruel? Foi este o nosso processo evolutivo?

            Provavelmente nunca irei ter uma resposta suficientemente esclarecedora ou minimamente satisfatória a estas cruciais questões.

            Grandes pensadores ao longo dos tempos tentaram de alguma forma entender o comportamento humano, nas suas várias vertentes. Muito foi explicado, mas muito mais ainda está por explicar. Principalmente, porque hoje em dia temos toda uma compilação de conhecimentos e ferramentas, para que na maioria dos casos, esses comportamentos não fossem possíveis de se repetir. No entanto, por convicções ou não, repetem-se sempre e de forma incrível!

            A propósito disto Nietzsche escreveu:

            “As convicções são inimigas mais perigosas à verdade do que as mentiras.”

            Em relação aos “blogs”… esta é a segunda vez que participo em algo do género. A primeira vez, foi num “blog” de uma grande amiga – uma coisa muito familiar – em que por algumas vezes tive o privilégio de participar. Não sou muito dado a sites ou movimentos sociais através da internet. Registei-me uma vez no “facebook”, só para entender aquelas dinâmicas e ao fim de seis meses dei por finalizada a experiência. Como referi a todos os meus amigo nessa altura, socializar também pode acontecer à mesa de um café!

            Tenho uma filha de 12 anos e essa foi a principal razão para perceber em que contextos essas dinâmicas acontecem. Eles hoje já não sabem falar de outra forma!!! Fico triste… tento contrariar, e não é nada fácil! lol

            Adorei o concelho que me deixou na parte final do seu comentário, pois eu também o acho magnifico. Sim, na falta de tudo o mais, é mantermos a atitude positiva e olharmos sempre para o lado bom da vida!!

            Termino com o meu pensador favorito (já deu para perceber qual é, não é!?) lol

            “Muitos são os obstinados que se empenham no caminho que escolheram, poucos os que se empenham no objetivo.”

            Friedrich Nietzsche

            Obrigado eu, aquele abraço!

          6. Meu caro

            É muito simples, são as iniciais do meu nome, pelas que sou conhecido há mais de 50 anos por toda a gente com quem convivi e trabalhei, desde os 6 anos do curso no IST, aos 3 anos de oficial miliciano num peculiar local (e que anos: 1973, 1974 e 1975!) e aos outros todos por esse país todo até hoje.

            Mas como quando comecei a comentar na blogosfera ainda exercia funções profissionais e o meu lugar na empresa não era própriamente o mais discreto optei por evitar que as minhas opiniões aqui e noutros sítios pudessem prejudicar terceiros, as pessoas tiram conclusões apressadas.
            Mas expliquei este ponto de vista mais de uma vez e estou perfeitamente identificado junto de alguns autores, comentadores e leitores deste e de outros blogs que tive o privilégio de conhecer, alguns deles pessoalmente.

            Isto tudo para lhe dizer que nem todos somos tão anónimos como nos querem fazer por vezes…
            A partir do momento em que assinamos sempre da mesma maneira e em toda a parte, todos os que de facto estejam de boa fé podem seguir a nossa coerência (ou falta dela), fácilmente nos podemos entender em qualquer momento (ou não).
            Lembro-me de uma vez eu ter comentado que assinando assim era quase como um “anónimo” e o João André (autor do DO) me ter dito algo como “você para mim não é um anónimo porque assina sempre e em toda a parte do mesmo modo”.

            Nietsche tinha toda a razão nesse ponto.
            Mas o simples facto de termos sentimentos, o que nenhuma outra espécie animal tem (há quem confunda estas coisas, nem sempre ingénuamente) traz associadas as virtudes e defeitos da natureza humana, bem como tudo o que fica no meio daquelas.

            A tecnologia só veio “complicar” tudo, os meus netos têm télémóveis que fazem mais coisas que os computadores que existiam na 1ª empresa onde eu trabalhei há 40 anos e ocupavam uma sala inteira (eu tenho um que recebe e faz chamadas, chega-me o que eu classifico como um “stupidphone”).

            Digo “complicar” no sentido de um exemplo simples que lhe dou de seguida.
            Os moçambicanos falam português, vêem a televisão portuguesa e vivem longe.
            O PIB per capita do moçambicano é equivalente a 15 dias do PIB per capita do português, calculado já em termos da paridade do poder de compra pois em termos nominais nem a 9 dias.
            Ora o que é que acha que um moçambicano médio que veja imagens daqui e a malta toda a chorar-se vai pensar?
            Portanto extrapole isto para o mundo inteiro, onde aos locais mais inóspitos chegam imagens por satélite de gente que gasta numa semana o que eles têem para viver por ano e nem sequer são excêntricos do euromilhões.
            A revolta, o sentimento de injustiça, o quero aquilo ou o quero acabar com aquilo ficam logo ali à porta…

            Quanto a socializar é a coisa mais fácil do mundo, toda a gente está desejosa de contar a sua história, no fundo de que alguém a oiça, há muita solidão e muita solidão acompanhada, que é bem pior que a solidão sózinho.
            Não sou bom exemplo pois desde miúdo que sempre me dei com muita gente e até profissionalmente e em lugares de direcção-geral em empresas industriais a minha vida era andar pelas instalações a falar com toda a gente, gabinete só quando não tinha outro remédio.

            Os meus netos e netas, da idade da sua ou um pouco mais velhos, dividem-se entre os que vivem no Facebook e os que vivem nos jogos, eu que vivía na rua atrás de uma bola de cauchú toda esfolada e nunca tive FB (nem minha mulher o teve) já percebi que há coisas que não se contrariam pois eles não podem ser diferentes dos outros todos da idade deles, quanto muito esperemos que se cansem…

            Há 30 anos estive quase a perder a minha filha mais nova e mudei totalmente de feitio, percebi o que era de facto importante.
            Há 2 anos atrás, não fôsse eu esquecer-me, a vida da minha mulher esteve por um fio.
            Estão as duas aí a falar e a sorrir, mas o que é que eu quero mais?

            Olhe sempre para o lado bom da vida com o empenho de que falava o Nietzsche.
            Outro abraço

            PS- Só no DO é possível estarmos aqui a conversar de assuntos que nada têem a ver com o post original sem outros comentadores virem com conversas foleiras ou sermos chamados à boa ordem pelo autor (esta já me aconteceu num blog dito “de referência”, passei por cima da 1ª mas não lhes dei oportunidade de haver 3ª, livrámo-nos uns dos outros).

          7. Boa noite caríssimo amigo,

            Antes de mais, parece que tenho que pedir desculpas, aqui no blog, por uma certa má utilização do espaço, certo!? Erro de principiante, pois não fazia a mínima ideia desses condicionantes!!

            Adorei este seu comentário. Extraordinário em todos os aspetos!

            É realmente uma realidade triste, as disparidades que existem no nosso planeta. Principalmente quando os mais poderosos desses mesmos países, não as sentem da mesma forma que o resto da população.

            Sobre mim:

            Sou natural de Trás-os-Montes. Nascido em Miranda do Douro. Tenho costela alentejana e minhota, e resido no distrito de Lisboa.

            Ligado à EDP por questões familiares, tive o privilégio de lá ter também andado a colaborar durante quatro anos. Foi o meu primeiro emprego!

            Depois disso trabalhei cerca de 17 anos numa multinacional da industria automóvel, na área da logística interna. Uma universidade de vida, onde partilhei diariamente sinergias profissionais inesquecíveis. Em 2006 essa empresa optou por encerrar a sua atividade em Portugal. Sinais dos tempos!

            Atualmente, tenho colaborado com algumas empresas dentro da minha experiência (planeamento), dando suporte em variadíssimas áreas e o sentimento que tenho é que nada volta a ser o que era. Temos pena!! lol

            Infelizmente, já perdi uma irmã de acidente de viação… 1990, 05 janeiro, 00h05m. O pior dia dos meu pais! Olho para a minha filha e arrepio-me todo, só de pensar que isso me possa acontecer. Eu vi o que aquilo foi… mas como tudo na vida, o tempo é sempre o melhor remédio. A ferida não fechou, mas felizmente também não infetou!

            Tenho um sonho, que é o de tirar o curso de sociologia no ISCTE, que por variadíssimos condicionantes da minha atual vida, não me foi possível realizar. Pode ser que com a idade e alguma tranquilidade, isso possa vir a acontecer. Nunca se sabe!!!! lol

            Não volto a condicionar este espaço, teremos a oportunidade de debater no DO outros temas, pois com certeza!!!

            Foi muito bom ter partilhado com tão interessante pessoa este espaço de debate. Muito obrigado por me ter dado essa oportunidade.

            Votos de um excelente fim de semana!
            Aquele abraço

          8. Meu caro

            Devo-me ter explicado mal mas o que eu quis mesmo dizer é que este é o único blog que eu conheço em que estas conversas “off-topic” são normalmente aceites, não sei se por todos os autores, mas decerto por muitos.
            Em tempos debati este assunto com o Pedro Correia, exactamente a propósito de uma situação semelhante, a resposta foi que para ele tudo era importante, a partir do momento que se conversava aqui não havia “off-topic”.
            Pelo menos foi assim que o interpretei.
            Também me parece ser esse o posicionamento de Rui Rocha nesta matéria, por isso “fui escrevendo”, o de outros autores não sei, há muitos que nem entro nas caixas de comentários deles “cá por coisas”…

            Que os mais poderosos não as sintam eu até percebo (que não é o mesmo que aceitar), sempre viveram num mundo àparte e longe dessas realidades.
            Agora que no dia-a-dia muita gente que o devia perceber, até porque já o viveu, se distancie assim que a sua vidinha melhora um pouco é que é mais complicado e muito contribui para a situação geral.

            Na metade do mês que estou em Lisboa, desde que me reformei há 2 anos, costumo saír de manhã e andar 3 ou 4 horas a pé ou em transportes públicos pela cidade, com a calma necessária para lhe apreender a vida e o sentir das pessoas, almoçando onde calha e com quem calha.
            Já uma vez aqui disse que quem não anda de autocarro não conhece o país onde vive (o metro não conta, ninguém fala com ninguém, ninguém se zanga com ninguém, vai tudo com ar de zombie).

            Encontro gente muito boa mas também encontro demasiada gente não muito boa e, pior que isso, que não o quer ser.
            E não tenho assim grande esperança na Humanidade ainda que mantenha a minha esperança em cada ser humano considerado individualmente.

            Nada volta a ser o que era, como diz.
            De facto nada nunca voltou a ser como era mas os ciclos eram mais lentos e a nossa capacidade de adaptação ía funcionando
            Já não sendo assim, as minhas preocupações vão para a geração dos meus filhos (a sua, mais coisa menos coisa), demasiado novos para umas saídas e demasiado velhos para outras, uma geração “entalada entre dois mundos”
            Os meus netos ralam-me relativamente, já estão a crescer num mundo novo que eu não entendo sempre mas que para eles é natural, a vida deles já parte com definições razoáveis de como as coisas vão funcionar a partir de agora.

            Tive filhos (os rapazes) emigrados nos últimos 15 anos em lugares tão variados como a América Latina, o Médio Oriente e a Austrália.
            Encarei isso com alguma naturalidade, mas admito não ser eu um “caso típico”, eu próprio trabalhei no Japão no fim dos anos 70, já com 3 filhos cá.

            Quanto ao curso, nunca desista.
            Nenhum dos meus filhos o tinha quando começou a trabalhar, para desgosto meu num dos casos, de resto nunca me passou pela cabeça insistir com eles.
            Mas um deles (por acaso o pior aluno de entre todos) aí pelos seus 35/36 anos viu-se numa situação profissional em que durante anos ficou em part-time: foi tirar um curso superior que de pouco lhe serve profissionalmente mas algum sonho terá cumprido.

            Decerto que voltaremos a conversar por aqui, eu pelo menos ando cá sempre porque estou a “cumprir uma promessa” (acho que “alguém” aqui vai sorrir se ler isto) mas, antes de me despedir, quero relembrar que tudo isto começou porque o meu caro disse, eu comentei, você voltou para esclarecer , eu também e por aí fora até percebermos que éramos os dois gente decente com quem valia a pena conversar.
            E isto faz toda a diferença.
            A maior parte das pessoas ou não responde, ou discute de forma primitiva e passa logo à frente, ninguém ou quase se quer interessar um pouco mais pelo e com o “outro” que lhe está a escrever.
            Por isso a vida é o que é o mundo está feio, as caixas de comentáros são um reflexo desse desinteresse colectivo pelo “outro”, as pessoas dizem grandes frases para a plateia mas não fazem sequer um pequeno gesto para com um espectador mais atento.

            Muito obrigado pelas suas palavras

            Mais um abraço

    1. Vera Jardim foi ministro da Justiça de Guterres e foi quem a criou.
      Saíu do XIII governo a 25 de Outubro de 1999.

      Quem a implementou de facto foi o ministro da Justiça do XIV governo, também de Guterres, que lhe sucedeu: António Costa.

      Nenhum deles foi ministro da Justiça em governos de Sócrates…

  20. Um homem, que fez a assembleia da republica ser uma imagem de si mesma da basbolhice de deputados que sujeitam-se a humilhações e vozes de surdina que cospem aos ouvidos de quem luta pela alma humana, é quase como o purgatório, em que na passagem, para o céu, alguém lhes estende a perna e faz troça do direito que os cidadãos dão aos seus representantes. Um direito que envergonha a mais simples alma desse purgatório, que aos olhos de quem vê, e aos ouvidos de quem ouve, não carecem de respeito. Até um adolescente de 15 anos sabe perceber a inglória da existência desse edifício, a quem chamam de Assembleia da República de Portugal.

  21. Brilhante, Rui. Quereria ter sublinhado duas ou três frases do seu texto, mas tive alguma dificuldade em fazê-lo. Uma frase era melhor que a outra e as outras melhores que as demais.

  22. Gostava que noticia de burlões fosse mais abrangente
    ainda estes dias foi dado como absolvido um vigarista
    que era presidente de um banco falido,mas isso não
    interessa porque ele não e politico,mas descansem que
    outros políticos que para ai andam a fugir com o rabo
    a seringa,terão a sorte do 44 quando o seu estado de
    graça acabar.

  23. Cá pra mim o Sr. Rui deve ter apanhado alguma Sindrome Cósmica, que o deixou neste estado. Alguém o ajude, porque quem filosofa desta maneira o Sr. não é deste mundo. Ah…! o Sr. é bom de nomes, tenho uma ninhada de gatos 3 fêmeas e um macho, agradeço sugestões para os nomes de cada um…

  24. …enfim, mais um juiz popular, este com um património lexical considerável, mas de reduzida competência jurídica (o que é aceitável a um não jurista) e de escassa qualidade cívica (o que é mais grave nos casos em que o "opinador" aparenta razoável formação escolar)
    …parece que não nos livramos da simples lógica maniqueísta que herdámos do "saudoso" antonio de oliveira salazar

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