À primeira vista, pensar-se-ia que Deus, estando em todo o lado e de tudo sabendo, não precisaria que lhe chamássemos a atenção para determinadas coisas. Ao que parece, todavia, não é bem assim. É por isso que muitos, temendo que Deus não esteja suficientemente atento, decidem rezar, pedindo-lhe que interceda por eles em determinados assuntos. E aí temos, por exemplo, o caso do futebolista que pede a graça da intervenção divina, levantando as mãos quando entra em campo. Fará uma tabelinha que desequilibrará a defesa contrária. Desarmará o adversário. Cabeceará a bola na sequência de um canto, evitando um golo mais do que certo. Rezou e obtém por isso o favor de Deus, ganhando uma vantagem decisiva sobre todos os outros que se esqueceram de rezar. Sobra todavia uma questão. Quando um futebolista pede a Deus que o ajude a marcar um golo, não estará com isso a desviar-Lhe a atenção das necessidades das crianças que morrem de fome em África?
A síndroma do défice de atenção divino
Rui Rocha,

A fome das crianças em África ou em qualquer outro lado está nas nossas mãos resolver. É possível matar-lhes a fome. Deus dispôs os recursos e deu-nos a inteligência suficientes para isso. Nós é que andamos com a atenção desviada daquilo que Deus constantemente nos interpela. A oração tem como finalidade focar a nossa atenção naquilo que Deus nos chama a atenção. Pela oração o jogador percebe que é possível superar-se a si e aos outros usando os meios que tem ao dispôr, dando assim uma alegria aos seus adeptos e uma lição aos adversários que devem aprender que a verdadeira felicidade está na felicidade dos outros e que devem aprender a rezar melhor e com mais intensidade. Até porque um empate é uma chatice! A oração é um exercício de concentração e uma oportunidade para ouvirmos o que Deus nos diz e não para nos fazermos ouvir.
O Postiga tem de aprender a rezar melhor e com mais intensidade, eheh.
A nós, tem-nos valido é Nossa Senhora.
Que tem feito um esforço enorme (ia a escrever esforço danado, mas não ficava aqui bem) como rainha de Portugal mas que se vê abrasada com esta república. É que a Senhora, apesar de mãe de Deus, é humana!
Acho que foi Ela que fez peixes nadarem na Avenida da Liberdade. Quem mais poderia ser?
Já lá vi uns tubarões, uma ou duas fanecas e uns robalos hermafroditas.
Mermão,
ali o nosso xico já deu a resposta. E essa mesma resposta já foi dada há uns bons anitos. Repare bem nesta transcrição do Evangelho de S. Mateus 8, 25ss (ss significa seguintes e não as tropas de Hitler):
“Portanto, eis que vos digo: não vos preocupeis por vossa vida, pelo que comereis, nem por vosso corpo, como vos vestireis. A VIDA não é mais que o ALIMENTO e o corpo não é mais que as VESTES?” (…).
Vai daí esgalham-se mais uma palavritas pelos versículos seguintes para concluir da seguinte forma:
“Buscai em primeiro lugar o REINO de Deus e a Sua JUSTIÇA e todas estas coisas vos serão dadas em acréscimo.”.
Significa isto, mermão, que o REINO de Deus não é estância balnear que se atinge depois da morte. Depois da morte vem a Vida Eterna e não o Reino.
E este Reino constrói-se de uma forma individual e colectiva. Acontece que a grande maioria pensa que o Reino situa-se em seu umbigo, e é uma merda do caraças viver aí.
Constatando isto, Lev Tolstoi, no seu livro “Ressurreição”, afirma: “Mas nós buscamos o acréscimo e é natural que não alcancemos o Reino”.
A oração é não só a chave que abre as portas à Sabedoria como também o meio de encontrar forças para esta conversão. A palavra conversão não significa adesão a uma qualquer religião, significa antes mudança de sentido. Para o bom sentido.
Só para acrescentar mais uma coisita, mermão.
Como terá verificado, naquela questão colocada por Jesus, Não é a Vida mais que o Alimento…?, existem subtilezas a decifrar. Sim, porque anda muita gente por aí de barriga cheia que está morta e outros de barriga vazia a pedirem o que não devem, para depois fazerem o mesmo.
Mas haverá alguma racionalidade em rezar? Sobretudo, se se pede a Deus que interceda por uma das partes contra a outra, seja num simples jogo de futebol ou uma batalha sangrenta?
E haverá alguma racionalidade em acreditar num Deus que deixa acontecer tantas misérias, só porque, tendo decretado o livre arbítrio, lava daí as mãos?
E se se acredita em Deus porque tem que haver alguma explicação para a vida e para o mundo, como explicar o aparecimento do próprio Deus?
E se se acredita em Deus porque a nossa vida não pode ser apenas nascer, andar por cá umas dezenas de anos e desaparecer para sempre, qual o significado da vida eterna, do paraíso ou lá como lhe quiserem chamar?
E, sendo os seres humanos naturalmente mesquinhos, interesseiros, maus, egoístas, materialistas, intriguistas e conflituosos, ou então completamente honestos e incapazes de prejudicar o próximo, mas também naturalmente preocupados com a sua própria sobrevivência, não será demasiada presunção querer ter direito a mais do que essa simples passagem, por mais eminente que possa ser?
Creio que o meu caro Mário tem uma concepção errada sobre a oração e o livre-arbítrio.
E parece-me que pretende infantilizar o Homem nesta relação com Deus.
Sobre as intervenções divinas aconselho-o a pesquisar melhor.
Acreditar em Deus não é encontrar um sentido para lá da morte, mas para viver a vida. Teresa de Lisieux disse que “vida de fé só neste mundo a podemos ter”, e eu concordo com ela.
Se a fé for a circunscrição do medo permita que lhe diga que é uma farsa.
Na realidade a grande descoberta que o Homem fez de Deus é que Deus é Bom, e Jesus revelou-nos a possibilidade de alcançar essa Bondade. E a fé só tem sentido se for para transformar o Homem.
É aqui que a oração entra. Dir-me-á que talvez não tivesse sido isto que aprendeu. Claro, há tantas coisas erradas que nós aprendemos. Mas aquilo que fazemos por ignorância não entra na conta do pecado (falhar o alvo), mas o que conscientemente premeditamos.
Sobre a Vida Eterna, ainda é cedo para abordarmos o tema. Mas se olhar para cima, para o comentário feito, verificará que a possibilidade de a sentirmos e experienciarmos é possível. “Não é a Vida mais que o Alimento?”.
Comece pela oração e depois venha aqui testemunhar os resultados.
Caro Mário Pereira,
Há uma mão cheia de filósofos que escreveram umas coisas tentando dar resposta a todas essas questões que colocou. É claro que precisa de gastar uns dinheiritos para comprar os livros e de algum tempo para os ler. Não queira as respostas neste blog. Mas uma coisa eu posso garantir-lhe: É que Deus e sua mãe, Nossa Senhora, são benfiquistas de gema. É que torcer por uma equipa não tem nada de racional porque o que interessa na vida são as emoções. As razões deixamo-las para a ministra das finanças.
Deus está atento a tudo e a todos. Se há crianças a morrer em África, não é culpa de Deus não se lembrar delas, mas dos homens que não se lembram de Deus e só se lembram do Deus, quando há problemas. Talvez essas crianças, tenham vindo a este mundo podre, para mostrarem a esta humanidade, vazia de sentimentos, de escrúpulos, de verem mais além, do materialismo que todos tanto ansiamos. Deus, deu-nos a todos nós a vida e a liberdade de escolhermos aquilo que queremos e o homem, esse sim, é que tem de ser responsabilizado, pelo que faz por aí. É fácil atribuir a Deus, tudo, só que nos esquecemos que quando chegámos a este mundo, chegámos livres, de fazer o bem ou o mal. É aqui que o homem, como livre que é, se esquece das crianças e de tudo o mais e só se lembra dele mesmo. Era fácil o homem destruir e Deus como recompensa dar, dar e dar e homem no seu pedestal se esquecer do outro como ser igual a ele mesmo…
Claro que está atento, tanto que presenteou os amados com o ébola e a legionella, isto para não falar do cancro no pâncreas, uma doença porreira.
Não vamos por aí que não vamos a lado nenhum, meu caro. O ébola é consequência da incompetência, ganância, estupidez e malvadez daqueles que estão à frente de quem governa esses países e de quem os põe lá e se esquecem que eles, só lhes dão doenças, mendicidade e pobreza. Quanto à legionella, se calhar, estamos no mesmo porque provavelmente, aqueles que provocaram o surto, não se lembraram do bem do cidadão, mas lembram-se muito bem,dos lucros que têm e que para tal, não gastam um cêntimo para fazer com que não haja legionella. Deus, está lá e no momento certo, todos pagarão pelos seus erros.
Há crianças vítimas de doenças gravíssimas, algumas doenças raríssimas, que pagam pelos seus erros. E se não for pelos seus erros, será pelos dos pais ou pelos de Adão e Eva. Deus não dorme e faz justiça.
Meu caro,
essas crianças de que fala assim como muitos outros estão à sua espera e de muitos outros para serem reconhecidas como indivíduos e para que cuidem delas e as aliviem.
Parece-me que o meu caro se limita a culpabilizar e não é capaz de ver que o sofrimento desses e de muitos outros estão aí não para que nos compadeçamos deles mas para nos podermos elevar.
Agostinho de Hippone (Santo Agostinho) fez uma afirmação que o amigo deve reter: “Deus, que te criou sem ti, não te salvará sem ti”.