A segunda volta das eleições brasileiras.


Luís Menezes Leitão,

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O que esta sondagem demonstra é que os brasileiros neste momento estão com mais medo do que pode trazer um outro governo do PT do que de Bolsonaro. Se defendesse efectivamente a democracia, Haddad deveria renunciar e deixar Ciro Gomes disputar a segunda volta. Este não tem anticorpos e poderia facilmente derrotar Bolsonaro, unindo à sua volta todos os seus opositores. Já se viu que Haddad não consegue fazer isso. Pelo contrário, aparece a dar entrevistas em que não é sequer capaz de criticar o que se passa na Venezuela e até chegou a propor eleger uma assembleia constituinte como Maduro fez. Isto num momento em que o Brasil assiste a uma verdadeira invasão de refugiados venezuelanos, em fuga do regime de Maduro. Com esse discurso e essa atitude, não me parece que Haddad consiga vencer Bolsonaro.

15 comentários em “A segunda volta das eleições brasileiras.”

  1. Tenho-o lido sobre a insegurança, ou a falta de candidatos credíveis como justificação para a vantagem ganha por Bolsonaro. Li também um post, seu, sobre a forma como alguma comunicação social (des)trata o candidato do PSL, lembrando a campanha de Trump. Contudo ainda não lhe li uma opinião sobre o programa politico de Bolsonaro, parecendo-me crer, pelo tipo de análise mostrada, até aqui, que o encara com a normalidade de ser ele,apenas, mais um candidato às eleições brasileiras.

    Haddad não é igual a Bolsonaro. Até Trump, ou Orban lhe estão a anos luz . Vai uma grande diferença entre não criticar o regime venezuelano e dizer, em campanha eleitoral , que vai fuzilar a pretalhada toda, ou injuriar uma jornalista, dizendo que se está a cagar para ela e para a história brasileira, prometendo um revisionismo histórico dos livros escolares, que incluem parte da história de África . Aliás Haddad foi prefeito de S. Paulo não tendo o seu mandato sido, nem perfeito, nem o de um radical comunista.

    Há opiniões que se revelam pelo que escondem

    1. Eu não escondo que considero Bolsonaro um candidato abjecto e já o escrevi várias vezes inclusivamente na minha última crónica no jornal i. Por isso gostaria de ver Bolsonaro derrotado e não eleito graças à burrice dos seus opositores. Mas infelizmente parece-me que vai acontecer o pior.

      1. Obrigado, Luís, pela resposta!

        Sim, é verdade. Parte da vitória do Bolsonaro relaciona-se com a fragmentação da oposição e dos candidatos apresentados.

        Em Portugal, preparem-se para o Dr. Ventura

        1. Rogo-lhe perdão por me envolver em diálogo que não me diz respeito. Mas estava por aqui e ouvi:

          “…vai fuzilar a pretalhada toda…”

          Certamente por lapso, acrescentou aqui um “r” que, tanto quanto julgo ter ouvido, não ouvi.

  2. O Luís ML desculpe se incorro em erro, mas quase diria que se prepara para responsabilizar Haddad pela eventual vitória de Bolsonaro…

    Nada feito, a responsabilidade será sempre de quem nele votar, não da inépcia dos outros em atrair eleitores.

      1. Esse também é fundamental, pois o que leio mais é atribuírem as culpas à “esquerda”, como se não existisse mais nada no espectro político que não Petistas e Bolsonaro (nem do PSL se pode falar, partido menor com Besta maior). Como se o Senado não tivesse estado sempre nas mãos da direita, como se a destituição não tivesse sido um golpe político que colocou na PR um Temer que já levava as mesmas acusações que usaram para fazer cair Dilma (e nem vale a pena entrar pela análise das mesmas).

        A responsabilidade é disto:
        https://www.youtube.com/watch?v=_5iGWfguyY8

          1. Pedro, as falhas e os extemismos do PT não justificam as atitudes dos Bolsonaros, caso contrário teremos o PT a justificar-se com a Ditadura e pararemos perante o ovo de Pedro Álvares Cabral…

            Bolsonaro, filho como pai, acreditam no que defendem. São fruto do laxismo e da falta de cultura democrática – o mesmo laxismo e falta de cultura que leva uns a dizer “não sei nada de política, isso é lá com eles” e leva outros a aceitar respostas imediatas sem pensar nas consequências e nos princípios que se torcem no processo porque, simplesmente, “têm medo e precisam de colo”.

            insistimos em defender que “a Democracia é o pior sistema com excepção de todos os outros” – conforme disse Churchill, um xenófobo imperialista que só se chateou com a ameaça à sua própria liberdade.
            Corolário perfeito, que usemos como apologia da Democracia as palavras de um democrata-só-quando-dá-jeito…. Cada vez mais acredito que somos muito poucos os que realmente crêem na Democracia.

  3. Se Ciro Gomes tivesse mais hipóteses teria ido à segunda volta.

    Ninguém acredita na direita do PT. Há o PT e Bolsonaro, é isto que dá andar a brincar aos impeachments.

  4. Não eram necessárias sondagens para prever que o povo brasileiro em maioria não escolherá Haddad. Traduzo: a maioria dos governadores eleitos e a maioria dos anteriores candidatos não apoia nem Bolsonaro nem Haddad. Significa isto que souberam fazer a leitura correcta dos sentimentos e opções do povo brasileiro.
    Inequivocamente Bolsonaro ganhará e uma nova era, mais equilibrada, se inaugurará no Brasil.
    O ataque à pessoa de Bolsonaro, centrando-o como autor de um qualquer programa apocalíptico, só revela ingenuidade na análise do contexto. E não há dúvida nenhuma que o pior que pode acontecer numa sociedade é esta deixar-se escravizar por programas político-partidários.
    Apontar Ciro Gomes como eventual ganhador das eleições brasileiras é o mesmo que pedir a alguém para usar um escadote para tocar o cosmos.

    Portugal revela prudência em todos estes acontecimentos, e o namoro que culminou na aprovação do OE demonstra que a geringonça não se sente segura. Preferem adiar por mais uns tempos o inevitável. E lá vão apresentando uns pequenos drops açucarados para mostrar que lutam pelo povo.

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