
Passos Coelho julgava que a sua legião de fiéis chegaria para segurar a profunda irritação do PSD perante o resultado desastroso do partido nas eleições autárquicas. Mandou por isso Marco António Costa marcar rapidamente um congresso antecipado com eleições directas à liderança já em Janeiro, em ordem a poder assegurar desde já ser o candidato do PSD às legislativas. Teve azar. Passos Coelho pode se estar a lixar para as eleições, mas o PSD profundo manifestamente não está. É assim que hoje nesta entrevista Guilherme Silva avisou já que será preciso averiguar se Passos Coelho tem ou não condições para ser o candidato do PSD em 2015 e que, se se concluir pelo contrário, terá que haver novo congresso na véspera de eleições. O PSD, com o seu tradicional instinto de sobrevivência, começa a concluir que é altura de se livrar dos maus tratos que lhe estão a ser infligidos por este Capitão William Bligh, e que o poderão transformar numa nova versão do PASOK grego. É provável que surja assim uma revolta na Bounty. Resta saber quem será neste caso o tenente Fletcher Christian que a comandará.

Bligh…
Já corrigi o lapso. Obrigado.
GSilva… Com este paleio quer ilibar o seu patrão J.Jardim da estrondosa derrota na Madeira. Esperteza à Jardim!
Esse não dá ponto sem nó.
Acabaram mal os revoltosos …
Acabariam pior com o Bligh.
Entre a espada e a parede, era como estavam. E sem revolta não teriam tido as delícias tropicais, a aventura e patrocinado a criação linguística … Mas tudo isso não fará esquecer que tantos acabaram na ponta da corda.
Com a corda ao pescoço já estamos todos.
Também não deixa de ser verdade. Assim sendo, mais vale a aventura nos Mares do Sul.
… tinha o império tanto trabalho a criar um inferno industrial, para haver uns piratas a escaparem-se para os paraísos das Caraíbas e da Polinésia?
Mais que a derrota nas autárquicas, Passos incluiu na sua legião todos aqueles que lhe deram a oportunidade de mostrar o que valia como Presidente do PSD e como Primeiro-ministro para resolver o problema financeiro, económico e social do País, mesmo sendo sociais-democratas no sentido estrito do termo.
Infelizmente, Passos tem falhado demasiado na oportunidade que teve, tem desprezado a base ideológica do partido e ainda por cima dá-se ao luxo de dizer que se lixa para a luta de todos os seus militantes nas autárquicas.
Dei-lhe a oportunidade, mas não me converti à sua legião ao contrário do que ele pensava e quem está a falhar é ele.
Pelos vistos Passos Coelho está fadado ao insucesso cá pelo burgo: nem serve o país nem o partido. Creio que a troika, isto é, os credores, não poderão dizer o mesmo. Que estes vão servidos e bem servidos lá isso vão. E esta questão é tipicamente nacional, isto é: dar sempre boa imagem sobre “nós” nem que para isso lixemos os outros. É o que Passos faz: lixa-se para as eleições, para o partido e para os portugueses. Mas sou levado a crer que ele anda a querer fazer o mesmo que Sócrates também em matéria partidária: criar um partido à sua imagem e semelhança; mas vai lixar-se, vai ficar só com algumas “avózinhas” a aquecer-lhe os pés!
Passos ainda não se deu conta que os juros subiram no momento em que a troika estava para chegar a Portugal para avaliar o que já estava visto. E também se deu conta que os juros caíram depois que troika disse não. A nova estratégia dos agiotas é esta: criar pressão com juros para poder dizer que se aceitarmos a ruína talvez ganhemos uns caramelos.
Kissinger adoptou esta estratégia na guerra do Vietnam. Quando estava em Hanói, em negociações, os B52 despejavam bombas a torto e a direito sobre esta cidade. E ele dizia: “estão a ver? aqueles filhos… são terríveis. Eu, que sou bonzinho, estou aqui para fazer um compromisso convosco. Aceitem a minha mão para que eles parem de atirar-vos “ovos””.
Se pegarem no discurso dos troikanos verificarão que eles adoptaram a mesma estratégia, e até disseram que a culpa dos juros terem subido era do Portas. Logo de seguida, após os agiotas obterem o que pretendiam, os juros tombaram. E eles terão dito: “estão ver? nós, que somos bonzinhos, damo-vos a mão. Façam o que nós dissermos”.
Pois eu digo: ou o governo mostra que os tem ou a nossa próxima decisão será sair inevitavelmente do euro perfeitamente arrasados.
Falta relevar a forma como os revoltosos da Bounty acabaram: desterrados numa ilha muito pequenina (a ilha Pitcairn) no meio do Pacífico. Um destino bem pouco atraente.