Ouço nas comissões parlamentares – nomeadamente nas recentes audições realizadas na Comissão de Ética da Assembleia da República e na comissão de inquérito à suposta interferência do Governo no negócio PT/TVI – alguns cidadãos serem tratados por “doutor”. É algo que fere o direito de igualdade entre os portugueses, que mais que ninguém os deputados deviam preservar, estimular e defender.
No Parlamento – casa da democracia – todos os cidadãos deviam receber o mesmo tipo de tratamento. É isso que sucede nas restantes instituições parlamentares europeias. Em Espanha, existe señor, como forma geral de tratamento; em França, monsieur; no Reino Unido, mister. Esta anacrónica mania portuguesa de fazer substituir os duques, marqueses e viscondes de antanho pelos “doutores” e “engenheiros” de agora, muitos deles aliás sem terem qualificações académicas para merecerem ser tratados desta forma, devia terminar – com a Assembleia da República a dar o exemplo. Seria uma forma muito concreta de assinalar o centenário da proclamação do regime republicano. Espero não voltar a ouvir um presidente de uma comissão parlamentar de inquérito dividir os cidadãos que lá prestam depoimento em “senhores” e “doutores”: não concebo uma atitude menos republicana que esta.
É a reflexão que deixo para o 10 de Junho.


Curiosidade: é vulgar um comum mortal ser “senhor” e um licenciado passar a simples “doutor” e deixar de ser um “senhor”, o que é um disparate.
Mau exemplo: no PS, onde eram todos “camaradas” no passado, passaram todos a referir-se aos seus pares como “doutores” e “engenheiros”, como se tivessem agora vergonha da palavra que andaram tanto tempo a cultivar – eles lá saberão porquê.
Nem um vestígio do espírito republicano, nessa forma de tratamento. Que viola um dos mandamentos da Constituição da República: o direito à igualdade.
E provinciana Pedro, profundamente provinciana. 10/06/10-de-junho-pragmatismo-e-diplomac ia-ou.html
No 10 de Junho a minha reflexão é esta
http://devaneiosaoriente.blogspot.com/20
Ajudem a divulgar também aí, pf.
Quanto maior for a pressão, mais possibilidades haverá de se saber o que aconteceu ao Luís Amorim e de levar os assasinos à Justiça.
Muito bem, Pedro. É como diz: um profundo provincianismo. No pior sentido da expressão.
Subscrevo. infelizmente há cada vez mais “doutores” e “engenheiros” e cada vez menos “senhores”. Não me parece que tenhamos ficado a ganhar com a troca…
Realmente tem razão, em Portugal todos fazem questão de serem chamados de doutores, os doutores não são tantos, mas sim licenciados…realmente seria de bom tom, que fossem chamados de senhores e isso já tem muito que se lhe diga.
Por vezes, parece-me que as pessoas perdem a própria identidade, não chego a saber o nome deles, porque só ouço a tratá-los por doutores…. e eles respondem, o nome próprio nem o chego a ouvir….
Mas é isto que alimenta o ego da maior parte deles……
Se o ego deles se alimenta disso, só posso dizer que se alimenta de muito pouco…
sou licenciada em gestao de familias humildes, o apelido Doutor guardo para médicos, advogados e aqueles que têm o doutoramento e naturalemente para o chefe – que por acaso tem as mesmas habilitações do que eu….
o meu vencimento é de adminsitrativa, o trabalho é de técnica, apenas sou “Doutora” quando aparece o Fiscal das Finanças…
palermice de País em que vivemos… a
Excelente exemplo, o seu. Infelizmente muito pouco seguido na nossa classe política – e no meio social português em geral.
… e dos “engenheiros”
Sem igualdade no tratamento
numa atitude reprovável
é este o desenvolvimento
tão miseravelmente louvável.
Entre engenheiros e doutores
todos muito bem engravatados
sendo inúmeros os factores
dos salamaleques enquistados.
Na ‘mouche’, meu caro.
somos um país com muitas etiquetas, mas com falta de etiqueta. O Doutor e afins, é para ser tratado com cerimonias e respectivo beija-mão. O resto, aqueles que tem as mãos estragadas do trabalho, esses nem senhor já são.
Dantes havia barões e viscondes, agora há “dótores” e “inginheiros”. Nunca mais nos livramos desta ganga.
Quantos mais doutores e engenheiros me cercam, mais SENHOR eu me sinto.
Esta é a minha frase reflectiva/introspectiva.
Ok, mas saiba que um senhor não precisa de GRITAR. E aqui não usamos isso, que me dá cabo dos tímpanos dos olhos.
É verdade que um senhor não precisa de gritar para se fazer ouvir…
Quando tal acontece fica simplesmente a falar sózinho.
Quanto ao sentir-se mal dos “tímpanos dos olhos”, com a gritaria, aplique tampax no outro que a dor passa!
Um resto de bom dia, de e a Portugal.
Um dos problemas de Portugal, caro A.R. Pires, é haver cada vez menos senhores dignos desta forma de tratamento.
parabéns ao pedro correia….excelente ideia que vai ser muito difícil de implementar cá na merdaleja e no país inteiro! se em oeiras, onde o povo vota num corrupto que já foi provado em tribunal que é um ladrão de colarinho branco os munícipes com o grau de instruçãpo mais elevado do país adoram-no como um deus, agora imaginem o que é pedir aos simples licenciados que não se apresentem como doutores. reparem: eu posso dizer ao meu banco para colocar o DR antes do meu nome e ninguém me vai pedir para comprovar….. that’s all folks…e é tudo aqui do país das marquises
Como munícipe de Oeiras, sinto-me ofendida. Saiba Vexa, que não são os licenciados de Oeiras, que votam no Isaltino, mas sim os ex- bairro da lata, que são muitos e que são comprados, com festas e distribuição de bolo rei, etc., pelo corrupto, que dirige o burgo. O “nosso” Sr. Morgado, lá das berças de Bragança, sabe bem mexer os cordelinhos há muitos anos.
Sobre o comentário mais acima limito-me a citar o preceito constitucional relativo à presunção da inocência: todo o arguido está inocente até prova em contrário. O caso que mencionou, tanto quanto sei, ainda não transitou em julgado.
Como transmontano sinto-me agredido por esta pseudo Liberdade Lusitana em dizer e considerar a origem de alguém de forma tão depreciativa, pois minha ilustre “Lusitana”, na parte que me toca, não imagina o orgulho que tenho nas minhas raízes/origens e no meu berço, que não sendo forrado a ouro era formado de gente honrada e honesta.
É aquilo que não sinto nesta terra que Vossa Senhoria diz civilizada.
Acresce que quanto aos licenciados que votam cá no burgo, conheço muitos, talvez uma boa dúzia deles que votam e vivem na sombra dele.
Também sou munícipe de Oeiras há muitos anos, e o que lhe posso dizer é que infelizmente não são só os ex-bairro da lata que votam em Isaltino, infelizmente não é assim. Há muita, muita “beautiful peopel” que vota nele, a esmagadora maioria memo…
Sem a menor dúvida.
Eu vivo na Republica da Irlanda e so trato por Doutor o meu medico. A grande maioria das pessoas, trato-as pelo nome proprio , por “senhor” ou “senhora” na pior das hipoteses de formalidade. Ate com o pai do meu senhorio, que tem 77 anos, nao ha coisas de formalidades, e o Vinnie e acabou. Em Portugal ha demasiada gente que nao tem onde cair morta e tem a mania das grandezas. Infelizmente, a coisa dos “doutores” e “engenheiros” tornou-se algo cultural ja , para a negativa…
Exactamente m/caro se eles que tão mal n/tem tratado começarem a ser responsabilizados pelos seus actos, pela maneira como n/tem governadao acredito que essa moda saloioa desaparecerá “Ó m/triste Pais o que fizeram de ti e para aonde vais, já não há homens como antigamente”
Só que esse médico é tão Dr. e, não doutor, como outro licenciado qualquer de outra área.
Para ser Doutor tem que ter o doutoramento.
Quem é que disse? Doutor, Dr., ou outra palermice qualquer antes do nome são resquícios da monarquia. Entendeu, Dom Atoleimado?
muito pelo contrário. representam a substituição de uma elite por outra.
Na Europa que tanto gostamos de usar como exemplo a regra é o ‘senhor’ ou, em circunstâncias menos formais, o tratamento pelo nome próprio. Começando já aqui por Espanha, onde o tratamento por tu é generalizado. Mesmo o ‘usted’, mais formal, vai rareando.
Completamente de acordo. A diferenciação pelo título académico é uma atavismo próprio de sociedades atrasadas. Questão é que os interpelantes tb soubessem acompanhar o uso do senhor/senhora de um respeito condizente com o que costuma estar implícito na vénia doutoral. Porque normalmente a coisa não funciona assim… é mais equiparada ao «você» de raiz malcriada.
Mas porquê é que o “você” é mal-criado? Chiça, é a coisa mais aproximada que temos ao “you” com que me dirigia em Inglaterra quer aos meus profs universitários quer ao gajo da loja onde comprava o vinho e simplesmente não vejo onde está a má-criação do você… Pelo contrário, permite-nos não cair na intimidade do tu, nem na palermice do vossa excelência, senhor professor doutor. Chiça, que é complicado.
Não percebeu: Eu qualifiquei o “você”, especificando que era o de raiz malcriada. O tratamento por você tem cambiantes. Há o normal e civilizado, que eu tb uso quando não trato por tu. E há o você achincalhante, ferramenta de arremesso e contraponto do “doutor”, usado pelos tais que lhes lambem as botas… Conseguem ser mais eficientes que as novas oportunidades, oferecem licenciaturas a esmo
Subscrevo as suas palavras, Chloé: “A diferenciação pelo título académico é um atavismo próprio de sociedades atrasadas.”
Nunca pude também com este velho e saloio tique dos portugueses de tratarem as pessoas pelos seus títulos académicos e não apenas por senhor/a fulano/a de tal. Isto tem vindo a atingir proporções tais que – imagine-se o ridículo – até já numa simples entrevista de televisão, é vulgar ver-se os entrevistados tratarem os jornalistas ou pivots por senhor/a Dr/a.!
É um costume antigo, provinciano, reverencial e parolo, que o 25 de Abril não conseguiu extinguir, (bem pelo contrário), mas que o espírito do 10 de Junho, em nome do mais básico dos princípios da ética republicana, deve banir.
após o 25 de Abril é que passou, não a ser um direito mas uma obrigação de todos serem doutores…
Realmente, a «República dos Doutores» e «Engenheiros» (e quando muito seria mais a «República dos Licenciados») continua e discrimina os normais «cidadãos senhores», o que é próprio deste pobre país, que, não tendo uma boa moral político-social sadia para ostentar, como seria o máximo de igualdade para toda a gente, independentemente de se ser «Doutor» e «Engenheiro» ou simplesmente cidadão anónimo, se entretém, sobretudo em palcos políticos e sociais, a difundir o seu espírito discriminatório, através da ostentação, própria ou nos outros reflectida, do seu algo arrogante estatuto de «Doutor» ou «Engenheiro».
Quanto a o 25 de Abril não ter conseguido extinguir tal ostentação, ou jactância, penso que a semente para tal terá sido lançada, mas, quando os maioritariamente pequenos exageros revolucionários pararam através da estabilização constitucional, logo ao de cima regressou, donde praticamente não saíra, o algo pateticamente vaidoso escol, classe, dos «Doutores» e «Engenheiros», que desde então, e friso, sobretudo no campo político, onde seria menos esperável e de dar o exemplo, frutificou, a ponto de, como disse alguém, parecer a substituição do uso dos monárquicos e arcaicos títulos de nobreza pelos modernos de «Doutores» e «Engenheiros», isto, para pior, numa época de tão generalizada, pelo menos teoricamente, vida e cidadania democrática, intuindo aqui a igualdade em todos os aspectos, embora na prática não exista, e em amadurecida e anualmente tão festejada República.
Tanto se fala agora em medidas “emblemáticas” para assinalar o centenário da República… Nenhuma medida poderia ser mais emblemática do que esta.
Excelente reflexão, cujo tema é bem demonstrativo do nosso provincianismo.
Sempre vi neste hábito de tratar as pessoas pelos seus diplomas académicos um certo tique terceiro mundista.
Já trabalhei em Espanha e em África, e neste capítulo, Portugal assemelha-se mais à última. O que explica muita coisa.
Nem mais.
Meu caro,
Perfeitamente de acordo. Mais ainda se as respectivas Licenciaturas tiradas como Cerveja à pressão lhes servissem de alguma coisa.
Assisti esta manhã a uma conhecida Deputada Bloquista, disfarçada por de traz de uns pesados óculos (Com os quais nunca a vi ser filmada – A imagem, a incontornável imagem…) acompanhada pelo Marido e Filho a comparar Lâmpadas de Baixo consumo: Aonde se lia 11W a Sra. Deputada lia em voz alta 11 Volts.
Tinha a esperança de que, com questões financeiras, estivesse mais à altura… Embora sendo o Líder Bloquista Prof. de Economia numa prestigiada Instituição e tomando as opções politicas que toma, naturalmente que terei duvidas…
Bom feriado,
Obrigado, “Desconhecido” Alfacinha.
assino por baixo.
Caro Sr., ou Dr., ou Doutor, ou Sr Dr. ou Sr. Doutor Pedro Correia,
De facto, não concordo quando diz que, “alguns cidadãos serem tratados por “doutor”. É algo que fere o direito de igualdade entre os portugueses”!
O Sr./Srª, é o único “ título social” comum a todos os cidadãos.
Os títulos académicos (Bacharel, Licenciado, Mestre, Doutor) são “títulos distintivos” e, como tal, não ferem os direitos de igualdade entre os portugueses!
O “tradicional” Dr., usado por todos os licenciados (e não só!), é um título instituído pelas praxes académicas e, este sim, é um “título de Presunção”, usado por frustrados que acham ser socialmente mais relevante serem chamados de Dr., do que “Licenciado em Medicina”, “licenciado em Gestão”, “licenciado em Direito”, etc…
Em confronto com os “títulos académicos”, a praxe também definia 4 títulos:
“Caloiro” – Aluno do 1º ano da Faculdade
“Semi-Puto” – Aluno do 2º ano da Faculdade
“Puto” – Aluno do 3º ano da Faculdade
“Dr.” (não por extenso, porque esse é título académico) – Aluno a partir do 4º ano da Faculdade com duas variantes – “Merda de Dr.” e “ Dr. de merda”, consoante eram ainda alunos ou já Licenciados!
Claro que, como poucos chegam ao Doutor, optam pelo título da praxe – Dr., mas “ignoram” a classificação subsequente……
Este é um problema cultural que dificilmente será ultrapassado, até porque, quem poderia dar o exemplo (os nossos políticos), não querem abdicar de serem tratados por Sr. Dr.!!!
Também sou Licenciado e também “deixo passar” o Dr., mas concordo consigo que o tratamento mais correcto seria o Sr./Sr.ª para todos os cidadãos!
Com um “senão”: os bons costumes portugueses indicam Sr. e Sr.ª como falta de respeito; toda a gente merece sê-lo por extenso.
Começa por discordar, termina concordando. Tudo está bem quando acaba bem.
BRAVO! Boa ideia para debate! Trabalhei em três multinacionais diferentes: uma suiça, outra alemã e outra italiana. Os patrões engenheiros (e não “injinhérus” da ex-UNI) eram tratados com muito respeito por SENHOR e eles próprios tratavam todos os seus colaboradores por SENHOR!
Nos países desenvolvidos e cultos, excluindo os países monárquicos, o tratamento correcto é: SENHOR! Nos países sub-desenvolvidos e incultos, o tratamento normal é: doutor! Repare-se que em África e na América Latina a gravata é sinónimo de “virtual canudo de doutor”!!! Cheguei a inventar uma anedota sobre os brasileiros que reza assim: «ia um carioca descalço e de tanga por uma rua pouco movimentada de um dos muitos bairros suburbanos do RJ e em correria rouba umas calças de uma montra; corre e mais à frente rouba uma camisa branca continuando a correr e lá mais para a frente rouba uns sapatos. Veste-se e calça-se e vai até ao chooping; chama o garçon e este solícito pergunta: “o que é que o DOUTOR vai tomar”?»
Será que os “doutores” filhos de um sapateiro qualquer, também chamam o pai por: pai sapateiro? Ou na rua tratam os seus amigos segundo a profissão que exercem? Do género: “o meu amigo escriturário…”
Os senhores não precisam de GRITAR.
Meu caro senhor; as minhas desculpas. Poderia andar por aí algum surdo… lol
Também calculei que fosse isso…
…Uen uen, uen, uen, uen, uen… posso gritar baixinho?..
Faça favor, Senhor Doutor. Desde que não traga uma vuvuzela.
O problema é que em Portugal a palavra “senhor” foi-se abastardando e tornou-se quase pejorativa.
comentário aos comentários:
eu evitaria as jeremíades do costume. em dois dos países mais desenvolvidos do mundo, a alemanha e a áustria, a preocupação com títulos académicos e a sua ontentação (na porta de casa, p.ex.!) fariam corar qualquer “dr.” português.
posto isto, também preferia que se reservasse aquele título para quem exerce uma profissão ligada por tradição ou regra ao prefixo. ie, “doutor” apenas para médico, advogado, e (quanto muito) doutorados no ativo. tudo o resto não passa de um émulo abastardado.
Não entendi porque se deve “reservar” o Dr. (que nem sequer é título académico) para médicos e advogados!!!
Isso, sim, é descriminação, porque têm habilitações académicas iguais a todos os outros licenciados!
Por acaso sabe que “Doctor” em inglês, não significa Doutor, mas sim, Médico?
O médico é um licenciado em Medicina! Não é Doutor! Para isso tem de fazer um Doutoramento……, tal como todos os outros…..
quem se sente inferiorizado por causa de um prefixo inútil já se discrimina a si próprio.
mas nem tudo se perdeu e V. até chegou lá. não me faz impressão nenhuma que as pessoas tratem por doutor o seu médico ou o seu advogado. refere-se à sua profissão, não a ter tirado um curso. e caso fulano não a exerça, perde razão de ser. já fui mais claro agora?
Inteiramente de acordo consigo: “Quem se sente inferiorizado por causa de um prefixo inútil já se discrimina a si próprio.”
Por acaso não, em inglês diz-se physician para médico ou então doctor of medicine ou o tradicional M.D. mas apenas para médicos doutorados.
caro anónimo,
aconteceu comigo fazer o doutoramento em inglaterra mas como não trabalho lá agora não me apoquento com essas minudências.
já agora, sabe o que é um m.a.? 😉
master of arts?
Manuel Alegre?
certo… mas a piada está na forma de o obter.
«Por acaso sabe que “Doctor” em inglês, não significa Doutor, mas sim, Médico?»
Não é verdade. “Doctor” significa apenas e só “doutor”. A associação entre “doctor” e médico vem do termo académico “medical doctor”. A palavra correcta para médico é “physician”. O termo “doctor” foi associado a médico porque habitualmente era o único “doctor” na zona. Da mesma forma que nos habituámos a chamar de doutor a qualquer médico.
Mas são muito precisos: um/a doutorado/a é “Herr/Frau Doktor”, mas sem o grau de doutoramento não há lugar ao tratamento.
O mais curioso é na Áustria, onde ainda é habitual a mulher de um doutorado, independentemente de ter estudos universitários ou apenas a 4ª classe, é por vezes chamada de “Frau Doktor”.
Havendo doutoramento comprovado, seja em que parte do mundo for, justifica-se o tratamento de Doutor. Mas só aí.
Antigamente, os académicos eram os “lentes”… E na Áustria seria então como cá, onde a estudantada caricaturava essa osmose conjugal dizendo que a universidade era constituida por «lentes e lentes de contacto»…
Eheheheh.
são muito precisos, mesmo na irrelevância: um cartão de visita que me deram ao balcão duma da loja de máquinas de lavar anunciava a sua portadora como “Mag. Arch.” (mestre arquiteta)
Devia ser uma portadora vistosa. Para ser arqui-teta…
” A Assembleia da República a dar o exemplo” começando por aí a minha reflexão, aumenta o meu cepticismo, porque infelizmente para a democracia Portuguesa, da “CASA” da democracia, nos últimos tempos nunca vieram bons exemplos, antes pelo contrário!
Somos um País(e seremos ainda muito mais tempo)onde os “ilustres” cavalheiros que comandam a política nacional, quando se lhes pergunta o nome respondem: Dr ou Eng. fulano de tal e quando assim é que podemos esperar desta gente?
Isto por si é mau quando falamos de gente que tirou o seu curso dentro da normalidade académica, mas torna-se mau quando falamos de gente que comprou o “canudo” e é essa a gente que (des)governa Portugal.
Compete, até por imperativo constitucional, à Assembleia da República dar o exemplo. Tratando de igual forma todos os cidadãos que lá se deslocam para prestar depoimentos. Ora isso não tem acontecido, nomeadamente nas duas comissões parlamentares que mencionei.
Na minha modesta opinião acho que deve ser tratado por Doutor, aquele que se esforçou, estudou, trabalhou e “perdeu” muito do seu tempo de lazer, para a obtenção desse título académico. Quem não o merece, não deve ser tratado como tal. Considero que existem muitos doutores que não são presunçosos, a ponto de usar abusivamente da sua condição de Dr.; e existem uns quantos vaidosos falsos doutores, que exigem que nos seus livros de cheques ou outros documentos venha o Dr. antes do nome. Tb. conheço professores universitários doutorados que nem na lista telefónica têm o Dr.
Não precebo a sua contradição -devem ou não ser tratados por Drs.Lá porque estudaram devem ser chamados assim.Na maioria dos Países (desenvolvidos) Dr. é só o Medico todos os outros nunca são tratados assim até mesmo os Engenheiros o são. Só neste País(recheado de DRS E ENGºS )é que querem e fazem a exigencia de ser assim tratados.
Doutores são todos aqueles (poucos, entre nós) que concluíram o doutoramento. Mas até esses devem ser tratados por “senhor” quando se deslocam ao Parlamento. Uma das condições de cidadania é a uniformidade do modo de tratamento em circunstâncias deste género.
Em Espanha existe D., como forma especial de tratamento. Mas Portugal não é uma monarquia! E em todos os países desenvolvidos há formas especiais de tratamento, que convém não confundir com as formas gerais de tratamento, onde entra o Docteur, Doctor, etc. Ou agora esse título só existe para os médicos, como se ouve regularmente afirmado por outros que se sentem igualmente fazedores de opinião e expelem as suas opiniões como sendo a primeira coisa do dia?! Esta opção mesquinha do Sapo de seleccionar blogs para o seu portal como coisa de interesse público, um após outro, cada um pior que o outro, é mais um sintoma do mau estado do país, do país dos “fait divers”! Do “cá vamos indo”, embora sentindo-nos os maiores e com direito de entrar pela casa dos outros sem convite!
Cheira-me que V. se sentiu atraído por «esta opção mesquinha do Sapo», Francisco José. Agora pode ir ensaiar os “olhos castanhos” outra vez.
:))
Eheheh!… não sabia que ele ainda cantava os ‘Olhos Castanhos’… Deve ser só para doutores, ‘de encantos tamanhos’, não?
Sentiu-se atingido, Doutor Francisco José? A propósito: como se chama o seu blogue?
Gostaria de aplaudir os comentários anteriores, e acrescentar o seguinte:
Vivo na Suiça há mais de três décadas, aprendi a respeitar as pessoas à maneira helvética, ou seja sem “doutores”. Eles existem mas não são vaidosos como no meu país e na minha cidade: Coimbra.
Na verdade é tempo de fazer algo para que as pessoas se saibam respeitar a elas próprias.
Na minha cidade constato que aquela pobre gente passa o dia a curvar-se perante tantos doutores que por lá existem. Parecem “árabes”, nas suas orações.
Creio ser também uma questão de formação. No entanto o exemplo deveria vir de cima, usando de humildade e não de vaidade pura como se tem visto.
Obrigado por ter trazido aqui esse exemplo que bem conhece. Um abraço aí para a Suíça.
Num País de Sôtores e Engenhocas é muito dificil mudar esta mentalidade triste… embora muitos se sintam felizes pelo tratamento diferenciado.
É uma alegria…grande País que tão bem gerido é com estes Dr. e Eng.
Ainda por cima muitos desses “sôtores” e “engenhocas” não concluíram licenciatura alguma. Vários deles nem a escolaridade obrigatória concluíram.
O mais incrivel é haver gentinha em que coloca até nos seus Livros de Cheques o cognome de Eng. Dr. Arquiteto etc..
alguns desses nunca puseram um pé numa universidade.
No Reino Unido é Sir,em Espanha é Dom e em França è monsieur le docteur.Os títulos aca démicos acrescentam-se no final,quando por escrito :ex:DPh,MSc,M.D.nos países anglo-saxonicos.Para Portugal sugiro :vocemecê(vossa mercê)ou pá como esteve na moda e alguns oficiais do MFA aida não largaram.
Pá está reservado ao Otelo Saraiva de Carvalho e ao Vasco Lourenço.
E ao Sr. José Sócrates.
Esse é Senhor Pá. Haja respeito.
Ainda na segunda-feira chamei a uma Advogada, Licenciada e a torre dos clerigos ia caindo, a trizteza do pais que vivemos
Mau sinal. Eu se fosse a si chamava outra advogada.
Trabalhei muito com Espanha e nunca tratei ninguém por Doutor ou Engenheiro! Sempre os tratei por tu, sem qualquer problema, mesmo quando havia uma grande diferença de idade.
Infelizmente, neste nosso belo pais, tudo quer ser tratado por Doutor ou Engenheiro e isso começa logo nos bancos que perguntam qual o título que queremos ver nos cheques!
Não sou formado, mas se o fosse, continuaria a querer ser tratado pelo nome, pois foi esse o nome com o qual os meus pais me registaram, ao contrário de muitos que quando foram registados, os pais devem ter adicionado logo um Doutor ou Engenheiro antes, do tipo, “Como se vai chamar o menino” e os papas: “Engenheiro Zé da Esquina” ou “Doutora Maria Mircolina”!
Haja paciência para tanto floreado. Tiraram um curso e são formados, os meus parabéns, agora não me venham cá a pedir para serem tratados por Dr. ou Eng. pois da minha parte levam somente com um Sr. Fulano de Tal e com isto não estou a faltar ao respeito a ninguém.
Espanha é um bom exemplo, precisamente ao contrário de Portugal. Lá quase todos se tratam por tu e pelo nome próprio.
Entendo a expressão de opinião do Senhor Pedro Correia mas não será nada fácil incutir essa mentalidade num país que tem uma selecção que tem um música que não é nacional, que tem uma modalidade desportiva que é insistentemente venerada na qual se usa o termo mister. Numa cultura burlesca em que se fala em acordo ortográfico e se passa a falar da Língua Materna a língua Irmã enfim… penso que para se adquirir essa conduta essa postura cívica penso que antes disso há muito a mudar. Estamos a mudar é uma facto… MAS PARA PIOR!!! O passado como hoje o Exmo Sr Presidente da República apelava a todos era olharmos para o passado no entanto quem nos antecedeu agia porque dava valor aquilo que tanto sofrimento conquistou. Agora desses tempos temos ruínas e o velho Fado e mesmo esse desprezado.
Há muito a dizer mas termino dizendo que estes poucos exemplos que dei clarificam o espiríto nacional e o pouco que temos.
Assumo aqui que tenho pouca experiência de vida mas julgo que não é preciso muita para se indagar que por este caminho só encontraremos uma saída o abismo.
A Mudança que se argumenta e a cada dia que passa se torna imperiosa não a do vento que desde há 8 séculos contava para as Naus dos nossos valentes e poéticos marinheiros.
A Mudança que se impera é olhar o Presente com a meta de um Futuro que facilmente nos dê alento para resistir e lutar para fomentar a esperança que nos ilumine.
Liderança, Competência, Prudência, Patriotismo, Responsabilidade, Humildade, Sapiência, Resistência, Empreendedorismo, Actualidade, Realismo, Clareza, Honestidade, Rigor e Verdade são tudo palavras Portuguesas que cada vez mais no nosso Povo deixam de ser atitudes e ficam apenas por Palavras que pelo menos ainda são nossas.
O “rectângulo” que hoje designaram este território pode ficar com as suas recta muito tortas e aí deixaram de ser um rectângulo para ser um “círculo” um círculo que aqui passa a citar como um furo mais um remendo desta Nova e Velha Europa que já de Si começa a ser um Bote Salva Vidas crestado que a navegar assim não tardará afundado.
Espero que não fiquem desgostosos ao fugir do tema aqui em discussão mas a designação “doutor” deveria ter em si uma formação académica de “doutoramento” numa determinada área com resultados implícitos e contributos in modus operantis mas só aqui a palavra “doutor” é apenas aplicada como sendo um passaporte de proteccionismo de classes que se protegem com a sua batina desvalorizando-se a vida humana e o seu contexto na prática social. Mas diga-se que a crise trará uma Mudança que terá que ser imposta e não fomentada assim os tempos o apontam…..
Sem mais a apontar termino com os melhores cumprimentos
Obrigado pela sua reflexão. Volte aqui sempre que quiser.
Doutor: Homem sábio, erudito. Aquele que recebeu de uma faculdade universitária A MAIS ALTA GRADUAÇÃO DESTA (um à parte: espero que um Carvalho DOUTOR destes comentários não venha criticar o meu “berrar” – lol).
Também há os doutores da mula ruça (e até não têm nada a ver com o médico do rei). E já agora, antes de ir embora, a mulher de um doutor português, por analogia, será uma doutora? Eu não disse que também há doutores da mula ruça?!
Mas o que caracteriza os doutores portugueses é a antiga realidade Coimbrã/Beirã: «em anos idos, no tempo das charretes, um estudante da Universidade de Coimbra pediu ao pai para que o fosse buscar a Coimbra porque o curso de doutor tinha acabado. De regresso à Covilhã o pai pergunta: -posso ver o teu “canudo”? Responde o filho: -oh pai, chumbei…, mas se o pai der uns trocados ao Reitor, ele faz de mim um doutor. O pai concordou e então voltaram para trás e depois de pago o que o Reitor pediu… subiram para a carroça e eis que o pai pergunta ao filho: -e se eu pagasse ao Reitor, ele também me dava o canudo? -Acho que sim, responde o filho. E lá voltaram para trás… Já novamente a caminho da Covilhã, lembra-se o velho: -e se eu desse mais dinheiro ao Reitor,ele dava também o canudo à tua mãe? -Creio que sim; responde o filho. E lá foram novamente ao Reitor… Novamente de regresso à Covilhã, diz o velho num espanto de alegria: vamos voltar ao Reitor e pedir o canudo também para a nossa mula, coitada, bem merece; pois anda aqui o animal para trás e para a frente para nos dar o curso de doutor e sem ela eu nunca tinha vindo à Universidade. Chegados novamente ao Reitor, este, após entrega do canudo à mula, disse ao pai e ao filho: de todos os diplomas que hoje passei, este foi o que mais prazer me deu assinar por se destinar a um ser útil à sociedade!
… Pois é, República dos «Doutores» e quejandos … Sobretudo na Assembleia da República torna-se algo ridículo, quase idiota, que não se dê o exemplo, tratando-se os deputados pelo respectivo cargo precedido de «senhor».
Este país, infelizmente, sobretudo as classes média e alta (aquela para mais se aproximar desta), sempre foi atreito a ostentaçõezinhas, jactanciazinhas, para marcar posições, isto é, para discriminar.
Pelo 25 de Abril tentou-se lançar sementes para acabar ou atenuar tal peraltismo académico e consequente jactância político-social, mas, com a estabilização constitucional, tudo voltou à estaca zero e com mais força recomeçou a proliferar a «república dos doutores» (incluindo engenheiros e quejandos). É que os «Doutores», que quando muito seriam em geral «licenciados», gostam de ostentar seus títulos e, além disso, fazem igualmente ostentação de tratar por «Doutores» os seus interlocutores numa intencionada medida de eco ou reflexão do som para receberem deles também o tão excelso tratamento por um título académico que tantas vezes nem têm, pois teriam de ter feito o doutoramento, alguns por vezes nem licenciados sendo. [E a propósito disto, foi um dia dito por Manuel Alegre, há muito, na televisão, ao ser tratado com insistência por «Doutor», numa altura em que os «Doutores» não eram tanto «Doutores», que ele, Manuel Alegre, não era «Doutor», querendo certamente dizer que não era «licenciado». A não ser que quisesse dizer, com aparente falsa modéstia mas com razão, que não tinha o grau de doutoramento, o que parece pouco provável, dado que (todos) os «licenciados» gostam de ser «Doutores».]
Subscrevo tudo o que no «post» acima se escreve.
Manuel Alegre é das raras figuras públicas que conheço que não hesitam em dizer que não devem tratá-lo por “doutor”. Não é licenciado, nem precisa: é um dos mais prestigiados intelectuais portugueses, o que vale muito mais. Tivemos aliás grandes escritores que tinham apenas a escolaridade mínima.
Num país em que o Primeiro-Ministro não é engenheiro, mas é engenheiro embora, a Ordem não o reconheça, o que é que havemos de esperar?
Alguns republicanos já começaram a ofender, eis um exemplo: http://lili-one.livejournal.com/tag/mona rquia
Se a Ordem não reconhece o título, não deve ostentá-lo, como é óbvio.
O “cúmulo” do que aqui apresenta passou-se? (passa-se?) com os professores dos ensinos básico e secundário. Pelos motivos que aponta e também para se distinguirem dos “primários” (que nunca deixaram de ser chamados por professor/a) aceitaram que lhes colassem o dr.. Nomeadamente os alunos, em vez de se lhes dirigirem naturalmente como senhora professora ou senhor professor*, passaram a tartamudear srª drª e sr. dr. (abreviaturas para ser mais rápida). Ora, de corruptela em corruptela, têm agora tratamentos completamente escaganifobéticos como sejam: setôra, setôr, sectora, sedoutor/a, …
:)))
* Ah! Mas aí vinham os Professores do superior, poizé! Balhamedeus! Magno problema, este! No Brasil é que é bom. Desde que vista uma camisa lavadinha é tudo doutor e ponto final.
Ah, Maria do Sol, que saudades eu tinha da palavra “escaganifobético”! Há anos que não a ouvia.
🙂
Ana, e eu não garanto que a tenha escrito alguma outra vez!
O que eu me ri agora com o seu comentário… Nem tinha tomado consciência de quão escaganifobética tinha sido a minha observação. Lol lol lol!
E o que eu me ri com o seu!
lol
Excelente achega, Maria do Sol. Como é seu hábito.
Não esqueçamos que tabém temos o “Doutor” Manuel Alegre
Já ouvi o Manuel Alegre dizer várias vezes que não é “doutor”.
Razão tinha o Aleixo, Pedro:
Uma mosca sem valor
pousa com a mesma alegria
na careca de um doutor
como em qualquer porcaria
Isto devia ser impresso e distribuído nas ruas, a ver se diminuía a saloice nacional…
Fizeste muito bem em trazer aqui o Aleixo, Ana. Mesmo a propósito. E a tua sugestão bem podia ser adoptada pela comissão que está a organizar o centenário da república.
🙂
e também temos a Doutora Maria de Medeiros que ao que parece, voltou a escrever num blog, e, ou muito me engano, escreveu mais do que tudo aquilo que já disse no parlamento, mais um belo exemplo dos doutores que andamos a sustentar….
Não é Maria, é Inês. Não confunda as irmãs. Eu, por mi m, acho-as inconfundíveis.
obrigado por levar na cabeça, sabe que não sou doutor e depois dá nisto… mas esta coisa das Medeiros sempre me criou alguma confusão , não sei bem porquê, não que elas sejam confundíveis , que até não o são, se calhar porque a Maria foi “famosa” mais cedo e depois, é esse o nome que me salta mais rápido, obrigado pela correcção, quanto ao resto, mantenho a opinião
Inconfundível é também o pai delas, o maestro António Vitorino de Almeida. Um homem que sempre admirei.
Pedro Correia já desfez o seu equívoco; apercebi-me disso quando pretendia eu desfazê-lo. Mas já que aqui vim, quero dizer que por acaso nos coments moderados da menina inês de medeiros só vieram a lume os coments que a elogiavam ou que davam uma boa deixa para a sua presunção carregada de água benta… o que não desse mote à publicidade por ela pretendida não tinha(tem) luz do dia! É a “democracia dela” a funcionar! (eu enviei-lhe coments com o pseudónio de Viajante).
Tem toda a razão, Pedro.
Obrigado, Sofia.
Não me admira nada, isso dos ” dotores e engenheros ” porque num país, que se permite que alguns cidadãos que são doutorados ou engenheirados coloquem no campo respectivo, a sua habilitação, antes do nome próprio, tudo se pode esperar.
Temos de inverter isto tudo, renovar Portugal, voltar a dar dignidade as pessoas.
Façamos destes espaços um meio de mobilização, para aglutinarmos pessoas à volta de uma ideia.
Utilizemos o poder do voto e nas proximas eleições presidenciais, autarquicas e legislativas, votemos todos, em branco.
Votar em Branco? Isso foi em 1996 e 2001, quando os portugueses elegeram Jorge Fernando Branco de Sampaio como Presidente da República.
Esta coisa dos doutores e engenheiros não me parece que deva mudar – ou possa mudar – por decreto.
Só mudará com a mudança da mentalidade vigente o que, é consabido, neste “jardim” é muito difícil.
se bem me lembro, houve um deputado que apresentou na assembleia da rep. um decreto para se acabar com os titulos de Dr. e todos os restantes deput. votaram contra.Isto ja la vai alguns anos.
Nada que nos deva admirar. Infelizmente.
Muito bem refletido. Portugal sendo um país pequeno está cheio de doutores, engenheiros e arquitetos.
Esqueceu-se dos arqui-tontos que são todos os restantes, fruto das novas oportunidades que tendo tirado a ferros o “equivalente” ao 12º ano e também já se julgam doutores.
Isto é uma alegria com tantos doutores que e quando abrem a boca logo sai asneira.
Começa a faltar-me paciência para tanta mediocridade.
Agora com os cábulas do 8º ano a transitarem directamente para o 10º, os «doutores» vão multiplicar-se.
“Doutores na asneira e na ciência burros”. Qualquer asno com um livro debaixo do braço ganha estatuto.
Excelente definição.
Bravo !
Acresce que é neste caso uma DUPLA aberração : atropelo da igualdade perante a lei, mas atropelo também da igualdade perante o saber e a ciência.
Não respeites mais fulano de tal do que a verdade dizia Socrates.
Quem precisa de se socorrer da autoridade do titulo de doutor como garante do seu saber, não sabe, não sabe que não sabe, apenas mostra que tem raiva a quem sabe.
Uma medida urgente, barata, simples, eficaz, promissora.
Nem da AR, nem na televisão e eu diria mesmo, nem na propria universidade.
Mais uma vez bravo !
Obrigado. Mas o Sócrates disse mesmo isto? Muito me espanta.
Socrates/Platão. No livro X da Republica…
Só podia ser esse. Não o outro.
Tem toda a razão no que escreve. É ridícula esta mania de tratarmos os licenciados por “dótores”. É o eterno complexo de inferioridade de todos. Uns porque não o sendo, acham que os outros, que o são, estão num patamar superior ao seu e, muitas vejes por pura “bajulice”, tratam-nos com esta deferência. Os que são licenciados, porque sendo-o acham que têm um estatuto superior aos que o não obtiveram. Quando me perguntam se sou “dótora”, costumo responder que, mesmo sendo, não vem no BI, pelo que o meu nome é o que vem no BI. Parabéns pela sua acutilância e oxalá a sua crónica e os nossos comentários ajudem a mudar esta mentalidade, desculpe afirmá-lo, um pouco simplória e ridicula.
Espero que sim, Ivone. É como diz: «É ridícula esta mania de tratarmos os licenciados por “dótores”. É o eterno complexo de inferioridade de todos.»
Voltarei ao assunto um dia destes.
Essa é uma triste verdade! Já no tempo dos meus avós se dizia que ” um burro carregado de livros é doutor”
Agora nem são precisos livros. Basta um Magalhães.
Mas o problema é mais anedótico! Não sei se já repararam mas quando preenchemos, numa qualquer entidade bancária, impressos com dados pessoais aparece lá um quadradinho para a “categoria”. Isso até nem seria “anedótico” se depois não tivesse interferência no “tipo” de tratamento que fosse dado aos cidadãos…
Cem anos depois da proclamação da república, voltámos ao tempo dos barões. Que agora são “sôtôres”.
Há coisas que nunca mudam e, sem dúvida, que a pacanha mentalidade do povo português não mudará nunca. Nos dias de hoje, qualquer um é doutor ou engenheiro, até mesmo aqueles que tiram o curso no fim de semana. Um simples professor(a) é dr ; um presidente de câmara ou de junta de freguesia( a maioria deles apenas com a 4ª classe) são doutores e ainda há aqueles senhores deputados que nada sabem dizer que também, obviamente, são doutores. Deixemo-nos de ilusões e hipocrisias, de dados estatisticos detrupados que demonstram grande parte da nossa população letrada( quando muitos deles concluem o 9º e 12º ano com o ridiculo curso das novas oportunidades), e caíamos na realidade: o nosso país há-de sempre ser muito pequenino, em espaço e em mentalidade.
Somos ainda mais pequenos em mentalidade do que em espaço, Ângela. Infelizmente.
Tenho andado por fora e assim continuarei, Graça a Deus, mas não podia deixar de vir aqui dar os parabéns ao gajo que escreveu o melhor post de sempre da História da blogosfera.
Parabéns Pedro.
Exagero seu, meu caro. Mas obrigado à mesma.
O meu pai usava muito a expressão “doutor da mula ruça”. Gente que é gente devia apensar isso ao nome. Tem pergaminhos, caramba, vem já do século XVI.
Continuação de boas férias, meu caro, são os votos do
Bandeira, doutor da mula ruça
parabéns pelo post que citei no meu blog. Coimbra tem o expoente desse provincianismo. Entro numa loja das mais tradicionais e levo logo com um doutora, mesmo não me conhecendo. Como Drs há muitos os senhores professores da faculdade de medicina exigem ser tratados por Senhor Professor, não por corresponder à sua profissão, mas para se distinguirem do comum dos mortais doutores. Quando me doutorei um colega perguntou-me (e falava a sério) se me podia continuar a tratar pelo nome!!! Pela primeira vez tenho em casa uma empregada que naõ me trata por Sra Doutora mas por Sra Dona. Pensei que era por ignorar o título e quando lhe passei o 1º cheque, onde vem chapado o Dra 🙁 achei que ela ia mudar o tratamento. Não, grande Dina!