A queda dos graves


enlil,

Um inglês é convidado para uma festa. Apresentando-se de smoking constata que os convivas estão todos à volta da piscina em fato de banho. Murmura com os seus botões: “By jove! – se calhar ainda há ingleses que falam assim… – enganei-me no dress code.” 

Um português é convidado para uma festa. Lá vai ele de smoking todo nos trinques, mas ao chegar dá com uma farra na piscina, tudo em fato de banho. “Olha-me para estes gajos – exclama ele, alto e bom som – isto é maneira de se vestirem para uma festa?”

Outro exemplo desta genuína filosofia lusitana. Sai uma sondagem com números surpreendentes ou desagradáveis. De pronto palpitam duas reacções:

a) Isto é um povo de alienados (substituir por cretinos ou bestas, conforme o grau de acinte) que ainda não percebeu nada. Ilustre-se com citações de Guerra Junqueiro (demodée) ou Jorge de Sena (erudito).

b) Os números foram martelados. Insira-se este argumento em teorias da conspiração mais vastas, as melhores, quer dizer, as mais rebuscadas e complexas, irão ter à Casa Branca, ou a qualquer outra instituição americana (Pentágono, CIA, etc…) 

Retire-se o seguinte preceito: terás sempre um agucadíssimo sentido crítico, desde que ele não ponha em causa o teu sentido crítico.

 

 

0 comentários em “A queda dos graves”

  1. Sai mais uma citação:

    “Só consideramos pessoas de bom senso as que são da nossa opinião”

    La Rochefoucauld

  2. Lá para 2ª feira, quando leres isto, considera a leitura das entranhas.
    Pois é, curiosamente ninguém nos tempos das antigas democracias se lembrava de fazer sondagens.
    As bestas eram diferentes, mas a leitura de entranhas teve reputação de ser mais infalível do que têm hoje as sondagens. Deveria ser da qualidade dos bichos.

  3. Gostei de ler este seu comentário. Se se recordar, as sondagens que foram apresentadas na campanha Passos/Sócrates davam uma vitória, e também maioria, a Sócrates.

    Se consultar as sondagens que davam o desaparecimento do CDS verificará que estas não coincidiram em nada.
    Deixe-me dizer-lhe que neste período afirmei que as leituras feitas estavam baseadas em pressupostos errados. E a realidade demonstrou-o.

    A presente sondagem, não indica em nada que PSD/CDS estão à frente. E há vectores que não estão contemplados.
    Mas será o voto que mostrará esta realidade.

    Nota: “Na verdade, trata-se de um empate técnico, mas com vantagem, pela primeira vez, para os partidos de Passos Coelho e Paulo Portas”.

    “No entanto, como explicou, ao DN, João António, responsável pelo Centro de Estudos e Sondagens de Opinião (Cesop) da U. Católica, que realizou o estudo, esta sondagem não prevê uma vitória da coligação, ou do PS, nas eleições. Como a margem entre os dois partidos (1%) é menor que a margem de erro da sondagem (3%), não é possível prever uma vitória mesmo se as eleições fossem hoje.”.

    “Mesmo com a subida nas sondagens, a imagem do Governo de Passos Coelho e Paulo Portas continua a ser negativa: 28% dos inquiridos classificou o mandato como “muito mau”, 35% como “mau”, enquanto 29% o classificou como “bom” e apenas 2% como “muito bom”-

    Aqui:
    http://maiortv.com.pt/coligacao-psdcds-ultrapassa-ps-nas-sondagens/

    Eu escrevo, mas parece que há por aqui uns espertalhaços a enviar bitaites que nunca entendem o que está escrito.(esta afirmação não está relacionada com o seu post, José)

    1. Por último:
      “Foram obtidos 1048 inquéritos válidos, sendo 55% dos inquiridos do sexo feminino, 31% da região Norte, 24% do Centro, 32% de Lisboa, 6% do Alentejo e 7% do Algarve”.

      “A taxa de resposta foi de 77%*. A margem de erro máximo associado a uma amostra aleatória de 1048 inquiridos é de 3%, com um nível de confiança de 95%.”
      Significa isto que, retirando a taxa de resposta, estamos com uma margem de erro muito superior a 3%.

      Se fizerem a mesma sondagem e alterarem as percentagens do inquiridos em cada zona o resultado será outro.

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