Confesso que sempre fui – ainda continuo a ser – uma pessoa muito sensível à inteligência. Foi, sobretudo, ela que me encantou quando escolhi não só o homem que desejava, como o pai que queria para os meus filhos. Aos vinte anos dessa época, era assim que eu pensava. E, apesar das vicissitudes da vida, nunca me passou pela cabeça dar-lhes irmãos de outro qualquer amor. Não estou nada arrependida.
Porém, com a passagem dos anos, aprendi que a inteligência e a cultura – sendo muito importantes – estão longe de ser o exclusivo pelo qual devemos guiar o nosso coração. Outras qualidades, menos “vistosas”, superam aquelas duas que referi. Sei-o agora e, felizmente, soube-o a tempo de poder recuperar vivências que, de outro modo, teria perdido.
A atenção, a ternura, a cumplicidade, o humor, a bonomia, a bondade, a educação são, entre outras mais, qualidades tão ou mais importantes do que o brilho fugaz da inteligência e da cultura que, muitíssimas vezes, escondem deficiências de carácter que, essas sim, são irrecuperáveis. Aliás, aquela última pode, sempre, com esforço, alcançar-se. Quanto à primeira, a inteligência, é hoje ponto assente que existem pelo menos duas versões dela- a racional e a emocional – e que a que mais destacamos parece ser, infelizmente, a primeira.
Comigo passa-se o contrário. Prefiro de longe a segunda. O que não quer dizer que não dê importância à primeira. Apenas estou, hoje, longe de a situar no plano em que antes a tinha. O que me permitiu descobrir pessoas maravilhosas e me libertar de um certo elitismo cultural, de cujo valor real passei a desconfiar muito. Não há dúvida de que o tempo é o nosso grande professor, em particular, quando não nos recusamos a aprender!


Nos meus tempos de namoradeira e casadoira, os “saudosos” tempos do PREC, os homens queriam-se “feios, brutos e a cheirar a cavalo”.
Calhou-me uma alma sensível, agradável à vista e ao olfacto, que apesar de até hoje ser fiel às suas paixões partidárias e clubísticas, também o foi à família que ambos construímos há 33 anos. Soube “cultivar-se” como homem, cidadão e pai de família. As escaramuças ainda continuam passado tanto tempo, mas o que seria da vida sem uma bela escaramuça ? Seguramente uma coisa amorfa e insossa e a perceria conjugal deixaria de ter qualquer sabor. :):)
Se o tempo de vida fosse de apenas dois dias, um seria passado a acordar e o outro a adormecer.
Eu preferia ficar pelo primeiro…
Inteligência é uma palavra com significado ambíguo.
É comummente confundida com conhecimento.
Só que não é apenas conhecimento, porque dificilmente diremos que uma grande biblioteca é inteligente.
A inteligência manifesta-se pelo uso do conhecimento.
Por isso, as bibliotecas ou computadores, apesar de terem um enorme potencial de conhecimento, têm inteligência nula, já que não fazem nenhum uso dele.
De forma semelhante, é habitual encontrar pessoas que, tendo um grande conhecimento, mostram inteligência quase nula na forma como o usam.
Isso manifesta-se em pensamentos pouco consistentes, algo contraditórios. Refugiam-se em citações, ou em processos retóricos repetitivos, mostrando dominar algumas técnicas maquinizadas.
Por outro lado, há pessoas que, com pouco conhecimento, conseguiram uma harmonia interna que lhes permite ter uma compreensão adequada em diversas situações.
A ideia de inteligência emocional tem surgido para tornar isto mais evidente.
A inteligência emocional passa por ter em conta o outro e não apenas o próprio. Porque o emissor que preza apenas o seu conhecimento, e ignora o impacto nos receptores, está a ser profundamente estúpido na sua comunicação.
As agências de inteligência congregam conhecimento secreto, mas a sua inteligência só se manifesta na forma como o usam. Normalmente, uma boa inteligência secreta não se dá a conhecer. Quando sabemos dessas agências, pela sua acção ou falta dela, é porque foram estúpidas.
Agora, a inteligência emocional é também racional, não é maquinal, mas é racional.
Uma inteligência emocional pode ser inocente ou manipuladora. A postura de se ser “politicamente correcto” é uma dessas formas de manipulação. Porque quando se entra em conta com o receptor, há muitas formas de iludir o discurso, para o impacto adequado na audiência.
Por isso, o último teste à inteligência emocional, é o receptor não se deixar encantar pelo discurso redondo e bem pensante, é colocar em causa a sua consistência geral, e não aceitar apenas a sua concordância pontual.
Resumindo a autora prefere a inteligência de uma boa campanha publicitária … sei que estou a ser mauzinho 🙂
“Agora, a inteligência emocional é também racional, não é maquinal, mas é racional.
Uma inteligência emocional pode ser inocente ou manipuladora. A postura de se ser “politicamente correcto” é uma dessas formas de manipulação. Porque quando se entra em conta com o receptor, há muitas formas de iludir o discurso, para o impacto adequado na audiência.”
Esta parte é boa. E não, não estou a ser manipulador 🙂
Ó lucklucky porque é que lhe dá tanto prazer ver naquilo que escrevemos o que lá não está?!
Meu caro, o que eu disse foi que:
1. À inteligência prefiro hoje outras qualidades antes consideradas menores
2. Mesmo no apreço pela inteligência, prefiro a emocional à racional
3. Resumindo: não morro de amores pela estupidez, mas estou muito longe, nos dias de hoje, de me encantar só pela inteligência. A um homem inteligente prefiro um homem bom, terno, cúmplice. Se ele também for inteligente…ninguém perde nada com isso.
Fiz-me entender?
:-))
Análise bem masculina e racional da questão.
Assino por baixo. E considero este texto muito corajoso!
Obrigada Cristina!
Subscrevo na totalidade, a inteligência emocional,a qual escasseia, é sem dúvida o pilar para um mundo melhor. 🙂