A purga de 27 de Maio de 1977 e a relação do Bloco com o regime de Angola


Rui Rocha,

Há 40 anos, em 27 de Maio de 1977, iniciou-se em Angola uma purga dentro do MPLA que terá resultado em mais de 30.000 vítimas mortais. A cisão no partido então presidido por Agostinho Neto teve repercussões na esquerda portuguesa. A linha mais ortodoxa dentro do PCP lançou um manto de silêncio sobre a barbárie. Outra corrente, hoje sobretudo representada no Bloco de Esquerda, tinha evidente afinidade com muitas das vítimas do massacre: Sita Valles, Nito Alves, José Van Dunem ou Rui Coelho para só citar alguns. É à luz destes factos históricos que deve ser lida a posição de total distanciamentodo do regime agora encabeçado por José Eduardo dos Santos que o Bloco de Esquerda mantém. Mas é então errado que o Bloco adopte uma posição de condenação radical do poder corrupto e manchado de sangue de Luanda? Obviamente que não. Mas vale o que vale. Não encontramos no Bloco a mesma coerência quando se trata de avaliar outros regimes totalitários e violentos de esquerda (sobre os de direita o Bloco tem naturalmente uma posição explícita e faz muito bem). No caso da Venezuela, por exemplo, onde se esperava indignação, temos silêncio. A posição do Bloco sobre Angola não resulta portanto de um imperativo ético enquanto tal, transponível para qualquer outra geografia ou momento onde exista violação das mais elementares liberdades e direitos, mas de uma ferida histórica que continua aberta.

0 comentários em “A purga de 27 de Maio de 1977 e a relação do Bloco com o regime de Angola”

  1. Outra corrente, hoje sobretudo representada no Bloco de Esquerda, tinha evidente afinidade com muitas das vítimas do massacre

    Demonstre por favor esta afirmação, dando exemplos.

  2. A maior parte dos Comunistas assassinados foi-no por outros Comunistas. É o que acontece nas ideias Totalitárias. A maior parte dos Muçulmanos assassinados é também por outros Muçulmanos.

    A tentativa de construção do canal Danubio-Mar Negro que matou milhares de trabalhadores a maioria deles forçados não fez chorar nenhum Comunista, nenhum Trotskysta, nenhuma “organização sindical de defesa dos trabalhadores”

    Sums allocated for prisoner health, hygiene and nutrition declined dramatically over the years. Food rations were kept to a minimum, and prisoners would often resort to hunting mice and other small animals, or even consuming grass in an attempt to supplement their diet.[16]

    The prisoners comprised dispossessed farmers who had attempted to resist collectivization, former activists of the National Peasants’ Party, the National Liberal Party, the Romanian Social Democratic Party, and the fascist Iron Guard, Zionist Jews, as well as Orthodox and Catholic priests.[2][4][10][16][21] The canal was referred to as the “graveyard of the Romanian bourgeoisie” by the Communist authorities,[18] and the physical elimination of undesirable social classes was one of its most significant goals.[4][16][22]

    One estimate places at over 200,000 the number of people who died as a result of exposure, unsafe equipment, malnutrition, accidents, tuberculosis and other diseases, over-work, etc., of those working on the project between 1949 and 1953.[23] More conservative estimates place the number at “considerably in excess of 10,000”.[16] As such, the project became known as The Death Canal (Canalul Morții). It has also been called “a cloaca of immense human suffering and mortality”.[24]

    https://en.wikipedia.org/wiki/Danube%E2%80%93Black_Sea_Canal

    Agora imagine-se os nossos jornalistas se isto tivesse acontecido na Ditadura do Estado Novo.

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