Sim, estamos em guerra. Contra um inimigo invisível. E em guerra todas as palavras contam, como Churchill nos ensinou.
Ontem, registou-se a primeira vítima mortal no nosso país. Alguém com nome e rosto, muito mais do que um mero dado estatístico. Um cidadão português, que trabalhou durante anos como profissional do futebol. Uma pessoa, com dignidade anterior e ulterior à sua condição de membro de um núcleo social.
«Tratava-se de um homem de 80 anos», revelou a ministra da Saúde, em conferência de imprensa a meio da tarde. «Um senhor», emendou subtilmente Rodrigo Guedes de Carvalho ao fazer o lançamento da peça que abriu, às 20 horas, o Jornal da Noite da SIC.
A escolha de uma palavra nunca é irrelevante. Em tempo de guerra ou em tempo de paz.

Eu já sabia que em português não se deve dizer “mulher” mas sim “senhora”. Agora fico a saber que também não há “homens” mas sim “senhores”.
Bestial. Qualquer dia fica habilitado a apresentar o telejornal.
muito mais do que um mero dado estatístico
Em Portugal morrem aproximadamente, de acordo com os meus cálculos caseiros, 3000 pessoas por dia. Nenhuma delas é um mero dado estatístico, claro. Mas o facto é que a morte deste homem, não sendo um mero dado estatístico, é uma de entre três mil. E também é um facto que um homem de 80 anos de idade e com várias doenças morre sempre mais cedo do que tarde.
Cuide da sua saúde. Antes que se transforme num mero dado estatístico.
3000 por dia? Cálculos caseiros?
Está visto que o Lavoura precisa de uma calculadora pois, está visto, é muito fraco a fazer contas de cabeça.
Tem razão. Não é 3000, é 300.
Caramba, ainda bem que você não tem nenhum de cargo de responsabilidade neste país. Estávamos tramados se fosse esse o caso.
Certo, Pedro. Mas também deviam referir que o senhor tinha 80 anos e sofria de cancro pulmonar, que é uma doença que não perdoa. Em Espanha vi contar, como morto pelo vírus, um homem de 99 anos…
Grave, pelo que li, é que o falecido teria sido infectado no hospital, que só muitos dias após o internamento é que lhe fizeram o necessário teste. Multiplicar os testes, essa é que devia ser uma das primeiras prioridades, parece-me. Especialmente em relação aos doentes admitidos nos hospitais.
Para de delinearem as medidas de combate à epidemia, devem ser ouvidos os médicos da especialidade, que usarão as ferramentas adequadas, inclusive a matemática. Mas o que não pode ser dispensado é o bom senso.
Como diz, o mais grave foi a contaminação já ter ocorrido no hospital, além de o teste ter demorado vários dias a concretizar-se.
Com o historial clínico de Mário Veríssimo, a contaminação equivaleu a uma sentença de morte imediata.
Grave, pelo que li, é que o falecido teria sido infectado no hospital
Todos os dias há montes de pessoas que são infetadas nos hospitais com doenças graves, bactérias multirresistentes, que fora dos hospitais raramente ou nunca se apanham.
É mais que sabido que um hospital é um sítio muito perigoso para se estar a viver. E isso não é por causa do Covid-19.
Multiplicar os testes, essa é que devia ser uma das primeiras prioridades, parece-me.
Não vejo bem por quê, embora já tenha lido que foi isso que os sul-coreanos fizeram, com muito sucesso.
Até porque uma pessoa pode dar negativo num teste, e dois dias depois já ter sido infetada.
Já mediu a febre hoje?
Eu só quero ver*, pois estou mais para lá do que para cá, e se alguma coisa me surpreende é ainda andar por aqui a respirar, se quando me finar o Pedro Correia não vem dizer, aqui para a posteridade, que morreu um Senhor!
Está bem que nunca estive ligado ao futebol, mas ia ver os jogos, o que de alguma maneira faz de mim um hom… perdão, um Senhor.
(*) Será um pouco difícil, mas faço um contrato com o Demo e venho cá espreitar.
Depende. Você é amigo do JJ?
Ainda me lembro do tempo em que era notícia “não foi este o 1º caso diagnósticado”. Bons tempos.
Pedro, não há economias sem banca. Mas também não inventaram uma sem pessoas.
É como as conferências de imprensa, meu caro. Falam de números, não de pessoas. Mas cada pessoa é muito mais do que um dado estatístico. E o primeiro português a morrer de coronavírus merecia ter sido alvo de um tratamento diferenciado – não a simples, seca e desprendida menção a «um homem de 80 anos» feita pela ministra.
«As pessoas não são números.»
Lembra-se desta frase, tantas vezes dita por quem hoje está no Governo quando se encontrava na oposição?
Lembro!
Razão tem um amigo meu que diz : deviamos ser governados pela oposição.
Pensamento da semana. Vou plagiar.
Uma rectificação que mostra um choque de mundividências. E desnuda o pensar político da ministra.