A primeira vítima do Brexit


Pedro Correia,

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Pablo Iglesias: menos 1,1 milhões de votos seis meses depois

 

Durou pouco a euforia dos eurocépticos que festejaram a vitória do populismo abrindo garrafas de champanhe para festejar o Brexit em nome dos sacrossantos princípios soberanistas contra as forças do mal encarnadas na “burocracia de Bruxelas”.

Passados cinco dias, os estragos provocados pelo referendo são já evidentes: Reino Unido sem governo, pulsões racistas à solta, o separatismo a ganhar terreno na Escócia, campanhas de subscrição pública para uma nova consulta popular sobre a Europa no mais curto prazo possível, tentativas desesperadas de protelar o divórcio decretado nas urnas por parte de alguns que mais o defenderam na campanha, os dois principais partidos mergulhados em convulsões internas, uma  crise política com inevitáveis consequências no plano financeiro da segunda maior economia europeia, uma fractura social de que só agora vislumbramos os primeiros contornos, uma sensação geral de irresponsabilidade que no fim só afastará ainda mais os cidadãos das instituições.

Um quadro de desorientação a que por enquanto só parece escapar o UKIP, que deu o tom e visibilidade máxima à campanha referendária para pôr fim à relação de 43 anos entre o Reino Unido e o espaço comunitário. O mesmo UKIP xenófobo que clama contra a absorção de “um milhão de imigrantes por década” no país e ao qual o neo-soberanista Pacheco Pereira acha muita graça: na última edição da Quadratura do Círculo o ex-líder parlamentar do PSD chegou a elogiar um slogan eurofóbico do partido de Nigel Farage: “Mais vale o buldogue inglês do que a couve de Bruxelas.” Perante o óbvio e compreensível constrangimento de Jorge Coelho e Lobo Xavier, seus parceiros de painel.

 

Em política há males que vêm por bem. Acontece que o Brexit começou a funcionar como vacina para os europeus. Isso acaba de verificar-se em Espanha, onde os eleitores acorreram às urnas pela segunda vez em seis meses. Premiando o Partido Popular de Mariano Rajoy, inabalavelmente pró-europeu, ao qual confiaram mais 700 mil votos, e castigando o populismo de Pablo Iglesias, o Alexis Tsipras espanhol, que perdeu mais de 1,1 milhões de votos em relação ao anterior escrutínio apesar de contar nesta campanha com o que resta do outrora influente Partido Comunista, agora reduzido a estilhaços. O aventureirismo galopante de Iglesias, com as suas prédicas de tele-evangelista anti-sistema, foi duramente penalizado ao surgir desta vez abraçado nos palcos eleitorais à Esquerda Unida que sempre combateu a opção europeia de Espanha.

Os nacionalismos aliados ao populismo mais desbragado ameaçam produzir muitos estragos em pouco tempo num continente que pagou em sangue e cinzas o preço de dois conflitos mundiais que nele tiveram o epicentro. Dois conflitos provocados precisamente pelas mesmas receitas que alguns, à esquerda e à direita, hoje advogam irresponsavelmente no espaço público.

Estes pregadores que rasgam as vestes em nome da soberania nacional contra a União Europeia menosprezam o instinto de preservação dos povos, sedimentado pelas lições da história. No Reino Unido ficaram com o Brexit nos braços sem saber o que fazer com ele. Por cá, desenvolvem uma retórica delirante sobre o destino da Europa, que voltaria a incendiar-se se eles alguma vez saltassem das pantalhas televisivas para os centros de decisão política.

É deixá-los estar nas televisões e nos jornais, onde apesar de tudo produzem menos estragos.

0 comentários em “A primeira vítima do Brexit”

    1. Obrigado, Luís. Há que prosseguir a batalha das ideias. Por maioria de razão, contra o ventos os ventos dominantes: hoje é demasiado fácil produzir patacoadas “soberanistas” pois a corrente empurra nessa direcção.
      Alguns que hoje cavalgam esta onda em meados da década de 90 estavam na primeira linha de combate ao eurocéptico Manuel Monteiro, que por muito menos foi quase pendurado no pelourinho.
      Lembro-me muito bem.

  1. Além de concordar completamente com o seu texto, existem vários factores adicionais que podem ser ponderados. Por exemplo, quem financia por trás certos demagogos e demagogas entre o esganiçado e o falso equilíbrio?
    Talvez valesse a pena algumas pessoas que andam por aí, inchados na sua retórica, debruçarem-se sobre certos pormenores concretos da vida. É que não existem milagres. Claro que os financiamentos têm muito que se lhe diga, para todos os partidos.
    António Cabral

    1. Ainda estou sob o efeito daquele vozear múltiplo de domingo à noite nas televisões, com várias vozes gritando que a coligação Podemos+comunistas era a “grande vencedora” destas eleições…

  2. Que se saiba o Brexit fez-se porque os conservadores assim o quiseram. O Podemos perdeu votos, Rajoy aumentou-os, mas esse aumento não lhe permite governar sem os menos votados. Era bom que dissesse que Rajoy nunca foi além do imposto pelos senhores de Bruxelas e o que jurou, em campanha, quando eleito pela primeira vez, cumpriu. Nunca mexeu nas reformas dos reformados, algo que disse jamais tocar e se o disse, cumpriu. O Reino Unido brincou às eleições, tem o resultado à vista, no mesmo patamar anda a UE que brinca, exige, humilha, desafia, erra e mesmo com os erros que comete ainda não aprendeu que começam todos a ficar cansados desta união desunida. Veremos o que acontecerá se o Eurogrupo insistir na penalização…

    1. O Podemos perdeu votos porquê? Esqueceu-se de explicar.

      O Brexit ocorreu porque a UE “humilhou” os britânicos? Humilhou como? Concedendo-lhes cláusulas especiais?

      “União desunida” é o que podemos hoje chamar à ex-Grã-Bretanha. Escoceses, irlandeses do norte e londrinos querem fazer parte da UE, ingleses e galeses não.
      Eis um bom exemplo do que seria o conjunto da Europa se não existisse UE: todos e cada um a puxar pelo seu lado.
      Por isso este continente esteve quase sempre em guerra através dos séculos.

      1. O Podemos perdeu, mas provavelmente na próxima acontece o mesmo que aconteceu com o BE. O Brexit aconteceu porque os ingleses estavam fartos, das atitudes pouco cívicas com os estados membros mais pobres. Farage lutou pelo que quis, mas o Parlamento Eurpeu portou-se como um bando de crianças mal educadas, onde o civismo, anda pelas ruas da amargura. Não é assim que se faz política. Disse-o e muito bem, como pode uma União conceder aos britanicos tudo que eles impuseram e a outros tudo retira e mesmo assim eles negaram a UE. Este continente esteve quase sempre em guerra e provavelmente prepara-se para a terceira. É impossível uma UE onde cada vez há mais desunião.

        1. Que baralhada para aí vai. O nevoeiro de palavras é tanto que não vislumbro fio de raciocínio.
          Pelo que me apercebi é admirador do senhor Farage. Que lhe faça bom proveito.

          1. Não, não sou admirador de Farage nem pouco mais ou menos, mas isso não me impede de dizer que as atitudes dos parlamentares europeus, deixaram muito a desejar. Num nevoeiro enorme anda a União Europeia ao comando de políticos medíocres que levam os cidadãos, a ficarem fartos, de pagarem as facturas dos erros dos outros. Sou pró Europa, mas duma Europa com gente de fibra, como o foram Jean Monet, Robert Shuman, Konrad Adenauer… Homens que tudo fizeram por uma Europa onde a entreajuda vigorasse e não, desta UE que temos à vista que mais não faz que dividir os povos em vez de os unir. É ver o que se passa connosco, fizemos tudo e ainda fomos mais além e agora, o Eurogrupo, acha que por 0,2 temos de pagar, enquanto outros, como a França podem quebrar tudo, mas não são penalizados porque são a França. Isto não é de políticos, é de gente medíocre que está onde está, mas não sabe o que faz.

          2. é curioso acusar os politicos europeus de estarem mal na fotografia, quando esse espantalho inglês diz que desde que chegou ali há 17 anos que tentou tudo para este desfecho, e finalmente , viu o seu sonho realizado…ou seja, foi sempre um traidor no seio da UE…se não querem a união europeia, o que estão ali a fazer?…o mesmo se passa com os partidos de esquerda em portugal…se não querem a união europeia, deixem os seus lugares no parlamento europeu para quem quer de facto fazer algo em prol da união europeia

          3. O discurso do medo funcionou junto dos eleitores mais velhos de Inglaterra. Farage disse-lhes que “a burocracia de Bruxelas” iria retirar-lhes as reformas e eles, coitados, acreditaram.
            Assim se conduzem os destinos de um país. Cameron terá direito a um rodapé nada lisonjeiro nos futuros manuais de história.

  3. A sua análise ao resultado das eleições em Espanha passa ao lado do essencial.

    O eleitorado espanhol, depois de ver as tentativas falhadas de entendimento à esquerda na sequência das eleições anteriores, distribuiu as culpas pelos seus principais responsáveis, Pablo Iglésias à cabeça.

    Normal que Rajoy tenha subido. A minha previsão era que tivesse ganho com maioria.

    Tem pouco a ver com o Brexit.

    1. Parece-me evidente que o Brexit influenciou as eleições espanholas. Seria inevitável pois produziu um abalo sísmico político na Europa e apenas três dias separaram os dois actos eleitorais.
      Seria um absurdo que não tivesse qualquer influência.

      Recordo, a propósito:
      – O Reino Unido é o maior parceiro comercial de Espanha.
      – No Reino Unido vivem de momento cerca de 200 mil espanhóis.
      – Mais de 15 milhões de britânicos visitam anualmente Espanha como turistas – cerca de um quarto do total.
      – O turismo gera receitas anuais de cerca de 50 mil milhões de euros em Espanha.

      Há outros motivos para ligar os dois escrutínios. Mas estes bastam.

      1. Esqueceu-se de mencionar Gibraltar, a batalha da Armada Invencível, Isabel a Católica, a concorrência entre o ManUnited e o Real Madrid, só para referir alguns factos que, na sua óptica influenciaram os resultados eleitorais em Espanha. Seis meses em negociações à esquerda com exigências de lugares por parte do Podemos que deram em nada e o Brexit é que influenciou os resultados eleitorais em Espanha. Nada como torcer os factos e arranjar-lhes relações causais.

          1. A minha capacidade de argumentação é usada onde vale a pena.
            Relacionar os maus resultados da esquerda espanhola com os bons resultados das forças xenófobas no Reino Unido nem o Maquiavel nos seus melhores dias.
            Então titular “A primeira vítima do Brexit” como referência ao derrotado das eleições em Espanha (Pablo Iglesias) é do domínio do delírio comentadeiro.

          2. Não se esqueça então de espadeirar contra o “delírio comentadeiro” do Juan Carlos Monedero, fundador do Podemos, que no ‘Público (espanhol) escreve isto:
            «Las personas mayores, con el miedo acrecentado con la salida del Reino Unido de la Unión Europea, han vuelto a colgar en su salón el bordado que dice “más vale lo malo conocido que lo bueno por conocer”.»
            http://www.comiendotierra.es/2016/06/27/a-la-primera-no-va-la-vencida/

            Não se esqueça também de espadeirar contra o “delírio comentadeiro” do Manuel Monereo, figura histórica da Esquerda Unida e cabeça de lista da coligação Unidos Podemos por Córdova, que em entrevista ao ‘ABC’ diz isto:
            «Creo que el asunto británico ha terminado por levantar el voto moderado del país.»
            http://www.abc.es/elecciones/elecciones-generales/abci-elecciones-2016-monereo-unidos-podemos-matrimonio-mas-conveniencia-amor-201606280211_noticia.html

            E, claro, o facto de o jornal ‘El País’ na sua edição de domingo – a mais lida de toda a Espanha – ter estampado esta manchete a dominar toda a capa do seu suplemento de economia…
            “El ‘brexit’ golpea a las empresas españolas”
            … só veio confirmar que uma coisa nada tem a ver com outra.
            http://economia.elpais.com/economia/2016/06/24/actualidad/1466796987_943445.html

          3. Posso concluir que, para o seu texto, se inspirou na opinião de duas das pessoas derrotadas na noite eleitoral espanhola e com grau de responsabilidade mais ou menos elevado nessa derrota. Há melhores fontes de inspiração.
            Curioso (e inédito em política) seria vê-los a dizer que os resultados eleitorais negativos da força que apoiaram se deveu em grande parte à atitude desastrosa que Pablo Iglésias teve no processo de negociações à esquerda para a formação de um governo.
            Quanto à manchete do El Pais “El ‘brexit’ golpea a las empresas españolas”, se dissesse “El ‘brexit’ golpea Podemos” ainda teria alguma relevância. Ainda assim, não passaria da opinião do articulista do El Pais, merecedora de crítica por mais jornais que o El Pais venda.
            Isto de pensar pela própria cabeça dá trabalho. Mas registo melhoras na argumentação. Vá lá, desta vez não recorreu ao trocadilho do Maquiavel verdadeiro e do Makiavel falso e às (in)capacidades argumentativas de cada um.

          4. Lá teve que meter a viola no saco a propósito dos “delírios comentadeiros”. A sua réplica ficou na mesma: ensacada.

            Delirante é a interpretação da capa do caderno de economia do ‘El País’ – que define uma clara posição editorial do principal jornal espanhol e do próprio grupo empresarial a que pertence – com o titulo já mencionado, no próprio dia das eleições: diz você que reflecte apenas a “opinião do articulista”!!
            Revela desconhecimento total dos circuitos comunicacionais. Quando este é um dos exemplos mais relevantes que demonstram como a cartada Brexit foi usada até no próprio dia das legislativas.

            Ao escutar (ou ler) alguns típicos palpiteiros de conversa de café armados em especialistas de política internacional lembro-me sempre daquela frase do Saramago: “Quando o dedo aponta o céu, o idiota olha para o dedo.”

          5. Parece-me que a incapacidade de argumentação vai mesmo do autor do texto.
            Grande névoa, sim, senhor

          6. Tu acrescentaste um apelido mentiroso ao teu “nome”. Não te chamas “Não leio respostas”.
            Chamas-te apenas “Não leio”. Ponto final.
            E nota-se bem, acredita.

        1. Gosto !

          O Pedro Correia é perito em torcer os factos, já não é a 1ª vez nem será a ultima.
          Eu também posso alegar (e defender) que os atentados de Paris e Bruxelas foram uma das razões para o Brexit, basta ter imaginação para isso…

          O Pedro Correia pensa mesmo que 6 meses de “negociações” falhadas e sucessivamente abortadas pelo Podemos não iam deixar marca?

          1. Este WW que vem agora negar qualquer ligação entre o Brexit e a eleição espanhola será o mesmo que há quatro dias veio aqui celebrar o resultado do referendo britânico adiantando desde logo o desejo de que o Podemos, cavalgando a mesma onda, vencesse o escrutínio no país vizinho?
            http://delitodeopiniao.blogs.sapo.pt/um-novo-muro-no-canal-da-mancha-8557374?thread=66183230#t66183230

            Talvez seja apenas coincidência onomástica. A menos que se trate de um caso de dupla personalidade. Se for isto recomendo-lhe cautela: o fisco ainda o faz pagar IRS a dobrar.

          2. O Pedro Correia anda tão baralhado que até uns posts mais acima dinamita o que escreveu neste com um intervalo de horas.

            Quanto á minha personalidade é só uma, queria obviamente que o Podemos obliterasse o PSOE e fosse mais uma força contra “esta” UE mas isso não me faz apoiante do Podemos / Siryza ou BE embora apoie muito daquilo que defendem porque têm razão, como já aqui escrevi, não sou sectário.

            P.S. – Se Portugal for sancionado por défice excessivo vamos ter textos ao nível do passa-culpas ou alguém irá assumir de vez a hipocrisia da UE aqui em Portugal.

  4. Também eu concordo com o seu texto.
    Digamos “não” ao oportunismo de esquerda, bem como de direita. Digamos “não” à demagogia. Também digamos “não” aos jogos partidários, por favor. Basta de lutar por camisolas: somos todos irmãos, vizinhos, primos no País, no Continente e no Planeta. Sejamos responsáveis e tolerantes.
    Em termos práticos e entre outros temas:
    – Portugal precisa de ajuda, porque está menos favorecido pelo clima, etc.? Tudo bem, mas que ele não descarte as condições ligadas aos empréstimos de que beneficia.
    – Não queremos fazer mais filhos? Então, precisamos de emigrantes. Se estes não querem se integrar, se difundir na nossa sociedade, então devemos aceitar mudar e ser influenciados pelos modos deles.
    Não é fácil? Porquê deveria ser?

  5. Excelente texto, mas existe algo que fica por pensar e escrutinar. É certo que em Espanha compreenderam e mostraram que a Europa é algo em que valha a pena lutar e que tem pernas para andar… mas é preciso que na Europa e suas “instituições” percebam que é preciso mudar o rumo das coisas sob pena de esta torrente anti-Europa voltar, com mais força e com mais substância.

    1. Não tenho dúvidas quanto à necessidade de corrigir e aperfeiçoar múltiplos aspectos do funcionamento institucional da UE. Aliás não existem regimes perfeitos. “Perfeição”, como sabemos, só na Coreia do Norte.
      O que não faz o menor sentido é pôr tudo em causa por causa de deficiências pontuais. Seria como atirar o bebé com a água do banho (lugar-comum a que não costumo recorrer, mas agora não me ocorre expressão melhor).
      Alguém imagina, por exemplo, que Portugal ficaria melhor se saíssemos da UE? Vivíamos todos mais prósperos e felizes em 1985?

      1. É claro meu amigo que vivemos melhor em Portugal agora do que em 85. Vivemos melhor porque distribuímos por muitos de nós o dinheiro emprestado, sem cuidar de investi-lo em algo que viesse a produzir riqueza futura. Em algum momento teríamos de pagá-lo. Aliás, já começámos a fazê-lo. Por isso já estamos agora a viver pior cada dia que passsa. Infelizmente foi atingido um máximo a partir do qual o modo de vida iniciou a tendência decrescente. E continuará a decrescer porque deixaram de nos emprestar dinheiro com a facilidade com que o faziam no passado e o que nos emprestam é para pagar o que devemos. Teremos de passar a viver na realidade com a riqueza que produzimos, que não é muita. Estranho que uma mente tão clarividente como a Vossa relacione de forma tão directa e básica o brexit com os resultados das eleições em Espanha. Alguma influência terá tido, com certeza, no entanto, o problema parece-me mais profundo e generalizado. A descrença que as populações da Europa vêm manifestando neste modelo que os nossos lideres estão implementando, no qual está a ser promovida a cada vez maior concentração de riqueza em detrimento da sua justa distribuição por todos é, entre muitos outros, um dos principais factores do desassossego que grassa pela Europa. Espero estar totalmente enganado, mas prevejo que o poder que vem sendo concentrado nos países do centro da Europa será, como o foi no passado, a faísca que poderá fazer deflagrar, dentro de alguns anos, conflitos armados no seio da Europa.

        1. A eleição em Espanha – país que depende em grande parte das receitas turísticas britânicas e tem no Reino Unido o seu principal parceiro comercial – foi a primeira que ocorreu na Europa a seguir ao Brexit. Neste mundo tão globalizado, onde o que acontece numa capital tem óbvios reflexos noutra, só um marciano pode supor que nada influencia nada. Quem assim pensa imita as avestruzes, com as cabeças debaixo da areia.
          Quanto à relação entre Portugal e a UE, você aborda bem a questão na sua primeira frase: “É claro que vivemos melhor em Portugal agora do que em 85.”
          Só posso estar de acordo.

  6. Você continua pedalar uma petição fraudulenta em que a Cidade do Vaticano contribuiu mais de 30000 votos a favor de uma repetição do referendo.

    Deixe-me adivinhar… a censura do complexo político-jornalismo esqueceu-se de dar o mesmo destaque à descoberta que a petição era fraudulenta…

          1. Você usa um facto falso e depois não tem nada que ver, uau!

            A diferença entre pessoas implica politicas diferentes. Coisa que não aceita.

            É você na verdade que sofre da fobia …. quer impedir outros de escolherem diferente de você. Medo de falhar?
            É você que não tolera que existam outros caminhos.

          2. A diferença implica escolhas diferentes. Tautologia mas parece que precisa de ser dito.

          3. «O que é que isso tem a ver»?! Bem, Pedro, é um aspecto relevante de entre as reacções e consequências ao/do «Brexit», que você aborda neste seu texto… e ilustrativo, demonstrativo, dos exageros, das hipérboles, até com tons apocalípticos, que se vêm sucedendo e multiplicando após um referendo que, concorde-se ou não com o resultado, constituiu um exemplo de maturidade democrática.

          4. Caro Octávio, isso nada tem a ver com o que eu escrevi: não entrei nessas minudências de números de assinaturas.
            O problema destes debates em linha é que muita gente passa o tempo a falar das árvores e não olha para a floresta…
            A menos que você me diga que não existe neste momento uma forte corrente de opinião no Reino Unido já a reivindicar um novo referendo. Ou que negue a existência de fortíssimas clivagens internas nos dois maiores partidos. Ou que rejeite aquilo que eu escrevi sobre a fractura iminente dos escoceses, que já exigem nova consulta referendária. Ou que o Reino Unido está mergulhado numa crise política de consequências imprevisíveis. Tudo devido à irresponsabilidade de Cameron, um líder que mostrou não estar minimamente à altura das circunstâncias históricas.
            Isto sim, é a floresta.

          5. As «minudências dos números de assinaturas» podem – e devem – ser relacionadas directamente com… a existência ou não «neste momento (de) uma forte corrente de opinião no Reino Unido já a reivindicar um novo referendo.» Forte ou não… o certo é que perderam, e estão a comportar-se como «sore loosers», maus perdedores. Provavelmente, como sugere Piers Morgan, muitos dos que agora protestam e assinam petições nas redes sociais nem sequer se deram ao trabalho de sair de casa e votar no dia 23:

            http://twitchy.com/samj-3930/2016/06/26/get-off-his-lawn-piers-morgan-calls-out-lazy-youth-over-brexit/

            E, não, não só não nego «a existência de fortíssimas clivagens internas nos dois maiores partidos» como estou muito contente que elas existam! Em relação ao Partido Trabalhista, espero que essas clivagens sejam suficientemente fortes para finalmente implodir esse antro mal frequentado por comunistas reciclados e anti-semitas mais ou menos declarados. Em relação ao Partido Conservador, considero que o legado, entre outros, de Winston Churchill e de Margaret Thatcher será honrado, finalmente, com a saída de David Cameron, que mostrou ser um falso conservador, um traidor, que promoveu – qual esquerdista fracturante – a legalização do «casamento» entre pessoas do mesmo sexo e cedeu mais do que devia à arrogância dos euro-bur(r)ocratas de Bruxelas. É nestes aspectos, principalmente, que ele foi irresponsável, «um líder que mostrou não estar minimamente à altura das circunstâncias históricas», e não por ter convocado um (este) referendo.

          6. Assim é difícil debater ideias, Octávio: já estamos nas uniões homossexuais? Que tem isso a ver com o Brexit?

            David Cameron acaba de cometer um suicídio político – isso explica-se apenas pelo referendo que irresponsavelmente convocou. Não por acaso, nem Thatcher nem Blair alguma vez tomaram iniciativa semelhante.
            Cameron procurava firmar o poder interno. Enganou-se redondamente: revelou-se um péssimo aprendiz político.
            Está isolado. Do partido, dos parceiros europeus, dos eleitores. Sai pela porta mais baixa deixando o país sob ameaça de fragmentação e a sociedade britânica dividida como nunca.

            Permito-me deixar-lhe uma sugestão de leitura: este artigo de Chris Patten, último governador de Hong Kong e ex-comissário europeu. É uma excelente reflexão sobre o dilema em que Cameron colocou o Reino Unido e a Europa:
            http://elpais.com/elpais/2016/06/28/opinion/1467136306_236450.html

          7. «Que tem isso (“uniões homossexuais”) a ver com o Brexit?» É, além de um assunto ideologicamente, socialmente, «fracturante», claro demarcador de atitudes e de perspectivas perante o Mundo, também por isso mesmo um tema óbvio para um referendo específico. Que não se fez no Reino Unido, em França, em Espanha, em Portugal… mas que se fez, curiosamente (igualmente pelo resultado, para mim, e muitos outros, inesperado), na Irlanda, país onde, por isso, a redefinição do casamento passou a ser, além de legal, legítima. Nos outros países que mencionei, e em outros, o «casamento (e a “adopção”) gay» carece(m) da legitimidade dada pelo voto. Outros temas existem que poderiam e deveriam ser submetidos a referendo(s)… por exemplo, e em Portugal, a ortografia. Em vez disso, decisões radicais são tomadas constante e levianamente pelos políticos, que consideram que eleições de quatro em quatro anos e programas partidários generalistas e vagos lhes conferem um mandato alargado para tudo e mais alguma coisa…

            … Incluindo aceitar um «aprofundamento» contínuo da «integração europeia», com as correspondentes perdas de soberania, transferências de poder (legislativo e não só) para um novo «Politburo» em Bruxelas, não autorizadas, não ratificadas, pelas populações dos respectivos países. Tal como o referendo na Dinamarca (ao Tratado de Maastricht) em 1992 (que teve, e o Pedro certamente se lembra disso, como que um reflexo espectacular no campeonato europeu de futebol desse ano), este «Brexit» de 2016 é uma resposta dada pelos cidadãos, ou pela maioria deles, manifestando o seu desagrado depois de anos e anos de abusos e de faltas de respeito. E, evidentemente, não é a causa da «divisão» e da «ameaça de fragmentação» que pairam sobre a sociedade britânica mas tão só a expressão de uma e de outra, que já existiam.

            Agradeço-lhe a sugestão de leitura… e retribuo-a com outra, não de um estrangeiro mas sim de um nosso colega de blogosfera: João Miranda, que, no Blasfémias, ajuda a desmentir a falácia de que o Reino Unido irá inevitavelmente perder mais do que ganha com a saída da UE:

            https://blasfemias.net/2016/06/27/brexit-e-comercio-livre/

          8. Caro Octávio: a lógica referendária estimula como nenhuma outra as pulsões populistas. É disso que a Europa menos precisa neste momento, confrontada como está com desafios que exigem resposta à escala continental – desafios como o terrorismo, as migrações, a globalização, a ameaça expansionista russa, as crises financeiras de diversos Estados membros, a ameaça de recessão económica e a falência do modelo de segurança social pública tal como o conhecemos desde o pós-guerra.
            Que resposta pode ser dada, por exemplo, aos atentados como o de ontem no aeroporto em Istambul sem ser através de mecanismos colectivos e de uma fortíssima solidariedade europeia?
            Os referendos são caixas de Pandora abertas pelos motivos mais extravagantes (no caso de Cameron numa tentativa canhestra de entalar a forte corrente eurocéptica do Partido Conservador, tiro que lhe saiu pela culatra) e que dificilmente voltam a ser fechadas. Por isso a Escócia promete avançar já com novo referendo soberanista. Por isso os derrotados no referendo do dia 23 mobilizam-se já para que ocorra outro referendo destinado a anular os efeitos do primeiro.
            Parafraseando Churchill, a democracia representativa é o pior dos sistemas excepto todos os outros. Arguto Churchill, que nunca necessitou de referendos para tomar decisões, mesmo nos momentos mais dramáticos. Se tivesse convocado uma consulta popular antes de decidir fazer frente à Luftwaffe, talvez Hitler nunca tivesse sido destruído…

            P. S – Agradeço-lhe a sugestão de leitura. Assim que tiver um pouco mais de tempo tenciono fazer uma “revista blogosférica” com tudo quanto se melhor se foi escrevendo por aí. Segundo as ópticas mais diversas, como convém.

          9. Como é evidente, Pedro, o referendo não é algo que se deva fazer, preferencialmente, em situações de crise aguda, emergência ou mesmo de conflito civil e/ou militar. É um instrumento melhor utilizado… e útil em democracias maduras, adultas, e em situações de estabilidade. Porém, e obviamente, por algo e em algum momento tem de se, convém, começar. Rejeito a sobranceria, a arrogância paternalista de tantos políticos, nacionais e estrangeiros (como o actual (p)residente da república portuguesa), que afirmam, sem hesitar, que um referendo «é uma questão que não se põe». E porque não?

            Entretanto, e especificamente sobre atentados como o de ontem em Istambul (e antes em Bruxelas, e antes em Paris, e antes em…), para existirem, como respostas, «mecanismos colectivos» e «uma fortíssima solidariedade europeia», não é necessária uma união política. O que se afigura, sim, cada vez mais necessário novamente, e não apenas perante o terrorismo, são fronteiras. Não são – nunca foram, nunca serão – barreiras inexpugnáveis, mas podem constituir «filtros» que retêm muitos «elementos tóxicos».

          10. Octávio, a UE já dispõe de uma fronteira: é a fronteira exterior ao Espaço Schengen. Essa é controlada e monitorizada.
            A diluição das fronteiras no interior deste espaço – em que Portugal se insere – é uma conquista civilizacional. Tal como o programa Erasmus, tal como o Tribunal Europeu dos Direitos do Homem.
            Recolocá-las seria conceder uma vitória de bandeja aos terroristas.

          11. Pedro, aquilo que designa de «conquista civilizacional» tem permitido a livre circulação e acção de terroristas e de outros criminosos. Claramente, neste assunto temos também opiniões opostas: não reinstituir as fronteiras é, sim, um triunfo para eles. Será uma questão de prioridades: eu prezo a segurança, a preservação da(s) vida(s), acima de tudo.

          12. Eu nunca separo a segurança da liberdade, Octávio. Para mim uma não existe sem a outra.
            Na Coreia do Norte, por exemplo, quem lá vive deve sentir-se muito seguro: o Grande Irmão zela por todos. Mas de que vale a segurança sem liberdade?
            Insisto: se começamos a abdicar de parcelas da liberdade estamos a conceder a vitória aos inimigos dela. E não os refreamos assim. Pelo contrário, até os encorajamos.

          13. Creio que é um óbvio exagero afirmar-se que (re)instituir fronteiras equivale a diminuir, ou até mesmo suprimir, a liberdade. Tal como é despropositado meter a Coreia do Norte nesta discussão: a «segurança» que lá se pratica não é certamente a que eu preconizo… 😉

          14. Bem sei que não, Octávio. Tal como eu não preconizo uma Europa sem controlos fronteiriços de nenhuma espécie ou de portas escancaradas a todos os povos num imenso e descabido abraço universal. Por isso sempre fui – e continuo a ser, por maioria de razão – contra a integração da Turquia na UE, há dez anos defendida por toda a falange politicamente correcta da Europa, com Durão Barroso à frente.
            Hoje não escuto ninguém a sustentar isso, o que só comprova como são volúveis estas modas que parecem de bom-tom numa época para se tornarem indefensáveis poucos anos depois.
            Mas tal como não vou atrás destes ventos soprados pela correcção política também acho fundamental não cedermos à chantagem do medo. Porque se isso acontecesse seria sempre uma vitória do terrorismo.

          15. Aí está outro tema, Pedro, em que temos opiniões divergentes: apesar de ser um país muçulmano, nunca me opus por princípio a que a Turquia aderisse à União Europeia…

            … Até recentemente, quando o actual presidente e os que o rodeiam começaram a mostrar tendências autoritárias, anti-democráticas, incluindo restrições à liberdade de expressão e cedências ao fundamentalismo islâmico em matérias de conduta pessoal. A – genuína – modernização, «desradicalização» verificada durante décadas naquele país, que poderia torná-lo numa prova, num exemplo de que o Islão não é necessariamente incompatível com os valores da civilização, foi como que travada, posta em causa… e isso justifica o «arrefecimento» da boa vontade que existia.

            Concordo que é «fundamental não cedermos à chantagem do medo». Porém, é isso mesmo que está a acontecer em vários países da Europa, da União Europeia, incluindo na Alemanha, com a cumplicidade – se não activa, pelo menos passiva – dos mais altos (ir)responsáveis políticos. Perante o aumento exponencial de agressões sexuais a mulheres por homens muçulmanos, grande parte deles «refugiados» recentes, propôs-se que aquelas modificassem os seus hábitos, aos níveis dos locais que frequentam e das roupas que vestem. É este futuro, marcado pela restrição das liberdades, pela regressão do (verdadeiro) progresso, que queremos para o nosso continente? Eu tenho três filhas, e estou preocupado.

          16. Eu só tenho uma filha, Octávio, mas também estou preocupado. A minha preocupação, no entanto, não se confina às questões da segurança: também se relaciona com as questões da liberdade.
            Ou seja, eu quero que a minha filha – e os filhos que ela venha a ter – viva num espaço pelo menos tão seguro e pelo menos tão livre como aquele que eu tive.
            Considero mais: julgo ser um dever geracional legarmos aos nossos filhos uma Europa mais segura e mais livre do que aquela em que nós crescemos.
            Até agora, em termos globais, isso tem sucedido. Eu cresci numa Europa dividida a meio pela cortina de ferro. Nada que possa ser sequer remotamente comparável aos dias de hoje.
            Não retrocedamos neste duplo combate, meu caro.

            Quanto à Turquia: os últimos acontecimentos – radicalização islâmica, perseguição de adversários políticos, encerramento de órgãos de informação – só me dão razão quando já há dez anos me manifestei contra a adesão turca à UE.
            E as razões de fundo que então invoquei mantêm-se hoje:
            – Como pode entrar na UE um Estado que ocupa metade de outro Estado no espaço comunitário (a alegada República Turca de Chipre do Norte)?
            – Como pode entrar na UE um Estado que não defende os direitos políticos, sociais e culturais de uma das mais respeitáveis minorias étnicas da Ásia Menor e do Próximo Oriente (refiro-me aos curdos, hoje guarda avançada contra os desmandos do DEDI – Dito Estado Dito Islâmico)?

          17. Se o Pedro quer que os nossos filho(a)s, e os filho(a)s dele(a)s, vivam «num espaço pelo menos tão seguro e pelo menos tão livre como aquele que eu tive», e julga «ser um dever geracional legarmos aos nossos filhos uma Europa mais segura e mais livre do que aquela em que nós crescemos», então deduzo que concorda comigo em que é necessário refrear, restringir e mesmo reverter o avanço do Islão na Europa. Para nós não retrocedermos, têm eles de retroceder.

          18. Octávio, já demos uma volta enorme ao meu texto inicial. Enquanto prosseguíamos este diálogo, os dois principais mentores do Brexit – Boris John e Nigel Farage – abandonaram a ribalta política, o que não deixa de ser significativo.
            Puseram a casa a arder e retiram-se tranquilamente. Outros que descalcem a bota.
            Nunca uma vitória soou tanto a derrota.

  7. Claro que não, Portugal ficaria muito pior sem a UE e iria estar muito menos desenvolvido se não tivéssemos entrado para a CEE. Mas volto a referir é preciso a UE mudar, mudar muito em alguns aspectos, pois não é assobiar para o lado que as coisas se resolvem. Espero que com o Brexit, fique uma lição para o futuro e que não seja rapidamente esquecida.
    Mas o que fica na retina é que o seu texto está bastante esclarecedor e que tenhamos a capacidade de internamente trabalharmos no sentido de se conseguir dar a volta e voltar a ter uma UE mais coesa e próspera.

  8. Sim correto. Disseram-me que andava a apregoar, mas de fato, em contornos gerais, nao tão completo, era esse o meu argumento “há males que vem para bem” o brexit, entre inúmeros detalhes e protagonistas, que seja uma bofetada para este Euro…. Relembrando estas crises passadas, o euro anda um pouco a deriva? Ou é impressão minha estes últimos anos? A crise dos refugiados e a nao resolução do tema até a data, só vieram dar azo ao pior do ser Humano, burrice… Muito viveram na ignorância sobre o que é essa coisa chamada Euro, essa coisa chamada Euro que muitos outros tantos ainda nao pesquisaram no Google (vulgo motor de pesquisa na net)…..

      1. Caro Pedro:
        Prefere o fato com gravata ou sem?
        Ou com aquela gravata oportunisto-eleitoralista do Iglesias?
        Parece que nem com ela se safou.
        Seria porque não usou fato?
        (Manuel Silva)

  9. Claro que voltaremos a este tema, espero sim que com calma a UE seja capaz de se levantar deste “abanão”… Para a Inglaterra (chamei Inglaterra, pois a longo prazo tenho sérias duvidas que o Reino continue Unido), que seja o principio de um novo caminho, diferente e seu… apesar de eu achar que a maioria das pessoas que votaram na saída, não perceberam ao que estavam a votar.

    Abraço

    1. Você coloca o dedo na ferida, Paulo. Sabe-se lá por quanto tempo mais o Reino permanecerá Unido. E, se permanecer, isso dever-se-á em boa parte a uma Senhora chamada Isabel II. Nos momentos de mais grave crise, ela funciona como traço de união. Nem os separatistas escoceses a contestam enquanto Chefe do Estado.
      Entretanto, na parte que depende dos políticos profissionais, os britânicos não se distinguem dos portugueses ou dos espanhóis ou dos franceses. Como este absurdo referendo bem comprovou.

  10. “No Reino Unido ficaram com o Brexit nos braços sem saber o que fazer com ele.”

    Perfeito, está tudo aqui.

    Abraço amigo

  11. Pedro, passo por aqui regularmente.
    Sabes que a minha forma de estar não é coincidente com a que predomina no “Delito”, no entanto também sabes do meu europeísmo convicto, mais não seja por aquilo que já falámos em privado e que é minha opinião formada: Graças a esta união, a Europa vive uma paz duradoura desde 1945. Para mim é razão suficiente para aguentar algumas diatribes de tecnocratas de pacotilha, que têm feito da Europa dos cidadãos, a Europa de apenas alguns.
    Tenho poucas dúvidas que com a saída dos ingleses, o futuro da UE está por pouco, se continuar a querer trilhar os caminhos por que se tem regido. Vejo algumas hipóteses numa refundação, qualquer coisa como um federalismo tipo EUA, doutro modo, qual castelo de cartas, ir-se-á desmoronar com enorme estrondo.
    Quanto às eleições em Espanha, confesso que me passaram ao lado, não estou habilitado a emitir opinião, que era o que pretendias. Lamento.

    Grande abraço

    1. Viva, Edmundo.
      Julgo que nesta matéria estaremos de acordo no essencial: tudo quanto possa e deva ser feito para salvar o projecto europeísta deve merecer o nosso apoio. Porque os abutres já rondam, salivando: cheira-lhes a escombros. O irresponsável Cameron contribuiu em grande parte para isso ao convocar o referendo para tentar evitar um problema interno do partido dele.
      Não só não conseguiu evitar problema algum como transformou o incêndio do partido num incêndio nacional – e até à escala continental, pois todas as Marines le Pens da Europa já andam por aí a reivindicar consultas semelhantes. E é tão fácil fazer demagogia em torno deste tema…
      Na Europa temos de procurar sobretudo aquilo que nos une, não aquilo que nos separa. Porque tudo quanto nos separa sabemos bem o que é: aí está um milénio de história europeia a esclarecer-nos de forma límpida e transparente. Queremos voltar a isso? Por mim tenho a certeza que não.
      Abraço.

  12. Pedro,

    A Isabel II não vai viver para sempre e a monarquia ainda “goza” de uma “simpatia” positiva, mas ambos sabemos que isso pode virar…e nessa altura o Reino ficará desunido, levando com isso muitos dos sonhos dos habitantes dessas ilhas…
    O políticos profissionais tanto portugueses, franceses, ingleses e os espanhóis apenas pensam no que os pode “promover”…realmente não querem saber dos anseios de quem os elegeu…e infelizmente cada vez mais a qualidade desses políticos é mais fraca, pois a “escada” de entrada desses mesmos é cada vez mais estreita e sem escrutínio capaz.
    Mas com isto tudo do Brexit, esquecemos que aqui ao lado dificilmente devem chegar a um consenso em termos de governação… o que nos vais custar mais umas dificuldades acrescidas na nossa recuperação económica, pois trata-se de uns dos nossos maiores “aliados” comerciais

    Abraço

    1. Caro Paulo, respondendo apenas ao seu último parágrafo: sinceramente espero que essa sua previsão não se confirme. Nós precisamos de uma Espanha estável, pacífica, em crescimento. Desde logo porque os espanhóis são os nossos principais parceiros económicos: só eles alimentam 23% do nosso comércio externo. Não dá para brincar com estas coisas.
      Julgo que a eleição de ontem, comparada com a de 20 de Dezembro, propicia mais condições para que daqui a um mês, no máximo, haja um novo Executivo em funções em Madrid. O cenário alternativo seria haver novas eleições, daqui a seis meses, e ninguém as deseja. A começar nos eleitores: nunca houve um registo tão baixo de afluência às urnas numas legislativas em Espanha desde o regresso à democracia. Os políticos têm de perceber os sinais que os cidadãos emitem antes que seja demasiado tarde.

  13. Quem procura chifres no cavalo, acaba encontrando-os. Se não os encontra, encontra algo parecido. Relacionar Brexit com eleições espanholas, é, no mínimo estúpido. Impressiona me a sua incapacidade de “ler” as coisas de outra maneira. Chama se Pedro Correia mas bem podia chamar se Pedro Correcto. Se quiser ouvir/ ver comentários que só concordem com o que escreve, então o ideal seria escrever para os seus amigos que não se dão ao trabalho de pensar por si, e então apenas concordam com tudo o que escreve. Antes de ver a fraqueza dos argumentos dos outros, tente ver se os seus argumentos são consistentes.
    Reino Unido sem governo não é a mesma coisa que Somália sem governo. A Bélgica esteve muito tempo sem governo e não chegou, nem de longe, a uma situação de anarquia. Porque acha que com o Reino Unido tudo será diferente para o pior. Os britânicos tornar-se-ão vândalos só porque democraticamente se afastaram da UE? Não me parece.
    Pulsões racistas à solta. Onde é que não existem? Estão relacionados ao Brexit? O que o faz pensar isso?
    O separatismo ganha terreno na Escócia. Se a Escócia é contra o separatismo do Reino Unido em relação à UE, por quê imita os que escolheram essa via em relação à UE? O separatismo na Escócia apresenta se ora de forma manifesta, ora de forma latente, mas que está sempre presente, deve haver poucas dúvidas a respeito. Não é o Brexit que trouxe o separatismo da Escócia nem o acentuou.
    Há campanhas de subscrição pública para uma nova consulta sobre a Europa. Da parte daqueles que pensavam que o referendo era sobre a permanência ou a permanência do Reino Unido na UE. Não era permanência ou permanência, era permanência ou saída, mas os que se auto-proclamam europeístas convictos, nunca consideraram a possibilidade do “Sair” vir vencer o referendo, e agora vêem cá bufar raivosamente como se a vitória de “sair” fosse algum Golpe de Estado. O “Sair” ganhou democraticamente, e é tão legítimo como seria o “Permanecer”, se tivesse ganho. Vêem agora com pseudoargumentos para tentar enfraquecer uma vitória, esclarecedora, ainda que tenha sido por margem mínima. Falta-lhes Fair play. Falam de democracia mas a pensar em ditaduras e agora fazem as vezes dos profetas da desgraça. O Reino Unido, com ou sem a Escócia, e eventualmente a Irlanda do Norte, encontrará o seu rumo, e não se trata de futuro sombrio como tentam vaticinar os que procuram fazer valor os seus pontos de vista, a todo o custo. O medo, o terrorismo psicológico falhou. Viva a Democracia.

    1. “Relacionar Brexit com eleições espanholas, é, no mínimo estúpido”. Acha mesmo?
      Então tem que explicar isso ao Juan Carlos Monedero, fundador do Podemos. Ele acaba de sustentar algo totalmente diferente da sua tese.

      Escreveu ele no jornal ‘Público’:
      «Esta España más fresca se ha cansado del espectáculo estrictamente parlamentario de los últimos meses -hasta las actividades de calle de Podemos han sido parlamentarias-, de los debates desdentados, de la falta del coraje que te cuenta que debes formar parte de una pelea dura porque te estás jugando un país. Y han desertado del voto mientras que las personas mayores, con el miedo acrecentado con la salida del Reino Unido de la Unión Europea, han vuelto a colgar en su salón el bordado que dice “más vale lo malo conocido que lo bueno por conocer”.»

      Uma sugestão: informe-se melhor antes de pronunciar-se sobre assuntos que não conhece bem.

    2. “Relacionar Brexit com eleições espanholas, é, no mínimo estúpido.”
      Boa síntese do texto.

      “Se quiser ouvir/ ver comentários que só concordem com o que escreve, então o ideal seria escrever para os seus amigos”
      Boa síntese do autor.

      Se permite, uma pequena correcção: no contexto onde aparece, escreve-se “vêm” (terceira pessoa do plural do verbo “vir”) e não “vêem” (terceira pessoa do plural do verbo “ver”)

      1. Eis um exemplo de elevação no debate: chamar “estúpido” a quem pensa de maneira diferente.
        Define bem o comentador. E define melhor ainda o comentador do comentador, que precisa de apanhar boleia de outros para se sentir amparado.

        1. O senhor sofre de iliteracia funcional.

          Não o chamei de “estúpido” nem ninguém o chamou de “estúpido”.

          A acção de relacionar Brexit com eleições espanholas, é que é, no mínimo, estúpido.

          Quanto a apanhar boleia de outros para me sentir amparado, ao lado mais uma vez.

          Mas em matéria de boleias para amparo, desde citar declarações de dirigentes do Podemos e da Esquerda Unida até agradecimentos mais ou menos instantâneos e penhoradamente manifestados a quem lhe elogia a prosa, ninguém o bate.

          Elevação no debate é coisa que não espero de si.

          1. Pior que um cobarde que se oculta num pseudónimo é alguém que, sendo cobarde, também é sonso. Este diz que não insulta: limita-se a elogiar quem insulta. E não chega aqui à patada a chamar-me “estúpido”, como o outro: este, supostamente mais fino, só diz que padeço de “iliteracia funcional”. Talvez nesse preciso instante estivesse a ver-se ao espelho: o primeiro indício de “iliteracia funcional” é não saber escrever o próprio nome.

            Tirando o vocabulário pseudo-envernizado, eis todo o “debate de ideias” de que esta gente é capaz: nada que ultrapasse o nível do tasco.
            Enfim, há maneiras piores de aliviar frustrações. Alivie-se à vontade. Mas no fim puxe o autoclismo. Para evitar o mau cheiro.

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