As casas onde vivemos farão sempre parte do nosso roteiro afectivo.
Há pessoas que passam uma vida inteira numa só cidade, num só bairro, numa só rua, numa só habitação. Outras vão mudando de morada ao sabor de circunstâncias imprevistas, de sobressaltos familiares, de imposições profissionais que por vezes nos levam até a passar temporadas ocasionais em casas de empréstimo.
Incluo-me entre estes últimos, que conhecem bem o significado daqueles versos cantados por Sérgio Godinho: “E é então que amigos nos oferecem leito / entra-se cansado e sai–se refeito.”
Já vivi – semanas, meses, anos – em mais de vinte casas: dava para uma série em que contasse a minha relação com qualquer delas. Talvez me lance nessa empreitada um dia destes.
Mantive-me de algum modo ligado a elas e revisito-as periodicamente, sempre que posso – ao vivo ou através de viagens virtuais no Google Earth às mais distantes, noutros países ou continentes. Sou capaz, ainda hoje, de desenhar a planta do interior de quase todas.
Ainda há um par de meses revi a casa onde morei parte da infância, em Viana do Castelo. Não faço a menor ideia de quem lá vive agora e nem me atrevi a tocar à campainha para que me abrissem a porta sob qualquer pretexto. Mas olhei para a fachada daquele edifício tão bem conservado e senti um orgulho indisfarçado como se fosse meu, mirei a janela aberta daquele segundo andar que correspondia ao meu antigo quarto de menino e logo me assaltaram suaves recordações de infância e também de um pesadelo nocturno, da única vez que me lembro de um pesadelo enquanto dormia, um pesadelo em que era esmagado por um comboio a toda a velocidade. O prédio fica perto da estação ferroviária, talvez uma coisa tivesse a ver com a outra.
Mas há pesadelos bem reais. Ontem senti um desses pesadelos ao ver, nos telediários da RTP e da SIC, as imagens de uma casa em chamas, no Fundão.
Era a antiga casa dos meus avós.
Passei quase todas as minhas férias grandes até aos 18 anos numa fracção desta casa de quatro inquilinos. Os avós habitaram-na durante um quarto de século. Era um apartamento humilde mas povoado de memórias muito felizes. Numa das minhas fotografias preferidas, estou com apenas ano e meio numa das janelas desta casa – correspondente ao quarto dos meus pais – ao colo da minha mãe. Ambos com sorrisos perpetuados para a eternidade nesse dia sem sombras das primeiras férias natalícias em que me familiarizei com a neve.
Situada na parte mais alta da vila, hoje cidade, a casa tinha como complemento natural o parque desportivo implantado já na vertente da Gardunha com o seu complexo de psicinas e rinques de patinagem. Nas férias, eu e o meu irmão ali nadávamos e jogávamos à bola e andávamos de bicicleta em movimento sem fim do nascer ao pôr do sol.
Não havia computadores nem televisão nem telemóveis: só um telefone tardio, com apenas três dígitos. Ouvíamos os Parodiantes ou os folhetins radiofónicos na telefonia e espreitávamos um ou outro programa televisivo em serões na casa dos vizinhos, espécie de prolongamento da nossa, como então faziam milhões de portugueses.
Conversava-se e convivia-se muito mais naquele tempo em que a rua, quase sem trânsito, também funcionava como prolongamento da casa e era palco de brincadeiras sem fim com primos ou amigos ocasionais que passavam sem transição de simples desconhecidos para alegres compinchas de jogos e travessuras infantis.
Dormi pela última vez nesta casa na Páscoa dos meus 19 anos, quando regressei ao encontro da neve, já os avós tinham morrido e o meu pai decidira não continuar a pagar renda por aquele rés-do-chão direito onde íamos cada vez mais de longe a longe nessa época sem auto-estradas em que as viagens rodoviárias entre o Fundão e a capital podiam durar seis horas ou até mais.
Não a revi durante muitos anos a não ser nas fotografias dos álbuns familiares e nas minhas recordações – cada vez mais distantes, cada vez mais próximas. Percebo agora, muito melhor do que percebia há dez ou vinte anos, o significado da frase “a criança dita e o homem escreve”, de Julien Green, que seleccionei para hoje na minha série diária sobre escritores.
Revi-a em 2011 e no ano passado, em três visitas sucessivas. Tirando a rua, hoje muito mais movimentada por se inserir actualmente na circunvalação da cidade, parecia estar tudo como dantes. Pintada de fresco, com o mesmo ar acolhedor e as mesmas portadas de madeira na janela onde o pai nos tirou aquela fotografia de que tanto gosto.
Voltei a vê-la ontem à noite, em chamas. Dizem as notícias que o fogo começou na casa da vizinha que era antigamente o prolongamento da nossa. Revi o quintal onde se situavam as capoeiras e as coelheiras, e onde havia um barracão no qual o avô guardava alfaias e ferramentas, e onde uma rudimentar latada nos fornecia uma sombra saborosa nas tardes mais quentes de Verão.
Refaço mentalmente a planta da casa que vejo incinerada nas dolorosas imagens televisivas e nas fotos publicadas no Jornal do Fundão (e que aqui reproduzo, com uma vénia comovida). Há tantos anos deixei de morar ali e mesmo assim, ao ver estas imagens do pequeno prédio agora sem tecto nem parte do telhado, sinto que me arrancaram um órgão vital.
É a primeira casa de que me despeço não com um até já ou um até sempre, mas com um até nunca mais.
Amanhã regressa a rotina adulta, hoje volto a ser criança pela última vez, subitamente devolvido àquelas manhãs em que todos estavam vivos quando eu fazia anos e toda a gente sorria nessas fotografias que num dia muito distante a poeira do tempo apagará.
Foto antiga da piscina do Fundão, extraída do blogue do meu primo Eduardo Saraiva, O Andarilho. As fotos do incêndio de ontem são de Catarina Canotilho e estão na edição em linha do Jornal do Fundão




“A criança dita, o homem escreve”, é também uma frase em que me revejo. Quanto ao luto a que as casas nos obrigam, poderia ficar aqui toda a tarde a despejar caracteres, se a criança me ajudasse a escrever algo coerente e escorreito. Beijo.
Escrever é uma catarse, Teresa. Percebi isso hoje, melhor que nunca. E um blogue também serve para isso. Partilhar afectos, afinal.
Pede à criança que se mantém em ti que te ajude a escrever. Um beijo reconhecido pelas linhas que aqui deixaste.
As casas, Pedro. As casas. Como eu te compreendo. Ainda há dias a Ana Vidal dizia que as casas eram as personagens mais misteriosas dos meus contos. E eu ainda não me tinha apercebido de que, mais linha menos linha, aparece uma casa nas minhas histórias.
A essa, Pedro, deixa-a ir. Dentro de ti ela continua habitável no parapeito da janela onde o teu Pai te fotografou.
É isso, Ivone. Também percebi, só agora, que em muita da escrita de ficção que verdadeiramente me seduz há uma casa que serve de âncora. E se houver uma árvore genealógica associada a essa casa ainda mais fico seduzido.
Um beijo.
Um dia vi a casa onde brinquei vir abaixo. O prédio foi destruído, como se não tivesse qualquer importância. Era na Marques de Tomar, perto da Igreja de Fátima, com o meu tio-avô a dizer: “o melhor arquitecto, o melhor engenheiro, o melhor artista plástico para os vitrais e fazem esta merda.” Faço por não passar por aquela zona da cidade. Faz-me falta o mercado de rua, a carpintaria que existia em frente à casa que, afinal, era um apartamento e ainda a nespereira da vizinha de baixo. O meu tio-avô tinha um cabo de vassoura com um gancho feito de metal. Era para roubarmos fruta, puxando os galhos que ficavam à altura da nossa janela. As casas, os cheiros das casas, os barulhos podem ser eliminados por todos, pelo mundo, pelo progresso, pelo fogo, mas nunca nas nossas memórias. Um beijo, Pedro, será sempre a tua casa, tua e do eu irmão e guardará segredos que só vocês sabem
Obrigado por partilhares essa memória tão pessoal, Patrícia. E pela tua mensagem final. De facto, há memórias que nem as chamas conseguem reduzir a cinzas.
Um beijo.
Amigo Pedro
Pelas imagens da Tv, inicialmente não me apercebi de qual era a casa. Só quando também na imagem vi a casa em frente (do Eduardo Saraiva), reconheci a casa em questão, e me vieram à memória imagens da minha infância e adolescência, pois já resido em Lisboa há 45 anos. Era a casa onde também morou o Belarmino e o Zé Virgílio, hoje um dos dirigentes da grande equipa de Futsal do Fundão. Há precisamente 2 semanas lá passei, por aquela circunvalação, onde antigamente existia uma vereda,onde no tempo delas íamos às amoras e que vinha da Estalagem da Neve até á casa vizinha da do seu avó (A da “Maria Padeira”) e circundava a antiga Quinta do “Estoura Cangas”, hoje prolongamento do Parque das Tílias.
Também me humedeceram os olhos ao ver as imagens.
Um abraço sentido
Leão do Fundão
Meu caro, partilhámos certamente memórias de infância e adolescência. Esta Rua do Parque Desportivo, onde viviam os meus avós (e mesmo em frente, durante muitos anos, os meus primos Correia Saraiva), ocupou um lugar central no meu espaço afectivo. Porque era aqui que voltámos sempre, anos a fio, durante as férias. Também fui muitas vezes vereda acima, em busca de amoras, palmilhando Gardunha adiante (e um dia, num Verão, vi uma raposa poucos metros à minha frente). Fui vizinho do Zé Virgílio (moravam no apartamento vizinho, no rés-do-chão). E conhecia quase todos os moradores dessa rua precisamente até ao final, na casa da célebre Maria Padeira, que confeccionava do melhor pão e bolos da velha vila (rivalizando com a Maria Joaquina).
Obrigado pelas suas palavras. Um forte abraço.
As casas são naturalmente os melhores alicerces das nossas memórias. Podemos esquecer muitos acontecimentos na nossa juventude, raramente as casas por onde passámos.
Lamento profundamente este tão trágico acontecimento. Deste teu amigo de mais de trinta anos um imenso abraço.
O que mais me custou foi saber assim, no meio de outras más notícias, da forma mais imprevista, num telejornal. Desta vez não dizia respeito só a outros: dizia-me também respeito a mim. Uma
página tão importante da minha biografia afectiva ficou assim reduzida a cinzas. Subitamente, imprevistamente.
Lembrei-me ontem de um sábio ditado popular que a minha avó costumava dizer: “Vai-se mais depressa a boca do que a sopa.”
Neste caso, para contrariar o ditado, foi a ‘sopa’ – isto é, a velha casa tão povoada de memórias familiares.
Felizmente subsistem os amigos, com tantas e tão diversas memórias comuns para partilhar. É o teu caso, meu caro.
Um grande abraço.
Tenho/tive, de boa memória, 4 casas na minha vida.
A dos meus Avós paternos, há muito propriedade de outrém, lá está na Ribeira de Santarém, quem da Ponte de D.Luís I sai e em vez de subir para a cidade, mete à direita para o velho arrabalde…
A dos Avós maternos desapareceu de um Verão para o outro, quando um dia passei por Torres Vedras e na velha rua de entrada na vila ( sim, já é cidade mas para mim é a vila…) antes da Igreja da Graça, no lugar do muro gradeado do jardim e da fachada de quase 30m, erguiam-se dois prédios de sei lá quantos andares…
Também Santa Cruz… ainda lá está, rua José Joaquim Machado nº 6. Casa de praia, de cheiro a mar e restos de areia, recordações dos pinhais e camarinhas. Amores de Verão. Não sei de quem é agora…
E no fim, Santarém, fecha-se o círculo: ficou vazia a velha casa alugada onde nasci e cresci. Descansa desde o último dia de 2012 a minha Mãe, lá no velho campo santo dos Capuchos. E daqui a pouco tempo, retirados os pertences de 60 anos de “vidas”, será apenas uma fachada, janelas, algo aparentemente frio e não meu.
Mas ainda será, como as outras, a minha casa.
Abraço e obrigado pelas recordações, pena é escrever tão desajeiradamente…
Obrigado eu pela partilha de recordações, Fernando. Nada desajeitadamente.
Deve ser terrível passar por uma casa a que já chamámos nossa, em sentido literal ou figurado, e encontrar nesse local um buraco ou um mono ‘pós-moderno’, o que é quase o mesmo.
Aconteceu-me há pouco ao procurar o endereço de uma tia-avó em Lisboa e em casa de quem o meu pai viveu durante alguns anos, os primeiros em que trabalhou na capital. Há fotos antigas dele nessa casa e essas fotos fizeram-me procurar o tal endereço, na rua Coelho da Rocha, em Campo de Ourique. Quase todos os prédios desta rua são antigos. Só este, que eu procurava, já não existe: foi substituído por um mamarracho. Mesmo ao lado da Casa Fernando Pessoa.
Felizmente restam as fotografias…
Nada do que contas aqui ardeu, Pedro. Vês? Talvez não tenhas que dizer adeus nenhum. Um abraço.
Tens razão, meu bom amigo. Um forte abraço.
É difícil ver desaparecer os alicerces da infância e da nossa vida. Beijos, Pedro.
De facto, Leonor, custa muito mais do que eu supunha. Desde ontem só me vêm à memória lembranças felizes das longas temporadas que ali vivi. Agora é mesmo só isso: lembranças.
Mas vale mais isto que nada.
Um beijo.
Prezado Pedro,
Lamento a forma como foi destruida uma parte visivel da sua memoria de infancia. O seu texto fez-me percorrer as casas onde vivi. Na maioria delas fui feliz e trazem-me grandes recordacoes. Enfim, vanmos disseminando afectos pelas casas que ajudamos a humanizar
Muitas vezes só quando acontece um desastre destes nos lembramos verdadeiramente dos locais onde nos criámos e onde crescemos. Não é o meu caso. Ainda bem que reencontrei esta velha casa nos últimos anos. Ter-me-ia arrependido mil vezes se não a tivesse revisitado antes deste incêndio que a destruiu.
É como diz, meu caro. Muitas das nossas recordações ficam para sempre associadas às casas onde vivemos. E só mais tarde, por vezes tarde de mais, percebemos isso.
Isso, deixe-a ir, Pedro. A primeira é a que custa mais mas todas irão, de uma maneira ou doutra. Sabe aquele Conto Exemplar da Sophia de Mello Breyner?
Gosto muito desse conto, Isabel. É uma pequena obra-prima do género que nos ensina muito sobre o essencial da vida.
«Era um apartamento humilde mas povoado de memórias muito felizes.»
Não percebi a adversativa, que parece constituir a humildade do rés-do-chão em óbice a tempos felizes e memórias a condizerem deles.
De resto acho que percebi tudo. Os portugueses são, de facto, exímios na saudade. E mais ainda nestes tempos de ermamento triste e muito para além do que sempre há a esperar da obra do tempo.
Lastimo que tenha assistido à perda daquela casa, mas não consigo evitar pedir-lhe que fale das outras.
A adversativa tem a ver com a mentalidade dominante, que faz coincidir o ter com o ser. Por vezes é necessário sublinhar o óbvio – deixando claro, a traço grosso, que não é assim.
Agradeço o seu repto. Essa ideia acompanha-me há já algum tempo e julgo que o triste acontecimento de ontem contribuiu para acelerá-la. Preciso no entanto de suporte fotográfico. Há que digitalizar fotografias antigas e tirar fotografias novas a essas casas que me foram acompanhando vida fora. É mais fácil conseguir umas do que outras – e a sequência cronológica, neste caso, é essencial.
Comoveu-me o teu texto, Pedro. Ainda bem que escreveste tudo isto, assim as memórias ficam registadas e partilhadas. Compreendo-te melhor do que pensas: já vi desaparecer duas casas muito significativas da minha vida, a última delas há bem pouco tempo e sem que eu fizesse ideia de que estava naquele estado de abandono. Um dia destes sigo-te o exemplo e escrevo sobre isso também (tirei fotografias, são a última memória dessa casa). Como dizes, é uma catarse. Beijo
Mas não é muito fácil viver na casa onde se nasceu. É que, também nestas casas onde se viveu sempre, tudo muda – e sem os alibis (aqui perto da etimologia) da “mudança de casa” na “imobilidade”, a frio, o exercício é doloroso.
Decerto há mortes, partilhas, partidas e chegadas, mas mesmo sem esses acontecimentos maiores, tudo muda sempre e, por vezes, em relação a um quarto ou a uma sala, aqui ao lado – e aparentemente igual ao que sempre foram – há um sentimento de nostalgia (e de aguda estranheza) tão doloroso como o que se sente por uma casa onde se viveu e que hoje nos é estranha e inacessível.
Sim, tudo muda. E, desde logo, muda o nosso olhar. As casas dos meus avós, que me pareciam tão grandes em criança, pareceram-me pequenas quando as revi, muito depois, na idade adulta. Vou mesmo avançar com a tal série: desenrolar o fio da memória sempre foi algo que me prendeu ao melhor da blogosfera.
Tem razão, dfr, viver sempre na mesma casa pode ser realmente um pau de dois bicos. Não é o meu caso, já vivi em muitas e confesso que gosto de mudar, embora me saiba muito bem ter “aquela” casa da infância para onde voltar sempre, como um refúgio. É ali que está uma boa parte da história da minha vida, ou pelo menos onde estão as minhas memórias mais antigas.
Também gosto de mudar, e confesso que já mudei… só por mudar. Houve até uma fase em que via com regularidade apartamentos em busca de outra vista, outra luz, outra envolvência.
Mas com as nossas casas de infância é diferente, como bem dizes, Ana. São uma espécie de âncora de que necessitamos.
Exactamente como eu. E acho graça que o digas, porque não há muita gente assim como nós. Gosto de ver casas e de imaginá-las minhas, decoradas por mim e com os meus objectos no sítio certo, porque as faço minhas num instante. 🙂
Exactamente como eu. Parecemos almas gémeas, Ana.
Há dias fui almoçar a uma colectividade que fica ao lado daquela que foi a minha casa de infância. Pedi para ir ao quintal e lá estavam as nespereiras que eu plantei, nascidas de uns caroços de nêsperas tão doces que a minha mãe tinha comprado. “Isso nunca vai crescer”, dizia o meu pai, mas cresceram. Aquelas e mais uma que acabámos por dar a um amigo de família. Todas fruto da minha teimosia (“ai crescem, crescem!”).
A casa está abandonada e tenho saudades dela, especialmente daquela parede envidraçada que dava para o quintal. Nunca mais lá fui, desde o dia 23 de Janeiro de 1983. Era velha e precisava de muitas obras. Agora deve estar a cair de podre, excepto as nespereiras. Essas criaram raízes fortes e estão ali, a provar que a minha infância aconteceu mesmo, feliz e despreocupada, tal e qual como me lembro dela.
Um abraço, Pedro. Obrigada pela partilha comovida das suas lembranças.
Eu é que agradeço esse seu comentário, tão sentido e comovente, Zélia. Fez-me lembrar uma velha vivenda onde morei com os meus pais em Timor. Quando lá voltei, muitos anos depois, o local dessa casa de que guardava melhores recordações era do amplo quintal onde brincava em miúdo. E lembrava-me perfeitamente das mandioqueiras e das papaieiras existentes nesse quintal: as primeiras baixas e frondosas, com folhas verdes raiadas de amarelo; as segundas esguias e altas.
Vi tudo bastante diferente, mas no quintal conservavam-se as papaieiras (muito mais altas) e as mandioqueiras que me acompanhavam na memória desses anos. E foi quanto bastou para me encher de alegria.
Que belíssimo texto.
Sem palavras meu caro…agradecendo-lhe do coração a partilha/catarse.
Um forte abraço nesta sua perda.
David
Eu é que agradeço as suas palavras amigas. Um forte abraço também para si.