


A pressa de «dar primeiro». A febre de esmagar a concorrência. A desenfreada ânsia de transformar qualquer hora do dia em «última hora». Tudo isto pode manchar a reputação de um canal televisivo. Pouco interessa o minuto ou o segundo em que se «dá» informação: importa, isso sim, que essa informação seja rigorosa e sólida.
Em televisão, a credibilidade começa na criteriosa escolha das imagens. E ameaça ruir quando elas funcionam só como tapa-buracos. Infelizmente, a prática quotidiana é fértil nisto.
Tomemos como exemplo o «atentado terrorista» que durante dois dias trouxe as televisões em alvoroço, destronando a bola e a seca como prioridade noticiosa. Sabia-se muito pouco. Mas logo se pôs em antena esse quase-nada: soara a ordem para encher chouriços.
Resultado? Horas e horas de emissão plenas de vacuidade, com o habitual desfile de tudólogos que na semana anterior já tinham comparecido para arengar sobre o pobre miúdo marroquino que caíra num poço de onde viria a ser resgatado sem vida. Estes Doutos Especialistas em Coisa Nenhuma desempenham uma importantíssima missão: falar do que ignoram em absoluto.
Há que reconhecer: neste caso quem «deu primeiro» foi a novíssima CNN Portugal, às 18.34 desse dia. Mas teria sido recomendável aguardar. Talvez assim pudesse escolher outras imagens para ilustrar as peças em vez de exibir grandes planos de mãos femininas com unhas pintadas clicando ratos de computador – algo nada relacionado com esse «jovem estudante» subitamente transformado em Bin Laden português.
Talvez assim evitasse antecipar que o tal putativo-eventual-alegado-hipotético «atentado terrorista» tinha o Instituto Superior Técnico por alvo. «É exactamente aqui, no Instituto Técnico Superior de Lisboa» (sic), jurou uma jovem repórter junto à fachada desse tranquilo estabelecimento universitário, invocando «uma fonte que não podemos revelar».
Apanhada desprevenida devido às minudências do futebol, a frenética CMTV tentou compensar o atraso. Eram 18.51 quando repetiu o erro da estação rival: «Este atentado terrorista seria suposto acontecer no Instituto Superior Técnico.» O duplo condicional, indiciando cautela num português trôpego, contrastava em absoluto com as legendas que gritavam: «Terror travado em Lisboa»; «Massacre ia ser amanhã»; «Terrorista já foi detido».
Também aqui os tudólogos não tardaram, munidos do seu magnífico estendal de lugares-comuns.
Nas 48 horas seguintes, foi a devassa absoluta em torno da pessoa em causa. Tomando suspeitas por realidades, confundindo relato jornalístico com auto policial.
Imaginem que estávamos perante um banqueiro ou um político: logo dezenas de ilustres causídicos irrompiam na pantalha, invocando o sacrossanto princípio constitucional da presunção de inocência. Como era apenas um estudante com supostas perturbações mentais, essas eminências jurídicas assobiaram para o ar e deixaram seguir o baile mediático.
Belo país onde tanto se clama pelo direito à igualdade mas onde a presunção de inocência só funciona para alguns.
Texto publicado no semanário Novo

Coitado do puto e coitados daqueles que caiem nas mãos de uns quaisquer telepontos. Não há duvida que a comunicação é o terrorismo das sociedades hodiernas.
Se há coisa que me repugna é a banalização da palavra “terrorismo”, que agora serve para tudo.
O que a comunicação tem feito e a forma como tem vindo a ser usada é mesmo terrorismo. E não tenho dúvidas que esta forma de terrorismo pretende através do medo e do terror que semeia criar poderes obscuros e contornar as regras do bom-senso e da vivência em sociedade.
O puto, que padece de síndrome de asperger, foi apanhado nesta histeria e confinado a uma cadeia dita hospitalar para sossegar estas alminhas tão sensíveis.
O puto provavelmente é um bode expiatório, onde é que estão os outros, ou ele ia fazer tudo sozinho como um maluco. Investigue-se a porteira do prédio que diz que nunca o viu, nem o conhece de lado nenhum. Nada mais suspeito !
Adelaide Santos
Exactamente, e as tvs nem sabem desta probabilidade Uf!!! ‘tava a ver que não aparecia uma destas.
O miúdo é “bode respiratório”, como dizia o outro. Que via sempre estas coisas como uma “faca de dois legumes”.
Trabalho no Técnico e foi um dia que andei feita barata tonta as moscas sem clientes com medo do atentado.
Não admira, com tanta histeria à solta e tanto irresponsável a tomar decisões editoriais em órgãos de informação alegadamente credíveis.
Pior para si deve ter sido aquele dia de março de 2020 em que de repente o Conselho Diretivo do Técnico divulgou que tinha sido detetado um caso do perigosíssimo vírus assassino numa pessoa do Técnico e mandou toda a gente iediatamente para casa. Mais tarde veio a saber-se que era falso alarme, que afinal essa pessoa não tinha o vírus assassino, mas o mal para si já tinha sido feito. Você ficou sem clientes, os estudantes ficaram sem aulas, etc etc etc.
Foi um dia tão mau que até Março virou “março”.
“virou”???!!!
Não fale brasileiro.
Se quisesse falar brasileiro mandava o rei dos chatos tomar na bunda.
O rei de Portugal?
Tu és rei de Portugal?
Não! Nem gosto de bolo rei.
Preferes baba de camelo, claro.
A minha mãe dizia a toda a gente que eu era um terrorista quando era pequeno, ainda bem que nessa altura não havia a CMTV nem a CNN, senão ainda era acusado de ter partido a cadeira do Salazar.
Ahh Ahahahh. Muito bom! Quantas mães e outros familiares, não disseram isso dos filhos!😀
Vocês riem-se, mas sou capaz de apostar que têm fisgas “terroristas” aí em vossas casas. Ou, pelo menos, algum mata-moscas.
Ponham-se a pau com a PJ. E com o FBI.
A propósito, as nossas televisões e rádios parecem fontes de propaganda amaricana. Tirando a quarta-feira os palpites de Bidenes merecem toda insistência e confiança. Quanto ao nosso rapaz só lhes falta dizer que é um aprendiz sobrante dos que por cá andaram na sementeira de bombas.
Daquelas bocas contaminadas só brota fluida a sofreguidão de cheiro a sangue.
Ainda bem que existe uma coisa chamada ONU “liderada” por um patrício nosso. É garantia absoluta de que o mundo permanece em paz.
Portugal dos pequeninos…e com público…público que, maioritária e factualmente, apoia a peça em cartaz e respectivos intérpretes…
“Against that , potatoes”, como se diz em estrangeiro…
JSP
O público é quem mais ordena.
Tudo isto pode manchar a reputação de um canal televisivo.
Até poderia ser verdade mas acho que já ninguém tem critérios suficientemente elevados para isso e a CMTV tomou a precaução de não ter reputação nenhuma portanto pode fazer o que lhe passa pela testa sem complicações dessa espécie. Já quanto à velhíssima CNN*, sabemos que é a continuação do modelo TVI que é praticamente igual ao modelo CMTV. Portanto, no surprises there.
* Exemplos da Velhíssima CNN Portugal:
– 1º dia de emissão = 8 horas de futebol, 8 horas de Benfica
– 1ª semana de futebol = painéis de comentadores da bola aos berros, motas em directo atrás de autocarros de clubes, etc = a mesma merda de sempre
Abro uma excepção para a cobertura das eleições e os comentadores pós-debates, se não contarmos terem chamado aquela tipa Anabela não-sei-quantos que era da SIC e que sempre foi mais uma socialista disfarçada de repórter no parlamento e agora faz o mesmo como comentadora “isenta”.
CNN-Como Não Noticiar
A grande estrela da CNNP é um Santos que foram roubar à SIC. Para alívio desta, que estava farta do outro.
Ainda não ouvi, mas dizem-me que no novo canal esta estrelinha consegue falar ainda mais tempo seguido sem fazer pausa nem ir ao WC do que fazia no canal anterior.
Se ganhar ao minuto, sobe de escalão no IRS.
Esse Santos… Detesto sobretudo gente dispéptica como ele aparece na TV. Pelo menos não deviam almoçar ou jantar antes de ir para o ar. Uma vez ainda se aceita, agora por regra é uma chatice. Falta de maneiras. Saloio.
Esse é dispéptico?
Absolutamente. Estava sempre nisso. Já não o vejo na tevê há bastante tempo mas era recorrente no programa que tinha na SIC.
As coisas que eu perco…
Também penso que a comunicação social, sobretudo as TV, se portaram mal, muito mal – até esqueceram o tão badalado “alegadamente”. Mas quem deu o pontapé de saída foi a direcção da Polícia Judiciária – aquele comunicado deve servir, em todas as escolas de polícia, para ensinar o que e o como NÃO se deve fazer. Seria bom saber quem hierarquicamente mais responsável deu cobertura a tal coisa.
Pois foi. Mas esta minha coluna analisa televisão, não instituições do Estado. Em qualquer caso, quem montou o arraial durante horas e horas e horas foram as televisões – sobretudo CNNP e CMTV, cada qual gritando mais que a outra.
Na semana anterior tinham feito o mesmo a propósito do pobre menino marroquino que tinha caído para um poço.
Para a semana, apenas uma certeza: vai haver novamente gritaria a propósito seja do que for. E sempre com os mesmos tudólogos a preencherem tempo de antena, falando imenso e dizendo quase nada.
“Mas quem deu o pontapé de saída foi a direcção da Polícia Judiciária – aquele comunicado deve servir, em todas as escolas de polícia, para ensinar o que e o como NÃO se deve fazer. Seria bom saber quem hierarquicamente mais responsável deu cobertura a tal coisa.”
Os jornalistas supostamente servem para detectar propaganda…
Pérolas destas tvs de ‘…seria suposto acontecer no …’ e a publicidade ao verniz das unhas e da marca na esferográfica a pagar o directo.
As mãozinhas femininas, devidamente envernizadas, seriam do “perigoso terrorista”?