A defesa da praxe recorre aos habituais argumentos: serve para “integrar” e “facilitar o entrosamento”, e em caso de excessos torna-se reprovável e os seus autores devem ser punidos. Nada mais falso. O equívoco reside nesta dicotomia, que define os contornos de uma praxe “boa” e de uma praxe “má”. A primeira procuraria familiarizar os indivíduos com a instituição a que agora pertence; a segunda utilizaria meios violentos para o atingir.
Trata-se de uma mistificação. A essência da praxe não é a “integração”, mas sim a humilhação. A praxe não existe para introduzir um indivíduo num contexto social harmónico ao qual ele aspira pertencer, mas sim para clarificar desde logo a relação de forças que existe nesse mesmo contexto, ou seja, para tornar evidente que o noviço se encontra na base da estrutura hierárquica da instituição, devendo submeter-se às condições impostas pelo topo da pirâmide. Evitando uma longa e penosa explicação teórica destas circunstâncias, a praxe manifesta, num instante físico conciso e intenso, os contornos exactos dessas regras, instaurando uma relação imediata entre o senhor e o servo, o dominador e o submisso.
Não se trata de um ritual iniciático, cujo móbil é o desejo de inscrever e assimilar. A praxe é uma cerimónia puramente exclusiva, que define os espaços interditos ao aspirante, confinando-o às rígidas fronteiras da hierarquia imutável da instituição. Na verdade, só o tempo permitirá a ascensão na pirâmide, embora apenas com o intuito de cristalizar a ordem pré-definida. Em rigor, a praxe é o mais acabado exercício de mumificação que as sociedades modernas engendraram. Uma sociedade civilizada devia erradicar este fenómeno puro de exclusão, esta coacção psicológica necessariamente violenta, esta forma de opressão perpétua. Num mundo esclarecido, não há lugar para a praxe. Sem excepções.
[Escrevi este texto em 2007 e já o republiquei duas vezes. O “Dux” não lhe ligou nenhuma. Talvez tenha melhor sorte desta vez]

Mantém toda a actualidade.
A praxe é uma prática de cretinos destinada a imbecilizar e humilhar os mais novos.
Subscrevo.
Há um relatório do Observatório dos Direitos Humanos, publicado em 2010, cuja leitura é aterradora. Fala-se de agressão física, violência psicológica, abuso sexual, entre outras coisas.
Defendo a proibição imediata das praxes.
Fica o link do Observatório: et/relatorios/Relatorio_Praxes_Academica s.pdf
http://www.observatoriodireitoshumanos.n
Fui praxado numa defunta Universidade.
Fui eleito caloiro do ano. Mas nada fiz que não achava que deveria fazer.
Há limites e bom senso.
Se a praxe fosse integradora não marginalizava os que a ela não aderem.
È um exercício de cretinos que quer sentir poder, com a triste conivência das instituições.
Além de outras cretinices que tenho visto , não esqueço a visão de um cortejo da “queima”em que os caloiros iam ” a quatro patas”.
E o que mais me choca, a mim que frequentei, no meu tempo, um IST livre disso, é que se trata de estudantes universitários, não de um bando de claques de futebol ou de aspirantes a comandos.
Depois de ver as praxes actuais e suas consequências, de ter lido num mau português os argumentos em defesa da praxe, sou levado a concordar consigo.
No entanto lembro aqui uma velha praxe de Coimbra. Estava vedado ao estudante caloiro as saídas à noite. Caso fosse apanhado seria “praxado” (julgo que lhe batiam). Havia no entanto uma forma de o caloiro poder sair à noite: se fosse acompanhado de uma menina ou senhora (a universidade era ainda um sítio masculino).
Obrigava-se assim o caloiro a assumir o comportamento dos mais velhos para que se integrasse. Não me parece que aquele tipo de atitude se encaixasse nas praxes actuais nem no seu texto.
Fizeste muito bem em republicá-lo. Infelizmente está hoje tão actual como há sete anos.
Uns bailaricos e uns jogos cumpriam a função integradora sem o ridículo público e a humilhação privada.
É triste ver este texto republicado e saber que está actualizado.
Deixo uma cena de praxe que assisti(indo a passar numa rua) em Setúbal: os caloiros eram obrigados a lamber a cáca dos pombos que estava no chão. Pergunto-me se isto era de livre vontade? E se assim é porque não vemos isto no dia-a-dia?
O tema é recorrente, todos os anos acontece alguma coisa trágica, e nada se faz. E isto deve-se à complacência dos reitores, e de todo o pessoal académico. Não compreendo porque é que os reitores simplesmente não proibem as praxes dentro das instalações. Ouvi provavelmente metade dos professores que tive queixarem-se da praxe, e as pessoas lá continuavam a ser humilhadas, e a desclocarem-se pela faculdade de joelhos, e coisas desse género. Porquê? Porque é que os professores, com muito mais peso e autoridade que grupos de alunos, não mobilizam para proibir a praxe? Não compreendo.
não concordo, se tivesse sido Praxado, e depois, se tivesse Praxado …
perceberia.
Totalmente de acordo.
Não concordo com a proibição. Concordo com uma cultura de repúdio colectivo que mostrasse aos jovens o quanto aquilo é perversão. A começar pelos pais, a maior parte acha imensa graça. Se todos nos insurgíssemos cada vez que víssemos aquele nojo faria o efeito desejado. A proibição temo que fizesse o contrário.
O que é isso de mundo civilizado?…….
Epah eu diverti-me muito nas minhas, só fiz o que quis e permiti e não me senti nem humilhado nem cobarde… Se calhar tive sorte mas não concordo que por causa de uns maus exemplos de pessoas mal formadas e abusadoras e de outras submissas sem mente própria, uma tradição de partilha e folia seja tão atacada. Fiz amigos para a vida e recordo momentos dos quais nunca me irei esquecer. A culpa a quem a tem. Senão Albert Einstein (e os Físicos em geral) é o maior criminoso da história pelas descobertas que permitiram a invenção da bomba atómica…
Por causa das praxes é que nunca fui escuteiro…eles levavam as criancinhas para a mata á noite e ficava sempre de pé atrás com malta que anda de calções e berloques nas meias…e já agora, ninguém se lembra das praxes em quartéis, academias e restantes escolas militares. É tudo uma grande salganhada. Meia-dúzia de marmanjos metem-se em aventuras parvas que dão em tragédia e agora a culpa é da praxe. Ok!
Na minha opniao pessoal e de mais de meio mundo diz :quem praxa-se os colegas deveria logo de imediato ir preso que historia e esta afinal ?Humilharem os colegas?Matarem?São estes seres que futuramente vão tratar de nós no hospital ou das nossas economias ou outra coisa qualquer?Quer-se dizer estamos nas mãos de pior que no brazil é isso?Proribir ?Nunca devia ter sido autrerizado tal coisa é desumano eles devem sim cumprimentar os colegas por chegarem até onde eles estão se fosse eu a mandar era proribir antes que hajam mais mortes ,mais humilhaçoes .Énão ás praxes e vamos lutar por tal nós pais não queremos os nossos filhos sem auto-estima ,feridos ,mortos ,queremos os nossos filhos de cabeça erguida e sem um aranhãozinho que seja ,Tal tambem n-ao aceitamos seres destes em qualquer cargo pois como se comportam não são dignos da nossa confiança.