Os apoiantes incondicionais de José Sócrates queixam-se de que o primeiro-ministro está a ser alvo de uma inédita campanha negra, movida por forças ocultas, a partir de fugas de informação convenientemente seleccionadas de peças processuais que se encontram em segredo de justiça. Mas nada disto começou agora, como alguns fazem crer. Há anos que a política portuguesa está marcada pelos caprichos do (des)andamento dos processos judiciais. Alguns abrem agora – só agora – a boca de espanto. São os mesmos que andaram a atirar pedras a outros políticos, de outros quadrantes, noutras situações. São os mesmos que esquecem que Sócrates só chegou aonde chegou porque outro político, do mesmo partido, foi vítima de algo muito semelhante: abandonou a política para melhor tratar da sua defesa judicial, foi ilibado de toda a suspeita e faz hoje a sua vida fora de Portugal. Refiro-me a Eduardo Ferro Rodrigues. A ilibação, como sempre acontece nestes casos, chegou tarde de mais. Já Sócrates estava no lugar dele.
A política, com efeito, tem horror ao vácuo. Quem agora está politicamente fragilizado é o próprio Sócrates – independentemente de culpas no âmbito judicial: estou até longe de imaginar que as tenha. Mas não sejamos ingénuos: não falta já no PS quem esteja hoje a fazer cálculos para o período pós-Sócrates. Que chegará mais cedo do que muitos supunham.


O problema é quando ficar ilibado, mesmo após se ter ardido na fogueira mediática, não corresponde a qualquer justiça e verdade. A catarse social não se sacia com folclore: também deseja últimas consequências. Ora o sistema está a favor de quem Pode. Transforma-se tudo em mera reposição de interesses. Ajustes de contas. Há silêncios que se pagam com silêncio, conforme abertamente assinalou ontem António Pires de Lima, no dia D diante de Ana Lourenço.
Aliás, em certo sentido, só a fogueira mediática tende a produzir uma espécie de sucedâneo de Justiça já que no mais ela está longe de operar.
Provavelmente um terço do pessoal da Alta Política tem a cauda traçada por qualquer fraqueza de outros consabida: jogadas financeiras; pedofilias ocasionais, excêntricas, experimentais; cavalgadas com mulheres; orgias comprometedoras. Quando tais factos se transformam em domínio materialmente provável de um determinado círculo, tudo pode ser gerido com grande ‘tranquilidade’.
É o Silêncio. Sabe o Pedro quem é doido por um Golden Shower?
Não faço ideia, meu caro. Quer dar-me uma pista?
Caro Pedro, quem me dera poder dar-lha! Sabe Deus como desejaria rasgar o tabu. Não vi. Não sei. Não sou testemunha. Foi-me transmitido. Mas é de fonte que reputo de maximamente fidedigna. São factos de extrema e escandalosa gravidade, mas também de um ridículo enorme.
Noutro suporte e noutro contexto talvez lha desse.
Havemos de trocar umas ideias sobre esse assunto.
Tem horror ao vácuo e parece gostar bastante do vazio…
Diz bem, Maria.
Uma campanha desse teor cromático e quase diria que a culpa é do Obama. O problema são as forças ocultas…
Olá, Mike. Eu acho que é algo racista esta alusão à campanha negra. O racismo começa pela linguagem. Aguardo uma reacção do SOS racismo…