A política colada à televisão


Pedro Correia,

O Presidente da República, que em tempos fez parar o País por causa de uma alocução às 20.15 que parecia ser de uma enorme gravidade e afinal se destinava apenas a exprimir algumas críticas ao Estatuto dos Açores, volta a prometer hoje outra declaração formal à mesma hora, desta vez sobre o casamento homossexual, que deve promulgar com reservas de forma ou de fundo. Que não devem ser muito fortes, até porque hoje se assinala o Dia Mundial contra a Homofobia. 

Tanta espera para quê? Isto diz tudo sobre o ritmo a que funciona a política portuguesa. Cavaco podia já ter falado às 11 horas, podia falar agora às 13, podia dizer o que tem a dizer a meio da tarde. Mas não: só fala a partir das 20 horas. Como se Belém devesse submeter-se aos critérios de audiência das televisões.

Numa altura em que tanto se fala da necessidade de combater o desperdício na nossa vida pública, convém mudar estes maus hábitos: os políticos portugueses devem começar a funcionar segundo os padrões horários dos restantes cidadãos – e dos restantes países da Europa. Com reuniões matinais do plenário do Parlamento, por exemplo. E conferências de imprensa marcadas para o meio-dia, não para as 20 horas.

O exemplo deve vir de cima. Do Presidente da República. Quanto tempo teremos ainda de esperar até que isso aconteça?

9 comentários em “A política colada à televisão”

  1. Passos Coelho acaba de tirar o tapete à comissão parlamentar de inquérito à actuação do falso engenheiro no caso PT/TVI.
    Não há nisto qualquer novidade. Só os cegos ou muito distraídos não viam que Coelho é um mero agente de Sócrates e a sua missão consiste precisamente em destruir por completo o PSD.

  2. Pois, mas os políticos vivem mancomunados com os jornalistas, cada um deles precisa do outro para viver. Logo, Cavaco Silva faz este favorzinho aos jornalistas e espera que mais tarde estes retribuam. Se Cavaco Silva fosse rude e não marcasse a sua alocução para a hora dos telejornais, da próxima vez que quisesse falar os jornalistas pura e simplesmente recusar-se-iam a transmitir as suas alocuções.

    1. É assim, se assim não fosse, estariamos numa utopia.

      Quantos anos vai demorar para descobrir as falcatruas no TGV, e na nova ponte?

      Elas vão existir, vão ser descobertas, o povo vai comer e calar, e nós havemos de escrever sobre isto.

      E o que mudou? nada, porquê? não sei.
      Andamos demasiado calados … Pobre Lusíada

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