A pluma conivente


jpt,

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Julgo que este administrador integrou um governo ao qual Sócrates pertenceu. Socialista, passou a década seguinte botando na imprensa e no bloguismo, e cruzando altos postos. Nunca aflorou, escavando-a, a temática socratiana. Não lhe terá ocorrido. Um tipo tira a conclusão óbvia: foi conivente (cúmplice não o posso afirmar, sem provas seria difamação dizê-lo) com aquela ladroagem, com todo o nepotismo e patrimonalismo (ou então é um estúpido, pois não percebeu nada apesar de tantos indícios e de frequentar – e de que maneira – o poder político). A única coisa que lhe interessa retirar do momento actual, em registo de miserando “achismo”, e assim de total inépcia intelectual, é que a “direita” (à direita de quê, do seixascostismo?) tem uma “candidata” contra os pintos monteiros do PS.

 

Há algumas semanas Santos Silva, outro que tal, entrevistou-se no Expresso e disse sobre o passado recente do PS e seus governos (dos quais julgo ser ele totalista desde Guterres) que não faz “julgamentos éticos” do passado. Um aldrabão militante, pois o que se exige, e sabe-o bem, são julgamentos (no sentido de avaliações críticas) políticos, sobre o funcionamento das instituições estatais e da sociedade civil (em particular os partidos) face a estas necroses patrimonialistas. Esta gente continua no seu incessante esforço de obscurecer – pelo adormecimento da opinião pública e através da obstrução ao funcionamento da justiça – as práticas criminosas do partido a que se associaram. São cúmplices (agora sim) desse obscurecimento do real, são coniventes com a criminalização do Estado português.

 

Há algum tempo sobre esta loquaz pluma conivente aqui utilizei o termo “colaboracionista”. Com este estado de coisas. O bom do Pedro Correia, sempre exemplo de elegância, chamou-me a atenção, pois o termo está de tal forma semanticamente conotado (com a associação ao nazismo) que lhe pareceu exagerada e descabida (e talvez improdutiva) a sua utilização para com o antigo embaixador e secretário de estado. Tive que concordar com o nosso coordenador, sempre exemplar. Mas discordo agora, e radicalmente: esta investida do administrador socialista, cavalo no jogo de xadrez para o amansar da procuradoria-geral da república, é um vil acto de colaboracionismo. Com a ladroagem estabelecida. 

 

E depois dizem que são de “esquerda”. Esquerda o quê? …

30 comentários em “A pluma conivente”

  1. Senhor jpt:
    Nunca é conveniente distorcer os factos – especialmente quando são objectivos, verificáveis – pois eles acabam sempre por vir ao de cima e mostrar muito mais sobre quem os distorce do que sobre quem se quer atingir..
    O Embaixador Francisco Seixas da Costa foi secretário de Estado dos Assuntos Europeus, entre 1995 e 2001, no governo de Guterres.
    Considero Guterres demasiado frouxo como primeiro-ministro e não tenho particular simpatia pela globalidade da sua governação, mas não me esqueço, por exemplo, do êxito na independência de Timor (numa luta de David contra Golias) nem do papel de Mariano Gago no desenvolvimento da Ciência (na sequência do seu Manifesto para a Ciência em Portugal, de 1990), de que estamos hoje a colher os frutos através da pujança e projecção internacional dos nossos cientistas, com uma dimensão que nunca antes tivemos. Por exemplo, Teresa Lago acaba de ser nomeada presidente da União Astronómica Internacional.
    Mas corrupção grossa, daquela que faz títulos de jornais, que me lembre, não se lhe aponta nos seus governos, nem nada em proveito próprio, coisa não muito vulgar nos dias que correm um pouco em todos os países. Outros primeiros ministros tiveram muito mais telhados de vidro (à direita e à esquerda).
    E não vale a pena fazer listas do género «o teu partido tem mais corruptos do que o meu», as coisas estão muito bem distribuídas pelos 3 da vida airada que nos têm (des)governado amiúde.
    Acontece que há pessoas (à direita e à esquerda) que usam sempre uma pala num dos olhos.
    Quanto ao Sócrates, nem quero perder um segundo com esse figurão: a Justiça que trate dele, agora que, dizem, temos uma PGR capaz. Veremos os resultados, embora o silêncio se arraste há demasiados meses, talvez desabroche tudo na altura das eleições, como de costume.
    E se a Justiça provar as acusações que são públicas, que passe muitos anos a ver o sol aos quadradinhos.
    Mas gostava de ver a exigência em relação a outros responsáveis políticos para que falassem frequentemente dos corruptos que os serviram nos seus governos (ou dos chefes que os chefiaram nos governos em que participaram), fazendo actos de contrição pública, para além do que se exige a tudo quanto se relacione com Sócrates.
    Por uma questão de equidade democrática e de higiene da vida pública.
    Não há pior coisa para a qualidade da democracia do que a culpa selectiva.
    (Manuel Silva)

    1. Manuel Silva, obrigado pelo comentário. Antes de tudo permita-me perguntar quais os factos que considera ter eu distorcido? Pelo encadeamento do seu comentário deduzo que se refira (pelo menos também) à coexistência governativa de Sócrates e Seixas da Costa. Escrevi o postal de rajada, irado depois de ver esta imagem no FB, confiando na memória. Esta não tão falha assim pois, face ao seu comentário, consultei a página da wikipedia dedicada ao antigo PM, a qual cito para sua elucidação: “Em 1995, tornou-se membro do primeiro Governo de António Guterres, a ocupar o cargo de secretário de Estado Adjunto do ministro do Ambiente. Em 1997, tornou-se ministro-adjunto do primeiro-ministro, com as tutelas da Toxicodependência, Juventude e Desporto. Foi nessa qualidade, que se tornou num dos impulsionadores e organizadores da realização em Portugal, do Euro 2004. Em Outubro de 1999, já no segundo Governo de António Guterres, transitou para a pasta de ministro do Ambiente e do Ordenamento do Território, cargo que ocupou até à tomada de posse do XV Governo Constitucional, em Abril de 2002.”

      Ok, errei na minha escrita de rajada, pois disse que ambos pertenceram a um governo mas, de facto, pertenceram a dois. Será por essa falha que me imputa distorcer “os factos – especialmente quando são objectivos, verificáveis – pois eles acabam sempre por vir ao de cima e mostrar muito mais sobre quem os distorce do que sobre quem se quer atingir.”? Se é isso julgo ser exagerado o seu crivo crítico.

      Ter coexistido (no governo e no poder) com Sócrates não é “ser” Sócrates. Mas poderia, ou até mesmo deveria, convocar uma análise crítica do funcionamento institucional. E é isso mesmo que os agentes políticos, de elite e não só, os intelectuais “orgânicos” e os meros “companheiros de viela”, e tantos jornalistas, sempre se recusaram e continuam a recusar-se a fazer. Como este processo de tentativa de (re)encapsulamento da justiça demonstra. E isso sim “mostra muito mais sobre quem” (cito-o) assim segue.

      1. V. refere Guterres, em cujo partido votei em 1995, exasperado com a degenerescência que o célebre Cavaquistão gerara. As trapalhadas posteriores fazem muitos esquecer o ponto a que aquilo chegara. Mas há um ponto que é incontornável: as críticas a Guterres podem ter sido (e ainda são) vastas mas, e ainda que se referisse que “o Pina Moura tem muitos amigos” e que Jorge Coelho era omnipresente e quase omnisciente, ninguém punha (e põe) em causa a sua honestidade pessoal. Já sobre honestidade política é diferente, e continuo a considerar que Sampaio violou o espírito da constituição (não a forma, pois sobre esta nada haveria a dizer) ao aceitar a coligação clandestina PS-CDS no segundo governo guterrista, através da rábula do queijo Limianos. Rábula cujo carácter malicioso foi explicitado quando, anos depois, o CDS foi para o governo e Portas, florentino, chamou o celebrizado Campelo para uma breve secretaria de Estado. Sampaio muito hesitara para aceitar essa falcatrua política e, em nome da malfadada “estabilidade”, acabou por aceitar a trapalhada. Um caso de estudo sobre o “efeito dominó” na política, mostrou-o a década subsequente.

        V. refere ainda, lateralmente, coisas boas da governação guterrista. Sim, grande sucesso na independência de Timor: Gama era, independentemente do que se possa considerar da sua visão política sobre o país, um grande ministro dos negócios estrangeiros, Amado era um belíssimo secretário de estado da cooperação (e negócios estrangeiros) – e isso eu pude comprovar em Moçambique – e Seixas da Costa era, afiançam-me pessoas queridas, um excelente secretário de estado e magnífico embaixador (e isto não é o meu passo atrás, pois a excelência convoca a qualidade de intervenção cívica e deveria vetar o mero conúbio). E tínhamos (e ainda deveremos ter) um excelente quadro diplomático. Aquilo foi um sucesso timorense, mas foi também um grande sucesso governativo e da administração pública portuguesa. Mariano Gago foi, efectivamente, um excelente ministro da Ciência e Tecnologia (não tanto do Ensino Superior, dizem-me os profissionais do sector, quando sobre este teve tutela).

        Quanto ao resto que me diz estou de acordo, e particularmente na forma como o sumariza: “Não há pior coisa para a qualidade da democracia do que a culpa selectiva.”. E por isso há que combater os locutores dessa perversão e contestar os políticos que dela se alimentam.

        1. Senhor jpt:
          Este será o meu último comentário.
          Não pretendo alimentar polémicas, muito menos quando a sua matriz é a habitual da dicotómica (e pouco inteligente) luta ideológica Direita «versus» Esquerda, de atribuição de culpas sempre de uns contra os outros.
          Reduzir a realidade a duas cores (preto e branco) quando ela tem uma infinidade de tons é pouco útil e sensato.
          As dicotomias são a pior escolha como instrumento de análise, pois são dramaticamente redutoras.
          Não me querendo repetir, direi que a injunção abusiva que o senhor faz é fundar a sua violentíssima crítica a FSC (que entrou mesmo pelo ataque «ad hominem» dentro) no mero facto de, circunstancialmente, terem estado ambos (FSC e Sócrates) no mesmo governo de Guterres, inicialmente, ambos como secretários de Estado, depois Sócrates como ministro.
          FSC sempre como secretário de Estado dos Assuntos Europeus, pasta que, como deve saber, está particularmente vocacionada para investigar a conduta moral dos restantes membros do governo.
          Aliás, quando se está num governo, a principal tarefa de cada governante é investigar a conduta moral dos restantes cerca de 50 membros.
          Coisa fácil, como se viu pela facilidade com que o MP investigou as (imputadas) tramoias do Sócrates (e dos restantes vigaristas da nossas elites, amiúde envolvidos nos mais diversos casos graves de corrupção, alguns já julgados e condenados definitivamente, outros apenas imputados, portanto, estes últimos não são vigaristas, por enquanto).
          Não fossem as revelações do WikiLeaks e estaríamos como o Sísifo na sua maldição (se é que já saímos dela).
          Outra coisa é conviver num governo depois de publicamente haver fundadas suspeitas de corrupção da grossa, o que só veio a ocorrer contra a «fonte exclusiva de todos os males de que Portugal padece», já FSC estava há alguns anos nas suas funções profissionais retomadas.
          A não ser que considere que, também aí, deveria ter investigado a mais do que duvidosa conduta do inenarrável Sócrates (que se viria a conhecer em pormenor bastante mais tarde, quase 10 anos depois de FSC ter deixado o governo).
          (Manuel Silva)
          —————-
          P. S.
          1.ª declaração de interesses: nunca fui filiado partidariamente, não conheço pessoalmente FSC, nunca sequer me cruzei circunstancialmente com ele (o que até foi facilitado pelo facto de ele ser nortista e eu sulista, pertencemos a «ramos de negócio profissional» completamente diferentes).
          2.ª declaração de interesses: identifico-me por dois dos meus quatro nomes verdadeiros, nunca me escondo no anonimato. Como no comentário aparece Anónimo, escrevo o nome por baixo.

          1. Dado que anuncia ser o seu último comentário, e em tão cordial tom, mandariam as regras implícitas que eu me abstivesse de recomentar, deixando-lhe a última palavra. Mas há ditos surpreendentes no seu comentário (“distorção de factos” discursivos, para utilizar a sua expressão anterior) que me levam a responder-lhe. Diz-me que insisto numa dicotomia esquerda-direita, a pobre topologia local. De onde retira isso, onde está isso explícito no texto (ou nos meus comentários)? Lendo-os eu diria o contrário. Por outro lado, e se é certo que V. não tem que ter o hábito do que eu vou botando (aqui, há cerca de um ano) e nos meus blogs ao longo dos anos, insisto não só na pobreza dessa dicotomia como sorrio face a um país onde os partidos mais parecidos ideologicamente e em termos de prática política são vistos como marcos de “direita” e “esquerda” – e com o corolário abstruso de se considerar perverso a sua coligação. E, se me permite o registo de conversa, fui botando onde voto ou votaria se estivesse perto da minha assembleia de voto (vivi 18 anos fora mas nunca prescindi da minha condição de eleitor da minha freguesia de origem): no s últimos tempos lá botei que votaria nas presidenciais num candidato socialista, Henrique Neto (já agora, o único socialista de que me lembro ter ouvido criticar Sócrates) contra o projecto político mais reaccionário no pós-25 de Abril, este rebelosousismo cópia pura e simples do colonialismo de rosto humano do seu pai no Moçambique tardo-colonial. Ou no PAN (opção de que me arrependo) dada a filiação socratista deste poder socialista e o elogio público de PPC a Dias Loureiro (que lhe terá captado elogios e apoios mas que lhe custou o meu modesto voto). Ando a reboque da clubite direita-esquerda? A propósito de que me diz isso?

          2. Quanto ao que me diz do ataque ad hominem. Vamos lá ser certeiro: isto não é um ataque pessoal, eu não aludo à vida privada, pessoal, de fsc. Refiro as suas posições políticas: se o faço de maneira ajuizada ou não poderá ser matéria do seu, Manuel Silva, juízo. Mas não é curial que as transforme num ataque pessoal. Acontece que é uma pessoa que toma decisões políticas e tem declarações políticas e que em assim sendo uma porrada possa parecer “pessoal”. Mas não é, como deveria ser óbvio. É política. Insisto, se certeira ou não é outra coisa.
            Quanto ao terem “circunstancialmente” participado num governo e do que refere, repetidamente, da avaliação moral de Sócrates, V. está a deturpar as minhas palavras, explicitamente, e isso não é base de argumentação. Está escarrapachado no texto do postal que não se trata de avaliação ética (“moral”, como V. prefere referir) mas sim política. E o que é certo é que quem esteve no governo com Sócrates e quem apoiou os governos de Sócrates nunca deles se apartou, nunca apresentou uma reflexão posterior crítica dos processos de apropriação do poder e do seu sustentáculo partidário. E isso é significativo. Como o é que os que dele até pareciam ligeiramente distantes se tenham nele filiado – e lembro Ferro Rodrigues, regressado à primeira linha com Costa, como novo chefe do grupo parlamentar que no seu primeiro discurso reclamou o legado da governação de Sócrates (que foi detido logo a seguir). E por mais que V. diga, queira argumentar, que não havia hipóteses dos Seixas da Costa presumirem ou pressentirem a corrupção galopante no poder (num PS pós-Macau, num PS onde as próprias delegações governamentais do ministério do ambiente em 1999 mostravam em Moçambique um enorme desconforto quando quem lá trabalhava aludia, com naturalidade, a Sócrates – algo que então eu presumia ser apenas fruto das rivalidades intra-governamentais) isso é totalmente falso. Já aqui partilhei ligações a blogs de amigos que em Janeiro de 2006 aludiam ao que tanto parecia suspeito na conduta do então ¨PM. Quem estava no poder e muito próximo dele não percebia nada, não desconfiava de nada? Impossível. Eu sou um mero cidadão, sem fontes, vinha a Portugal duas vezes por ano e os meus amigos, classe média lisboeta, entre o vínculo familiar ao PS (e à Capela do Rato) e o desvínculo ao patrimonialista PSD, ecoavam de 2007 para a frente os desmandos que assistiam nas suas áreas profissionais, a intervenção na banca, na imprensa, as políticas sectoriais, a perversão do peso do partido socialista e dos homens de mão do PM na socioeconomia. Gente da administração pública (e do próprio governo) passava pela minha mesa em Maputo e ecoavam (ou, pelo menos, não negavam) o aldrabão que Sócrates era. A sua cáfila estendia-se em Moçambique articulando negócios paraestatais e privados (e consultoria de negócios, como o inaceitável e infrequentável António Vitorino) com a cleptocracia guebuziana. Alguém como Seixas da Costa ou os inúmeros membros do governo e da elite socialista, tantos deles agora, “circunstancialmente”, de novo no poder, não sabiam da trafulhice toda? É o que digo no postal, só sendo muito estúpidos. E não o são. E é por isso, por razões políticas, e não “morais” (como V. diz) que querem dulcificar a procuradoria-geral da república. Para se protegerem dos demónios internos. Que acarinham, mimam, em vez de os combater.

            Saúdo e agradeço esse seu evitamento do anonimato. Contra o qual me farto de resmungar, não lhe encontro qualquer justificação.

  2. Isto é gente perigosa. O ódio que estes trastes têm à actual PGR é inenarrável. Ela é um dos poucos entraves ao total usufruto do país e dos cidadãos por parte do PS, o verdadeiro dono disto tudo.

    1. Não será pessoal. Como forças políticas avessas à Democracia, ao PCP BE e PS irrita supinamente que exista uma área da sociedade que não só não controlam como ainda por cima parece estar dotada de autonomia inteligente.

      Eu acho que está na hora de os Portugueses Verdadeiros tomarem consciência da massa manhosa da qual aquela gente é feita.

    1. Obrigado pelo elogio ao postal. E fico grato pelo seu interesse, já cheguei ao destino. Sobre o prefácio? Achei muito simpático. Votos recíprocos.

  3. A direita – seja isso o que for (tudo o que a esquerda indígena, na sua alegada superioridade moral, entender, suponho) – é uma coisa má, porque sim. É a fonte de todo o mal; agora, no passado e no futuro. Porque sim. E esse é o mais sólido fundamento para fulminar alguém. É essa a doutrina e a liturgia dos poderes – o formal e o informal – que o são por cá e por estes (duradouros) dias. É uma explicação do mundo de cristalina simplicidade. É assim e o soberano, o povo, que detesta o trabalho de pensar, gosta e quer que assim seja.

    Este homem já o vi, aqui, neste blogue, estremecidamente venerado. E repudiada severamente a voz que ousasse sugerir coisa diversa. E este homem vai-se revelando, na despudorada defesa da sua família e dos seus interesses. À custa de todos nós. Só não vê quem não quer. Mas ao menos aqui, neste blogue, ainda se dá voz a quem recusa essa submissa veneração. É, por cá, por estes duradouros dias, coisa de mérito.

    Costa

    1. o engraçado neste uso topológico é que se há partidos mais aparentados, tanto na ideologia como na prática política, são o PS e o PSD, sempre cutucando-se como de “direita” (o tal mal absoluto) e de “esquerda” (o sempre dito desvario militante). É uma forma retórica de construir o mundo. E a gente atura estes vates.

  4. Que comentário canalha! O Delito costuma ser bastante mais urbano. Assim, parece estarmos perante um mero desespero trumpista, insultuoso e reles. Seria tempo de este cobarde jogo de iniciais se revelar.

    1. Feliciano Gaspar posso ser canalha, desesperado, trumpista, insultuoso, reles, cobarde e até mero jogo de iniciais. Mas, felizmente, não sou incapaz de ler o que frequento: como você não o consegue eu explico-lhe – no blog tem uma coluna da direita uma secção de “autores”, onde os vários bloguistas do DO estão indicados por ordem alfabética. Você clica (pressiona com o cursor, o chamado “rato” se ainda o utiliza) no nome que quiser (no meu caso no “cobarde jogo de iniciais”) e acederá aos meus postais no DO. E se clicar (pressionar com o tal cursor) no que está à frente do referido “cobarde jogo de iniciais”, a obscura palavra “perfil”, poderá aceder a esconsas informações: o nome completo, o “sítio” profissional, os meus blogs, a data de nascimento, o meu sexo (ou género, como sói dizer-se), o meu email blogal, as três contas nas redes sociais mais em voga na minha geração e até, imagine-se, a minha foto relativamente actualizada. Espero que lhe seja útil a informação – para a sua curiosidade sobre o meu caso mas também, e muito mais, para que possa entender estes (nada) insondáveis caminhos do bloguismo.

  5. Que comentário canalha! O Delito costuma ser bastante mais urbano. Assim, parece estarmos perante um mero desespero trumpista, insultuoso e reles. Seria tempo de este cobarde jogo de iniciais se revelar.

  6. A Direita.
    O CDS é de esquerda liberal, e já se considerou em tempo “à esquerda do PSD”. Dizem as más línguas que não, que Cristas quer que o CDS seja o partido da direita portuguesa – bem, então é porque não é.
    Ora do CDS até ao PCP só existem várias formas de esquerda, dependendo a sacanice de quem manda numa dada altura da vida dos partidos – exceptuando o mui nobre PCP, onde manda o mesmo até se fartar.
    Em Portugal não existe uma direita, pelo menos com representação parlamentar. O uso da expressão é meramente publicitário, se funciona é porque há muito quem acredite na publicidade. E se há quem acredite no “segredo perdido que faz perder 20 quilos em 2 semanas”, mais depressa acredita na direita e nos fascistas escondidos nos partidos da direita. Que os há, há, mas estão bem à vista, geralmente encostados a quem os proteja e amamente – e o CDS não tem peso para isso. Estão no PS, onde cabe tudo, no PSD, onde cabe o resto, e alguns no BE, que lhes passa um livre-trânsito que já foi mais modernaço e progressista. Não haverá muitos no PCP.
    Se faz falta um partido de direita? Eh…
    É daquelas coisas, faz falta gente séria, é indiferente onde se vai instalar. Actualmente instalam-se mas é daqui para fora. O sistema tem sido aperfeiçoado para os manter longe do poder, e se possível do país.

    1. “Genial”? geniais são os vieira da silva, santos silva, leitão marques, costa e afins, que governaram sob o ex-44 de Évora, sabendo bem o tipo que aquele era, e que logo voltaram ao poder, assobiando para o lado, como se nada fosse com eles

      1. Tem razão, jpt. O problema deste país é muitas vezes falarmos atrasados e indignarmo-nos na altura errada. E fingirmos a nossa cobardia num esquecimento natural

      2. Uma pouca vergonha – É o que é -.
        Podem estrebuchar, mas uma pessoa digna, dava corda aos sapatos rejeitando o tacho!

  7. Respeito o que diz e concordo com a avaliação positiva que faz do trabalho de Joana Marques Vidal. Mas acho estranha e despropositada a sua sanha contra o Seixas da Costa. Ele é de esquerda, como toda a gente sabe. Reage como as pessoas dessa área, como é natural, mas isso é aceitável na democracia que vivemos. Acompanho o que ele escreve há muito (não sei se o faz) e pareceu-me sempre ser uma pessoa equilibrada, sensata tolerante. Ora o seu texto não o foi. Daí a minha estranheza. Cordialmente CVR

  8. “As pessoas que se descrevem como sendo ‘de esquerda’ acreditam que as opiniões e os movimentos políticos podem ser organizados em esquerda e direita e que, se não formos de esquerda, então somos de direita.
    Ao mesmo tempo, através de uma inesgotável campanha de intimidação, os pensadores de esquerda têm tentado tornar inaceitável ser-se de direita.
    Uma vez identificados como de direita, os nossos argumentos são inaceitáveis, o carácter desacreditado, a nossa presença no mundo é um erro. Não somos adversários com quem discutir, mas uma doença a ser erradicada.”
    Roger Scruton

    De maneira que quem não respira os seus hálitos é por força bandarilhado com o diagnóstico da peçonha que inventaram para seu expediente.
    Por uma qualquer espécie de narcose coletiva, poucas pessoas recordam que foi o trampolineiro – seguramente inspirado pelo seu gafanhoto Galamba -, a reintroduzir no linguajar indígena o termo “direita”. Socialmente adormecido na impotência descritiva que possa ir além da história dos jacobinos, foi recuperado pelo trampolineiro nos sermões dominicais faturados através da fatura da edp.
    Dá-lhes jeito.

    http://passaparedes.blogspot.com/2018/09/enquanto-nos-for-possivel-e-deixa-los.html

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