A pescadinha já meteu o rabo na boca


Teresa Ribeiro,

Pois, não dá para tudo: ou se cobram impostos para além dos limites do razoável, ou se faz a economia funcionar. Chato, não é?

26 comentários em “A pescadinha já meteu o rabo na boca”

  1. É a receita de sempre continuada com força por este Governo.
    Não aprenderam nada, logo a única coisa que conseguem é destruir ainda mais economia livre.

  2. No rol das perguntas aos perguntados, gostaria de perguntar ao actual S.Geral Jeronimo De Sousa se o partido comunista russo ( lagarto, lagarto) estivesse no poder ele dava uma beijoca daquelas ao seu camarada da URSS?

      1. Os primeiros-ministros continuarão sempre a dizer mentiras enquanto tiverem especialistas/assessores disponíveis para “para realizar estudos e prestar apoio técnico no âmbito da respectiva especialidade”.
        É lógico que não se pode exigir de um governo com pouco mais de 50 dias que tenha resolvido problemas que herdou. Mas, por uma questão de princípio e de coerência, não podemos deixar que nesse mesmo curto período, esse novo governo vá de mentira em mentira, alegremente. Assim como não se podem dissociar certos efeitos, de opções de política fiscal do novo governo.

    1. Boa tarde Pedro.
      Fico espantado com o seu comentário. Ou melhor, fico surpreendido, pois depois da sua enorme contradição, apenas fico surpreendido que ainda tenha a lata para escrever um comentário como este.
      Já escrevi no Legalices e como o Pedro ainda não me elucidou, aqui deixo o repto: como é que o Pedro pode mudar radicalmente de posição, esquecendo-se do que vem escrevendo há meses, senão anos? Como é que pode, durante largos meses, criticar (e com inteira razão) o governo anterior por nos deixar a viver pior e agora defender um outro governo exactamente igual e que, em meros dois meses, já nos deixou a viver bem pior (sim, a verdade é que vivíamos melhor há dois meses)? Como é que sempre criticou Sócrates por mentir e agora defender um outro PM que també mente, Dir-me-á que mente menos vezes, mas para mim basta uma única vez. É como o casamento, basta um “caso” para deixarmos de confiar na outra pessoa. Como é que o Pedro ainda há dois meses perguntava se podíamos votar em alguém que mentia e prejudicava a imagem do país e aceita um cargo num governo exactamente igual ao anterior, que tanto criticou e com toda a razão?
      Double standards há muitos e o Pedro sempre os criticou. Até cair na sua própria dualidade de critérios, claro está.
      Abraço e bom fds.

      1. Poupe as suas energias, Ricardo. ‘Double standard’ é exigir a um governo que tem 50 dias o que não se exigiu sequer em 50 meses de existência do governo anterior. Como cantava o Sérgio Godinho, “só quer a vida cheia quem teve a vida parada”.
        Nunca critiquei o Governo Sócrates nos primeiros 50 dias. Seria um absurdo fazê-lo. Aqui entre nós, aliás, não me lembro de um só comentador que o tenha feito – daí considerar a sua reacção despropositada.
        Ao fim de seis anos, o equivalente a 74 meses, o anterior primeiro-ministro foi julgado pelos eleitores portugueses a 5 de Junho – o veredicto das urnas demonstrou que tinham razão aqueles que, como eu, o vinham criticando desde 2008. Este governo será julgado quando houver as próximas eleições.
        Até lá, se estivermos de boa fé, convém circunscrever os factos às devidas proporções. Se o consumo privado caiu em Julho, a responsabilidade é do governo que tomou posse a 21 de Junho ou do governo que esteve em funções nos seis anos anteriores? As coisas são o que são.
        Abraço e bom fim de semana.

        1. Pedro, passo a dar alguns exemplos do que falei. O actual governo prometeu não subir impostos. Subiu. E não precisou de 74 meses. Prometeu cortar na despesa e garantiu que sabia como e em que “gorduras” cortar. Afinal não cortou e não sabe onde cortar, tendo já o Min. das Finanças confessado (a Judite de Sousa) ter já o anterior governo cortado onde se podia cortar. Passos Coelho garantiu que não ia de férias pois não havia tempo para tal. Foi. Parece que havia tempo. Sócrates, quando fez destas, foi chamado por todos os lados de mentiroso. Lembra-se Pedro? Ora, pergunto: mente o que é um mentiroso? Quem falta à verdade, certo?
          Como escrevi, não precisamos de tempo para avaliar o carácter das pessoas. As acções e os gestos falam por si, mais do que palavras, mesmo que sejam mil. Eu exigo apenas aquilo que o governo prometeu ainda na oposição. E para a larga maioria das coisas não precisa de 74 meses mas apenas de dias ou poucas semanas. Desde logo na seriedade e honestidade com que fala aos portugueses, algo que ainda não foi feito com o novo governo, ao bom estilo do anterior. Os impostos, que afectam apenas os pobres ou a classe média, deixa de fora alguns amigos. Até Marcelo Rebelo de Sousa mostrou-se surpreendido por alguns ficarem de fora deste sacrifício. Será que o Pedro acha que o Prof. Marcelo ignora a realidade ou mente? Ou estará apenas a ser injusto.
          Outro exemplo, Pedro. Aqueles que deram cabo do BPN foram premiados com tachos com o novo governo, seja na CGD seja na gestão do SNS. Como é que o Pedro, em consciência e honestamente, consegue defender tais escolhas? Ou teremos, também aqui, esperar mais alguns meses para avaliar as escolhas do governo. Ou a interferência na RTP, outro exemplo bem recente. Por onde andam os que rasgavam as vestes gritando “claustrofobia democrática”? A banhos? Prometeram Passos Coelho e Relvas emagrecer o Estado e acabar com os boys. Pois o governo (somando Ministros e secretários de estado) cresceu e já para não falar nos “especialistas” e nos habituais assessores. 50 dias bastaram para tudo isto, Pedro. Imaginemos em 74 meses.
          Já falei com várias pessoas que votaram Passos Coelho e quase todas estão arrependidas. O Pedro tem razão, nas urnas é que se avaliam os governos. Esperemos pelas próximas eleições (ou mesmo sondagens, que tardam em serem feitas, diga-se) e depois conversamos. Pode ser que o Pedro, aí, perceba que não são precisos 74 meses para causar uma boa primeira impressão e que 50 dias bastam para perceber certas coisas, como por exemplo quem falta à verdade.
          Abraço.

          PS: o consumo caíu em Julho, logo após o anúncio no corte no subsídio de Natal. Se o Pedro quer continuar a achar que é mera coincidência…

          1. Ricardo:
            Factos são factos. Portugal, em Junho de 2011, estava pior – há quem prefira dizer muito pior – do que em Março de 2005, quando José Sócrates assumiu o poder. Ainda hoje o Nobel da Economia Paul Krugman afirmou que Portugal está à beira da insolvência, sem dinheiro para honrar os compromissos. (www.agenciafinanceira.iol.pt/financas/bancarrota-insolvencia-krugman-nobel-crise-agencia-financeira/1274095-1729.html)
            Será consequência de quem governou nos últimos seis anos ou de quem governou no último mês e meio?
            Repito: é absurdo exigir ao actual Governo, em 50 dias, o que não se exigiu ao anterior nem sequer em 50 meses. Repito também: não houve um só comentador político que tivesse criticado Sócrates ao fim de apenas 50 dias em funções. Muito menos com epítetos como ‘mentiroso’, mais próprios de conversa de café do que de uma discussão séria.
            Reitero os votos de bom fim de semana.
            Abraço.

  3. Teresa: concordo inteiramente que se cobram impostos para além dos limites do razoável. Mas, considerando que importamos grande parte do que consumimos e que o nosso nível de endividamento em relação ao exterior é estupidamente elevado, uma ligeira queda no consumo não seria necessariamente má. O problema é não ser assim tão ligeira, o que torna impossível compensá-la através das exportações e do turismo, por exemplo.

    1. Sinto-me obrigado a ter esperança de que será encontrada a solução. Mas, realmente, pelas provas já dadas por esta equipa, não estou a ver que haja sensatez, visão, vontade e coragem de colocar em risco as próximas eleições. Se agem com ousadia e têm bom resultado ou se falham e ninguém os aprova.

      Há que, como diz Warren Burffet, ir buscar dinheiro aos e não querer explorar mais os pobres. Para fazer funcionar a economia, aumentam o IVA da electricidade e do gás 3,83 vezes, mas na Espanha reduzem o IVA na compra de casas. Parece que os métodos são diferentes. Qual o mais eficaz?

      1. A.João Soares, nos tempos que correm apela-se tanto à criatividade das pessoas, que era bom que os políticos também aderissem ao espírito. É preciso mais que nunca inventiva e coragem para governar.

      1. Teresa, francamente não sei. Precisava de perceber muito mais de macroeconomia para saber quais são as melhores soluções para sairmos desta tremenda crise, se é que isso vai ser possível nos anos mais próximos. Sei que chegámos a um ponto de endividamento tal que nenhum cenário será simpático para os contribuintes, e sei que alguém tinha de tomar as medidas anti-populares que o anterior governo andou anos e anos a adiar, fingindo que estava tudo bem na lusolândia. E sei também que a situação internacional nos empurra ainda mais para baixo, o que não ajuda nada à recuperação. Enfim, atribuir culpas a eito não leva a nada, e todos sabíamos que os sacrifícios vinham aí… o problema é que tudo isso nos parece suportável até sentirmos na pele as consequências (e acredita que eu sou tão atingida por elas como a maioria dos portugueses). Resumindo, ajudei a eleger este governo e sinto que tenho de dar-lhe tempo e margem de manobra para provar-me que fiz bem em confiar nesta equipa. Havia alternativas melhores, no quadro actual? Não creio. Se este governo me desiludir gravemente, cá estarei para criticá-lo como aconteceu com o governo anterior, a quem também dei o benefício da dúvida nos primeiros tempos. O que não faço é atirar a matar logo às primeiras falhas, porque sei que haverá necessariamente falhas no quadro dificílimo em que estamos mergulhados. Não sou assim tão ingénua, e não queria estar no lugar de nenhum deles. Por mim, tenciono continuar a dar o meu melhor no que me for possível contribuir para a reconstrução do meu país. Sem excessivo optimismo mas sem um pessimismo que me paralise. E vou estar atenta ao que se passa para ir fazendo os meus juízos de valor, embora com a noção de que não há milagres nem é possível agradar a todos nem mesmo em tempos de vacas gordas. E as que temos ainda, estão esquelécticas…

        1. Não se trata de atirar a matar, Ana. Limitei-me a comentar uma evidência. Também não sou especialista em macroeconomia, mas porque toda esta situação me angustia nunca procurei tanta informação sobre estas questões como agora e a verdade é que há especialistas que nos dizem que este saque não vai resolver nada e apenas terá como efeito o aniquilamento da classe média, o aumento do fosso entre pobres e ricos e a recessão.
          Espero, como tu, que este governo saiba estar à altura das responsabilidades que lhe atribuímos e claro que lhe dou o benefício da dúvida. Tal não me impedirá, porém, de me manifestar sempre que algo me inquietar. Foi o caso.

          1. Bem sei, Teresa, eu também ouço e leio essas notícias. E também me inquietam, e também tenho sérias dúvidas de que consigamos sair desta crise com uma estrutura social minimamente sólida para recomeçar. Mas quero confiar, pelo menos por enquanto, num governo que nem dois meses tem… não por estar à espera de que faça milagres (sei que não vai fazê-los) mas porque a instabilidade e a desconfiança só vão piorar ainda mais a nossa situação. Manifestas-te e fazes muito bem, é para isso mesmo que serve a liberdade de expressão. Também eu não abdico da minha. Mas se não confiar em ninguém não consigo sequer ser útil e produtiva. É uma questão de sobrevivência, se quiseres.

          2. E o meu “atirar a matar” não era para ti, mas para muitos que vejo por aí desejosos de um falhanço rotundo deste governo, como se não fossem sofrer também com isso.

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