A pergunta que ainda falta fazer


Pedro Correia,

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A propósito dos distúrbios que têm ocorrido nos últimos dois dias em quatro concelhos – Lisboa, Setúbal, Loures e Odivelas – assisto a inúmeras peças jornalísticas que procuram associar a pobreza à delinquência, o que é uma injúria lançada a todos os pobres. Lamentavelmente, em muitas destas peças sobra em propaganda política rasca o que falta em jornalismo. No tal “bairro da Jamaica” pertencente ao município do Seixal, de onde virão alguns destes alegados desordeiros, vivem 600 pessoas em condições miseráveis, ocupando prédios que se encontram inacabados há quase meio século.

Não será esta a ocasião de questionar a Câmara Municipal do Seixal – que desde 1976 tem sido gerida ininterruptamente pela CDU – por que motivo não realoja estas pessoas, atribuindo-lhes habitação condigna? É uma pergunta simples. Mas que, no entanto, continua por fazer. 

0 comentários em “A pergunta que ainda falta fazer”

  1. Tal como não se deve associar a pobreza à delinquência, também não se deve associar a falta de habitação condigna à delinquência.

    Se o que está atualmente em causa é a delinquência ou a violência policial, então não é propriamente altura para estar a desviar a discussão para a falta de habitação condigna, porque essa falta não é desculpa nem para a delinquência nem para a violência policial.

    1. “Desviar a discussão”? Isto não é desviar discussão nenhuma.
      A pergunta que deve ser feita é precisamente esta. Nas últimas 48 horas, o País ficou a saber que centenas de pessoas vivem no concelho do Seixal, a 30 km de Lisboa, em condições infra-humanas neste século XXI. E que já vivem assim há décadas, sem que a Câmara local – que foi sempre da CDU – tenha solucionado o problema.
      Não estou a imputar actos ilícitos aos moradores dessa zona – aliás situada bem perto da Quinta da Atalaia, um latifúndio do Partido Comunista. Estou a dizer que manter populações a “viver” ali, naquelas deploráveis condições, é – isso sim – um acto criminoso.

  2. Eu acrescentaria, eventualmente, mais 150 perguntas! A começar pela questão da natureza jurídica daquele “bairro”!! (espero que se não importe aquele passatempo nacional em França, incendiar automóveis. Fiquemo-nos pelos caixotes do lixo)
    Há depois outras questões que se prendem com a imigração, assunto escaldante da actualidade, vantagens e desvantagens, em que a mera questão, por quem a colocar, fora do paradigma, progressista e esmaga nações, do direito subjectivo universal à migração, vence, no mínimo, amargo opróbrio!!

    A indigência desembraiada do jornalismo não pára de me surpreender! Hoje, no editorial do Público, Manuel Carvalho numa óde à cobardia e sucumbência! Começa por enunciar, à laia de mestre escola, a ortodoxia da prudência e do bom juízo que nos insta a uma análise crítica, ressalvando, com as dúvidas que as imagens parciais lhe suscitam, ser mister apurar a natureza do sucedido. De seguida, impaciente, e sem mais, balda-se e conclui, porque sim “Só há uma forma de travar esses maniqueísmos e de proteger a necessária integridade da PSP: condenar sem reservas actos como o destes dias e exigir que tudo se esclareça.”
    Sim, queimar antes de ler, é um bom principio, Carvalho!!

    1. Eu insisto na pergunta, dirigida aos autarcas da CDU: porque é que a Câmara do Seixal permite, tolera, autoriza e avaliza que centenas de pessoas neste concelho que sempre votou nesta força política vivam em condições infra-humanas?
      Parece-me uma pergunta elementar. Lamentavelmente, ainda não a vi ser feita por ninguém. Será tabu fazer uma pergunta destas a responsáveis autárquicos comunistas?

      1. A simpatia condescendente que é oferecida à “vera” esquerda, que coincide com a questão do caro Pedro Correia, tem no JM Tavares um dos melhores exemplos. Este JM Tavares, à semelhança de outros “liberais-progressistas” portugueses, pretende, sobretudo, ser lido e considerado pela mesma esquerda progressista. Ou seja, pretende receber alvíssaras das autoridades intelectuais do reino e poder figurar entre os cromos “referenciais” do parlapatório nacional (a Grande Ordem do Papagaio).
        Para tal está disposto a conceder, pela linguagem, o triunfo ideológico a qualquer esquerda. Sucumbe antes sequer de lhe darem a palavra. Não se trata de um caso de tibieza por vocação. Trata-se de um mero parlapatão.
        Hoje, no Público, mais um exercício de magnânima soberba. Aventa como virtuoso o nascimento de nações em Portugal, animadas pelo ressentimento e a aversão crescente, recíproca. “Quem sabe não tenhamos assistido ali ao nascimento simbólico da comunidade luso- africana com que sonha Mamadou Ba. Esta é a parte boa.”.

        Adianta, o escriba JM Tavares, como muito positiva a agregação política de cidadão unidos pela razão exclusiva da sua identidade étnica e com o propósito de melhorarem as condições de vida da sua etnia. “…uma comunidade luso-africana, disposta a lutar pelos seus direitos e a melhorar as suas condições de vida.”..”simpatizo com a causa.”…” A notícia está na consciencialização daqueles jovens enquanto grupo organizado de pressão, dentro daquilo que são os modos tradicionais de intervenção na vida nacional. Extirpado de uma violência desnecessária, esse activismo faz falta a Portugal.”

        A parte má, diz o escriba Tavares, é o substrato marxista e o emprego da palavra “racismo” numa perspectiva crítica marxista (a raça como classe, que grande novidade!! Este Tavares ainda vai vencer cátedra). Com pena confessa que no melhor pano cai a nódoa!!

        No mesmo pasquim, hoje, continuam as cassandrinhas vedoras de um fascismo à esquina que urge combater. As cassandrinhas estão na linha da frente desse combate. Francisco Assis e Batista estiveram de turno. O ritmo e a intensidade dramática de sempre. As professias cumprir-se-ão, nem que seja à força da vergasta!!

        Só peço a Deus que me salve das distopias desta gente! É gente que não aprende nada nem esquece nada. São autenticas tragédias que se anunciam. Reproduzem, com zelo e empenho, alucinadamente, o que dizem querer combater. Se necessário for, criam Dragões para que os queimem com o fogo da goela!!

  3. suponho que o bairro da Jamaica perdeu interesse. É verdade que não se consegue olhar para todo o lado, mas a quem interessam, verdadeiramente, os mais pobres?!

    1. Os pobres só interessam, no discurso corrente, como trampolim para a demagogia de turno. De um lado e de outro.
      O que esta história desvenda é a existência de um bairro (chamemos-lhe assim) no concelho do Seixal onde há mais de 40 anos centenas de pessoas vivem em condições infra-humanas sem que a câmara CDU tenha resolvido o problema nem seja agora interpelada pelos jornalistas sobre esta questão.

      1. Deixam a lenha seca e pronta e admiram-se do fogo . Mas o pior é que haja vida humana que nasce e cresce em tais condições. Igualdade é coisa que nunca existiu excepto nos papéis ou como ideal. E cada vez há menos vontades individuais a lutar por ela.

        1. Mais ainda, neste caso, porque entre os lugares-comuns habitualmente entoados pela CDU nas suas sessões de propaganda inclui-se o “direito à habitação”, proclamado a todo o momento.
          Pena que se esqueçam de apregoar tão belo princípio no concelho do Seixal, que gerem há quase meio século.

  4. Acutilante texto. Contudo é verdade que a pobreza e o desemprego estão associados estatisticamente a um aumento da violência. Isso e as assimetrias sociais. Países onde existe maior desigualdade existe mais violência e corrupção. Era interessante alguns candidatos a Bolsonaros aprenderem alguma coisinha…não basta oferecer armas. Seriam melhor os livros

      1. https://www.journals.uchicago.edu/doi/abs/10.1086/320275?mobileUi=0&journalCode=jle

        Abstract In this paper, we analyze the relationship between unemployment and crime. Using U.S. state data, we estimate the effect of unemployment on the rates of seven felony offenses. We control extensively for state‐level demographic and economic factors and estimate specifications that include state‐specific time trends, state effects, and year effects. In addition, we use prime defense contracts and a state‐specific measure of exposure to oil shocks as instruments for unemployment rates. We find significantly positive effects of unemployment on property crime rates that are stable across model specifications. Our estimates suggest that a substantial portion of the decline in property crime rates during the 1990s is attributable to the decline in the unemployment rate

        http://www.crest.fr/ckfinder/userfiles/files/Pageperso/kramarz/fkp_March_2008_final.pdf

        https://www.nuffield.ox.ac.uk/users/papps/unemployment.pdf

        I investigate the impact of unemployment on crime using a country-level panel data set from Europe that contains consistently measured crime statistics. Unemployment has a positive influence on property crimes.

        https://www.sciencedirect.com/science/article/abs/pii/S0144818811000652

        https://www.youtube.com/watch?time_continue=6&v=EtVfoIkVSu8

        For example when unemployment goes up, stress goes up and so do rates of spousal abuse and associated aggression. Displacement aggression.

        The poorer you are the more likely you are to be violent.

    1. Há nuances, meu caro! São elementos que influem, certamente, mas que não têm uma relação directa e necessária! Muito menos os tipos penais que integrem no tipo elementos de violência efectiva.
      Há exemplos desconcertastes de um lado e do outro (onde o aumento da riqueza ou igualdade correspondem a aumentos da taxa de criminalidade – Fenómenos já estudados desde o século XIX, na sociologia e criminologia. De Durkheim a Merton. A escola marxista é a única que estabelece uma relação intrínseca directa entre a delinquência como fenómeno formal de ruptura normativa e as relações materiais de apropriação de riqueza do mundo liberal capitalista. No mundo marxista o crime seria uma reminiscência capitalista, incluindo os chamados crimes passionais, de luxúria e de honra. Ocorre que, na realidade, no mundo marxista, onde, de facto os níveis de distribuição de riqueza eram os mais aproximados da igualdade material, o fenómeno criminoso persistiu. Coisa que muito intrigou os teóricos)
      Os exemplos limite apontáveis são os relativos a Estados falhados ou em vias de soçobrar, onde esses índices são irrelevantes!

        1. Não sei, caro Vorph, não percebo nada de neurociencias!! Correlações, para mim, são entre os alcalinos e os ácidos, na cozinha. Fora disso o esforço metafísico parece-me inútil!!
          Um bem haja,

  5. Hoje ao ler a lista dos “ladrões” da Caixa Geral de Depósitos… deu-me vontade de incendiar aqueles cabrões!

    Pensei na minha pensão de velhice de 280 E !

    Amendes

  6. Portanto, o Pedro Correia quer debater por que é que uma Câmara da CDU ainda não deu casa de borla aos pobrezinhos que vivem no seu concelho.
    É sem dúvida uma discussão que vale a pena fazer, mas penso que ela não deve ser misturada com a discussão de saber se esses pobrezinhos têm ou não têm o direito de incendiar carros e caixotes do lixo, e de saber se a polícia tem ou não tem o direito de dar porrada nesses pobrezinhos.
    Uma coisa são os desacatos que houve nas passadas 3 noites e a atuação que a polícia teve em relação a eles. Outra questão muito diferente é se as Câmaras da CDU têm ou não têm o dever (e a capacidade) de dar casa aos mal-alojados dos seus concelhos.

    1. Paleio típico de burguês abastado, residente no confortável perímetro alfacinha. Um “progressista” com imenso horror aos subúrbios da Margem Sul, onde há gente a dormir em prédios esventrados nos municípios de maioria CDU, que gostam de proclamar o “direito à habitação” quando desaguam nos comícios em Lisboa.

      1. Alguém que não está de acordo da maneira como o nosso dinheiro é gasto é logo “enchido” de nomes bastante jeitosos e jocosos. Porque se tem de dar casa a quem construiu de forma ilegal? Porque se tem de dar casa a quem não se quer integrar na sociedade? Porque se tem de dar algo a alguém que trafica droga, rouba, agride, incendeia e provoca constantemente as autoridades e não respeita nada nem ninguém? Bem, se calhar, nem todos os moradores desses bairros serão assim, ou praticam actos desta natureza… Mas não será necessário escrutinar quem terá direito a ajuda social? Ou é só dar casas e afins e nem haver “estudo” de cada caso»?

      2. Concordo com Luís Lavoura, qual o dever de uma Câmara Municipal de alojar pessoas que vieram de fora e resolveram ocupar um prédio que se encontrava abandonado? A única obrigação da Câmara era a de já ter demolido esses edifícios há muitos anos e não a de arranjar casas a preço da chuva para pessoas que nem sequer trabalham, vivendo apenas de subsídios do Estado, subsídios esses que existem à custa dos impostos de quem trabalha e que nunca vandalizou bens alheios! E Pedro Correia, não ataque quem discorda do seu fanatismo acéfalo pois nem todos são ceguinhos!

  7. Boa malha Pedro, é mesmo isso, a miserável tentativa de colar a pobreza com a delinquência, é efectivamente uma injúria lançada a todos os pobres, ainda por cima quando a realidade nos mostra o contrário. A deliquência consta, por exemplo naquela lista de devedores à CGD e como se pode ver é tudo gente fina. A deliquência a estar associada a alguma coisa será de certeza àqueles finórios que geriram aquela empresa todos estes anos com as consequências que todos sabemos e que ainda têm a lata de ir à televisão defender que os mafiosos devedores não deveriam ser conhecidos, como o fez Faria de Oliveira, como se eu ou o Pedro tivéssemos cometido um outro qualquer crime para termos que pagar os desmandos desta gente. O Vara está dentro e está só, precisa de companhia, para quando Oliveira e Costa, ou Duarte Lima? Para quando a acusação a Faria de Oliveira, Carlos Santos Ferreira, João Salgueiro ou António Sousa?

  8. Nunca o PCP mexeria um dedo para criar condições de dignidade a esses cidadâos, não estão organizados em comités de bairro e com palas nos olhos,

    A.Vieira

    1. Só peço a Deus que me salve do dia em que o PCP mexa um dedo para criar condições de dignidade em Portugal!! É deixá-los brincar às piscinas, à cultura, às associações e quejandos. Se andarem entretidos e a entreter já não vai muito mal, suporta-se!!

  9. Quer-me parecer que a falta de habitação condigna não se verifica apenas em autarquias da CDU.
    Está a dizer que, como não defendem na teoria uma habitação condigna para todos, os autarcas de autarquias dos outros partidos podem ter bairros de lata que não faz mal?

    Claro que os maiores problemas de habitação se notam nas periferias das grandes cidades onde normalmente os comunistas têm mais influência. Dizer que essas carências se devem ao facto das autarquias serem comunistas é confundir a beira da estrada com a Estrada da Beira.

    É toda uma nova análise política que se faz:

    Nas zonas operárias, há mais gente a votar CDU
    As zonas operárias são zonas pobres
    Conclusão votar CDU torna as pessoas pobres

    Na Quinta da Marinha as pessoas votam sobretudo CDS.
    Na Quinta da Matinha vivem pessoas ricas
    Conclusão: Votar no CDS torna as pessoas ricas

  10. Sei que o Pedro é jornalista, mas de facto não faltam por aí jornalistas sem fazer as perguntas certas, a darem notícias pouco fundamentadas e a serem tendenciosos na forma de noticiar… tudo isto sob o chapéu da ética profissional e da isenção (que faz parte da primeira mas que se gosta de destacar)
    Infelizmente isso viabiliza depois a guerra noticiosa sem controlo nas redes sociais… sim há anos que em Portugal as instituições de esquerda deveriam ser tratada com a mesma agressividade com que se tratam as outras…
    Isto em Seixal, aquilo em Loures só foi possível durar anos porque quando se levantam questões como o Pedro colocou a esses autarcas e governantes por oposições os assuntos caem em saco roto na comunicação social, aliás há por vezes mais escrutínio às oposições de direita que aos poderes de esquerda que vendem a ideia de serem as autoridades morais e de justiça social.
    Carlos Faria

  11. A pergunta que realmente ainda falta fazer: porque é que, ano após ano, insistem em votar naqueles mesmos que, ano após ano, os votam ao desprezo?

  12. Mas porque razão deve a Câmara do Seixal dar casa aquela gente???
    estão a ocupar terrenos privados e meteram-se ali onde estão de livre vontade.
    Os outros povos imigrantes chegam, instalam-se, trabalham, organizam a vida e não pedem nada a ninguém, porque razão os africanos e ciganos em qualquer parte do Mundo arranjam sempre problemas???????
    CHEGA, BASTA de tolerância com marginais e criminosos que não fazem nada a não ser destruir.

  13. Notícia:
    “Gare do Oriente. Um dos agentes colhidos por comboio em perseguição policial já teve alta.”
    Comentário:
    O comboio em perseguição policial colheu um dos agentes, mas este já teve alta.
    Conclusão: este jornalismo é do melhor.

  14. A pergunta faz todo o sentido, mas é reduzir a questão aqueles que têm “estômago” para morar em “barracas verticais” (e realço o facto da maioria pertencer a minorias e que uma parte (não sei dizer se significativa) nem terem cidadania portuguesa).
    Há muita gente que “hipoteca” metade do salário (ou mais) para não morar numa barraca. E trabalham e planeiam a vida, em vez de esperarem pela previdência do estado. Provavelmente seria mais fácil despedirem-se, ocuparem uma construção embargada, fazerem uns quantos filhos e estender a mão. Mas lá está, é uma questão de valores (educação?).
    E esses? Não merecem ser ajudados? Na minha opinião até mais do que aqueles que nada (ou pouco) fazem ou contribuem para a sociedade.
    Porque não defende esses cidadãos também?

    1. Há quem queira transformar Portugal numa enorme jamaica.
      Há os arejados que aplaudem, os tíbios que assobiam pró lado e os atrevidos que, até, nos asseguram que faz muito bem ao PIB. Dez, vinte, trinta jamaicas mais!
      Um bem haja,

  15. Estamos a viver a generalização do conhecimento da colossal impostura comunista que beneficiou, ao longo do século XX, de uma espécie de imunidade em relação ao desmentido empírico que exactamente o grosso da televisão, dos jornais e da rádio lhe garantiam.

    Basta pensar no tempo que foi possível (em Portugal, por exemplo) negar a existência do Gulag, dos campos de concentração “soviéticos”.

    Aposto que ainda há, no PCP e talvez noutros lugares, quem o faça. O mundo é assim, sempre foi assim.

    A.Vieira

    1. Para o PCP, pelo menos no Seixal, o “direito à habitação” é só trinta-e-um-de-boca.
      Logo no Seixal, onde existe um dos maiores latifúndios do País. Chamado Quinta da Atalaia. Proprietário: o Partido Comunista.
      Parte desse latifúndio podia ser transformado em terreno para habitação social. Mas não: aquilo permanece fechado a sete chaves quase todo o ano. Só abre ao povo durante três dias, em Setembro.

  16. Mas porque é que para certa gente os municípios teêm que oferecer casa para habitarem e para outras pessoas não?
    Porque é que no interior há pessoas que trabalharam a vida inteira para este país e vivem em espeluncas, e certas pessoas vindas de não sei de onde, teêm direito a uma habitação?

    1. Entre os lugares-comuns habitualmente entoados pela CDU nas suas sessões de propaganda inclui-se o “direito à habitação”, proclamado a todo o momento.
      Pena que se esqueçam de apregoar tão belo princípio no concelho do Seixal, que gerem há quase meio século.

  17. Excelente post.
    Vivo a 300 metros deste bairro. Fui durante vários mandatos autarca no Seixal. Este bairro é um esqueleto no armário da CDU. Podiam ter resolvido o problema com o primeiro PER (anos 90?), primaram pela inércia. Em tempos quiseram realojar estas pessoas numa zona de quase-ninguém o que motivou protestos dos poucos moradores das vivendas assustados com a construção de um bairro social, depois disso o silêncio…
    Em muitos orçamentos da CMS a quantia para habitação social era absolutamente irrisória.
    As oposições no Seixal foram impotentes, porque minoritárias, para resolver o problema. O PCP/CDU deixou apodrecer o bairro no meio de muita retórica e promessas não cumpridas. Porquê?
    Na Jamaica vivem pessoas pobres e trabalhadoras na sua maioria. Pessoas revoltadas porque aquele bairro, com a sua extrema falta de condições, é um péssimo cartão de visita para os bancos, para os empregos, para os colegas…mais do que a cor da pele é o bairro e a pobreza a ele associada que é factor de discriminação.

    1. Excelente contributo para o debate.
      Agradeço-lhe o contributo que aqui nos traz.
      Só lamento que não tenha assinado, pois gostaria de destacar este seu depoimento claro e sucinto como “comentário da semana” aqui no DELITO.
      De qualquer modo, estou-lhe grato.

        1. Aqui não apareceu devido a qualquer problema técnico, mas a sua identificação chegou-me por outra via, Catarina Tavares.
          Agradeço-lhe e destacarei o seu comentário.

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