A ortografia faz parte da estética


Pedro Correia,

Mais duas vozes se somam a tantas outras na rejeição liminar do impropriamente chamado “acordo ortográfico” que quer pôr os portugueses a escrever várias palavras do nosso idioma de modo diferente do que escrevem brasileiros (em palavras como ‘recepção’ e ‘percepção’), angolanos e moçambicanos. Refiro-me a dois conselheiros de Estado: António Bagão Félix e Manuel Alegre. No programa Avenida da Liberdade, transmitido sábado na RTP Informação, Bagão Félix salientou justamente: «O património de uma língua não se faz da unicidade, faz-se da diversidade.» E Alegre – um dos três deputados que votaram contra o “acordo” quando foi aprovado na Assembleia da República – pronunciou-se sobre o tema com a autoridade que lhe advém de ser um dos nossos escritores mais prestigiados e premiados: «A ortografia faz parte da estética, do sentido histórico e da identidade da língua. [O acordo] desfigura e descaracteriza a língua portuguesa. Com moderação e bom senso, devia ser repensado. Neste momento a língua parece uma caricatura.»

Alegre desfez qualquer dúvida: ele continua e continuará «a escrever da mesma maneira.» Milhões de portugueses farão como ele.

8 comentários em “A ortografia faz parte da estética”

  1. Permitam que me junte a vocês nesta caminhada – “A favor de tudo o que é bom e contra tudo o que é mau.” (Saul Bellow).

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