Mais duas vozes se somam a tantas outras na rejeição liminar do impropriamente chamado “acordo ortográfico” que quer pôr os portugueses a escrever várias palavras do nosso idioma de modo diferente do que escrevem brasileiros (em palavras como ‘recepção’ e ‘percepção’), angolanos e moçambicanos. Refiro-me a dois conselheiros de Estado: António Bagão Félix e Manuel Alegre. No programa Avenida da Liberdade, transmitido sábado na RTP Informação, Bagão Félix salientou justamente: «O património de uma língua não se faz da unicidade, faz-se da diversidade.» E Alegre – um dos três deputados que votaram contra o “acordo” quando foi aprovado na Assembleia da República – pronunciou-se sobre o tema com a autoridade que lhe advém de ser um dos nossos escritores mais prestigiados e premiados: «A ortografia faz parte da estética, do sentido histórico e da identidade da língua. [O acordo] desfigura e descaracteriza a língua portuguesa. Com moderação e bom senso, devia ser repensado. Neste momento a língua parece uma caricatura.»
Alegre desfez qualquer dúvida: ele continua e continuará «a escrever da mesma maneira.» Milhões de portugueses farão como ele.

Bem registado, para ficarmos mais ricos em companhia.
Exactamente, compadre.
Hoje somos muitos, amanhã seremos dez milhões.
Estes conselheiros de Estado acabam de dar um excelente conselho ao País: é urgente revogar este AO.
Já viu isto Pedro?
http://aeiou.expresso.pt/governo-vai-alt erar-acordo-ortografico=f708008
Vivam as consoantes mudas e abaixo o disparate.
Ninguém há-de calar a voz das consoantes mudas.
Permitam que me junte a vocês nesta caminhada – “A favor de tudo o que é bom e contra tudo o que é mau.” (Saul Bellow).
Subscrevo, naturalmente.