A narrativa de António Costa


escafandro,

A narrativa da crise de António Costa parte de um pressuposto simples: as políticas seguidas em Portugal foram instigadas pela União Europeia e, portanto, esta tem a obrigação de fazer tudo o que estiver ao seu alcance para nos ajudar. É uma narrativa que, condizendo com a tendência nacional para a desculpabilização (não por acaso tanta gente parece gostar de Costa):

1. Está errada: não foi a União Europeia que escolheu, delineou e implementou os projectos de investimento (as auto-estradas, os estádios, o Magalhães, as obras da Parque Escolar) nem que multiplicou observatórios, institutos e fundações, nem que autorizou prejuízos cada vez mais elevados nas empresas públicas, nem que fechou os olhos aos excessos do poder local e regional, nem que subiu prestações sociais e salários do sector público acima da taxa de crescimento económico.

2. Transforma Portugal num país de inimputáveis (parece que, com ou sem Troika, não temos vontade própria) e os governos Sócrates em fantoches de Bruxelas (nem a mim tal coisa me passaria pela cabeça).

3. Implica admitir que, fossem os estímulos bons ou maus, as políticas seguidas pelos últimos governos estavam erradas.

É mesmo isto que quer dizer, Dr. Costa?

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