Na minha próxima vida quero viver de trás para a frente. Começar morto, para despachar logo esse assunto. Depois, acordar num lar de idosos e ir-me sentindo melhor a cada dia que passa. Ser expulso porque estou demasiado saudável, ir receber a aposentadoria e começar a trabalhar, recebendo logo um relógio de ouro no primeiro dia.
Trabalhar por 40 anos, cada vez mais desenvolto e saudável, até ser jovem o suficiente para entrar na faculdade, embebedar-me diariamente e ser bastante promíscuo.
E depois estar pronto para o secundário e para o básico antes de virar criança e só brincar sem responsabilidades. Aí torno-me num bebé inocente, até nascer. Por fim passo nove meses flutuando num "spa" de luxo, com aquecimento central, serviço de quarto à disposição e espaço maior dia-a-dia. Por fim – "voilà!" – desapareço num orgasmo – não, infelizmente não é da minha autoria. Quem assina este texto, se não me enganaram, é Woody Allen. Pareceu-me uma ideia genial. Com umas assinaturas ainda vira petição e às tantas, quem sabe, as nossas vozes podem mesmo chegar ao céu…

Estás a dar uma excelente ideia para o próximo cabaz de promessas eleitorais de Sócrates…
Tinha de vir a piadinha do Sócrates! Essa testosterona política está a ferver! Eh! Eh!
Abraço, Pedro!
Dizes bem. E ainda agora o ano começou…
Abraço
Este ano vai ser bonito. Então na parte política da blogosfera vamos parecer milho a saltar na máquina das pipocas…
Ora nem mais! 🙂
Teresa, esse texto é mesmo de Woody Allen, simplesmente genial como quase tudo o que escreve. Pessoalmente prefiro o texto em inglês, a tradução faz com que perca o toque especial que a língua mãe lhe dá.
Também sou fã dele, André. Este texto chegou-me por email, sem indicação da fonte, mas pareceu-me ter sérias possibilidades de ser mesmo da sua autoria. Acho-o uma delícia 🙂
Eu quase jurava que, já li este texto em português de Portugal e que não era de Woody Allen. Mas não consigo recordar-me de quem.
Seja de quem for, o André continuará a arriscar-se «parecer milho a saltar na máquina das pipocas»! Hehehe…
Pelo que tenho visto tu já és! Eh! Eh! Dá-me mais dois meses e voltamos a este post…
Combinado!
Genial. Tem tudo para ser de Woody Allen.
Se a próxima vida for por estes anos mais que correm, a ideia de receber a reforma e depois ir trabalhar pareceu-me tentadora e adequada. Com os baixos salários e o desemprego que se prolongam, imaginem só o jeitaço que dará. Ainda por cima, descontando cada vez menos para o Estado. Ou será recebendo cada vez mais do Estado???
Teresa, esse texto do Woody é mesmo “à Woody”…
Mas acho que aí não reflectiu bem nos inconvenientes da infância… Seria melhor ficar ali pela idade poética e impressionável…
Cumprimentos.
A idade poética e impressionável também é a idade das angústias existenciais, Ana. Para expurgar tudo isso, o melhor mesmo é voltar aos cueiros 🙂
O texto é curioso mas não sei se a ideia me agradaria, Teresa.
Tem razão. Estive a pensar melhor e não sei se me agradaria desaparecer num orgasmo. É que, bem vistas as coisas, quem é que me garante que não desapareceria num anti-orgasmo? Ainda por cima, nem consigo imaginar o que isto seria…
Pareceu-me doloroso esse final…
Hehehe…
Para começo de conversa despachamo-nos do que mais nos angustia, que é a morte. Depois vamos recuperando o vigor à medida que o tempo passa. Humm, a mim não me parece nada mal…
O texto poderá ser do Woody Allen, mas a ideia não é dele. Há um conto do F. Scott Fitzgerald que assenta numa dessas existências do avesso e que, no ano passado, inspirou um guião para o cinema: “The curious case of Benjamin Button”.
POS: Agora que fala nisso, lembro-me de ver o trailler desse filme, mas curiosamente não me motivou para ver o resto. Quanto ao conto de Scott Fitzgerald, apesar de ser um dos autores da minha vida, não conheço. De qualquer forma tal não retira mérito a W. A., que conseguiu extrair desta inversão da cronologia todo o seu potencial cómico.
Descobri entretanto numa busca rápida que há diversos sites que atribuem este texto a Woody Allen. Como é obvio isto não quer dizer que seja mesmo.
De qualquer forma quando à noite chegar a casa tratarei de confirmar a informação para por fim às dúvidas.
Assim não sei se confirmará alguma coisa, André. Aceite a minha sugestão: comece por jantar cansado e saia de casa à tardinha, sinta-se espevitar ao longo da tarde interminável, almoce rapidamente, deixe a manhã correr, veja como está fresco a ler o jornal e entre em casa para o pequeno-almoço…
O texto é genial, Teresa. Já o conhecia (passou pela Porta do vento há algum tempo) e eu diria que é mesmo do Woody Allen, porque tem o ferrete dele. Mas não posso jurar, claro. Publiquei-o como sendo dele porque foi nessa qualidade que me chegou ás mãos…
Coincidência! Também me parece o estilo dele. E adorei a ideia. Pergunto-me é se essa história de desaparecermos num orgasmo não acabaria por ter repercussões negativas. Às tantas ficava tudo angustiado a pensar se estaria a fazer desaparecer alguém… no acto :))
No acto?!? Fazer desaparecer alguém? Uma espécie de GVI? Gravidez da voluntária interrupção?…
Eh!eh!eh! Essa ideia estraga o orgasmo de qualquer um!
É uma variante do ‘sexo seguro’, Teresa: orgasmo estragado é mal espantado! Hehehe…
(“às” mãos, claro.)
E concordo: o terror de estar a fazer desaparecer alguém iria assombrar todos os orgasmos… livra! :-))
em Portugal arriscávamo-nos a desaparecer num orgasmo fingido… é melhor não.
Lindo texto, mas na verdade o Woody Allen plagiou o “poema” de Charles Chaplin, então o mérito não é dele. Veja abaixo:
A coisa mais injusta sobre a vida é a maneira como ela termina. Eu acho que o verdadeiro ciclo da vida está todo de trás pra frente. Nós deveríamos morrer primeiro, nos livrar logo disso.
Daí viver num asilo, até ser chutado pra fora de lá por estar muito novo. Ganhar um relógio de ouro e ir trabalhar. Então você trabalha 40 anos até ficar novo o bastante pra poder aproveitar sua aposentadoria. Aí você curte tudo, bebe bastante álcool, faz festas e se prepara para a faculdade.
Você vai para colégio, tem várias namoradas, vira criança, não tem nenhuma responsabilidade, se torna um bebezinho de colo, volta pro útero da mãe, passa seus últimos nove meses de vida flutuando. E termina tudo com um ótimo orgasmo! Não seria perfeito?
Charles Chaplin