Vítor Gaspar recebeu há algum tempo uma belíssima oferta para algum lugar de administrador no BCE. Comunicou isso aos chefes (a troika, para não haver dúvidas) e eles disseram-lhe que tinha que se manter até agora. Se o PM e o PR o sabiam ou não é indiferente, é tão má uma situação como a outra.
Depois da sua saída, Portas viu a possibilidade de ganhar peso no Governo. Passos Coelho, que tem favores a pagar (gostava de saber a nota na cadeira de Albuquerque), escolheu outra pessoa. Portas viu aqui a possibilidade de fazer cair o governo sem ficar mal na fotografia (o CDS/PP não abandonou o governo, note-se) e saltou fora para começar o processo de desvinculação e de limpeza de imagem.
Passos Coelho, cujas únicas qualidades políticas são a paciência e a vontade de ir à luta, foi aconselhado a não morder o isco. Primeiro recebeu a garantia de Cavaco que de Belém não haveria chatices (é época de ameixa e cereja, o Sr. Silva está ocupado), depois recusou-se a aceitar a demissão e fez uma queixinha ao país. o mais notável, para mim, da comunicação foi o ênfase dado a «Presidente do CDS/PP», como que a nomear o partido responsável pela crise. Agora, aquilo que Passos Coelho está a fazer, provavelmente com a ideia dada por Cavaco Silva, é esperar que os partidos da esquerda lancem uma moção de censura, o CDS/PP vote a favor (ou dê liberdade de voto), o governo caia, e os eleitores penalizem os responsáveis pela brutal subida das taxas de juro e agravamento da crise para eleger o PSD com maioria absoluta.
Como o Luís e o Rui já explicaram perfeitamente, estamos entregues a políticos que não querem saber dos seus cidadãos. Cada acção é vista como a nova jogada política para aumentar a sua influência. Isto vale para o governo e para a oposição. Este Presidente da República é pouco mais que um espantalho e o PM sabe que nunca mais terá outro cargo político. Numa política de terra queimada deste tipo (ou de “après moi, le déluge“) a coisa não vai acabar nada bem.

Ah, decerto que PPC está à espera de ainda ser reeleito com maioria esmagadora. Também estou certo disso.
Já o vimos a acreditar em coisas mais tresloucadas. O espírito de 1987 se calhar foi-lhe passado por Cavaco.
concordo tanto consigo que até dói.
Doer é que não. Se for demasiado avise que eu emendo o post para aliviar um pouco. Ou recomendo um analgésico. Heroína é capaz de ser a melhor opção, pelo menos faz-nos esquecer isto tudo.
ao que chegámos 🙂 heroína?!? é possível descer mais baixo?
quanto ao seu post, a ver vamos se não tem de lhe acrescentar mais uns poucos de nomes.
abraço.
também penso que “há coisa”, João.
os “estrangeirados” sempre foram a nossa perdição, por viverem num outro país…
Julgo que não compreendi o comentário…
…”os eleitores penalizem os responsáveis pela brutal subida das taxas de juro e agravamento da crise para eleger o PSD com maioria absoluta….!!!!
o delírio já desceu à cidade há muito tempo. há dois anos que está em S. bento.