Vamos a isso? Vamos lá que estou de molho e irritada. Eu gosto de ler. Desde sempre. De ficção científica a ensaio, de romances a literatura dita experimental. Gosto de poesia. E não tenho nada contra quem quer que publique. Cada um escreve o que pode, cada um lê o que pode, cada um tem os preconceitos elitistas que quer. Eu não tenho, estou-me nas tintas para o desdém com que neste pobrezinho país se maldiz de A ou B. Diz-se mal de A porque tem mais visibilidade mediática, de B por ter um par de mamas, de C por excesso de uso dos advérbios de modo, de E por ter a mania de puxar pelos galões, de F por ter um guarda roupa de marca, de G por ter sido traduzido(a), de H por ter a mania que a literatura é uma arte maior e dizer frases muito profundas, de I por ter sido entrevistado(a) por J, de J por ter entrevistado I, de L por ter sido convidado(a) para um evento no estrangeiro, de M por ter um livro que vende (Cristo!), de N por ter um livro mesmo bom mas que não devia ser assim porque, afinal, N nem tem uma licenciatura em filosofia, de O, que também não tem uma licenciatura, mas tem uma pós graduação, por ser eficaz e promover-se com efeitos imediatos, de P por ser como é e dizer o que lhe apetece, de Q por parecer uma coisa que não é, de R por ser amigo(a) de Q e de outros mencionados anteriormente que têm a mania que fazem uma elite qualquer, de R que conheceu S e depois T e viu os seus livros numa prateleira com destaque, de U que foi à televisão convidado(a) por V que, claro, também tem um romance, de preferência histórico ou muito vanguardista, de X porque, enfim, já olharam bem para as suas crónicas?, de Z por estar em último e os últimos serem os primeiros e os primeiros são uma chatice. Há paciência? Há valores humanistas nisto? Não. Há presunção, mesquinhez, maldicência, uma quantidade de gente a pontificar sobre as letras todas, à frente ou nas costas. Respeito? Zero. O mais importante da vida são as pessoas, ensinaram-me em pequena, mesmo que tenham defeitos, os defeitos das suas qualidades. Os artistas, os criativos, os escritores, músicos, etc, não podem agradar a todos mas têm a ousadia e coragem de se exporem, logo haja um pouco de respeito, sim? Obrigada.
Um texto exemplar. Que os elitistas maldizentes leiam este post duas ou três vezes e meditem que a sua cagança é merda…
Não lerão. Estão todos ocupados a pulir a dita.
A dita cagança ou aquilo que fazem todos os dias?…
Cagança é um termo 100% coimbrão 😉 Gosto muito. Mordaz qb com os convencidos da sua superioridade.
Eu gosto muito de Coimbra, Laura. Saboreei bem a praxe…
Pois, Patrícia. Preso por ter cão (que é como quem diz… fama), preso por não ter. Este país é um quintal de egos mal semeados, é só isso.
egos mexidos, Ana, egos mexidos e eu prefiro ovos e estou tão cansada de ouvir dizer mal, de ler críticas atrás de críticas, de ver e ouvir pessoas a fazerem e dizerem coisas que são contraditórias. Enfim, eu avisei, de molho e irritada:) beijos querida
As melhoras do molho, miúda. Quanto aos egos não te preocupes muito, a maior parte está bem mais doente do que tu. Bjs
Hehehe… boa, Ana.
Não gosto nada que se diga coisas como esta: “Este país é um quintal de egos mal semeados”. e os outros países não o são também? Lidei profissionalmente, ao longo duma vida, com holandeses, ingleses e franceses, classe média ou média alta. Não vim encontrar em Portugal tanta maledicência e inveja como encontrei naqueles povos.
Eu também não gosto nada de dizê-las, Rómulo, mas infelizmente é o que se passa aqui. Se os países que refere são iguais ou parecidos nesse aspecto, não sei. A realidade portuguesa é a que melhor conheço e é assim mesmo. Talvez porque somos um país muito pequeno e todos conhecem todos. Ou gostariam de conhecer.
Porque dizer mal fica bem. Ou parece que sim. É isso tudo, Patricia, nem mais!
Excelente imagem : egos mexidos. Caem sempre mal.
Em Espanha seriam “revueltos”, o que ainda se aplica melhor! 🙂
Adorei, adorei, adorei, adorei, adorei!
Irmanei-me consigo, naturalmente. Gostei de ler e fiquei em paz.
Obrigado
Protesto! 🙂 O preconceito é uma decisão económica muito sensata. Devemos ambicionar sempre ter o mais possível de pré conceitos para podermos usarmos o cérebro para as coisas mais incertas.
É importante é que sejam correctos com grande probabilidade de se tornarem verdade.
Por exemplo se cairmos aleijarmos-nos. Nem sempre acontece aleijarmos-nos ao cairmos mas é um preconceito aconselhável de ter.
belo post
Este texto é uma lufada de ar fresco, no meio deste pântano!
Excepcional, Leonor. Bjinho e obrigado.
Simplesmente…..Patricia.
Explêndido post.
Todos sabem tudo.
O pastor tem tanta sapiência, na sua ingenuidade, como o melhor advogado na sua malandrice.
Adorei, concordo inteiramente. Escrevi uma coisa com alguma, alguma semelhança no meu AEfetivamente. Vou linkar: http://aefectivamente.blogspot.com/2011/1 1/open-mind.html
Para dizer que a cultura tem de ser mais humanista e não só um monte de conhecimentos de quem olha de cima.