Na sua mensagem de Natal o Primeiro-Ministro pôs o dedo na ferida, quando referiu que o problema principal da sociedade portuguesa é a falta de confiança. Efectivamente, como ele referiu, “a confiança é um activo público, é um capital invisível, é um bem comum, determinante para o desenvolvimento social, para a coesão e para a equidade” e “são os laços de confiança que formam a rede que nos segura a todos numa mesma sociedade”. É por esse motivo que “um dos objectivos prioritários do programa de reforma estrutural do Governo consiste precisamente na recuperação e no fortalecimento da confiança”. Não posso concordar mais com essas palavras. O problema é que a confiança não se obtém com palavras, ganha-se ou perde-se através de actos concretos. Ora, um Estado que nos últimos tempos fez aplicar impostos retroactivos, cortou salários e pensões, e diz aos cidadãos que o seu futuro está na emigração é um Estado em que por definição ninguém confia.
A mensagem de Natal do Primeiro-Ministro
Luís Menezes Leitão,

Nem mais!!!
Não falo por mais alguém. Eu não confio!
Na mouche…
Subscrevo inteiramente, Luís.
Efectivamente, a confiança conquista-se, não se apregoa.
Apesar de todas as medidas drásticas, aceitáveis ou totalmente inaceitáveis e tremendamente injustas, depois de tamanho roubo descarado/permitido, ouvir alguém que não esconde a verdade atrás de um sorriso cínico de que tudo está bem, é por si só, motivo de confiança.
Porque a verdade muitas vezes dói, eu confio!
Até agora, só doeu, mas ainda não faltou à verdade, ainda não escondeu e vêem-se resultados. Maus para nós, mas com crédito internacional. Precisávamos disso.
Posso discutir os meios, mas não a confiança.
Enquanto não forem condenados os responsáveis por este estado de coisas, só conseguimos perceber (e mal) como estávamos a afundar-nos mais rápidos que o Titanic.
Hoje, dia 2012/12/26, enviei um email ao senhor Primeiro-ministro, dizendo-lhe porque não concordava, absolutamente me nada com a sua mensagem na “confiança dos cidadãos nas instituições”.
Eis alguns parágrafos:
Como pode o senhor pedir aos portugueses que confiem em algo que funciona muito mal ou pura e simplesmente não funciona?
As instituições do Estado são organizações que vivem para se alimentarem a si mesmas, estando-se borrifando para os cidadãos, como o senhor bem sabe. Mas, o mais grave é que o povo, os cidadãos, também o sabem e é aí que reside o maior problema e ainda bem que assim o é. De facto, mais tarde ou mais cedo, o povo irá reclamar nas ruas para que os políticos corruptos sejam de facto condenados, e quiçá, exigir uma terceira república para Portugal.
É impressionante como as mentiras voltaram a estar na hora do dia. De facto, depois do senhor Ministro da Presidência ter vindo dizer que este ano não haveria tolerâncias de ponto, não é que o Parlamento dá logo o mau exemplo?
Mas, por necessidade, apercebi-me de que o país nesta matéria foi completamente incoerente, havendo Câmaras Municipais e Juntas de Freguesia a darem tolerância de ponto aos funcionários e outras a fazerem precisamente o contrário. É por isso que quando o senhor Presidente da República vem chorar lágrimas de crocodilo, exigindo partilha nos sacrifícios, eu me questionei de imediato, se Sua Excelência não estaria de facto a ficar com algum problema de memória, porque os privados, empregados e patrões, há muito que andam a pagar com impostos, coimas, taxas e multas exageradas as extravagâncias dos sucessivos governos de Portugal.
(…)
A confiança nas instituições começará quando o senhor presidente da Comissão Europeia utilizar a língua portuguesa nas suas intervenções oficiais e não oficiais;
A confiança nas instituições só pode existir quando não se tiver vergonha de utilizar a língua portuguesa, tal como faz o Senhor Sarcozi;
A confiança nas Instituições não se faz com coimas absurdas sobre os contribuintes, completamente desajustadas das suas possibilidades financeiras;
A confiança nas Instituições não se conquista quando se exige aos Técnicos Oficiais de Contas que paguem pelos erros do Estado, nomeadamente no que se refere às “Páginas Electrónicas”, que raramente funcionam bem. Ou quando se exige a um pequeno empresário informação ao nível fiscal, quando aquele não tem capacidade para pagar o enorme trabalho e tempo gastos para a sua obtenção para entrega em bandeja de prata nas mãos daqueles que não a sabem depois usar;
A confiança nas Instituições conquista-se quando aquelas informam devidamente os seus cidadãos, de preferência por escrito e não usando a falta de informação como forma de arrecadar receitas, conforme é práxis na Segurança Social;
A confiança nas Instituições faz-se a bem, ou a mal, dependendo se aquelas que são delinquentes compulsivas não optarem por se reformular, reconhecendo os seus próprios erros e não imputando ao povo aquilo que não é da responsabilidade daquele. Far-se-á a mal substituindo o Sistema, criando uma nova Constituição, porque esta há muito que é letra morta;
A confiança no senhor Presidente da República far-se-á quando aquele não vier para a praça pública apelando à repartição justa na repartição dos sacrifícios, quando o rendimento médio dos trabalhadores do sector privado é – ou devia de ser -, não apenas aquele que auferem quando tem trabalho mas também o que não auferem quando estão desempregados ou sem qualquer actividade. O sector privado há muito que vem pagando a crise, mas o senhor Presidente da República, talvez fruto da idade, esqueceu-se disso na sua infeliz e desastrosa intervenção sobre a matéria em apreço.
Em suma, a confiança conquista-se através da prática zelosa das acções, não se pede.
Fazendo votos para que a confiança se conquiste com as acções e não com as palavras,
Desejo ao seu governo mais atenção aos pormenores que afectam este povo à beira do desastre, porque quando o povo decidir dizer basta pode muito bem ser pior que na Grécia!
Com os melhores cumprimentos,
Vítor Monteiro