Na noite em que eu nasci os vizinhos que levaram a minha mãe para o hospital resolveram virar à direita na marginal e não à esquerda. Foi assim que eu fui nascer a Oeiras e não a Lisboa. Durante muitos anos eu era um caso raro entre os meus amigos e conhecidos, cuja naturalidade era, invariavelmente, São Sebastião da Pedreira. Esta era, de longe, a freguesia que mais constava no bilhete de identidade daqueles cujos pais residiam em Lisboa e arredores. Depois passou a poder apresentar-se como naturalidade a localidade de residência da mãe. E aí tudo começou a mudar. Felizmente para todos nós outros hospitais começaram a ter as necessárias condições à realização de partos seguros. Mas a Maternidade Alfredo da Costa nunca deixou de ser uma referência, sobretudo para as situações mais complexas. E, para tal, contribuíram, sobretudo, os profissionais, as equipas, constituídas por elementos de várias áreas, cuja experiência é, de há muito, elogiada.
Recentemente, terão sido feitos investimentos significativos que melhoraram os serviços prestados.
Dizem os responsáveis que o encerramento desta maternidade é apenas um dos cenários possíveis. Pois. Mas isto de discutir cenários já sabemos que é um exercício que, por vezes, dá um resultado errado. Sobretudo porque nunca são previstas todas as consequências. Esperemos que não seja o caso. Não pelos que nasceram na Alfredo da Costa. Mas pelos que, possivelmente, deixarão de beneficiar do saber acumulado dentro daquele edifício, projectado por Ventura Terra, e que não chegou a ser visto pelo médico que lhe emprestou o nome e que tanto por ele se bateu.
