A mão que embala os incendiários


Teresa Ribeiro,

Quando morrem bombeiros a ladainha sazonal dos políticos choca-me mais, porque sei – com o saber da experiência feito – que é inconsequente. Há dias Marques Mendes admitiu na televisão que os discursos circunstanciais da época são “hipócritas” porque, assim que o Verão termina, as medidas anunciadas de prevenção e combate aos fogos ficam imediatamente esquecidas até ao Verão seguinte. E reconheceu que esta atitude se tem perpetuado de governo em governo, ou seja, que as culpas estão democraticamente distribuídas por todos os que ocuparam cargos de decisão nas últimas décadas. Os políticos que não estão no activo são assim, desassombrados. A frontalidade é uma forma de exercerem também o seu direito à hipocrisisa.

As medidas que ficam na gaveta de ano para ano são bem conhecidas de todos, já que na época dos fogos são sempre lembradas, nos mais diversos fóruns. É impossível evitar de todo os incêndios florestais, mas os nossos piores anos começaram a somar-se no passado recente, não por acaso. Sei que pouco depois do 25 de Abril a rede de guardas florestais que residia nas florestas foi desmantelada e o combate aos fogos saiu da alçada da então Direcção Geral dos Serviços Florestais e Aquícolas, onde se concentravam os especialistas, quase todos engenheiros silvicultores de formação. A partir daí foi o caos. Os bombeiros, na época sem treino específico de combate a incêndios florestais, passaram a liderar as operações nas frentes dos fogos com resultados desastrosos.

Se ao nível da formação dos bombeiros muito se evoluiu com o tempo, o resto, tudo em que assentava o antigo sistema de prevenção de fogos permaneceu afastado dos programas governamentais, com destaque para a rede de postos de vigia, com comunicação entre si, a que acediam os guardas florestais (que foi desactivada) e práticas como a abertura e manutenção de picadas e valas para facilitar respectivamente os acessos da floresta em caso de fogo e a sua delimitação.

Também a preservação das espécies autóctones deixou de ser um desígnio. O eucalipto ainda há-de ser promovido a símbolo nacional. Para quem trabalha na indústria da pasta de papel, já o é, com certeza.

A inércia tem diversos factores, também já profusamente enumerados, mas é na falta de vontade política que se consubstancia. É por isso que quando vejo políticos a chorar lágrimas de crocodilo na televisão me repugna. Se há quem possa sentir confiança nas suas palavras são certamente os próprios incendiários.

42 comentários em “A mão que embala os incendiários”

  1. Um excelente post que subscrevo da primeira à última palavra .

    Obrigado por relembrar com tanta clareza estes factos , tanto os “por acção” como os “por omissão” , mas todos eles factos .

  2. Concordo com tudo o que disse. Mas penso que só se acaba com a indústria do fogo quando a prevenção voltar para a Guarda Florestal como era antes e o combate aos fogos passar para as Forças Armadas, acabando assim com muita negociata.

    1. Inteiramente de acordo. Duvido é que isso aconteça algum dia, pelo menos com esta estirpe de políticos que temos.

    2. Acredito que nada substitui com vantagem a vigilância permanente que antigamente era assegurada pelos guardas florestais. Além de ser um poderoso meio dissuasor, assegura uma resposta rápida quando os incêndios deflagram.
      E sim, as Forças Armadas poderiam disponibilizar meios aéreos e com isso poupar recursos inviabilizando negócios especulativos.

  3. Aqueles jovens e menos jovens que andaram por estes dias nas Universidades de Verão, não me parecem ser bombeiros voluntários.
    Foram para essas universidades aprenderem a ser deputados para daqui a uns anos se reformem cedo….

  4. Permita-me apoiar o seu post. Recordo que, este ano, o Parque Natural da Arrábida teve a vigilância dos Fuzileiros da Marinha e que o concelho de Mortágua teve vigilância 24h por dia promovida pela CM. Nada aconteceu nestes locais! O que preciso mais para se avançar com novas políticas?

  5. Como diria o outro,eles falam falam e não dizem nada,e não fazem nada e quando cairem as primeiras chuvas de outono,ja todos terão esquecido que meio país ficou tristemente manchado
    de negro.

  6. Passei por muitos pontos do país em que se vêem abandonadas e degradadas casas da Guarda-Florestal.Antigamente tanto quanto me lembro os guardas orientavam grupos de trabalho na floresta.Os fogos de há dezenas de anos para cá são um negócio multiplo!
    Temos de voltar à Guarda da Floresta, complementada por patrulhas de observação das F. Armadas, Exército, Fuzileiros e F. Aérea. No combate aéreo só F. Aérea e eventual ajuda internacional.
    Fazer uma lei pesada para os incendiários apanhados, pô-los a capinar, atados por correntes e controlados por guardas prisionais de caçadeira em punho. Ou então fuzilá-los provisoriamente …

      1. “Ou então fuzilá-los provisoriamente ” – É apenas uma expressão de indignação pois no caso dos incendiários podíamos estar a cometer um erro judiciário … falsas acusações por exemplo, além de que genericamente sou contra a pena de morte.

  7. Se são os “nossos” que estão no governo, saem as análises abrangentes e históricas. A culpa é de todos. Se, por outro lado, são os “outros”, então é zurzir até não mais parar, que o governo – o que está no poder – é incompetente, incapaz e criminoso. A culpa é só de uns. O facto do actual governo ter aprovado um decreto-lei, de 19 de junho deste ano, permitindo ainda maior plantação de eucaliptos, uma das causas dos incêndios, isso é, para a autora, irrelevante.

    Bem-haja. A sua equidistância e equilíbrio são como as medidas políticas de combate aos incêndios. Muita parra e pouca uva.

  8. Tanta “gente” na prisão a dar despesa, que tal po-los a limpar as matas, e os militares com meios mecânicos e técnicos será que não podiam ajudar.

  9. A realidade é que a limpeza das florestas que antes era feita de forma rentável com a pastagem de gado e utilização de lenha como combustível, deixou de se fazer.
    O lucro que se obtém com a madeira de uma floresta que demora dezenas de anos a se formar,nunca pagará o custo da sua limpeza no mesmo período de tempo.
    É utópico acreditar que é possível diminuir consideravelmente os incêndios contratando um exército de milhares de vigilantes necessários para vigiar os milhões de hectares de florestas do país,ou de polícias para vigiar todos os potenciais pirómanos.Qual seria o preço?

      1. Países pobres como Portugal Espanha e Grécia,mas também ricos como EUA e Austrália deixam arder.
        Apenas existem três formas sustentáveis de minimizar o problema:
        -A plantação de espécies como o sobreiro,resistentes ao fogo.
        -Onde os terrenos permitem a utilização de máquinas,a plantação ordenada.
        -A criação de grandes rebanhos de cabras comunitários,ou mesmo internacionais-Portugal e Espanha

        1. Lamento não estar de acordo! Tais medidas são de base e proporcionam uma boa prevenção em casos naturais: não em caso de fogo posto como, infelizmente, são os nossos casos. Com fogo posto até um jardim florido arde sem apelo nem agravo. Assim, o patrulhamento e a vigilância são absolutamente cruciais em caso de criminosos à solta. Veja-se o caso da Serra do Caramulo em que os criminosos até publicam fotos no facebook (um deles) e outro já passou a fronteira para o Luxemburgo (como notícia nos media).

          1. O quê!?
            É capaz de me explicar como é que se provoca um incêndio numa floresta desprovida de biomassa ao nível do solo,com excepção dos troncos das árvores?

          2. Meu caro António Pestana, pelas suas interjeições de admiração, parece que estamos a falar de dois mundos diferentes! Não pretendo dominar nenhum conhecimento em particular, mas conheço parques naturais neste País e no estrangeiro e não me parece que o terreno tenha de, ou melhor, deva ser “uma carpete aspirada” (como parece querer fazer crer), até por que as chuvas precisam de alguma “oposição” para facilitar a infiltração. Quanto às grandes explorações florestais (das grandes celuloses, note-se…) estão bem tratadas sob todos os pontos de vista. O maior problema será o dos proprietários individuais que deixam crescer simplesmente as árvores até ao seu corte. Aí como já referi deve haver uma acção pedagógica local, num contexto de patrulhamento e vigilância, com responsabilidades das Autarquias e colaboração dos militares. E que fique bem claro: nas nossas condições climáticas não há fogo por combustão espontânea, apenas por mão criminosa, seja em negligentes queimadas, seja por doença, seja pelo que for!… O que, também, deve ser altamente criminalizado. no contexto integrado de prevenção referido. E sobre isso o meu caro António Pestana nem uma palavra disse…

          3. Ao contrário do que julga Sr Pereira, não é o mato que facilita a infiltração da água no solo,mas as raízes das árvores.
            Além da mão criminosa existem muitas outras origens de incêndios como as trovoadas ou a negligência.Foi notícia que um dos últimos incêndios foi causado por uma faúlha do escape de uma máquina utilizada para limpar o mato.
            Também não me parece nada sensato a utilização de dinheiros publicos para fazer um trabalho que as cabras podem muito bem fazer de forma gratuita,ao mesmo tempo que produzem carne e queijo!
            Se a criminalização combatesse a criminalidade,os EUA onde as penas são das mais altas,não seriam um dos países desenvolvidos com maior índice de criminalidade.
            A riqueza de qualquer país depende muito do número de habitantes produtivos,que produzem para consumo e exportação.Um exército de funcionários a perseguir pirómanos e a vigiar e limpar florestas só empobrece um país.

          4. Caro António Pestana, é meritório termos as nossas convicções. Já não o é se contra a argumentação dos outros participantes se reincide em ideias feitas já rebatidas, sem mais nada acrescentar. Assim, sugiro-lhe que leia alguma coisa sobre biodiversidade e a necessidade de cobertos vegetais ricos em plantas endémicas, sobretudo nos Parques classificados como naturais. Sugiro-lhe que confirme que, após um incêndio, como deixou de haver coberto vegetal existe um grande perigo de enxurradas em encosta declivosas, com as primeiras chuvas. Já percebi que gosta de cabras e dos produtos derivados: tem uma óptima oportunidade de iniciar uma actividade e contribuir, entre outros, para a prevenção dos incêndios. Quanto ao exército de funcionários a perseguir pirómanos, ignorou que sempre se falou em mobilizar os militares e aplicar métodos e estratégias a eles inerentes, o que aliás está a ser feito no Parque Natural da Arrábida. Quanto às penas para pirómanos foi defendida como parte integrante de uma política integrada que tendencialmente, nomeadamente se houver patrulhamento e vigilância, elimina esses mesmos pirómanos por que são apanhados, por que o fogo é apagado á nascença! Mas não se esqueça dos crimes contra pessoas de que resultaram cinco mortos! Políticas integradas, caro António Pestana. E, já agora, dando por terminado este diálogo interessante, mas que esgotou o tema, tenha cuidado com as cabras que eventualmente disponha, pois, se só houver cabras a pastar, poderá ver-se obrigado a comer carne assada mais do que esperaria!…

          5. Os parques naturais não podem ser comparados às florestas privadas!Como se trata de pequenas áreas,podem receber um tratamento privilegiado com dinheiro público,que seria insustentável pelos privados. As dezenas de milhões que se diz que o país perde todos os anos em produtos florestais,referem-se apenas a áreas privadas.É aí que ocorrem a maioria dos incêndios e onde é preciso utilizar cabras ou plantar de forma a permitir a utilização de máquinas na limpeza.
            Não se pode pensar em privilegiar a biodiversidade numa exploração florestal como não se protegem os escaravelhos numa plantação de batatas !

    1. E qual é o preço dos milhares de hectares ardidos todos os anos? Qual o valor económico perdido nos incêndios? Para a próxima pense até ao fim.

    2. Gostava de saber qual o valor que atribuiu às cinco vidas perdidas ingloriamente, só no mês de Agosto! Se a realidade muda mudam-se as abordagens. Veja só os dois incendiários do caramulo: de mota, a espalhar o terror, por que foram interceptados e reprendidos antes pela GNR!?! Permita-me só sugerir que se informe do que aconteceu este ano no Parque Natural da Arrábida e no Concelho de Mortágua.

      1. É precisamente porque as vidas dos bombeiros não tem preço e porque são exíguos os meios financeiros,que o problema exige soluções de raíz,exequíveis e sustentáveis,como as que propus.

        1. Os meios de combate custam muitos milhões de euros. Meios de prevenção como o patrulhamento e vigilância por fuzileiros da Marinha, no Parque Natural da Arrábida, e vigilância 24 horas por dia, como no caso do Concelho de Mortágua, implementada pela Câmara Municipal, têm um valor residual. A mobilização e responsabilização a determinados níveis das Autarquias, a mobilização para patrulhamento e vigilância, com a utilização de estratégias militares, por estes, a exemplo dos casos agora vindos a público e veiculados pelos media, constituiriam meios de prevenção a custos reduzidos, pelos vistos comprovadamente bem eficazes. Num contexto como este, com resultados à vista, os proprietários seriam muito mais facilmente mobilizados para o ordenamento florestal apoiado pela respectiva Direcção-Geral e os seus técnicos no terreno –e não apenas nos gabinetes e através do Diário da República!…

  10. O negócio do fogo movimenta demasiados milhões para que o governo se preocupe com a prevenção.
    Já foi dito por várias entidades que é mais barato prevenir do que combater os incêndios.
    Então porque não se investe na prevenção? Deve dar pouca “mama” aos nossos incompetentes políticos.

    1. A grande questão é que a prevenção é anual e as catastrofes acontecem só de x em x anos, e assim sendo, do ponto de vista financeiro (governo) é mais barato usar o modelo actual. Enquanto não pararem de pensar exclusivamente nos euros nada será de outra forma.

  11. Se em vez de os srs juizes mandarem os incendiarios para casa com pulseira electronica, os metesse 20 anos lá dentro isto parava num instante…
    Para mim tanto é culpado quem faz como quem consente!

  12. quanto aos fogos florestais e a atividade dos nossos bombeiros é sempre muito crítica e delorosa, porque a maior dos bombeiros não estão preparados para os incêndios florestais, que merecem grande responssablidade, e essa responssablidade compete aos sr.(s) Comandantes ou comandos que se sabem dirigir os fogos florestais, estes são muitos a mandar , que por vezes nem sabem o que andam a fazer. Pois passou-se á pouco tempo na minha terra, lugar de aldeia nova- freguesia de Santiago de Cassurrães conselho de Mangualde, pois este fogo começou cerca das 1,30 horas da manhã e ao amanhecer já tinha ardido grandes extenções de mata e ainda ardeu uma casa e uma capela da Nossa Senhora das Necessidades podia SER PIOR , MAS TAMBEM PODIAM EVITAR MAIS, porque eram cerca de 300 homens e meios aéreos que sobre a manhã vieram , aonde erdeu muitos hachtares de floresta>evitável, neste fogo eram 5 viaturas de comando mas não sae entendiam cada um mandava para seu lado, vieram Carros de Bombeiros da zona do Alentejo e Lisboa e de outras localidades, muito dinheiro se gasta porque agora os bombeiros também é um negócio e emprego, porisso o nosso governo tem que tomar medidas de precaução para evitar gastos ilevados, quando se trata dum incendio florestal, á que prevenir as maiores dificuldades dois acessos ao terreno, porisso á aque que se chama o contra fogo que na maior parte dos incêndios resolve muito os perigos que venham acontecer.
    Com os maiores cumprimentos;

    António Fernandes Pina Saraiva

  13. “Pintura a fogo”

    Fica de negro manchado
    Com vermelho à mistura
    Todo o país queimado
    Enquanto o verão dura

    Mas o outono chegado
    Logo tudo é esquecido
    Com o discurso pintado
    Nem parece ter ardido

    A culpa morre solteira
    Para no verão surgir
    Com a cara lavada

    Fogo volta a consumir
    Essa esperança renovada
    Em algo que não há-de vir.

  14. Hoje fui do Porto a Guimarães para um piquenique de família. Fui vendo, à distância, incêndios aqui e ali. Estava atrasada (para variar). Já toda a gente teria almoçado (pensava).

    Ao chegar ao recinto (uma espécie de monte a que se acedia por uma estrada estreita) vejo fumo e parte da família à beira da estrada. Homens de ramos na mão a combater chamas que tentavam galgar a pequena estrada. Mulheres e crianças a temer pela vida dos homens, meio escondidos pelo fumo.

    Pus-me a cortar o trânsito para evitar que alguém fosse atropelado.
    “Já chamaram os bombeiros?” – perguntei.
    “Já! Mas não sabem quando podem vir, coitados”
    “Mas o que é que eles disseram?” – insisti.
    “Primeiro perguntaram por que é que fui eu que os chamei e não o guarda florestal; depois que tinham vários incêndios e não sabiam quando poderiam vir.”

    O vento tanto estava quieto como, de repente, se manifestava furiosamente em rodopio. O fogo tanto ia para aqui como para ali. E os homens, envoltos em fumo, lá continuaram a “bater-lhe” com ramos até à chegada dos bombeiros, cerca de uma hora depois.

    Dominado o incêndio, dei uma volta pela área em redor do monte dos piqueniques. Eucalipto, eucalipto, eucalipto, eucalipto, eucalipto… olha um pinheiro!!!!!! Ervas altas e secas, lixo de mata – muito, muito, muito, muito. Teria bastado a beata do cigarro que não atirei para o chão para criar ali um inferno. Ou talvez uma fagulha dos churrascos do piquenique levada pelo vento…

    A área dos piqueniques era limpa e cuidada. Mas não consigo deixar de pensar que aquela espécie de minitornados que se foram verificando ao longo da tarde, e que levantavam as toalhas das mesas atirando quase tudo ao chão poderiam eventualmente surpreender os mais cuidadosos e prevenidos.

    E de quem seria toda aquela área suja e abandonada em redor do recinto? E por que não teria já alguém tomado a iniciativa de limpar aquilo este verão? Já estamos em Setembro e não haverá, com certeza, ninguém neste país que não conheça os fatídicos acontecimentos do verão presente…

    Há essa mão de que a Teresa fala, sim (concordo absolutamente consigo). Mas o resto do corpo também dança… e esse é de todos (nós). Porque até há uns grupos de voluntários que limpam as praias antes, ou no início, da época balnear, muitas vezes patrocinados por esta ou aquela empresa local. E as televisões mostram todos os anos como somos uns cidadãos do caraças, hein!

    1. Ana, gostei da sua prosa, simples e bem escrita. Sem desgostá-la, permita-me recordar-lhe que fogueiras em piqueniques (por causa das fagulhas…) não são permitidas. Tal interdição tem a ver exactamente com a prevenção que é necessária fazer a diferentes níveis. Por muito cuidado que haja, há sempre a tal fagulha.

  15. Cara Teresa, permita-me uma última nota que o seu muito pertinente post motiva. Tive e dei conhecimento do patrulhamento e vigilância por parte dos fuzileiros da Marinha do Parque Natural da Arrábida. Sendo, pelo que sei, caso único com militares assumi que seria uma experiência e, como os óptimos resultados estão à vista, nem questionei o que fosse. Ora acontece que ontem, dia 2 de Setembro de 2013, dei comigo a ouvir na Antena 2 um programa de divulgação e apoio à “Candidatura da Arrábida a Património Mundial”!… Isto é, e perdoe-me a secura, parece que é preciso haver um evento para estrangeiro ver, para se meter os pés ao caminho e fazer aquilo que se deve fazer! Fico com a esperança que a experiência seja mesmo uma experiência que possa ser replicada nos outros Parques naturais (veja que a Serra da Estrela, com vegetação rasteira endémica, ardeu outra vez este ano) e noutros pontos do País que se revelem particularmente atreitos à proliferação de mãos criminosas! Bem haja.

  16. Cara Teresa,
    Só agora me foi dada a conhecer a sua pertinente mensagem. Depreendo, do que escreveu, que partilha do mesmo estado de indignação que me levou recentemente a criar a página

    https://www.facebook.com/portugal.sem.incendios.florestais

    e do que lá tento documentar e fundamentar para fazer emergir um Movimento Cívico que possa contribuir para por fim a um dos fenómenos mais aberrantes e social e culturalmente menos abonatórios para todos, em Portugal, que é o recorrente flagelo dos incêndios florestais.
    Concordo plenamente com as palavras da Teresa que há um estigma de «inconsequência» que é necessário inverter, que há valores/desígnios maiores que importa reafirmar como o da «preservação das espécies autóctones», e que persiste este absurdo consentido de que quem afinal tem «confiança nas suas próprias palavras são certamente os próprios incendiários», e que importa desmontar e desmantelar.
    A Teresa e outros defensores desses bem vital para todos nós, fonte de Vida e Qualidade de Vida que é a Floresta, estaria disposta a ajudar a protagonizar a criação e dinamização de um tal Movimento Cívico (ou outra estrutura organizada mas com um sentido de causa e uma missão em defesa de uma Floresta sem incêndios florestais ?).
    Se nada acontecer da sociedade civil, desligada de interesses económicos ou corporativos, mesmo os da televisão que fazem um claro e indecoroso tratamento jornalístico do flagelo dos incêndios para preencher a “silly season”, receio bem que assistamos indignados mas impotentes à progressiva destruição da nossa Floresta. Como refiro no site que indiquei acima, pelo mesmo andar dos últimos anos, num horizonte temporal entre 20 e 30 anos, só sobrarão cinzas.

    Bem haja!

    Cumprimentos,
    Aníbal Ferreira

  17. As pouca florestas que restam,desde á uns tempos andam frequentadas por muita gente , mas pessoas esta que nada têm a ver com o sector, vão dar uns passeios,não passam de corpos estranhos ao meio, só com a guarda florestal, de proximidade ao meio rural e dotada de equipes próprias pode minorar o falagelo dos incêndios, podendo pontualmente ser apoiados por outras entidades,a política de cambate existente á décadas está á vista , um total fracasso,ardem serras completas, mas continua tudo na mesma, existem outros interesses que não a floresta,e a riqueza que produz, a que existe não tem qualquer intervenção, vai ardendo até ao desaparecimento, as casas florestais em ruína, as estradas intrasitáveis, tem sido a única evolução que salta á vista.

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