A Lusa pirosa e esquecida


jmmcc,

«Homem condenado a 19 anos de prisão por degolar a esposa». O título é da Lusa, que acrescenta o seguinte: «O Tribunal de Benavente condenou hoje a 19 anos de prisão o homem acusado de homicídio qualificado, por ter degolado a esposa.» Esposa? Que a Lusa é fracota já todos sabemos, mas escusava de ser pirosa.

Na mesma notícia, a Lusa diz também que «o tribunal determinou ainda que o arguido, de 26 anos, seja expulso do país após cumprir dois terços da pena». Por causa do desemprego? Porque os juízes do tribunal embirraram com a cara do homicida? Pelo receio de que ele volte a casar em Portugal e venha a reincidir no crime? Com base em alguma nova lei que obriga os homicidas a emigrar? Isso é o que a Lusa se esqueceu de dizer. Desmiolada, gostou de saber da expulsão, mas sem querer saber o motivo.

27 comentários em “A Lusa pirosa e esquecida”

  1. A palavra “esposa” é pirosa? Eu acho que é exata.
    Como queria o João que a notícia tivesse sido redigida? “Por degolar a cônjuge”? “Por degolar a mulher” teria sido impreciso, dado que “mulher” se refere em princípio a qualquer adulto do sexo feminino.

      1. Em termos coloquiais, você tem razão.
        Mas a notícia é um texto escrito, que se pretende exato. “Homem preso por matar a mulher” é indefinido, pois a “mulher” pode ser qualquer mulher. Deve-se escrever “esposa” ou “cônjuge” para que se saiba que a mulher em questão era a esposa dele.
        Não se pode confundir a linguagem coloquial, falada, com a escrita.
        Uma mulher também se pode referir coloquialmente ao “meu homem”, mas em linguagem escrita, rigorosa, tem que escrever “meu marido”.

          1. Não. “A mulher” seria ainda assim indefinido, porque se poderia referir a qualquer mulher que estivesse próxima.
            Por exemplo: “o comprador estava a discutir com a peixeira. De repente, o homem sacou de uma faca e matou a mulher”. Aqui, “a mulher” refere-se (em princípio) à peixeira. Está indefinido, mas subentende-se, coloquialmente, que a mulher é a peixeira.
            O João parece ter dificuldade em discernir entre português falado, no qual “a mulher” se refere usualmente – mas não necessariamente – à esposa, e português escrito, em que a “mulher” é qualquer adulto do sexo feminino e a cônjuge deve ser designada por “esposa”, tal e qual como o cônjuge é designado por “marido”.

          2. Eu também.
            Eu concordo com o João em que “esposa” é foleiro (ou “possidónio”, como diz o comentador abaixo), mas, no entanto, é o que e correto e exato.

          3. Esposa é posssidónio, por, entre outras coisas, ser inexacto, mas o comentador que descubra porquê.
            Para enviar ambiguidades usa-se o pronome possessivo: a sua mulher, se bem que, sem mais nada, se perceba que não foi a mulher do próximo. Até o artigo definido, que é correcto e esclarecedor, acaba por ser dispensável.
            A ignorância é complicativa!
            Quanto ao marido termo correcto e “rigoroso” ( eheheh) não é um termo legal em Portugal há umas dezenas de anos. Legal e possidoniamente há cônjuges.
            Embora a mulher não use, senão coloquialmente, faladal ou por escrito, a expressão “o meu homem” o homem usa sempre o termo ” a minha mulher” e quando quiser usar de cerimónia dirá, dirigindo-se a outrém “a senhora sua mulher”.

          4. Nem mais? Infelizmente, a evidência não existe neste lameiro. Valha-nos a esperança em melhores dias.

        1. “Não se pode confundir a linguagem coloquial, falada, com a escrita.” Esta, vinda de quem vem, dá-me vontade não sei de quê – para não ser muito preciso.

  2. É verdade que o Zeinal Bava se chama assim e é português. Noutro contexto qualquer, os nomes dos cônjuges, Bouna Sackho e Helmina Biem, não me permitiriam tirar qualquer ilação sobre a nacionalidade deles. Mas se ao mesmo tempo a notícia me diz que o tribunal decidiu a expulsão do homicida blablabla, não preciso que me façam um boneco para perceber que se trata de um cidadão estrangeiro.
    A Lusa comete todos os dias crimes infinitamente mais graves a meus olhos do que a omissão da nacionalidade dos implicados neste fait-divers (que pode bem ser Alzheimer ou PC-zisse.)

  3. É mesmo pirosa, lembro-me bem da primeira e única vez que me corrigiram, correcção essa que foi feita pela mulher da minha vida.

  4. Basta consultar um dicionário. “Mulher” tem também o significado de cônjuge. É tão simples quanto isto.

    Mas “esposa” faz todo o sentido (todo…) num país de pedantes falidos. Onde, como se comprova à náusea , se tem que ser Eng. .” ou Dr. .” (mesmo que “apenas” se seja “lic.”, em versão pós-Bolonha e, como se isso não chegasse, forçada).

    E onde, bem antes da crise, a casa podia estar nua, sem um livro – até porque ler cansa – ou um quadro decente na parede, a dieta podia ser a cafés e torradas, mas o BMW ou AUDI, ou as férias no Brasil ou Punta Cana, entre outras coisas, eram de regra.

    Onde “mulher” é “a dias” (se ainda se lhe pode, claro, pagar).

    Muita parra e pouca uva.
    Costa

  5. Outra não menos horripilante é “a menina”, em vez de filha. Felizmente o GNR que ficou com a miúda de não-sei-quem já se calou, raios o partam que já não o podia ouvir. Isto para não ser impreciso.

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