«A deputada encarregue de dar o parecer sobre a revisão do Código do Trabalho, a ‘bloquista’ Mariana Aiveca, considera que a proposta do Governo “não reúne os requesitos (…)” » A notícia da Lusa também não reúne os requisitos: é “encarregada” que se diz, não é “encarregue”.
A Lusa encarregada
jmmcc,

Nem ‘requesitos’ se escreve. Escreve-se ‘requisitos’.
Infelizmente já vamos ficando habituados à qualidade do trabalho da generalidade dos jornalistas.
“Requesitos” dei de barato, na esperança de que fosse uma simples gralha, mas tem toda a razão e começa a palpitar-me que é mais uma gralha mental.
Dicionário Priberam
Encarregue: – Encarregado, que recebeu encargo, incumbido.
Porto Editora: – Encarregue: -Forma de encarregar…
Dar encargo, incumbir.
Dicinário Luso Brasileiro: Encarregue: incumbir.. dar encargo.
V. Excia fica encarregue de não atirar pedras!
“V. Excia» é o quê? Só conheço V. Ex.ª, certo? No Brasil, “Companhia” também se escreve “Cia”, mas em Portugal é “Comp.ª”.
Porém, sugiro-lhe que esqueça e que não venha querer dar lições antes de saber do que fala, sim? O caso em apreço não é sobre português do Brasil (a Enciclopédia Portuguesa Brasileira trata da língua em ambos os países), nem sobre acordês.
É “encarregado” que se diz e a agência Lusa tem não só obrigação de saber isso, como deve ser capaz de se defender sozinha aqui.
Portanto, tome nota para aprender e esqueça a sua falsa lição..
De facto, embora a norma a considere incorrecta, tal forma participial vai fazendo paulatinamente o seu caminho, sendo já aceite em alguns dicionários.
Isto da língua viva tem os seus quês…
Pois tem, mas um deles é haver normas para a gente se entender. Por andarmos a inventar o que já existe é “contratualizar” anda a substituir “contratar”, “listagem” anda a substituir “lista”, “criminalizar” anda a substituir “incriminar”, “acessibilidade” anda a substituir “acesso”, e mais um chorrilho de disparates que anda a engrossar todos os dias por causa do excesso de tempo de antena que é dado aos impreparados políticos e dirigentes desportivos.
Neste caso não concordo consigo, não se pode pedir a um comum jornalista que seja especialista em língua portuguesa.
Para o português comum, se uma palavra existe no dicionário (sem nenhuma referência que desaconselhe o seu uso), ela pode ser dita e escrita.
Neste caso não concordo consigo. Nem sei se o jornalista é comum, mas sei que tem (já teve no passado e devia ter no presente) um papel pedagógico relevante.
Aleluia! Estou tão farta de ouvir e ler “encarregue” por “encarregado”!
E alerto o comentador brasileiro para o facto de o Priberam ter deficiências várias, eu própria já encontrei bastantes. É um instrumento últil para consulta rápida para a grafia de uma palavra, para o género de um substantivo, mas não pode suibstituir um dicionário.
Vejamos o que diz o Ciberdúvidas, que nos oferece confiança incomparavelmente maior:
http://ciberduvidas.pt/pelourinho.php?ri d=1136
Nem mais, Teresa.
Veja-se também a Infopédia, que é de consulta fácil e fiável: http://www.infopedia.pt/.