Decorrida uma semana sobre a tomada de posse do novo governo da Grécia, Yanis Varoufakis, o mediático ministro das finanças helénico, parece começar a empreender um conjunto de siginificativas reformas. Reformas da sua posição inicial entenda-se.
Perdão da dívida? Pois parece que já não:
Attempting to sound an emollient note, Mr Varoufakis told the Financial Times the government would no longer call for a headline write-off of Greece’s €315bn foreign debt. Rather it would request a “menu of debt swaps” to ease the burden, including two types of new bonds.
Programa de emergência social? Hmm, talvez já não seja uma prioridade:
Mr Varoufakis said the government would maintain a primary budget surplus — after interest payments — of 1 to 1.5 per cent of gross domestic product, even if this meant Syriza, the leftwing party that dominates the ruling coalition, would not fulfil all the public spending promises on which it was elected.
Alinhamento da posição grega com os interesses da Rússia? Não necessariamente:
“So, clearly, the issue was not whether our new government agrees or not with fresh sanctions on Russia. The issue is whether our view can be taken for granted without even being told of what it is!”
Varoufakis parece assim ter já iniciado a sua própria longa marcha. Tudo indica que se trata, mais rigorosamente, de uma longa marcha-atrás.
Ou uma longa marcha para os antípodas, onde se sentirá at home.
Pareceu-me mais o espanto de dizer que o rei vai nu, numa fase tão inicial do cortejo; mas se não é cretinice disfarça bem.
Essa de achar que os alemaes estão preocupados com a dano da Grecia ou é fantasia ou um ego inchado.
É uma marcha a trás assim parecida com um primeiro ministro que eu conheço que, na campanha eleitoral, não tirava pensões mem baixava salários da F Pública, etc. e depois…
Enfim, democracia “representativa”.
Esse também arrecua todos os dias.
Logo à noite irão transmitir umas declarações do Kostas segundo as quais o Syriza apenas está a seguir os conselhos de Ioánnis Galamba e Petrus Nuno Santos.
heheh
Até já cá temos um Sócrates.
O principal índice grego subiu esta terça-feira mais de 12%, o que corresponde ao maior ganho diário desde Junho de 2012. As “yields” associadas às obrigações também registam fortes quedas. Tudo a reflectir o alívio de pressão, depois do Governo helénico ter apresentado propostas para reembolsar os seus parceiros, pondo de lado o perdão da dívida.
Não será um bocado cedo para balanços?
Se não houvesse recuos fazia-se um post a dizer: “Como o Syriza é radical e não recua vai comprometer as negociações”.
Há pessoas tão habituadas a comer tudo o que lhe põem no prato que pensam que negociar é impor a sua vontade. Falta de hábito.
E não foi cedo para as excitações de que “agora é que é”?
Não, não é cedo para balanços porque o balanço que o Rui Rocha aqui fez foi o dos recuos e nenhum mais.
Se é cedo é para tanto recuo junto, 5 ou 6 dias úteis.
Pelos vistos a falta de hábito de negociar era do Sr. Varoufakis e Ca, eles é que fizeram as afirmações todas que agora desfazem, não foi o autor do post.
Mas espero confortávelmente sentado que quando chegar a altura dos balanços o “jo” participe neles… .
Custa-me a perceber o que se pretende que os gregos façam. Afirma-se que o país foi atirado para a bancarrota por políticos corruptos, mas ao mesmo tempo diz-se que esses políticos são os únicos políticos sérios para negociar, e que qualquer outro que se proponha para governar é radical de esquerda ou de direita.
Parece que a UE só sabe negociar com políticos corruptos. Deve ser a melhor compreensão entre iguais.
Pode fazer-lhe confusão mas avanços e recuos são normais numa negociação. Não acredito que o Syriza consiga tudo o que quer mas pelo menos os gregos têm a sorte de terem um representante deles a negociarem seu nome.
Já os portugueses tiveram um ministro das finanças que negociou com o FMI e foi trabalhar para o FMI, um secretário de estado do tesouro que foi apelidado de “o alemão” pela imprensa estrangeira e um primeiro ministro que tem medo de dizer o nome dos membros de outro governo da UE, talvez para não desagradar ao chefes. Seria bom ter alguém a falar por nós, para variar.
Fale por si.
No pun intended.
Agradeço a sua resposta e os termos em que a dá.
Eu nunca disse que os políticos que lá estavam eram mais sérios para negociar.
Não eram.
Mas esse não é nem o ponto das suas considerações nem das minhas.
O “jo” diz que é cedo para balanços e eu digo que é cedo para terem desistido e,assim, concluo que era tudo “tesão do mijo” (perdoe-se-me a expressão).
Mas a mim não me espanta nada porque mesmo antes do Sr. Varoufakis ser nomeado ministro já ele tinha dito ao “Le Monde” que havia muito bluff nas posições pré-eleitorais do Syriza (se procurar encontra aqui no DO o link que na altura cá pus).
Com o risco de alguns comentadores que ficam incomodados por eu falar de mim (dado que se escondem até à medula dos olhares dos outros) digo-lhe que não me fazem qualquer confusão os avanços e recuos em negociações pois, por razões que não vêm ao caso, nos últimos 25 anos sempre estive na linha da frente no que respeitasse a negociações com Sindicatos e Comissões de Trabalhadores (onde mantenho conhecimentos e amizades).
Quanto às suas restantes considerações não as comento.
Independentemente do que penso dos nossos políticos (e não penso grande coisa) faz-me alguma confusão que não se possa falar da Grécia, da China ou do que quer que seja sem ír buscar a conversa do nosso ministro X ou do nosso político Y, dos malandros da UE e dos que o “jo” ao fim de uma semana põe as mãos no fogo em como são honestíssimos comparados com a canalha que o cerca.
Perdoar-me-à, se quiser, mas como imagina isso define-o à partida como pouco interessado na Grécia se isso não lhe servisse para uso interno.
Cumprimentos
Não me parece que tenham desistido, afinal concorda comigo, há uma negociação em curso.
Se acha que a primeira semana de governo já é altura para balanços, então é altura para balanços, mas ninguém me convence que não é um prazo muito curto.
A Grécia, ou qualquer outro país, interessa-me na medida em que pode ter repercussões no meu. Sendo um país semelhante ao meu a comparação é inevitável.
Não é por acaso que discutimos a Grécia e não ligamos nenhuma à sucessão de governantes em Tuvalu, a proximidade conta.
Preferia estar a discutir o processo negocial português com a troika ao longo deste mandato mas não há grande negociação quando a troika diz para fazer e a outra parte diz que é pouco.
Considero que a honestidade se prova pelas ações. Quanto a Syriza não sei se são honestos, não os conheço. Os da casa vão se dando a conhecer.
Mais uma vez agradeço a sua resposta.
Não, não concordo consigo naquilo em que comecei por discordar.
A conversa entretanto evoluíu e pode haver outros pontos em que concordemos mas isso não altera a situação primitiva de discórdia, que se mantém
Claro que é um prazo muito curto para tirar conclusões sobre como isto acaba, mas não é um prazo muito curto para concluír que – tal como outros que bem conhecemos – ganharam as eleições com promessas que sabiam não poder cumprir, tanto que já o admitem, dia após dia, logo na 1ª semana.
Mas repito o que disse noutros comentários: ganharam as eleições e podem-nas
perder a seguir, até lá têm legitimidade total para governar.
Em democracia é nas urnas que se sancionam os políticos.
A democracia não é só boa quando nos convém, por isso mesmo é democracia.
Mais um que acha bem que uma sociedade não cumpra com o que se compromete.
Mais um que acha que as roubalheiras cuja descrição temos vindo a ter nos nossos tribunais e nas comissões de inquérito parlamentares se deveram ao salário mínimo ser muito alto e aos portugueses terem comprado muitos TV de plasma.
Quando se fala de sociedade como um corpo único ter de pagar, convém definir qual foi a parte da sociedade responsável pela derrocada e qual foi a que está a pagá-la. Não são as mesmas pessoas.
Lembra-se dos nossos banqueiros e empresários considerados sérios, confiáveis e responsáveis que diziam que os salários eram muito altos? Rebentaram com os bancos e empresas e continuam a usufruir dos milhões que juntaram de pé de meia.
“Não são as mesmas pessoas.”
Pois não, diz muito bem, não sou eu que não votei em nenhum Governo Socialista, seja este de Esquerda ou Direita.
Já é você responsável porque você está de acordo com os poderes do Regime. Aliás tem pena de não ter ainda mais poder sobre pessoas como eu.
É você como socialista que não permite objecção de consciência numa sociedade. É você como Socilista que quer que todos sejam responsáveis por tudo, mesmo por coisas que não dão valor.
É você como socialista que quer o Estado com poder para endividar sem limites e depois começa a culpar os lapís quando o seu desenho começa a ficar feio.
E hoje continua a defender o mesmo, veja-se como está chateado por o défice ser “só” 8% do gastos do Estado. Ainda quer mais dívida.
Claro que é cedo – e muito – para balanços, ou a procissão já saiu do adro?
Obviamente pediram o céu para poderem ceder. Do outro lado, parece, também já haverá condescendência.
Claro que sim, isso é tudo óbvio como diz.
O problema deles vai ser outro: o das pessoas que votaram no “céu” de que fala e que eles tinham prometido.
E essa procissão, a dos que os elegeram porque acreditaram nisso tudo, essa já saíu do adro no próprio dia das eleições.
Porque por mais que os dois lados se aproximem muita promessa ficará por cumprir, quem o tem vindo a dizer é o Sr. Varoufakis (ainda que seja mais fácil encontrar tudo o que ele diz numa voltinha pelos jornais estrangeiros de todas as tendências do que nos nossos).
Mas não é esse o ponto do post e foi só disso que eu falei.
No entanto não me furto a falar de outros pontos, claro…
Boa tarde para si
Entradas de leão, saídas de sendeiro. Parece que agora qualquer coisinha os satisfaz.
Brincadeira de meninos? não! conversa para parvos, porque só os parvos e alguns que não são, mas às vezes gostam de se fazer, é que acreditam que um movimento da esquerda radical que é um autentico “Albergue Espanhol” pode resolver os inumeros e enormes problemas da Grécia com tanta facilidade, enquanto põe os outros a pagar mais de 300 mil milhões de euros!
Posso até acreditar que para lhes salvar a face, o BCE que agora resolveu atirar dinheiro pela janela, lhes dê mais algumas facilidades. Mas as reformas vão ter de as continuar a fazer, e os saldos primários de 1,5% que podem ser efémeros, não dão nem para principio de conversa.
E depois temos o FMI que tem estado estranhamente calado, mas emprestou à Grécia mais de 80 mil milhões. E para esses não há solidariedade Norte/Sul.
Pode até ser marcha-atrás, mas tudo fazem pelo povo grego. Aos gregos, tanto se lhes dá que paguem a dívida, só quando o PIB crescer ou de outra maneira, o que lhes interessa, é terem uma vida condigna de seres humanos, coisa que todos os outros governos, mostraram estar pouco interessados. Até agora têm mostrado ao mundo o que é ser-se político.
exatamente…tudo o que infelizmente está associado à politica! Para ganhar eleições prometemos… depois… logo se vê!
Prometeram dar uma vida condigna e isso, eles estão a fazer, ao contrário dos nossos em que as pessoas deixaram de o ser, para serem números e isso é que não.
Estão a fazer não, FIZERAM! Está feito, camarada! A Europa mais o FMI já declararam que pagam tudo! TUDINHO! A austeridade finou-se na Grécia! Essa convicção anda muito por baixo, camarada!
Ter uma vida digna até os do Zimbabwé e do Mali p. ex., gostavam de ter. Infelizmente esses países não têm rendimentos per capita acima dos 20 mil dólares, e ninguém lhes empresta centenas de milhões de euros para torrarem no bem-bom e depois não querem pagar.
Não há estupidez maior do que a solidariedade estupida. Sr anónimo, se tem tanta pena dos gregos, mande para lá todos os meses metade dos seus rendimentos. Mas oferecidos, porque se forem emprestados, corre o sério risco de nunca mais receber!
É por estes comentários que na realidade se vê o carácter de cada um de nós. Quando os finlandeses diziam que não nos queriam ajudar, não gostávamos e agora, estamos prontos a fazer o mesmo aos outros, como se já não precisássemos de ajuda. É melhor matar as pessoas à fome, sem casa, sem luz, sem direito à saúde e a seguir, vamos comemorar Auschwitz, como se fossemos íntegros e detestássemos a barbaridade, mas estamos prontos a deixar morrer os outros que não tiveram culpa, da bandalheira dos seus governantes. Que sejamos humanos é pedir muito? Ou preferimos a luta? É que por este andar ou somos solidários ou vamos acabar bem mal. Não mando metade dos meus rendimentos porque não valiam de nada, mas cá, sempre que posso ajudo a pagar o telefone, a luz, a água e não peço nada em troca.
Em que mundo é que você vive? a Grécia não está à beira de uma catástrofe humanitária, e os gregos só têm de administrar melhor os recursos de que dispõem.
Quanto aos julgamentos de carácter, é preciso cuidado, porque você não me conhece de lado nenhum.
Auschwitz?
Vivo num mundo onde impera o egoísmo, a ganância, o alheamento e da falta de sentimentos. Falei do carácter de todos nós, tem ler o que escrevi. Se vamos por aí, também não gostei da solidariedade estúpida. Os gregos estão mal, muito mal, até nós, mas já nos esquecemos disso. Os gregos, tal como nós, não têm culpa nenhuma de terem sido governados por corruptos que ficaram bem e eles mal. Quando alguém orienta mal, aquilo que governa, paga pelos erros. Começa a ser tempo de pagarem pelos erros e roubos que causam ou eles destroem, orientam a vida deles e o povo paga? Deste mundo eu não gosto………….
Eheheh, fazem marcha-atrás pelo povo. Deixem-me rir.
Não se deixe tolher por tanto avanço e recuo de parte a parte. Aguarde pelas declarações conjuntas e leia também nelas o que vai ficar para ser formalizado no futuro, eu disse formalizar.
Compreenda isto: todos ficam a perder, mas em situação de desespero dos gregos a UE fica muito mal. Sucede que quer os EUA, quer a França, quer o Reino Unido não estão virados para a aparente, repito aparente, firmeza alemã. E alguns deputados alemães democratas cristãos e social democratas também não.
Agora o filme é ajeitado no sentido de evitar a propagação da reivindicação do mesmo por parte de outros países. Não se pode resolver tudo de uma só vez.
Não veja nestes jogos vencedores e derrotados.
Varoufakis é parecido com Antony Queen, mas a Merkel não me parece Allan Bates, esta não vai dançar o zorba, não.
Se não vai que se virem para outro lado. Auschewitz já terminou há 70 anos, mas parece que ainda há saudades desses tempos porque para matar, mata-se de muitas maneiras. Que paguem os que causarem o descalabro ou governa-se a asneirar e os cidadãos que paguem? Pague quem se governou e esbanjou.
E de repente os Pedrofilos (apoiantes do Pedro), descobriram o Syriza e ficaram em pânico.
Mas que barrigada de riso.
“Rather it would request a “menu of debt swaps” to ease the burden”
Os Swaps voltaram a ser solidários, soberanos , patrióticos e por isso bons.
Brevemente teremos os jornais neo-marxistas tugas : Expresso, Publico, JN, DN a falar bem dos swaps.
Egoismo e Poder, é do que se trata…
A implantação das empresas mais rentáveis da UE está feita (foi feita) no território dos países mais poderosos da união. É por isso que existe um desequilibrio de rendimento (os países do norte têm acesso ao crédito barato e conseguem pagá-lo, os países do sul endividam-se a juros elevados e têm dupla dificuldade em pagar).
Se no território português estivessem mais duas ou três fábricas de automóveis, mais uma fábrica de motores de avião, etc., era o suficiente para que o país tivesse as contas públicas equilibradas assim como a balança de pagamentos.
ERAM PORTUGUESES QUE FABRICAVAM CARROS E AVIÕES SEM TEREM QUE EMIGRAR PARA A ALEMANHA…
A tua cultura socialista Manolo Heredia é uma das razões porque não há criação em Portugal.
Porque é que alguém há de criar/investir algo complexo quando ao lado os Manolos Heredias dizem para não cumprir, arrogam-se do direito de tirar e oprimir?
oh luky, aonde é que estão os vestígios de marxismo no meu texto.
Em vez de rebater a minha ideia você classificou-a (e mal). Depois, como você não é marxista, rejeitou-a.
Hitler, se tivesse ganho a guerra, tinha ido de seguida pacificar os territórios conquistados (como fizeram os romanos). Uma forma de o fazer teria sido levar prosperidade a esses territórios implementando neles atividade lucrativas. O suficiente para que não houvesse fome e descontentamento. Foi o que fez Estaline.
Considerado por esta ótica poderia ter classificado o meu texto como nazi ou bolchevique.
O que eu quis dizer, e você bem percebeu, foi que quando os políticos que estão à frente da UE falam de coesão estão a ser hipócritas. Não há outra maneira de promover a coesão que não seja a de planear a produção industrial distribuindo-a no território da união por forma a uniformizar o mais possível a geração de riqueza e consequente distribuição da mesma.
Em vez de se dar rendimento social de inserção, ou subsídio de desemprego a muitos cidadãos que não têm emprego, deslocam-se unidades de produção de zonas em que estão a mais para zonas onde estão em falta. Autoeuropas.
Em vez disso, o que os gestores da União fizeram, foi dar subsídios às indústrias dos países do Norte sob a forma de doação dos “fundos (perdidos) de coesão” aos países do sul. Ao responderem ao apelo, os países do sul endividaram-se, ou seja, a indústria dos países do norte obteve negócios que nunca teria tido se os países do sul tivessem resistido à tentação de se endividar. Os países do Norte ficaram com a prosperidade, os do sul ficaram com as dívidas, e também com boas infraestruturas é certo, que nunca teriam tido se não se tivessem endividado.
Aonde é que está o marxismo nisto?