(Filipe Amorim/Global Imagens)
Por declarações anteriores, pelo estilo fanfarrão, pela falta de contenção em muitas das suas afirmações, pelo perfil “amiguista” que lhe foi apontado por Augusto M. Seabra — com toda a razão, diga-se de passagem —, pela forma como geriu politicamente a saída de António Lamas do CCB e, ainda mais agora, depois das frequências “facebookianas” em que misturava as suas opiniões pessoais com as funções do cargo que ocupava, era mais do que óbvio que João Soares não tinha condições para continuar.
O que veio dizer, à laia de justificação mal amanhada para a sua demissão, só prova o quanto estava errado. O que estava em causa nas suas declarações não era um qualquer direito à liberdade de expressão. Oferecer um par de estalos a quem o critica, mesmo que na reinação, para além de tudo o mais que possa ser dito, revelou falta de bom senso e de cultura democrática, o que para quem é filho de quem é deveria ter merecido outra atenção.
O primeiro-ministro António Costa esteve bem na forma como se comportou, porque uma vez mais demonstrou que os bons exemplos têm de vir de cima. Aquilo que disse quanto à postura de um ministro na mesa de um café tem plena actualidade, aplica-se a qualquer titular de um cargo político e em todas as funções públicas sobre as quais deva ser exercido um escrutínio rigoroso, pelo que deverá ser tomado como um aviso a ser seguido à risca pelos destinatários.
Em qualquer caso, terminado este triste episódio da nossa vida democrática, o que ficará sempre por explicar foi por que razão António Costa condescendeu quando convidou João Soares para fazer parte do seu governo. Que também a ele lhe sirva de exemplo na hora de escolher os seus colaboradores dentro do partido. Numa república, numa democracia, a linhagem não conta. O que vale é o conteúdo.


O Costa é bom a enfeitar os presépios, mas com esta figura deu-se mal.
Agora vai ter que aturar o da defesa com por causa dos rapazes da tropa diferenciada.
Estou de acordo com tudo o que deveria evitar a entrada do personagem no governo.
Já não estou nada de acordo com o motivo da saída.
Sou pela humanização da política.
Por estar na base de quase tudo o que de mal nela acontece, sou visceralmente contra a sacralização da política.
Abaixo a hipocrisia e o politicamente correto.
Abaixo!
“Numa república, numa democracia, a linhagem não conta.” Em ligeira contradição com o fim do 2º parágrafo. Mas concordo consigo, não deveria contar. E por isso mesmo a decisão de expulsar o ex-director do CCB não faz sentido (Os lugares de “confiança” sempre me irritaram profundamente porque não significam outra coisa que capatazes, favores e manipulação de lugares públicos) é errada, porque não só parece ser alguém com resultados positivos na gestão cultural como também não há nenhum projecto alternativo — e mais uma vez a dança das cadeiras, a arrogância de alguns baronetes, o feudalismo partidário custa tempo e recursos à cidade e ao País.
Multipliquem isto por quase todas as decisões ministeriais e o produto é o tempo e a energia que perdemos por causa destes facínoras.
Alguém me diz a que texto (ou textos) reagiu João Soares quando prometeu as bofetadas?
É que, sem isso, não posso formar opinião.
Alguém me diz a que texto (ou textos) reagiu João Soares quando prometeu as bofetadas?
É que, sem isso, não posso formar opinião.
Não vejo que a atitude de João Soares contrarie a cultura dominante. Mas também noto que a sua atitude, identificando-se, em oferecer um par de estalos contraria a atitude de muitos que na blogosfera oferecem o mesmo, insultam e muitas outras coisas dizem de forma camuflada. Oferecer um par de estalos e eventualmente insultar alguém, sabendo-se sua proveniência e morada, revela uma natureza livre e honesta.
Seria, isto sim, falta de bom senso se Soares não agisse de acordo com o senso comum. A tradição faz lei.
Portanto, não vejo que Costa estivesse bem neste assunto.
E transformar as simpatias e ou antipatias por uma determinada personalidade, transformando-se em falsa indignação uma atitude que até é comum, e pretender fazer disto exemplo e moral não revela uma sadia liberdade.
Não obstante a cordialidade de Soares revelada em suas declarações sobre a demissão, depreendo que o que esteve em causa foi a mensagem de Costa, “até à mesa de um café os ministros não podiam deixar de sê-lo”, tentando menorizar os seus pares.
Mas mais ainda, compreendi que Costa sabe que a mesa de um café é um sítio onde o comum se expressa. Por que razão tem de ser diferente com o facebook ou outro qualquer local?
Será que um ministro deve ser aquilo que na realidade não é? Será que um cidadão deixa de o ser só por ser ministro?
Há por aqui certas dicotomias que revelam a falsidade das posturas e confirmam a sociedade do parecer.
Costa também esteve mal nos exemplos que pretendeu dar para justificar mais uma carga fiscal sobre o tabaco. Se ele for pela via do moralismo acabará por enredar-se num novelo.
É necessário que coloque algum travão neste ciclo que abriu.
Aposto que não diria o mesmo se fosse um ministro do PSD.
Como não existem casas de apostas para colocar cruzes na estupidez, navego pelo Delito para ficar a saber que Costa não é ministro. Na mente de alguns deve ser mais um patrão da política como pretendiam alguns do PSD.
O conteúdo corresponde à linhagem.
O amiguismo vem-lhe do pai, só que o pai era tão só amigo de si mesmo.
A grosseria também daí vem com a melhoria de ser menos oculta.
Igualam-se ainda como gente de seita.
António Costa criticou (in)directamente o comportamento de João Soares salientando que um ministro nunca deixa de o ser, mesmo à mesa de um café. Na verdade, é errado que um dirigente político utilize o Facebook para ameaçar explicitamente jornalistas com violência. É mais «adequado» fazê-lo veladamente através de SMS. 😉